A caixa-preta da influência: ser criador de conteúdo dá dinheiro mesmo?
uol.com.br
Os novos profissionais multimídia (criadores de conteúdo) não têm vida fácil. Rafaela Polo tentou desvendar os segredos da “caixa preta” do faturamento dos influenciadores. Encontrou dados desanimadores, como os da Influency.me, uma plataforma de de influência:
Só na plataforma Influency.me havia mais de dois milhões cadastrados em 2025 — um número que cresceu 64% em relação ao levantamento de 2024.
Isso significa que há dois milhões de pessoas vivendo de dinheiro que ganham com as redes sociais? Não é bem assim. Pelo contrário: é complicado ganhar dinheiro com internet. Desses que estão no Influency.me, só 1,5% declaram ganhar mais de R$ 50 mil por mês. A maioria ganha pouco: 25% diz que recebe R$ 500 e 33% entre R$ 500 e R$ 2.000 mensalmente.
Traduzindo em números absolutos, cerca de 30 mil ganham mais de R$ 50 mil/mês. Os que praticamente pagam para trabalhar (ganhos de até R$ 2 mil/mês) são mais de 1,1 milhão.
Tenho comigo a teoria de que trabalhar com influência digital é o mesmo que virar vendedor. A CEO da Mynd, Fátima Pissarra, concorda:
[…] para a CEO da Mynd, todo influenciador tem que partir da premissa de que é um vendedor, já que resultados de links afiliados podem trazer receita de forma mais imediata. “A afiliação está crescendo muito. Tem perfis com 100 mil seguidores ganhando cerca de R$ 300 mil só de comissão por mês”, diz.
Lembrei dessa coluna do Ricardo Araújo Pereira: “Influencers na minha cabeça”: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2018/07/influencers-na-minha-cabeca.shtml
Os dados batem, né!
90% dos brasileiros ganham menos de R$ 3,5 mil por mês.
5% ganha mais de R$ 10 mil.
1% mais de R$ 30 mil.
Concordo com a teoria de virar vendedor.
Inclusive, vendedor não só de produtos mas de si mesmo, o que acho ainda mais triste.
Como o futebol com VAR + bet virou um teatro, acho que menos crianças querem ser jogadores do que no passado (passa menos na TV, e quem assiste TV hoje?). Problemas de segurança, famílias destroçadas pelo atropelo do mercado de trabalho, noves fora, vejo que a chupeta digital que produz litros de serotonina e dopamina está imperando. Com isso, acho que a vontade de ser influenciador é muito maior para os mais jovens.
O problema do influenciador é que ele é muito mais… influente (rimshot)… se seu time ganhou ou perdeu, você fica feliz e triste junto com ele, e isso independe das suas escolhas. O influenciador está dando o cigarrinho exatamente do jeito que você quer, feitinho pra você (ou é o que você acha), o apelo é muito maior, já que é mais horizontalizado. Acho que o mecanismo de influência é muito mais perverso, com efeitos de saúde pública ainda desconhecidos (e que as plataformas e anunciantes vão passar longe de pagar).