Barinsta, app alternativo para Instagram, é descontinuado após ameaça do Facebook

Em março, falei do Barinsta aqui, um aplicativo de código aberto para Android que permite acessar o Instagram em uma interface menos tóxica. Nesta segunda (26), o desenvolvedor do Barinsta, Austin Huang, recebeu uma notificação extrajudicial de um escritório de advocacia representando o Facebook exigindo que o projeto fosse descontinuado (leia-a), alegando que o aplicativo infringe os termos de uso do serviço. O sonho acabou. Via @barinsta_updates/Telegram, dica do leitor Tony (valeu!).

Instagram testa a inclusão de posts de perfis que o usuário não segue no feed

O Instagram vai exibir “posts sugeridos” de perfis que o usuário não segue. Ainda é um teste, mas se for um sucesso — segundo as métricas do Instagram —, esse comportamento deverá ser estendido a todos. Via The Verge (em inglês).

O livro da Sarah Frier, Sem filtro, conta a história de fundadores idealistas (dentro do que seria possível no Vale do Silício) que se rendem ao canto da sereia de um rival maior apenas para se verem encurralados anos depois, tendo que se submeter a todo tipo de interferência e rasteiras até não aguentarem mais.

Essa novidade — dos “posts sugeridos” — e muitas outras tomadas desde 2012 são reflexos da queda de braço vencida por Mark Zuckerberg. O Instagram, hoje, nada mais é que um Facebook restrito a fotos e vídeos e com uma vasta bagagem de simpatia por parte dos usuários e da imprensa. É um ambiente movido a dados, que tem como prioridades crescer e gerar receita às custas de experimentos que ninguém pediu, mas que “engajam” melhor.

É sabido que o capitalismo gosta de uma boa piada, e seria cômico se não fosse trágico termos um sociopata no controle das duas redes sociais mais populares do planeta.

Coleta de dados de login do Instagram causou banimento da mLabs do Facebook

A saída do ar do aplicativo da mLabs, que levou junto 39 milhões (!) de posts no Facebook e Instagram, foi motivada por uma infração aos termos de uso do Facebook. Em entrevista ao Neofeed, Rafael Kiso, fundador e CMO da mLabs, explicou que para viabilizar o agendamento de stories no Instagram, sua empresa pedia dados de login dos usuários e que isso seria uma prática comum de mercado.

Pode até ser, mas é uma prática temerosa e certo está o Facebook em coibi-la. Existem mecanismos seguros e oficiais para autenticar-se no Instagram em apps de terceiros, e se o agendamento de stories não é contemplado por eles, não deveria ser oferecido.

Por outro lado, talvez o Facebook não precisasse remover 39 milhões (!!) de posts de 332 mil páginas. mLabs e Stone, que tem 50% do negócio, estão tentando contato com a sede do Facebook a fim de reverter a decisão. Via Neofeed.

Signal dedura a usuários do Instagram os dados pessoais que o Facebook usa para segmentar anúncios

Três anúncios do Signal, em texto e em inglês, detalhando características dos usuários que os receberam.
Imagem: Signal/Divulgação.

O Signal comprou anúncios segmentados no Instagram para mostrar aos usuários atingidos como seus dados são usados pelo Facebook. Os anúncios não tentam vender nada; eles apenas mostram, em texto, quais dados pessoais o Facebook usou para decidir exibi-los. “A maneira como a maior parte da internet funciona hoje seria considerada intolerável se traduzida em analogias do mundo real compreensíveis, mas ela permanece porque é invisível”, escreveu Jun Harada no blog do app.

Em um dos anúncios (o primeiro acima), lê-se:

Você recebeu este anúncio porque é um engenheiro químico que ama K-Pop.

Este anúncio usou sua localização para ver que você está em Berlim.

E você acabou de ter um bebê. E mudou-se. E tem sentido pra valer aqueles exercícios para gravidez recentemente.

