Prédio baseado no logo do Manual do Usuário, em perspectiva isométrica, com um recorte na lateral e várias pessoinhas nos andares e terraço. À esquerda: “Manual de dentro para fora”.

Big Tech chinesa entra na mira do governo chinês

No final de 2020, Jack Ma, fundador do Alibaba, desapareceu durante três meses depois que o governo chinês melou os planos de IPO do Ant Group, seu mais recente empreendimento. Dias antes, ele havia feito duras críticas à maneira como o país lida com inovação tecnológica. Via BBC Brasil.

No início de julho deste ano, foi a vez da China promover uma “revisão de segurança” e tirar das lojas de aplicativos os da Didi, a “Uber chinesa”, alegando que a empresa estava coletando dados pessoais dos usuários ilegalmente. Dias antes, a Didi havia aberto capital nos Estados Unidos e levantado US$ 4 bilhões. Após a devassa, o valor dos papéis despencou abaixo do do IPO.  Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Nesta segunda (26), as plataformas de delivery entraram na mira do Partido Comunista Chinês, que passou a exigir que elas ofereçam aos entregadores um salário mínimo, seguro e prazos de entrega mais flexíveis, o que fez sumir em dois dias US$ 60 bilhões do valor de mercado do Meituan, o “iFood chinês”. Via Reuters (em inglês), Bloomberg (em inglês).

A exemplo do que acontece no Ocidente, a China também parece preocupada e agindo para conter o poder da sua Big Tech. Enquanto nos Estados Unidos e Europa essas coisas se arrastam por anos e costumam terminar em multa irrisórias, na China a máquina antitruste é mais eficiente. Em pouco mais de seis meses, o governo local colocou rédeas em quase todas as gigantes de tecnologia do país e em outras várias upstarts. É o equivalente regulatório daqueles vídeos acelerados que mostram pontes ou prédios construídos em poucos dias — não por coincidência, também na China.

Sistema de espionagem israelense Pegasus foi usado contra jornalistas, ativistas e políticos ao redor do mundo

Um consórcio de jornais revelou uma lista de 50 mil “pessoas de interesse” de 45 países que podem ter tido seus celulares hackeados pela ferramenta Pegasus, da empresa israelense NSO Group. Há anos o uso da ferramenta é conhecido; a investigação revela a escala da coisa. Via O Globo.

O NSO Group afirma ter 60 clientes em 40 países, mas se recusa a identificá-los, e diz que seus produtos são destinados exclusivamente ao combate ao terrorismo e ao crime organizado. Na lista obtida pelos jornais, porém, há jornalistas, ativistas e políticos. Em alguns países, a definição de terrorista deve ser mais abrangente, a ponto de incluir oposição e imprensa. Esta revelação explicita o perigo de se abrir exceções a sistemas de criptografia.

Em maio, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que é vereador no Rio de Janeiro, articulou em Brasília, junto ao Ministério da Justiça, uma licitação para adquirir o Pegasus. O Uol, que revelou a negociata, ouviu de fontes que o filho do presidente tentava fortalecer uma “Abin paralela” dentro do governo, jogando para escanteio os órgãos de inteligência convencionais — o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a própria Abin. Via Uol.

Governo quer privatizar 100% dos Correios

O governo federal quer privatizar 100% dos Correios à iniciativa privada. A informação foi revelada ao jornal O Globo por Diogo Mac Cord, secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia.

A votação da proposta deve acontecer na semana que vem, antes do recesso, segundo o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Pela proposta, quem arrematar os Correios levará também uma concessão para explorar o serviço postal, que compete à União prestar, segundo a Constituição Federal. Nesse desenho, a Anatel viraria Anacom (Agência Nacional de Comunicações) para regular e fiscalizar a atuação nessa área dos Correios privatizado. O serviço de entrega de encomendas, porém, não seria regulado. O leilão está previsto para março de 2022.

Deputados da oposição, via redes sociais, se manifestaram após a divulgação da notícia. “Estamos diante de mais um saldão que o presidente ‘patriota’ faz com uma empresa pública estratégica para o povo e lucrativa para o país. A Oposição estará firme contra essa privatização. Vamos à luta!”, escreveu Alessandro Molon (PSB-RJ).

Essa luta é de todos nós. Não à privatização dos Correios! Via O Globo.

E é um computador chamado Nuvem, o nome do computador da Oracle se chama Nuvem, e é lá que é feita a soma [dos votos].

— Bia Kicis (PSL-DF), deputada federal Em entrevista à Jovem Pan, a deputada bolsonarista Bia Kicis tentou explicar (sem sucesso) como foi feita a apuração de votos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2020. Via @kbralx/Twitter. Nuvem, como se sabe, não é um computador específico, mas um tipo de computação distribuída e escalável. […]

Trump desativa blog menos de um mês depois de lançá-lo

O blog do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu do ar nesta quarta (2). Nesse aspecto, Trump é gente como a gente e também abandona blogs dias depois de lançá-lo — o From the Desk of Donald J. Trump foi ao ar em 4 de maio. Um porta-voz explicou que o blog “era apenas um auxílio aos esforços mais amplos em que estamos trabalhando”. Acredita quem quiser. Via CNBC (em inglês).

Brincadeiras à parte, esse episódio reforça o papel que as redes sociais têm na amplificação de discursos extremistas. A relação de Trump e de outros populistas com redes como o Twitter é simbiótica. Em um blog, sem a atenção do equivalente a transeuntes digitais e sem as ferramentas embutidas de amplificação, é muito mais difícil ter o mesmo desempenho e, por consequência, manter a empolgação.

