DSA: As novas exigências que a UE impôs à big tech

Em abril, a Comissão Europeia apontou 19 “plataformas online muito grandes” que, dali a quatro meses, teriam que cumprir todas as exigências regulatórias do Digital Services Act (DSA) , uma das duas leis da União Europeia criadas para regular a big tech.

O prazo de carência terminou na sexta (25), o que significa que essas plataformas precisam estar com tudo pronto.

Continue lendo “DSA: As novas exigências que a UE impôs à big tech”

Moderação em camadas nas plataformas digitais, com Iná Jost

Mande o seu recado ou pergunta, em texto ou áudio, no Telegram ou por e-mail.

***

Neste episódio, recebo Iná Jost, coordenadora da área de liberdade de expressão do InternetLab, para falar do novo relatório de lá sobre sistemas de moderação em camadas para redes/plataformas sociais. O que são? Quais as vantagens e os desafios? Trata-se de uma lista VIP, onde já figuraram nomes controversos como Neymar e Donald Trump, ou é algo mais complexo, cujo potencial ainda não foi realizado?

Baixe o relatório aqui e inscreva-se na newsletter semanal do InternetLab.

Desde o último episódio, uma leitora/ouvinte tornou-se assinante, a Nanda. Obrigado!

Quer assinar também? Nesta página tem os planos, benefícios e valores.

Novos estudos analisam o papel do Facebook e Instagram nas eleições

O presidente global de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, comentou com entusiasmo a divulgação de quatro artigos sobre a influência do Facebook e Instagram nas eleições norte-americanas de 2020.

São os primeiros resultados de um projeto mais amplo, iniciado em 2020, entre pesquisadores de universidades norte-americanas e a Meta. Da Science:

Em um experimento, os pesquisadores impediram que os usuários do Facebook vissem quaisquer postagens “recompartilhadas”; em outro, eles exibiram feeds do Instagram e do Facebook para os usuários em ordem cronológica inversa, em vez de em uma ordem com curadoria do algoritmo da Meta. Ambos os estudos foram publicados na Science. Em um terceiro estudo, publicado na Nature, a equipe reduziu em um terço o número de postagens que os usuários do Facebook viram de fontes com opiniões parecidas — ou seja, pessoas que compartilham suas inclinações políticas.

Em cada um dos experimentos, os ajustes mudaram o tipo de conteúdo que os usuários viram: remover postagens recompartilhadas fez com que as pessoas vissem muito menos notícias de política e menos notícias de fontes não confiáveis, por exemplo, mas mais conteúdo incivil. Substituir o algoritmo por um feed cronológico levou as pessoas a ver mais conteúdo não confiável (porque o algoritmo da Meta rebaixa fontes que compartilham repetidamente desinformação), embora tenha cortado o conteúdo de ódio e intolerante quase pela metade. Os usuários dos experimentos também acabaram gastando muito menos tempo nas plataformas do que outros usuários, sugerindo que eles se tornaram menos atraentes.

Continue lendo “Novos estudos analisam o papel do Facebook e Instagram nas eleições”

Threads, rival do Twitter feito pela Meta, será lançado na quinta (6).

Não me surpreenderia saber que os eventos desastrosos do Twitter no fim de semana precipitaram o lançamento do Threads. Se sim ou não, não importa: ele vem aí. O novo app da Meta já aparece agendado para a próxima quinta (6) na App Store e na Play Store de alguns países, como a da Itália. Traz “Instagram” no nome e zero menção a ActivityPub ou Mastodon, como era de se esperar.

Ao rolar um pouco a página do Threads para iOS, chama a atenção o tanto de “dados vinculados a você” listados, bem como o tamanho do app (254 MB). É um contraste chocante com outros apps “first party” do mesmo tipo, como Bluesky (3 tipos de dados, 24,8 MB) e Mastodon (nenhum dado coletado, 57,9 MB).

Manual em um universo alternativo

Em meados de 2019, publiquei algumas matérias em uma série que batizei de “Universo alternativo”. Eram histórias de aplicativos e ambientes digitais populares no Brasil, até então ignorados pela imprensa.

Em julho, farei um experimento no Manual do Usuário que me remete a algo de um universo alternativo: ao longo do mês, usarei todas as redes sociais, até as mais tóxicas, como Twitter, Facebook e Instagram, para espalhar os textos, vídeos e tudo mais que produzir aqui.

Continue lendo “Manual em um universo alternativo”

Assinaturas pagas de Facebook e Instagram chegam ao Brasil

A Meta lançou no Brasil, nesta terça (20), sua assinatura paga para contas no Facebook e Instagram, a Meta Verified. Ela dá direito a um selo de verificação, proteção proativa contra contas fraudulentas e acesso a suporte humano.

A assinatura custa R$ 55 por mês em cada rede. O valor será mais em conta quando o serviço for disponibilizado na web — no momento, só é possível assinar, no Brasil, pelos aplicativos para Android e iOS.

Tem duas lacunas curiosas nesse anúncio:

  • Empresas não são cobertas pela novidade, ou seja, só pessoas físicas podem assinar. Os benefícios me parecem mais interessantes a empresas do que a pessoas físicas, exceto o grupo na mira da Meta — influenciadores e similares.
  • Contas verificadas à moda antiga não perderão o selo azul, mas a Meta não explica como convergirá todos os perfis em um modelo unificado. O comunicado à imprensa informa que “estamos aprimorando o significado de contas verificadas nos nossos aplicativos para que possamos expandir o acesso à verificação e mais pessoas possam confiar que as contas com as quais interagem são verdadeiras”.

Alguém animou em fazer a assinatura? Via Meta.

Canais no WhatsApp e “Projeto 92” do Instagram.

Quem lida com um público difuso, como este Manual do Usuário, deve ir aonde o público está.

