Twitter e Google: ordens de Moraes contra bolsonaristas são desproporcionais e podem ser censura prévia

Às vésperas do 7 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (SFT), ordenou que Facebook, Instagram, Twitter e YouTube removessem perfis de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) envolvidos na organização das manifestações de teor golpista do feriado. As plataformas atenderam ao pedido, mas na terça (21) Twitter e Google (YouTube) manifestaram desconforto junto ao STF.

A decisão de Moraes estaria em desacordo com o que prevê o Marco Civil da Internet, “podendo configurar-se inclusive como exemplo de censura prévia”, segundo o Twitter.

O Google apontou dois problemas: a ausência do apontamento dos conteúdos ilegais, e a falta de apreciação prévia das ilicitudes pelo Judiciário. Via Folha de S.Paulo.

Como o TSE pretende lidar com o Telegram em 2022

Não é segredo que o Telegram é uma espécie diferente de rede social, sem representação no Brasil e sistemas de moderação fracos, e que seu uso para fins políticos tem aumentado por aqui. Em entrevista ao Aos Fatos no início de agosto, a secretária-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Aline Osorio, foi questionada sobre como a Justiça eleitoral espera lidar com plataformas que não cooperam, caso do Telegram, nas eleições de 2022.

A estratégia do TSE, no momento, é “atuar com parceiros, em rede, para [fazer] o monitoramento da desinformação que circula no Telegram”, explicou Aline. Entre esses parceiros estão as agências de checagem. Ela explicou a dificuldade em lidar com o aplicativo: “Acho que não dá para ser ingênuo de achar que eles [Telegram] vão ser hiper cooperativos, celebrar termos de cooperação com o TSE. A gente tem tentado de alguma forma alcançar e acho que isso não é uma realidade aqui, não é em quase todo mundo, mas a gente precisa sim de estratégias para esses aplicativos que lidam com uma lógica diferente.”

Com outras redes, Aline disse que aquelas de maior visibilidade nas eleições de 2018 e 2020 foram incorporadas como parceiras ao programa de combate à desinformação e que, pessoalmente, ela tem as achado mais cooperativas nos últimos anos, apesar de ainda haver trabalho a ser feito. “Nós conseguimos muitos avanços, mas falta muita coisa. […] É preciso que elas digam de antemão o que vão fazer com ofensores repetitivos, com pessoas que vão declarar fraude nas urnas, não reconhecer os resultados, em promover o extremismo e a violência.”

A situação do Telegram desafia outros atores brasileiros, como a imprensa e pesquisadores. “Um serviço que se propõe a operar com milhões de usuários brasileiros, marketing direcionado a brasileiros e com finalidade econômica tem o dever de escutar e participar dessas discussões sobre como mitigar problemas associados a processos eleitorais no país”, disse Francisco Brito Cruz, diretor do InternetLab. “Isso é o mínimo, especialmente se considerada a proteção dos direitos dos usuários brasileiros.”

Americanas compra Skoob

Na corrida das varejistas brasileiras (e argentina) para se tornarem a Amazon no Brasil antes da Amazon dominar o nosso mercado, a Americanas deu mais um passo ao comprar a rede social de livros Skoob nesta quarta (15). Lá fora, há muito anos, a Amazon é dona da Goodreads. O valor do negócio não foi divulgado. O Skoob, criado em 2009 no Rio de Janeiro, tem 8 milhões de usuários e 45 milhões de avaliações de livros. Via Neofeed.

WhatsApp ganha diretório de estabelecimentos comerciais em São Paulo

Quatro telas do WhatsApp, lado a lado, mostrando a jornada do usuário no novo recurso de diretório de estabelecimentos comerciais no WhatsApp.
Imagem: @wcathcart/Twitter.

O WhatsApp lançou um diretório de estabelecimentos comerciais embutido no próprio app — quase como um “páginas amarelas” digital. Ainda em testes, a empresa escolheu São Paulo para lançar a iniciativa. Os estabelecimentos são divididos por categorias e o WhatsApp informa a distância do usuário em relação a cada um deles. Segundo Will Cathcart, líder do WhatsApp dentro do Facebook, o WhatsApp não registrar a localização do usuário nem por quais estabelecimentos ele “navega”. Via @wcathcart/Twitter (em inglês), LABS News.

Congresso e STF barram MP das fake news de Bolsonaro

Quase ao mesmo tempo, na noite desta terça (14), Judiciário e Legislativo barraram a medida provisória nº 1.068, a chamada “MP das fake news” ou “MP do Marco Civil”, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou na véspera do 7 de setembro para regular a maneira como as redes sociais moderam conteúdo e penalizam perfis. (Ouça o Guia Prático do assunto.) O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), devolveu a MP, e a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a MP atendendo a pedidos feitos à corte. Via Uol.