Parem de usar meu vídeo sobre urnas eletrônicas

Um vídeo de 2017 do Ronaldo Lemos, editado e tirado de contexto, está circulando em grupos de WhatsApp como argumento contra a urna eletrônica brasileira. Em uma coluna, Ronaldo pede para que parem de usá-lo e explica que “essa tentativa de propaganda com a minha fala é enganosa e absurda”. Fala-se muito dos perigos de deepfakes, mas um simples Movie Maker nas mãos de alguém mal intencionado já é capaz de causar muitos estragos. Via Folha de S.Paulo (com paywall).

Comitê de Supervisão do Facebook ratifica suspensão de Trump; no Brasil, Bolsonaro ameaça (de novo) radicalizar

Saiu a decisão do Comitê de Supervisão do Facebook sobre a suspensão por tempo indefinido do ex-presidente norte-americano Donald Trump das redes sociais do grupo — Facebook e Instagram. Em linhas gerais, o Comitê ratificou a decisão de suspender os direitos de publicação de Trump, mas cobrou do Facebook uma posição definitiva em relação ao caso em até seis meses, pois a pena aplicada não é prevista em lugar algum. Via Comitê de Supervisão (em inglês).

Nesta segunda, Trump revelou sua nova “plataforma social”, que é… bem, um blog. Além da suspensão por tempo indefinido do Facebook, ele foi banido do YouTube, do Twitter, do Snapchat e de outras redes sociais. Como disse John Gruber, “isto demonstra que ser banido do Twitter e suspenso do Facebook não silenciou ou censurou Trump, da mesma maneira que ser banido de um restaurante não leva ninguém à fome”.  Via Daring Fireball (em inglês).

Enquanto isso, no Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido) ameaçou publicar um decreto que alteraria o Marco Civil da Internet a fim de proibir as plataformas digitais de banirem ele próprio. Via @caffsouza/Twitter.

YouTube exclui live de Jair Bolsonaro após proibir vídeos que defendam o “tratamento precoce” da COVID-19

No último dia 16, o YouTube atualizou sua política de informações médicas incorretas relacionadas à COVID-19 e passou a prever a exclusão de vídeos que defendam o chamado “tratamento precoce”. (Via Época.) O documento cita diretamente medicamentos populares, ainda que ineficazes e potencialmente danosos à saúde de infectados com a COVID-19, e exige que os usuários da plataforma não publiquem vídeos, entre outras coisas, que sejam:

  • Conteúdo que recomenda o uso de Ivermectina ou Hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19.
  • Afirmações de que Ivermectina ou Hidroxicloroquina são tratamentos eficazes contra a COVID-19.

A nova política levou à primeira exclusão de um vídeo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo o levantamento da Novelo: uma live de 14 de janeiro de 2021, em que Bolsonaro aparece junto ao ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e ambos desatam a propagar mentiras sobre o “tratamento precoce”.

Foi dia foi marcante: era o ápice da crise em Manaus (AM) e, finalmente, os grandes jornais adotaram o verbo “mentir” para se referir às mentiras letais que o presidente conta. Confira a checagem da Agência Lupa do vídeo agora indisponível.

TrateCov, do Ministério da Saúde, só indica remédios ineficazes contra a COVID-19

Não sem surpresa, o TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde para auxiliar médicos e enfermeiros na pandemia de COVID-19, só recomenda remédios comprovadamente ineficazes no trato da doença, como ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina e dois antibióticos (azitromicina e doxiciclina).

Nesta quarta (20), uma força-tarefa informal esmiuçou o código-fonte do ambiente de simulação do TrateCov, publicado no site do Ministério da Saúde. O jornalista Rodrigo Menegat extraiu o código-fonte e o hospedou no GitHub. O sistema, um grande formulário que pede dados e sintomas do paciente, um “teste do BuzzFeed de mau gosto”, como definiu o Gizmodo, devolve ao profissional de saúde uma pontuação do paciente analisado. O “tratamento precoce” é indicado àqueles com 6 ou mais pontos e, ao que parece, os remédios comprovadamente ineficazes sempre são sempre indicados, como observou Joselito Júnior no Twitter, mesmo em cenários surreais, como bebês com sintomas gripais. Após a repercussão, o Ministério da Saúde tirou o formulário do ar. Via @RodrigoMenegat/Twitter, @breakzplatform/Twitter, Gizmodo Brasil, Medscape.

Na segunda (18), o ministro Eduardo Pazuello mentiu em coletiva ao afirmar que nunca havia indicado remédios ineficazes contra a COVID-19. O TrateCov, anunciado na semana anterior pelo próprio, durante sua passagem por Manaus (AM), é mais uma prova do modo trágico, potencialmente criminoso, com que o governo federal tem enfrentado (ou ajudado?) a pandemia. Via Uol.

Estamos fazendo o rádio no celular. Para cada telefone fabricado no Brasil, vem o rádio de graça sem precisar instalar pelo Wi-Fi ou plano de dados.

— Fabio Faria, ministro das Comunicações. A declaração do ministro foi dada em um evento em Natal (RN). Como lembra o Telesíntese, o sonho (dos radiodifusores) de transformar todo celular em um radinho FM não é novo — há um projeto de lei de 2017 parado na Câmara, por exemplo. Seria legal ter esse recurso […]

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