Sem Instagram, sem privacidade
Ao nos transformarmos em divulgadores das nossas próprias vidas no digital, novos dilemas sociais emergem. (A essa altura não tão novos, mas ainda difíceis de lidar.)
Neste post solitário (é o primeiro e único do blog; em inglês), a pessoa reflete sobre a situação em que alguém publica fotos dela no Instagram e um terceiro, conhecido de ambas, fica sabendo da reunião delas:
Nos últimos meses, notei várias vezes como as pessoas sabem mais sobre a minha vida do que eu conto a elas ou do que provavelmente ouvem dos outros. Por exemplo: aonde viajamos no último fim de semana e com quem. Como elas sabem? Instagram. Uma postagem de um terceiro dessa viagem. Claro. Você não precisa estar no Instagram para estar no Instagram.
Como atender às expectativas de um público tão diverso, mesmo que composto por pessoas do seu convívio? Fotos de viagem ou de uma festa são interpretadas de maneiras diferentes por sua família, seus amigos, colegas de trabalho e chefe.
Acho eu que existem dois caminhos: ignorar as consequências (sociopatia?) ou “pasteurizar” o conteúdo para tentar agradar a todos (impossível, mas dá para chegar perto).
E, mesmo assim, não se escapa de outros dilemas:
Imagine um amigo com quem você foi foi viajar no fim de semana. Esse amigo conversa com outro amigo em comum. Esse amigo em comum poderia muito bem ido com vocês na viagem, já que você gosta dele, mas, devido a circunstâncias da vida, você não o convidou. Você provavelmente se sentiria desconfortável ao ver esse primeiro amigo falando sobre a viagem como se tivesse sido a melhor viagem de todas, onde todos se divertiram horrores e agora todos que estavam lá viraram melhores amigos para a vida toda.
No entanto, essa é a impressão que uma postagem ou história no Instagram geralmente evoca. É, provavelmente, o tipo de conteúdo que a maioria dos seguidores desse primeiro amigo adora ver. Exceto talvez por algumas pessoas que se perguntam por que você não as convidou para a viagem.
Ela propõe, como solução, uma nova etiqueta que desaprove postagens de reuniões sociais para além dos envolvidos. Em vez de um story para todos os seguidores no Instagram, restringir aos “melhores amigos” ou mesmo em um grupo no WhatsApp/Signal.
Sem Instagram, sem privacidade (em inglês)
blog.wouterjanleys.com
Google Plus tinha um sistema de circles especificamente pra isso. O porém dele é que exigia mais trabalho por parte do usuário, e mais decisões… Isso e o fato de estar no Google Plus onde todo mundo foi enfiado a força e ninguém queria estar. Mas hoje eu vejo gente com vários perfis no Instagram (um profissional, um pros amigos, um pra paquerar, um pra fins mais obscuros) e penso se não é a mesma coisa só que pior.
Acho que um ponto interessante é saber o nível de contato ou amizade. Há pessoas com quem podemos ter muito contato mas pouca afinidade ao ponto de ser amigo e outros que são apenas colegas.
Neste caso acho que não cabe ver o feed e querer estar lá, vida que segue.
Não posso dizer que sou “usuário” de redes sociais, embora tenha duas contas praticamente inativas: uma para ver coisas supostamente profissionais e outra para ver “lixo gostoso” de vez em nunca. Infelizmente optar por fazer isso me isolou tremendamente, já que muitas das relações de amizades estão baseadas no que as pessoas vêem nos feeds por aí. Para ser visto, é necessário alimentar o monstrinho frequentemente (alguém tem que ver e pagar a conta dos anúncios…), o que definitivamente não vou fazer, prefiro ler algo e conviver com meu filho. No meu caso, como não posto e não sou chamado para conviver com os demais (devo ser só suficientemente chato mesmo), aparentemente consigo manejar melhor meu controle de privacidade. Não sei…
Olho para esse adoecimento do tecido social com tremenda tristeza. Olho para os jovens que vão pra quadra e cada um fica no seu celular e vejo que estou ficando realmente muito velho, mas não deixo de ficar triste com o que essas tranqueiras estão fazendo com as pessoas.
O pessoal do Calma Urgente teve um debate ótimo sobre Instagram no episódio dessa semana: https://www.youtube.com/watch?v=znCagr4V2ik&list=LL&index=1
Na realidade, eu considero essa exposição uma certa vantagem. 😄
Não tenho redes sociais e não sou usuário frequentemente dos status do WhatsApp, nem para ver, muito menos postar. As pessoas disseram que eu costumo sumir, mas ficam felizes de saber que estou bem e onde estou pelas postagens dos amigos em comum. Então, não me importo.
O restante, jogo mais para questão da resiliência. Não vamos agradar nem desagradar a todos e as pessoas também não serão assim conosco. Qualquer estresse ou aflição se cura com uma corrida ou uma volta de bicicleta. 😄
Concordo, acho que isso se resolve havendo maturidade dos dois lados da moeda. A pessoa a ser “exposta” não deve viver com esse peso de estar fazendo algo escondido como se fosse um crime, é um momento com amigos e só. Enquanto o outro lado não deve ficar se murmurando por não ter sido chamada.
Você às vezes vai sair com um grupo ou com outro…
Obviamente existem situações e situações, mas no geral acredito que seja uma “problema” bem fácil de ser resolvido. Acho que ainda é uma visão muito de se preocupar com a opinião alheia e de ego ferido.
Passei a usar bem mais as redes sociais ultimamente, vi que é uma forma de se manter próximo sobre a vida de amigos e colegas, fico feliz sempre que postam suas conquistas e alegrias e passei a fazer o mesmo.
Exato. Eu ainda não sou de usar as redes sociais, mas isso ainda é reflexo do uso excessivo que fiz no início da pandemia. Todo modo, não tem absolutamente nada contra quem usa e ainda posta minhas fotos.
Em eventos “públicos” como passeios ao ar livre ou algum evento, coloco um convite nos grupos de amigos e até nos status, porque é legal estar com bastante gente. Mas em reuniões sociais fechadas seja como anfitrião ou convidado, participo sem nenhuma culpa na mente de ter que chamar a todos.
Quando outros fazem os próprios eventos, se me chamarem, não é garantia que eu vou e se eu for, não devo necessariamente incluí-los num evento meu futuro. Tudo em paz e vida que segue. 😄
Sei como é…
Eu não sou o tipo de pessoa que programa viagens para a praia com as amigas ou que tem piscina em casa. Costumo ser apenas a convidada nessas situações – e sempre acompanhada da famosa frase: “convidado não convida”. Já passei por algumas situações constrangedoras, a ponto de uma amiga muito querida ver minhas fotos e perguntar se caberia ela naquele programa.
Eu queria muito que ela fosse/estivesse lá, mas… convidado não convida.
Para evitar esses constrangimentos, acabo não postando mais nada – seja para não magoar os outros, seja por não me sentir confortável com a exposição.
Mas sempre tem aquela outra pessoa (que também tem em comum a amiga não convidada) que posta fotos e me marca.
É cansativo.