O que esperar da TV 3.0?
Está a pleno vapor a articulação para a “TV 3.0”, com previsão de lançamento já para 2026. No início de agosto, a Globo apresentou um protótipo, uma prévia do que esperar do novo salto tecnológico da TV aberta.
O Globo, jornal do grupo, deu a notícia. Entendi a proposta, mas para mim ela soou mais como uma ameaça:
A versão 3.0 da televisão digital vai permitir, através da conexão à internet, que o usuário participe de enquetes, votações e chats durante a exibição de novelas, programas e competições esportivas usando o controle remoto. Será possível ainda acessar funções especiais para comprar produtos exibidos na tela e enviar reações ao conteúdo, como ocorre nas redes sociais.
É raro uma lista de atrativos ser tão broxante. A parte que estimula alguma empolgação ficou mais para baixo:
[…] será possível assistir transmissões com resolução de até 8K, o dobro do atual 4K, e personalizar o áudio, isolando determinados ambientes como o barulho do público em um estádio, além de informações como horário, local e sobre a programação.
Assistir a um jogo de futebol sem os berros dos narradores e pitacos ruins dos comentaristas parece um sonho. Grande o bastante para trocar de TV? Hahaha, aí não.
Sentiu falta de algo? Ah sim, o fim do anonimato e a publicidade segmentada. No rodapé da notícia, Raymundo Barros, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre e diretor de Estratégia e Tecnologia da Globo (ufa!) dá a má notícia:
[…] A TV 3.0 tem tecnologia para reconhecer individualmente cada usuário.
[Barros:] “A TV 3.0 vai tornar a relação personalizada e capaz de gerar interação. Com isso, vamos prover experiências de consumo cada vez mais personalizadas, sem abrir mão dos conteúdos que têm apelo massivo. A TV digital na versão 3.0 não abre mão de mídia de massa, mas cria espaço que pode e será ocupado por pequenos e médios empreendedores.”
Isso dá pra esperar deitado em berço esplêndido. A
O fim da tv analógica levou mais de 10 anos, com seu desligamento sendo sucessivamente adiado inúmeras vezes. Tem que esperar tbm as emissoras comprarem câmeras 8k.
Uma curiosidade: sabiam que o primeiro programa brasileiro de tv aberta transmitido em 3D foi o pânico na tv? A emissora tinha as câmeras mais novas na época, justamente por ser uma emissora nova. Foi uma transmissão de testes em circuito fechado para os executivos e fornecedores dos equipamentos.
No fundo os recursos que “serão possíveis” na nova TV 3.0, já era possíveis desde antes, mas nunca são implementados… Ex: multi câmeras, multi áudios etc.
ta pior que a indústria de celular tanto reinventar a roda.
Parece o inferno na Terra. Imagina você vendo um jogo e caindo aquele bando de coraçãozinho, tipo live de Instagram? Fora a questão da privacidade. Ainda tenho uma “dumbTv” e, pelo visto, acho melhor cuidar dela com muito carinho…
Logo eles (Globo) também colocam a sua bet na interação na tv 3.0. Tá doido!!
Pensando aqui: teria que ver em outros países como está a questão da “televisão pública” (ou aberta). Não creio que tenha a ideia de “publicidade segmentada” pois geralmente as tecnologias de televisão acabam como “apenas emissoras”, gerando interação mais em redes sociais.
Como já disseram, o Ginga “não deu ginga” e parou. Noto que as pessoas não querem exatamente uma interatividade quando estão em uma TV Aberta (falando do Brasil, teria que ver em outros países também), só querem ver seu programa e sabem que se precisar interagir, é ir nas redes sociais do programa em exibição.
Em tempos e um pouco fora do tópico mas dentro do tema televisivo; já estão encerrando as tecnologias de TV Analógica via satélite. Faltam poucos canais para encerrar as atividades, provavelmente com final de exibição em setembro.
[Barros:] “[…]. A TV digital na versão 3.0 não abre mão de mídia de massa, mas cria espaço que pode e será ocupado por pequenos e médios empreendedores.”
Sentá lá, Cláudia!
Curioso é que essa proposta de interatividade pelo controle remoto já era uma promessa da TV digital (~2009), mas que não vingou.
Tem, mas é porca e depende de você ter Internet, sendo que no padrão original foi proposto que a antena atuasse como uma rede mesh de baixa velocidade, para a interatividade e sistemas públicos
Eu ia dizer a mesma coisa. Fizeram a mesma promessa na TV Digital e não aconteceu. Duvido muito que isso aí vai vingar, os mais jovens não assistem mais TV, eu mesmo só vejo jornal na tv aberta e olhe lá. Não trocaria de TV para ter essas bobagens.
E as mudanças nos serviços de streaming cada vez me dá vontade de voltar pro mundo da pirataria, antes os preços eram razoáveis e tinha conteúdo 4K, hoje os planos com 4K são muito caros e não dá mais para compartilhar os acessos com pessoas fora da mesma residência sem pagar mais taxas.
Ia comentar isso, as promessas do Ginga sendo recicladas aí.
As promessas do Ginga dependiam das emissoras e dos provedores de Internet.
Foi proposto que as Antenas fossem usadas para formar uma rede mesh de baixa velocidade para uplink para facilitar a interatividade. A velocidade seria de 64kbps (para o usuário final), suficiente para enviar pacotes pequenos de volta com as interações e ocasionalmente prover alguns serviços governamentais básicos, mas foi barrado em especial pelas Teles/Provedores de Internet, pois era visto como interferência no mercado yada-yada…
Agradeçamos à Vivo, Claro, Globo e SBT (entre outras) pelo Ginga não ter vingado
Lembrei disso mesmo, no fim ngm vai implementar tbm
Dessa vez vai pois você vai precisar de uma conexão de Internet para usar a TV 3.0, ela não será over the air
Esse bonde da interatividade já partiu. Ginga já nasceu condenado, porque a TV digital acompanhou a adoção em massa dos smartphones no Brasil. Os brasileiros compraram a ideia de interatividade, mas através dos seus smartphones, assim participando de votações, discussões em redes sociais com a hashtag do programa etc. Ninguém espera ou quer utilizar o controle remoto da própria TV para isso, nem em 2009 e muito menos em 2024.
Quem financia essas iniciativas? O governo?
Claro que é o governo…
Lembrando que muitas propostas foram atravessadas pelas empresas contra a sociedade
Por exemplo: a banda VHF-Low (antigos canais 2-6) originalmente tinham como propostas serem realocados para uso de TVs Comunitárias, mas as empresas se apropriaram para o 5G 700MHz