Infelizmente, novos óculos inteligentes da Meta parecem ótimos

O fracasso da primeira colaboração entre Meta e EssilorLuxottica (a dona da marca Ray-Ban) na criação de um par de “óculos inteligentes”, em setembro de 2021, baixou muito as expectativas com uma eventual segunda versão.

Anunciado em um evento em setembro, espremido entre o mais badalado Meta Quest 3 e a nova inteligência artificial da Meta, o Ray-Ban Meta não chamou muita atenção de primeira.

Com o produto nas lojas — e nos rostos de repórteres de sites especializados norte-americanos —, porém, veio a surpresa: é um negócio… bem bom?

Os novos Ray-Ban Meta corrigem os pontos fracos do antecessor: a câmera é de boa qualidade (os microfones, excepcionais) e a bateria é ok (e tem uma caixa que se desdobra em bateria portátil com várias recargas).

E eles mantêm a característica mais importante de um produto do tipo: são bonitos, parecem óculos comuns.

Todos os que relataram suas experiências com o Ray-Ban Meta afirmam que os óculos não chamam a atenção, a ponto de ninguém perceber que são óculos especiais, inteligentes.

Bem diferente do Google Glass, por exemplo, que chegou a ganhar algum capital social em 2013, antes de Robert Scoble sepultá-lo com aquela foto medonha debaixo do chuveiro (não vou linkar; de nada).

O mundo é outro, também. Em 2013, a ideia de termos câmeras apontadas para nós o tempo todo, de todos os lados, estava restrita às distopias. Não à toa, o Google Glass foi rejeitado — e não apenas por causa do Scoble.

Óculos insuspeitos com câmeras e microfones de alta qualidade tão discretas que parecem camufladas não são uma ideia radical nem ultrajante em 2023. São, de qualquer forma, um passo extra no caminho da devassa da privacidade e da espetacularização da vida. (O Ray-Ban Meta faz streaming ao vivo no Instagram.)

Por US$ 299, uns trocados a mais que as versões “dumb” dos óculos de sol da EssilorLuxottica, os “smart glasses” se aproximam perigosamente do trivial.


Dos muitos vídeos que vi, recomendo a análise/ensaio da Victoria Song, do The Verge. Ela define a chegada do Ray-Ban Meta como “um ponto de virada”.

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9 comentários

  1. Será que tem como desativar a sincronização com os apps da meta e usar ele como se fosse uma GoPro e/ou um fone de ouvido bluetooth? Algo como uma integração “genérica, plug and play” com qualquer sistema.

  2. Uma coisa eu não entendi, dá pra ouvir musica com eles também? Ou eles só servem para filmar/fotogravar?

        1. Só se estiverem muito próximas, acho. Os alto-falantes são direcionais, apontados para seus ouvidos. Se vazar áudio, é pouco.

  3. antes de Robert Scoble sepultá-lo com aquela foto medonha debaixo do chuveiro

    Mais medonho ainda pra quem assistiu ao que estava sendo filmado/fotografado.

    1. Parece que gostaram, porque ele repetiu a foto em 2016, mostrando o Snap’s Spectacles.