E o Signal?
Estadunidenses de grupos minorizados estão sugerindo o uso do Signal diante do resultado da eleição presidencial de lá.
Usar o Signal é uma boa prática de segurança e privacidade digital, com Trump no poder ou não, nos EUA e em qualquer outro país.
No final de maio, em meio a uma onda de ataques esquisitos contra a direção do Signal por sujeitos como Pavel Durov (Telegram) e Elon Musk (X), migramos o grupo do Manual para o Signal. (Até então, usávamos o Telegram.)
Dia desses, o leitor Tasso sugeriu “um texto de reflexões sobre a mudança do grupo para o Signal, alguns meses depois”. Achei boa ideia! Cá está o texto.
A mudança transcorreu sem maiores transtornos, ainda que não sem perdas. No Telegram, éramos mais de 120 pessoas, se não me falha a memória; no Signal, nesta quarta (6) estávamos em 94.
A disparidade é compreensível. O Telegram é mais popular — segundo Pavel, já ultrapassou 1 bilhão de usuários. Sei que alguns leitores se cadastraram e/ou só usam o Signal para interagir no grupo. No mesmo sentido, alguns — incluindo o Tasso — não se animaram em instalar o Signal apenas para isso1.
Para quem fez a migração, a diferença mais perceptível é a ausência de “tópicos”. No Telegram, “tópicos” são um tipo de “grupo dentro de um grupo”, como os canais em um servidor do Discord ou as salas do Slack e Microsoft Teams.
Pessoalmente, desgosto de tópicos/canais/salas em grupos pequenos, como é o nosso. A organização não compensa a fragmentação e o trabalho extra de verificar não um, mas vários espaços.
Outra coisa que usava bastante no Telegram, fazendo jus ao nome do grupo (“Conselho do Manual”), eram as enquetes. O Signal não as oferece.
Considerando a dinâmica do nosso grupo — poucas mensagens, assuntos pontuais, civilidade entre os frequentadores —, acho que até um de SMS funcionaria bem. Ferramentas pensadas para grupos muito ativos e/ou grandes, que outros aplicativos têm, não nos são necessárias.
Em resumo, o Signal funciona.
A ressalva que faço às particularidades do nosso grupo se repete em outros detalhes. Um em especial é o de becape das mensagens — ou ausência dele.
O assunto é frequente no subreddit (extraoficial) do Signal, por exemplo: como fazer becape de mensagens do Signal? Resposta: não dá. Tal esclarecimento costuma ser feito quando já é tarde demais.
O leitor Diogo notou que o Signal tem algum suporte a becapes, embora seja precário, com uma série de restrições — e pior no iOS que no Android.
Em um ambiente profissional, tal limitação pode virar um problema grave em fluxos de trabalho, documentação e arquivamento. Não à toa, o Signal é desaconselhado para uso corporativo. Existem outros apps de mensagens de código aberto/software livre para esse cenário, como Matrix, Rocket.Chat e Zulip.
O Signal é um app para uso pessoal. Todo o esforço dos desenvolvedores gira em torno de oferecer a experiência esperada por quem vem do WhatsApp, com uma abordagem focada em privacidade — de verdade, sem interesses comerciais como é o caso do WhatsApp, um produto da Meta.
Daí a demora em implementar recursos que seriam triviais se trazidos no padrão de mercado, de figurinhas a stories, passando por nomes de usuário. Há um grande esforço em trazê-los de tal modo que estejam à altura da promessa do Signal e, ao mesmo tempo, acessíveis a qualquer pessoa.
- O convite segue aberto a todos elegíveis a participarem do grupo, ou seja, assinantes do Manual!) ↩