A (falta de?) inovação da Apple; O que esperar da CPMI das fake news

Neste Guia Prático, eu (Rodrigo Ghedin), Guilherme Tagiaroli e Giovanni Santa Rosa falamos de iPhone 11 e da pergunta que há anos gera debates acalorados em caixas de comentários de sites especializados: a Apple não inova mais? No segundo bloco, o assunto é política, ou as possíveis implicações da CPMI das fake news, iniciada no último dia 9 de setembro, nas empresas de internet que estão no centro da crise da desinformação que aflige o mundo.

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Algoritmo do YouTube impulsionou canais de extrema-direita nas eleições de 2018

O YouTube tem uma área nobre em sua interface para promover vídeos que estão viralizando. Chamada “Trending” lá fora, aqui no Brasil ela atende por “Em alta”. Os critérios para que um vídeo seja destacado ali são vagos, resultado da opacidade do algoritmo que monta as listas de vídeos automaticamente. Uma análise inédita do Manual do Usuário e The Intercept Brasil mostra como o YouTube contribuiu para o sucesso de candidatos de extrema-direita nas eleições brasileiras de 2018. Além disso, ela revela incongruências entre os vídeos promovidos e as políticas do próprio YouTube.

A empresa de data analytics Novelo analisou todos os mais de 17 mil rankings “Em alta” veiculados pelo YouTube no Brasil durante o segundo semestre de 2018. (O YouTube libera um novo ranking do tipo a cada 15 minutos.) Os resultados mostram que dos dez canais que mais cresceram no total de aparições nos rankings “Em alta”, metade era de extrema-direita e de apoio ao candidato que viria a eleger-se presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

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Linha do tempo revela falhas na narrativa que atribui vazamentos da Lava Jato a hackers paulistas

Nunca houve tamanha preocupação com segurança digital no Brasil como agora, resultado dos respingos flamejantes da divulgação de conversas comprometedoras via Telegram entre membros da força-tarefa da Lava Jato e o ex-juiz federal Sergio Moro pelo The Intercept Brasil (TIB) desde o início de junho.

Em sua atabalhoada estratégia de defesa, Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro, apressou-se em atribuir a supostos hackers, presos pela Polícia Federal nesta terça-feira (23), a origem do vazamento obtido pelo TIB. Editores da publicação relembraram, via redes sociais, que nunca disseram que a fonte era um hacker. Esta não é a única incongruência na narrativa de Moro.

Uma linha do tempo expõe muitas falhas na argumentação do ministro.

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Não foi (só) por causa de Bolsonaro que o WhatsApp limitou o encaminhamento de mensagens

Nesta sexta-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro disse em uma live que a limitação a cinco destinatários do encaminhamento de mensagens do WhatsApp seria uma tentativa de censurá-lo. “Uma maneira de me cercear foi diminuir o alcance do WhatsApp”, alegou, justificando que “há censura em cima disso. Temos que lutar contra isso”. Ele também reclamou da diminuição de seu alcance no Facebook.

É importante retrocedermos um pouco para evitar mal entendidos e acabarmos com o temor de Bolsonaro de que teria sido ele o responsável pela mudança nas regras do WhatsApp. Em parte, talvez sim: suspeita-se que sua campanha tenha usado e/ou se beneficiado de impulsionamentos ilegais de mensagens no WhatsApp, o que teria colaborado para a sua eleição à Presidência. (Pesa sobre o PT a mesma suspeita, obviamente com desfecho diferente.) Só que o mundo é maior que o Brasil e outras situações pretéritas tiveram mais impacto na decisão do Facebook/WhatsApp.

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MEC solicita exclusão do verbete do ministro Abraham Weintraub na Wikipédia

A assessoria de comunicação do Ministério da Educação (MEC) solicitou à Wikipédia a exclusão do verbete do ministro Abraham Weintraub nesta segunda-feira (1).

De acordo com o e-mail, transcrito na íntegra pelo moderador da enciclopédia que o recebeu em uma página em que ele e outros moderadores debatem a melhor maneira de responder a solicitação, o pedido foi feito porque “a página contém informações não confirmadas com a pessoa pública ora em destaque, contribuindo para interpretações dúbias” e devido à “impossibilidade de edição por este órgão governamental”.


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Por telefone, uma assessora do MEC confirmou o pedido e a autenticidade do e-mail ao Manual do Usuário. Embora tenha se negado a especificar quais partes do verbete teriam motivado a solicitação, ela citou uma das consideradas problemáticas: a abordagem dada pelo texto ao percentual do contingenciamento das universidades públicas federais, anunciado no final de abril pelo ministro Weintraub, de 30% das despesas discricionárias ou 3,4% do orçamento total. (O episódio motivou uma explicação pra lá de esquisita do próprio ministro usando chocolates em uma “live” do presidente Bolsonaro.) A assessora reforçou que há outros pontos de discórdia no texto da enciclopédia, mas não os apontou, e que a iniciativa de solicitar a exclusão do verbete foi da assessoria do MEC — o ministro Weintraub apenas foi informado da medida.

A Wikipédia é uma enciclopédia online colaborativa e, como tal, jamais cria informação, apenas a reproduz de outras fontes consideradas confiáveis pelos seus moderadores. Qualquer pessoa pode editar os verbetes, mas o de Weintraub encontra-se “protegido” desde o dia 2 de junho por “vandalismo excessivo”. Isso significa que até 17 de julho apenas usuários identificados podem alterá-lo.

Na discussão motivada pelo e-mail do MEC, os moderadores debatem a pertinência de manter controvérsias em verbetes biográficos e cogitam encaminhar a solicitação à Fundação Wikimedia, responsável legal pela Wikipédia e sediada nos Estados Unidos.

Foto do topo: Agência Senado/Flickr.

Como o governo pode ajudar no fomento à inovação em tecnologia

Na década de 1940, um pediatra chamado Sidney Farber teve uma ideia quando estava tentando encontrar uma forma de tratar crianças com leucemia linfoide aguda (LLA), uma das formas mais agressivas de câncer no sangue. Farber deu aos pequenos pacientes ácido fólico, o que desengatilhou o contrário da sua meta: a doença avançou ainda mais rápido. A partir desta informação, Farber teorizou que, se ministrasse uma substância “contrária” ao ácido fólico, talvez a doença pudesse ser freada ou curada.

A lógica de Farber estava correta. Em um teste, 16 crianças com leucemia receberam doses de uma substância chamada aminopterina. Dessas 16, 10 entraram em remissão, ou seja, o câncer não só parou de evoluir, como retrocedeu. Farber não sabia ainda, mas tinha criado a forma mais eficiente de combater à maioria dos tumores humanos: a quimioterapia.

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Como as conversas da Lava Jato no Telegram podem ter sido vazadas ao The Intercept Brasil

Neste domingo (9), o site The Intercept Brasil publicou uma série de reportagens revelando diálogos em que o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol, e o ex-juiz federal Sergio Moro trocavam informações e colaboravam nos bastidores quando integravam a força-tarefa da Lava Jato. A origem das conversas, desenroladas no aplicativo Telegram, teria sido uma fonte anônima, e o material, segundo o jornalista e fundador da publicação, Glenn Greenwald, é vasto — “um vazamento muito maior do que o do caso Snowden”, disse à Folha.

Como a fonte conseguiu acesso a esses dados? O The Intercept Brasil, obviamente, não divulga detalhes. Pelas características das matérias publicadas até aqui, é possível fazer algumas conjecturas.

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