Há alguns anos tenho resistido a esse imperativo. O projeto não tem canais no Facebook, Instagram e, em dezembro, suspendeu parte das suas atividades no Twitter.

Talvez com um bom trabalho esses locais pudessem ser pontos de contato relevantes com leitores habituais e gente que ainda não conhece o que é feito aqui. Talvez — o que é mais provável — só com muito trabalho. No geral, porém, tem sido possível viver sem depender das plataformas da Meta e do Twitter.

A Meta prepara duas novas plataformas que, apesar de ser de quem são, me chamam a atenção: os canais no WhatsApp, onde meio que todos os brasileiros conectados estão, e o “Projeto 92”, uma rede baseada no protocolo ActivityPub que pretende rivalizar com o Twitter.

Ainda não sei se eu/o Manual estaremos nelas. (Na segunda provavelmente sim, visto que o ActivityPub permite que eu converse com pessoas de outros sites a partir de uma instância própria.)

O que pesa contra a Meta não é segredo nem novidade: um histórico de rasteiras em parceiros e de mudanças algorítmicas que forçam quem depende da plataforma a intensificar os esforços em troca de resultados cada vez piores — exceto, é claro, se você estiver disposto a pagar.

3 bilhões de seres humanos usam aplicativos da Meta todos os dias.

O poder que a Meta, com seus aplicativos sociais, tem no ambiente digital é algo difícil de dimensionar. As apostas de Zuckerberg, como os reels e o conteúdo recomendado por inteligência artificial, estão se pagando lindamente, segundo o balanço do primeiro trimestre divulgado nesta quarta (26). O trio de aplicativos sociais da empresa — Facebook, Instagram e WhatsApp — bateu a média de 3,02 bilhões de usuários ativos diários (DAUs). De alguma forma, o Facebook ganhou 37 milhões de novos usuários em relação ao mesmo período de 2022.

O metaverso, por outro lado, segue sem dar sinais de estar próximo de estancar a hemorragia de dinheiro. Nesses três meses, o prejuízo foi de US$ 3,99 bilhões. Ainda assim, Zuck disse que os rumores de que estaria desiludido com a tecnologia eram só isso, rumores. Via Meta, New York Times, CNBC (todos em inglês).

Meta faz o que parecia impossível: Usuários do Instagram poderão colocar CINCO links na bio.

O Instagram oficializou a expansão do número de links nos perfis, o famoso “link na bio”. De um, passamos agora para cinco. Bom ver que as mentes geniais da Meta, com muito trabalho duro e engenharia de ponta, conseguiram superar todos os desafios e colocar cinco links numa tela de um aplicativo.

Brincadeiras à parte, ficamos agora na expectativa do estrago que esse movimento causará ao mercado dos sites de “link na bio”. O Linktree, por exemplo, que há um ano era avaliado em US$ 1,3 bilhão, será afetado? (Imagina que loucura: um site que cria listas de links que vale mais ou menos o mesmo que uma BRF hoje.) Via TechCrunch (em inglês).

Novo sistema de punições no Facebook e Instagram se assemelha a boas práticas da Justiça comum.

Redes sociais são um micro-cosmo da humanidade. É curioso ver, em tempo real, ainda que tardiamente, elas se darem conta disso.

No final de fevereiro, a Meta “aperfeiçoou” seu sistema de punições/moderação. Em vez de aplicar penas restritivas (bloqueios e proibições de interagir) na primeira violação no Facebook e Instagram, a empresa será menos rígida e apostará em conscientização, dando mais chances aos “réus primários” e transparência às suas decisões.

Nossa análise revelou que quase 80% dos usuários com baixo número de advertências não voltam a violar as nossas políticas nos 60 dias subsequentes. Isso significa que a maioria das pessoas reage bem a um aviso e explicação, uma vez que não querem violar as nossas políticas.

Agora, segundo a Meta, penalidades restritivas serão a exceção, usadas apenas em violações graves ou reiteradas.

Da mesma forma que prender ladrões de galinha não ajuda a ressocializá-los, só gera incentivos para uma piora, punir de maneira desmedida quem comete um deslize “culposo” no Facebook só contribui para aumentar o sentimento de injustiça e uma percepção por vezes equivocada de que a plataforma “censura” as pessoas. Via Meta (em inglês).

É natural que conteúdos sobre grandes acontecimentos apareçam nas redes sociais, pois é assim que as pessoas se comunicam há anos. Mas a responsabilidade pelos acontecimentos ocorridos no Brasil em 8 de janeiro é de quem infringiu a lei ao invadir e destruir prédios públicos.

— Meta, em comunicado à imprensa não assinado.

A Meta publicou alguns números de conteúdos relacionados às eleições de 2022 no Brasil removidos do Facebook e Instagram para tirar o corpo fora do caos que se instalou em Brasília no 8 de janeiro, quando golpistas bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos três poderes da República.

É desejável que o Poder Público se envolva mais nessa questão, que haja uma regulação, mas a coisa não foi bem como a Meta tenta pintar com esse comunicado. Estudo recente sobre o papel das redes no episódio concluiu que elas poderiam ter feito mais. Via Meta.

Brasil ama o metaverso? Vale a pena pagar pelo Twitter ou Instagram?

Neste Guia Prático, Jacqueline Lafloufa e Rodrigo Ghedin comentam as assinaturas pagas lançadas por Meta (Facebook, Instagram) e Twitter — a segurança como produto, as implicações do aumento da visibilidade dos usuários pagantes —, e Jacque entrevista Marcela Gava, da consultoria Gartner, para tratar de uma pesquisa que mostrou o brasileiro bastante interessado em fazer compras no metaverso.

Continue lendo “Brasil ama o metaverso? Vale a pena pagar pelo Twitter ou Instagram?”