A conta do Signal no Facebook foi bloqueada e os anúncios, desabilitados. Curioso que, nesses casos, os sistemas de moderação funcionam e as regras se aplicam.

“O Facebook quer muito vender uma visão das vidas das pessoas, a menos que você conte às pessoas como seus dados estão sendo usados”, prosseguiu Jun. Genial. Via Signal (em inglês).

Facebook apela e diz que precisa rastrear usuários no iOS 14.5 para continuar gratuito

Prints, em inglês e português, da tela que o Facebook exibe ao pedir autorização para rastrear o comportamento dos usuários no iOS 14.5.
Montagem sobre imagens do Facebook/Divulgação.

Ao pedir a seus usuários para que liberem o rastreamento dos seus passos no iOS 14.5, recurso chamado de Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês, o Facebook apelou. Na mensagem (acima), presente nos apps do Facebook e do Instagram, a empresa diz que rastrear todos os passos do usuário em sites e outros apps do celular “ajuda a manter o Facebook/Instagram gratuito”. Via @ashk4n/Twitter (em inglês).

O apelo tem razão de ser. Há meses o Facebook reclama do novo recurso de privacidade do iOS 14.5, lançado segunda passada (26/4). E os primeiros sinais do “ad-pocalipse” começam a aparecer: dados preliminares da consultoria Branch Metrics apontam que apenas 4% das pessoas que viram a tela de autorização do ATT liberaram o rastreamento irrestrito por apps. Via @alexdbauer/Twitter (em inglês).

Até 2019, o Facebook estampava na capa do seu site que o serviço “é gratuito e sempre será”. Mais uma evidência do valor que a palavra das grandes empresas tem. Via Insider (em inglês).

Startup de links para o Instagram recebe investimento de US$ 45 milhões

A Linktree levantou US$ 45 milhões (~R$ 250 milhões) em uma rodada série B de investimentos. O serviço, que oferece a criação de sites simples, de uma página só e com links externos, é usado por 12 milhões de pessoas e empresas e meio que só é popular por causa do Instagram. Como alguém comentou, é toda uma empresa (com dezenas de milhões de dólares em capital de risco!) que só existe porque o Instagram não deixa colocar link em posts. Via Linktree (em inglês), @Jota/Twitter.

Barinsta, um app alternativo de Instagram, de código aberto, para Android

Você ainda usa Instagram (eu larguei)? O Barinsta é uma boa alternativa de código aberto para Android. Transcrevo a descrição do projeto:

Se você não publica posts ou stories no Instagram, mas ainda tem que usá-lo para manter contato com pessoas e conteúdos, agora existe uma alternativa: o Barinsta é um belo aplicativo para usar o Instagram, removendo a maioria das chateações [do app oficial] (anúncios, sugestões, abas inúteis) e te dando mais controle sobre os seus dados.

É possível usá-lo até sem conta/fazer login, embora assim a experiência fique mais limitada. Além de não permitir postagens, outra limitação sinalizada pelos desenvolvedores é a impossibilidade de se criar “threads” nas mensagens diretas.

O Barinsta é gratuito e está disponível na loja de apps F-Droid (não conhece? Leia isto).

Aplicativos alternativos não costumam ser bem vistos pelo Instagram, então use o Barinsta por sua conta e risco. Os desenvolvedores pedem apenas para que ele não seja usado com VPNs, porque o Instagram vê variações no IP como ação de robôs. Tudo indica ser um app seguro (caso contrário não o divulgaria aqui), mas vale sempre o aviso: use-o por sua conta e risco.

Policial toca “Santeria” enquanto é filmado para que Instagram derrube o vídeo

Em Beverly Hills, um policial ligou em volume alto a música Santeria, hit do Sublime dos anos 1990, enquanto era filmado por um ativista. Suspeita-se que o policial estava tentando alavancar o sistema de detecção de direitos autorais de plataformas como YouTube e Instagram para que o vídeo fosse derrubado. Nem William Gibson conseguiria prever esse tipo de distopia. Via Vice (em inglês).

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