Migração de sistemas supostamente mal sucedida causou problemas na Gol

Os problemas com os sistemas da companhia aérea Gol começaram no dia 20 de agosto, durante uma manutenção programada que, a princípio, deixaria a empresa offline (incluindo o Smiles) por cerca de 15 horas, até as 11h do domingo (21/8). Via Melhores Destinos.

No dia 26, já cinco dias atrasada com a manutenção dos sistemas, a Gol enviou nota ao site Panrotas dizendo que a manutenção estava “sendo concluída com êxito” e que “estamos enfrentando apenas algumas instabilidades pontuais na disponibilização de nossos produtos para algumas agências de viagens, o que está sendo tratado com prioridade máxima, de forma a minimizar os impactos sentidos pelos parceiros”. Via Panrotas.

Na nota enviada ao Manual do Usuário, em 9 de setembro, a Gol informou que ainda estava com “instabilidades pontuais, que estão sendo prontamente reparadas. O processo de vendas de passagens já está 95% restabelecido em todos os canais”.

Também no dia 9 de setembro, o Panrotas publicou a notícia de que a Gol havia finalizado a migração do sistema de reservas para o fornecido pela empresa norte-americana Sabre Systems. Na divulgação dos resultados prévios de tráfego referentes a agosto, divulgado em 6 de setembro, a Gol informou os acionistas que “reduziu suas operações nos últimos 10 dias do mês para efetuar a migração do seu sistema de serviço ao passageiro para Sabre Systems”. Via Panrotas, Gol.

No contato com o Manual, a assessoria da Gol informou que “em breve a GOL vai comunicar as mudanças”. Aguardemos.

Reajustes nos preços de 99 e Uber

Confusa a comunicação da Uber sobre o reajuste motivado pela alta dos combustíveis, anunciado na noite desta sexta (10). A empresa informou que o valor da tarifa seria reajustado em até 35% na modalidade UberX, mas que ele não afetaria o custo para o usuário. Segundo correções em alguns jornais (Folha de S.Paulo, G1), o repasse afeta os motoristas. O que ainda é nebuloso — quer dizer que os motoristas pagarão o pato? Não também. Segundo a correção do G1, “a informação correta é de que este aumento não será repassado ao passageiro, o que aumenta é o repasse de ganhos para os motoristas do aplicativo”. Então a Uber vai absorver o prejuízo? Pela lógica, sim, mas ainda segundo o G1, “a companhia não detalhou até a última atualização dessa reportagem como o aumento do valor repassado para os motoristas será absorvido pela empresa de forma a evitar uma alta no preço da viagem para o passageiro”.

A situação na 99 é mais simples — pelo menos por ora, ou até fazerem uma correção — e os preços serão reajustados, entre 10% a 25%, para o usuário final. Via G1, Folha de S.Paulo.

O que está acontecendo na Gol?

Há semanas, clientes da companhia aérea Gol têm enfrentado problemas sistêmicos com a empresa: sumiço de passagens, aplicativo fora do ar, checkin inacessível (o que levou alguns a terem que fazê-lo no balcão do aeroporto), atendimento fora do ar. Uma rápida consulta em redes sociais revela pessoas iradas com o caos que parece ter se instaurado na Gol.

Perguntei à empresa, via assessoria, o que está acontecendo. A resposta (íntegra abaixo) foi uma “não resposta”. Em nota, a Gol informou que “a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída”, que ainda enfrenta instabilidades pontuais, mas que as coisas estão voltando ao normal.

Insisti, porque o posicionamento não respondeu à dúvida inicial — qual foi, afinal, o problema. Em resposta, a assessoria disse que “por enquanto só temos este posicionamento” e que “em breve a Gol vai comunicar as mudanças”. Que mudanças?

Não sei até que ponto é interessante a uma empresa de capital aberto fazer tanto mistério em torno de um problema, aparentemente, grave. Nenhum fato relevante ou comunicado ao mercado foi publicado pela GOl nesse período. Seja lá qual for o motivo, o jeito é esperar a “comunicação das mudanças”.

