O Diário Popular, jornal que cobria a região Sul do Rio Grande do Sul, encerrou suas atividades no último dia 12, após 133 anos de história. No mesmo dia em que a última edição impressa circulou, o site do jornal saiu do ar, sumindo com ~20 anos de história e gerando indignação entre colaboradores e leitores. (Soube do caso pelo Luís Felipe dos Santos.)
A indisponibilidade do site não foi planejada pela direção do jornal, segundo uma fonte que pediu para não ser identificada. Ao saber do encerramento da edição impressa, a empresa responsável pela hospedagem tirou o site do Diário Popular do ar.
O site voltou ao ar cerca de quatro dias depois. Até quando ficará disponível, não se sabe — ainda que os custos de hospedagem de um site estático sejam irrisórios.
O episódio é um lembrete de que é preciso pensar formas de preservar as versões digitais de jornais brasileiros.
Aqui na minha cidade, toda vez que o jornal local decide deixar o portal “de cara nova” eu já sei o que esperar: todo conteúdo vai ficar inacessível através das URLs antigas, e a migração das matérias anteriores – se é que vai haver uma – será malfeita. Não existe preocupação alguma com a preservação do conteúdo histórico do portal na internet. Se eu utilizar esse jornal como fonte de algo para algum artigo na Wikipédia, por exemplo, já considero obrigatório arquivar a URL na Wayback Machine ou similares. Sem contar que uma invasão (hack) uns anos atrás fez com que os PDFs desse mesmo jornal, que estavam sendo publicados desde 2003 na internet, fossem excluídos. O caso foi abafado e ninguém se preocupou em republicar esses arquivos. Simplesmente lamentável.
Isso é que dá depender das big techs para montar todo seu negócio e…
NÃO, PERAÍ 😬😬😬
Confesso que quando soube do fim do Diário Popular fiquei bastante triste. Era o terceiro jornal impresso mais antigo do Brasil e vários amigos e conhecidos trabalharam por lá.
Uns dias antes de fechar, estava caminhando no centro da cidade e passei em frente a sede do jornal. Lembro que fiquei parado, olhando para dentro do prédio. Me perguntei quanto tempo mais ele iria resistir, e exatos 5 dias depois, veio essa notícia.
A primeira coisa que pensei quando meu chefe falou sobre isso foi exatamente o que aconteceria com o conteúdo digital, toda a história da cidade que contada nas páginas virtuais do jornal.
Seria interessante se liberassem o conteúdo inteiro, inclusive matérias que na época eram somente para pagantes, afinal não faz mais sentido haver esse bloqueio.
Emfim… Como tudo na vida, um dia as coisas acabam. É o ciclo natural. Vida que segue.