WP Engine processa Matt Mullenweg e a Automattic

Na quarta (2), a WP Engine ajuizou uma ação contra Matt Mullenweg e a Automattic na Califórnia1. A petição começa dizendo que “trata-se de um caso de abuso de poder, extorsão e ganância”; depois, lista mais de dez acusações.

Não sei como funciona a Justiça estadunidense, por isso não arrisco traçar paralelos com a brasileira para tentar explicar. (Acho fascinante como o “juridiquês” deles soa mais coloquial, compreensível, o que torna peças do tipo quase entretenimento.) Chamo a atenção a três detalhes:

  1. A doação da marca WordPress à Fundação WordPress pela Automattic, em 2010, incluiu um sublicenciamento de volta à Automattic que nunca foi comunicado à Receita Federal dos EUA ou publicamente. A acusação (a partir do parágrafo 29) compõe o argumento de que, embora sejam entidades supostamente distintas, na real Matt controla todas — Automattic, WordPress.org e Fundação WordPress.
  2. O assédio a que submeteu a CEO da WP Engine, Heather Brunner, ameaçando expor à imprensa que ela teria se candidatado a uma vaga na Automattic caso não desse uma resposta. (Parágrafo 89.) Os advogados da WP Engine afirmam que isso nunca aconteceu e que, em 2022, a Automattic ofereceu-lhe uma vaga, que foi recusada.
  3. A menção a um texto do meu blog (!) em inglês (nota de rodapé 42, parágrafo 82), em que peço publicamente a remoção de Matt da liderança do projeto WordPress.

De seu lado, Matt continua sua cruzada rumo à insanidade, escrevendo pelos cotovelos em público, aparentemente com o aval dos seus advogados — que ou são muito ruins, ou não têm qualquer poder sobre seu cliente.

No mesmo dia, a Automattic publicou a minuta de contrato de licenciamento de marca que teria sido enviada à WP Engine no dia 20 de setembro. Ela confirma a tentativa de extorsão de 8% do faturamento da WP Engine, garante à Automattic o direito de auditar as contas da rival e acesso a dados de funcionários, e proíbe a WP Engine de criar versões derivativas (“forks”) de plugins, extensões e do WooCommerce, o que viola a licença desses softwares, a GPLv2. Não me surpreenderia saber que o documento foi redigido por Matt, sem o envolvimento de advogados.

Na quinta (3), soube-se que a diretora executiva do WordPress e diretora geral da divisão de open source da Automattic, Josepha Haden Chomphosy, demitiu-se. (Matt fez o “anúncio” em um de seus posts no Hacker News.)

No encerramento do WordCamp US, em 20 de setembro, quando Matt declarou guerra à WP Engine, alguns presentes notaram que Josepha ausentou-se antes da fala do chefe, alegando uma “emergência familiar”. À luz dessa nova informação, fica a dúvida de se o real motivo da sua saída precoce do evento tenha sido motivada pela discordância com o que Matt estava prestes a fazer.

Seguirei acompanhando o caso.

  1. Se você perdeu o começo desta história, leia isto antes.

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