A íntegra da resposta da Gol:

A GOL Linhas Aéreas informa que a manutenção em seu sistema de vendas e atendimento foi concluída. A Companhia ainda enfrenta instabilidades pontuais, que estão sendo prontamente reparadas. O processo de vendas de passagens já está 95% restabelecido em todos os canais – site GOL, aplicativo mobile e agências de viagem – e as operações de voos são realizadas dentro da normalidade. A implementação de diversas melhorias nos processos dos canais digitais e totens em aeroportos, além de uma nova versão do aplicativo mobile, vão contribuir ainda mais para a experiência do Cliente.

Uma decisão corporativa da 3M quase me fez jogar no lixo dezenas de ganchos plásticos em perfeito estado

Na cobertura de tecnologia, fala-se há anos sobre os desafios da melhoria do impacto social dos equipamentos que usamos. Telas, resistores, conectores e placas, além dos muitos plásticos que embalam os equipamentos, são difíceis de reciclar e boa parte deles acaba poluindo o meio ambiente. O descarte, quando precisa acontecer, deve ser cuidadoso e feito […]

Cientista de dados da IBM, negro, é preso por reconhecimento de foto

Raoni Lazaro Rocha Barbosa, 34 anos, cientista de dados da IBM, foi preso no último dia 17 acusado de ser integrante de uma milícia em Duque de Caxias (RJ). Segundo Ancelmo Góes, a prisão de Raoni foi decretada com base em reconhecimento facial, a partir de uma foto que, segundo seus advogados, não é dele. Outro detalhe que chama a atenção é que, também de acordo com os advogados, Raoni jamais morou em Duque de Caxias — ele reside em Campo Grande, a ~35 km. O caso está nas mãos da desembargadora Denise Vaccari, da 1ª Câmara Criminal do Rio. Via O Globo.

“Faraó dos bitcoins” movimentou R$ 16,7 bilhões em 12 meses

Ainda estou esperando alguém que me convença de que criptomoedas só servem para ilicitudes e especulação. Enquanto isso, os exemplos que reforçam essa opinião seguem se acumulando.

A história do ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, da GAS Consultoria Bitcoin, do Rio de Janeiro (RJ), é inacreditável. Em seis anos, ele movimentou R$ 38 bilhões em um esquema de pirâmide que prometia retornos surreais aos “investidores”. Metade desse valor, R$ 16,7 bilhões, foi movimentada em apenas 12 meses. Via O Globo.

Para colocar isso em perspectiva, se esse montante fosse classificado como receita (são coisas diferentes, eu sei), a GAS Consultoria Bitcoin estaria entre as 50 maiores empresas do Brasil em 2020, segundo o ranking Valor 1000.

Apesar do uso do bitcoin como fachada para enganar os “investidores”, Glaidson era, pessoa física, investidor da criptomoeda: ele chegou a colocar R$ 1,2 bilhão na Binance em troca de 4,6 mil bitcoins. Via O Globo.

MP de Bolsonaro proíbe redes sociais de excluírem perfis e conteúdos

Na véspera das manifestações pró-governo e golpistas de 7 de setembro, marcadas para Brasília e São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou a medida provisória (MP) nº 1.068 que altera o Marco Civil da Internet a fim de proibir a “remoção arbitrária e imotivada” de perfis e conteúdos em redes sociais. A MP foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e tem efeitos imediatos. O próprio Bolsonaro e apoiadores já tiveram vários conteúdos removidos e perfis excluídos de plataformas como Twitter, Facebook e YouTube, em alguns casos por iniciativa própria delas. Especialistas afirmam que o texto da MP é inconstitucional. Via Metrópoles, Folha de S. Paulo.

Pix Troco e Pix Saque chegam em 29 de novembro

Pix Troco: 1) Usuário do Pix vai a uma padaria (por exemplo). 2) Faz uma compra de R$ 20. 3) Faz um Pix de R$ 30 para o estabelecimento. 4) Recebe R$ 10 em espécie. Pix Saque: 1) Usuário do Pix vai a uma loja de departamento (por exemplo). 2) Faz um Pix de R$ 50 para o estabelecimento, sem fazer compras no local. 3) Usuário retira esse valor no estabelecimento comercial, que atuou como um agente de saque.
Imagem: Banco Central/Divulgação.

O Banco Central anunciou que o Pix Troco e o Pix Saque poderão ser oferecidos a partir de 29 de novembro. Para os usuários pessoas físicas e microempreendedores individuais, o serviço poderá ser usado gratuitamente até oito vezes por mês. Os estabelecimentos aderentes à novidade poderão receber uma tarifa da “instituição de relacionamento” que varia de R$ 0,25 e R$ 0,95. O esquema acima explica como funcionam as duas novas modalidades do Pix, ambas baseadas em QR codes ou aplicativo do prestador do serviço. Via Banco Central.

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