Não demorou muito para a Meta sacanear jornalistas no Threads, repetindo um roteiro já gasto de… sacanear jornalistas. Na sexta (9), Adam Mosseri disse que “contas políticas” não serão recomendadas pelo algoritmo do Threads e do Instagram. (O que define uma conta como “política”? Boa pergunta.)

Muita gente que apostou na rede da Meta diante da decadência do Twitter se sentiu traída. O que é estranho, porque não é a primeira nem a segunda vez que a Meta sacaneia jornalistas. Via @mosseri@threads.net, Washington Post (em inglês).

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12 comentários

  1. Alguma rede social deu certo realmente não tendo conteúdo “político” na definição restrita, ou mesmo na definição ampla ?

    Se tirar qualquer conteúdo “político”, o que sequer sobraria ? Páginas comerciais e de entretenimento ? Perfis de amigos e contatos ?

    Já temos mensageiros, sites e aplicativos, e outras redes sociais para estas utilidades.

    1. Acho que em uma época em que a internet não era tão tomada por propaganda e engajamento, o Orkut tenha sido talvez a única rede social que realmente teve sucesso sem conteúdo político. Ou melhor dizendo, sem ter conteúdo político quase como foco. E era um tempo em que as redes sociais pareciam ser mais divertidas porque não tínhamos tantas pessoas usando algo que deveria ser social e voltado para o entretenimento como trabalho. Hoje o que não faltam são contas que têm como único objetivo ter engajamento porque a interação nas redes virou trabalho; e isso deixa todas as interações que ali ocorrem mais artificiais na minha opinião. Mas talvez seja apenas a nostalgia falando e no fim sempre foi dessa forma. Enfim… pretendo escrever um pouco mais sobre isso no órbita mais pra frente.

      1. @feed Após o lançamento do Instagram muita coisa mudou, houve o aperfeiçoamento de ferramentas de engajamento e o público começou a se politizar mais a partir de 2013/2014. É um pouco melancólico pensar que o Facebook, por exemplo, tornou-se um amontoado de anúncios inúteis e de grupos de golpistas que enganam idosos; além de comunidades que disseminam inverdades e fakes que sempre enviam via Messenger certos tipos de links maliciosos de conteúdo duvidoso. Não tá fácil usar essas redes não… 😐

  2. Uai. Acho que o problema é em “como definir o que é político e o que não é”. Mas fora isso o ato de não recomendar conteúdo político é uma boa medida, não?

    Isso não é legal pra deixar o debate menos polarizado? Menos Nandos Mouras, Olavos, gladiadores medievais e tals?

    1. É, acho que o problema é definir o que é “político”. Um jornalista é político? Um Mando Moura? Uma tirinha da Laerte? Um post do Manual falando sobre redes sociais?

    2. É muito difícil (para não dizer impossível) acreditar que conteúdo político é binário, é ou não é. Mesmo que se diz apolítico está, nessa fala, fazendo uma manifestação política.

      O problema de medidas como essa é que deixamos (ainda mais) nas mãos da Meta decidir o que é amplificado e o que não é.

      1. Entendi.
        Eu vejo por tiozões que tenho onde o feed deles é radioativamente politizado e muitas fake news.

        Imagino que seria ótimo que o algoritmo parasse de recomendar coisas assim para eles.

        1. É, o duro é, como dito, traçar a linha do que é político. E suspeito que os tiozões radicalizados já seguem muita gente ruim — segundo a Meta, perfis que alguém segue continuarão aparecendo no feed normalmente.

  3. Pô, mas isso até que é velho. Lá atrás eles falaram que coisas “políticas” não seriam promovidas na plataforma.

    1. Acho que é um passo além. (Tanto que, se fosse a mesma coisa, não teria por que fazer um novo anúncio, nem teria repercutido tanto.)

      No início, disseram que não promoveriam conteúdos políticos e noticiosos. Agora, disseram que não só não vão promover, como vão limitar o alcance — será algo pior que o padrão, tipo um “shadow ban”.