Relatório da moderação de comentários (outubro e novembro de 2024)

O experimento de fechar os comentários do blog, em novembro, fracassou. O meio eleito como alternativa, o e-mail, foi pouco usado pelos leitores. Até meados do mês, havia recebido menos de 50 mensagens.

(Para colocar esse número em perspectiva, é normal o Manual ultrapassa os 2 mil comentários por mês.)

Acabei antecipando o fim do experimento e para falar dos resultados em outro momento, que, a julgar pela falta do que falar (senti falta, foi ruim), vai neste relatório em dobro da moderação de comentários de outubro e novembro.

Em dezembro, defini uma nova “diretriz interna” para tornar o trabalho menos desgastante: deixarei de enviar e-mails com justificativas a leitores que publicam com frequência comentários problemáticos. Depois de certo número, eles sabem o porquê das mensagens barradas e, de verdade, ando meio sem energia para ficar escrevendo a mesma coisa de novo e de novo e de novo… A justificativa será dada nos relatórios mensais, como este.

Vamos aos casos.

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A mesa de trabalho do Tiago Celestino

Nesta seção, leitores do Manual mostram suas mesas (e o que tem em cima delas), explicam o que usam e como, e nessa todo mundo aprende alguma coisa nova. Veja outras mesas e, se puder, envie a sua.

Olá, me chamo Tiago Celestino, soteropolitano. Morei por nove anos e meio em São Paulo, voltei para a Bahia há dois anos.

Trabalho com tecnologia já tem alguns anos, como desenvolvedor, e nos últimos dois fui coordenador de um time de desenvolvimento. Atualmente, estou aproveitando o momento de uma demissão recente para poder descansar, ler os livros atrasados e fazer alguns cursos. Também voltei a escrever em blog.

Sempre gostei de ver as mesas e mochilas dos leitores do Manual, mas sempre tive preguiça de mandar o meu espaço, mas agora, com mais tempo, não tenho “desculpas”.

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Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

alto.daily: Transforme uma tarefa recorrente do Apple Lembretes em um monitor de hábitos. / iOS, macOS

Cinnamon Desktop 6.4: O ambiente gráfico padrão do Linux Mint passa a ter, nesta versão, um tema padrão bem cuidado para quando usado em outras distribuições Linux. (O tema do Mint é outro, exclusivo.) / Linux

iCloud Passwords: A Apple assumiu a extensão das Senhas do iCloud para Firefox. Por algum motivo desconhecido, ela só funciona no macOS. / Firefox (macOS)

Telegram: O cassino online, digo, app de mensagens Telegram ganhou um programa de afiliados para miniapps, busca de figurinhas com IA (!?) e colagens nos stories. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows

Trace: App gratuito e com a promessa de ser simples, o Trace te ajuda a entender o tempo gasto no uso do computador. / macOS

ungoogled-chromium: O macOS agora tem instaladores “notarizados” deste navegador, uma espécie de Chrome sem vestígios do Google. / macOS

Unhinged: App relativamente novo para registrar o humor. UI/UX super agradável, mas senti falta de estatísticas e correlações. É um dos do Marcel Wichmann, que tem outros igualmente adoráveis. / iOS

Ainda em seu voto, o ministro Dias Toffoli incluiu marketplaces, como Amazon, Mercado Livre e Shopee, às plataformas com responsabilidade sobre conteúdo de terceiros. Nesse caso, sobre a venda de produtos irregulares. / folha.uol.com.br

Em paralelo, Vicente Aquino, do Conselho Diretor da Anatel, justificou na recusa de um recurso da Amazon contra multa da agência pela venda de produtos não homologados, que “marketplaces não são meras vitrines virtuais, mas assumem papel ativo e indispensável na comercialização dos produtos”. / convergenciadigital.com.br

O ministro Dias Toffoli defendeu, nesta quinta (5), a inconstitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. Ele relata um dos dois casos que estão sendo julgados a respeito da responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos de terceiros. / folha.uol.com.br

É uma postura polêmica, provavelmente sem unanimidade na corte. Toffoli argumenta que, embora os conteúdos sejam de terceiros, as plataformas se beneficiam deles: “Ao recomendá-los ou impulsioná-los a um número indefinido de usuários, o provedor acaba se tornando corresponsável pela sua difusão.”

Meta complica, mas libera usuários do Threads para seguirem pessoas no fediverso

A Meta deu mais um passo na integração do Threads ao fediverso, ou seja, na compatibilidade com o ActivityPub e plataformas que usam esse protocolo, como o Mastodon: agora é possível a pessoas no Threads seguirem perfis de outros servidores do fediverso que já tenham interagido com o Threads. / @zuck@threads.net (em inglês)

Achou complicado? Calma, ainda estamos na parte simples.

Adam Mosseri, executivo que lidera o Threads, deu mais detalhes:

Você pode ver as postagens deles [pessoas do fediverso] navegando até seus perfis e também pode optar por ser notificado quando eles postarem em seus servidores. / @mosseri@threads.net (em inglês)

Em outras palavras, os posts vindos do fediverso/Mastodon não aparecem no feed e em outras linhas do tempo públicas.

Para piorar, o caminho para de fato seguir alguém de outro servidor/instância é cheio de pedras. O site We Distribute deu uma fuçada e explica:

O Threads oferece um link especial que pode ser usado para procurar perfis específicos [de outros servidores], desde que cumpridos estes requisitos:

  1. Você tem o “Compartilhamento no fediverso” definido como Ativado em sua conta no Threads. [Ative-o aqui.]
  2. Essa pessoa não te bloqueou.
  3. Essa pessoa ou quem administra o servidor não bloqueou o threads.net. / wedistribute.org (em inglês)

Ficarei surpreso se aparecer algum seguidor do Threads no meu perfil no Mastodon

Alienação e aceleração

Em 1985, o educador estadunidense Neil Postman publicou Amusing ourselves to death1, uma crítica à TV e o seu poder de reduzir qualquer matéria ao entretenimento.

No livro, Postman faz o alerta de que o mundo contemporâneo não é o imaginado por George Orwell em 1984 (opressor, totalitário), mas sim o que Aldous Huxley apresenta em Admirável mundo novo, ou seja, um em que as pessoas sacrificam seus direitos voluntariamente em troca de felicidade artificial. A diferença é que em vez do “soma”, a droga sintética que dava barato no livro, a do mundo real dos anos 1980 seria a TV.

O argumento de Postman contrasta os Estados Unidos do século XIX, quando alguns bolsões apresentavam índices altíssimos de alfabetização e os debates entre políticos e figuras públicas eram acontecimentos e demoravam horas, às vezes dias, com o distraído pela TV, evocando Marshall McLuhan e sua máxima (“o meio é a mensagem”) para sustentá-lo:

A duração média de uma cena na televisão é de apenas 3,5 segundos, de modo que o olho nunca descansa, sempre tem algo novo para ver. Além disso, a televisão oferece aos espectadores uma variedade de assuntos, requer habilidades mínimas para compreendê-los e visa em grande parte a gratificação emocional.

Se trocarmos “televisão” por “TikTok” ou “Instagram”, a frase continua valendo nos anos 2020 sem demandar outras alterações.

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