Monopólios sempre emperraram a inovação — e não é diferente com as Big Tech

Dois mil e dez foi um ano movimentado em tecnologia. A Apple lançou o iPhone 4 e o iPad, comprou a startup Siri (que viraria seu assistente pessoal) e Steve Jobs voltou a aparecer após meses longe dos olhares do mundo. A Microsoft foi atrás da AWS com o Azure e ainda tentava entrar na guerra dos smartphones com o Windows Phone 7. A Amazon já ensaiava atacar outras frentes, mas a venda de livros ainda era seu negócio principal — em 2010, pela primeira vez, os e-books venderam mais que as cópias físicas. A Intel comprou a McAfee, Yahoo, Nokia e HTC eram relevantes e surgiram as primeiras informações sobre o smartphone que o Facebook estava fabricando (três anos depois descobriu-se que era por uma parceria com a HTC). Só o fato de ter o iPhone 4 e o iPad já dariam importância ao ano: o primeiro lançou essa tendências de smartphones “embalados” em vidro, o segundo desengatilhou uma outra tendência — ainda viva, mas de menor fôlego, é verdade —, de tablets como substitutos de notebooks.

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Thiago Rotta, da IBM: “Não vejo uma área que não possa ser beneficiada por inteligência artificial”

Inteligência artificial é um dos temas mais quentes do momento. Empresas como Google, IBM e Microsoft estão praticamente se refazendo em torno dessa ideia. Não é à toa: os ganhos da aplicação de técnicas baseadas em aprendizagem de máquina e big data são assombrosos — das melhorias dramáticas nos sistemas de tradução de idiomas ao reconhecimento de imagens sem qualquer classificação prévia feita por humanos. É difícil pensar em uma área que não se beneficie desses avanços.

Já discutimos isso bastante por aqui. E continuaremos, porque há muitas implicações que transcendem a tecnologia — éticas, políticas, psicológicas. Para enriquecer o debate, tive a oportunidade de entrevistar Thiago Rotta, líder da IBM Watson Solutions na América Latina. Como o próprio me explicou, sua tarefa é monitorar o mercado e o que a IBM está produzindo na área, a fim de levar aos clientes as melhores soluções para seus problemas.

Thiago é uma das atrações do Wired Festival Brasil 2016, o primeiro da tradicional revista norte-americana por aqui, que começa amanhã (2/12) no Armazém da Utopia, no Rio de Janeiro. Gentilmente, ele se dispôs a responder oito perguntas sobre inteligência artificial para o Manual do Usuário. Suas respostas, muito pertinentes, nos ajudam a entender a questão por um ponto de vista raro de ser lido por aí: o de quem cria essas soluções. Continue lendo “Thiago Rotta, da IBM: “Não vejo uma área que não possa ser beneficiada por inteligência artificial””

Apple e IBM unem forças para ganhar clientes corporativos

Parceria histórica, segundo a Apple.
Ginni Rometty e Tim Cook, CEOs da IBM e Apple. Foto: IBM/Flickr.

Não costumo abordar tecnologia corporativa por aqui. Embora muitas empresas usem gadgets e até software similares aos do mercado doméstico, as aplicações costumam ser bem diferentes — mais focadas, em rede extensas e bem controladas, e tendo segurança e estabilidade como prioridades. Certas coisas, porém, não podem passar batidas. Uma delas é o acordo firmado entre Apple e IBM.

Dispositivos iOS têm um pé firme no ambiente corporativo. A Apple gosta de dizer, sempre que possível, que 98% da Fortune 500 usa ou está testando aplicações com o iOS. Embora pareça muito, pelo que Tim Cook disse ao New York Times isso representa a ponta do iceberg: “A penetração [nas empresas] é baixa e o teto está tão acima de nós que é inacreditável”. Em outra entrevista, esta ao Recode, Cook reforçou as vantagens da parceria:

“Somos bons em construir uma experiência simples e em fabricar dispositivos. O tipo de expertise profunda na indústria que você precisaria para transformar o corporativo não está no nosso DNA. Mas está no da IBM.”

Pelo acordo, que não teve qualquer cifra revelada, Apple e IBM unirão forças para desenvolver apps corporativos usando os avançados serviços na nuvem, análises diversas e big data da IBM. Serão mais de cem, a serem lançados a partir do segundo semestre, para setores como vendas, planos de saúde, bancos, viagens e transporte.

A IBM também oferecerá suporte e destinará seu corpo de profissionais à promoção de iPhones e iPads diretamente nas empresas a quem presta serviços, o que pode aumentar em muito os relatórios trimestrais de vendas da Apple — contratos corporativos costumam alcançar números expressivos e serem duradouros. Da Apple, além da força no desenvolvimento dos apps e dos próprios dispositivos iOS1, virá um plano corporativo do AppleCare, a garantia dos seus equipamentos. O objetivo é unir a mobilidade e facilidade de uso da Apple ao poderio das soluções corporativas em uma camada mais baixa da IBM e levar essa combinação a trabalhadores e empresas do mundo inteiro.

O mercado corporativo costuma ser fator determinante para empresas que nele atuam. Entre aquelas que têm o outro pé no doméstico, Microsoft, BlackBerry, Google e Samsung devem estar preocupadas com esse anúncio. Juntas, Apple e IBM podem abocanhar fatias generosas do faturamento dessas concorrentes. Não hoje, provavelmente nem amanhã, mas a longo prazo, quando contratos expirarem e os receios típicos do meio, como a segurança de dados e o form factor diferente, forem superados.

Estragos imediatos já foram sentidos, porém: após o anúncio do acordo, as ações da BlackBerry despencaram mais de 10%.

  1. Reparou que a parceria é apenas para dispositivos iOS, nada de OS X?
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