A OpenAI revelou — com vários clipes — a Sora, sua nova IA que produz vídeos de até 1min a partir de enunciados. São surpreendentes. Fiquei pensando em quais os casos de uso possíveis. Por que alguém iria querer forjar vídeos, fora para fins de entretenimento (cinema/ficção)? Uma hipótese é porque tudo é entretenimento, como já alertava Neil Postman nos anos 1980. Alguém tem outra hipótese?
O que eu uso (2024)
Desde 2022, publico um raio-x das coisas (dispositivos e softwares) que uso para fazer o Manual do Usuário e… bem, viver. (Veja os posts de anos anteriores.) Além da curiosidade, é um exercício que ajuda a explicar/justificar algumas decisões editoriais aqui no site.
Navegador do DuckDuckGo ganha sincronia e backup de favoritos e senhas
O navegador do DuckDuckGo ganhou um recurso imprescindível nesta quarta (14): sincronia e backup de favoritos, senhas e configurações da proteção de e-mail.
No anúncio, a empresa diz que a sua solução dispensa a criação de contas e que todos os dados são criptografados de ponta a ponta.
A conexão entre dispositivos feita por QR codes e códigos alfanuméricos. Nas configurações do navegador, é possível gerenciar os dispositivos sincronizados.
Um detalhe importante: ao sincronizar/fazer backup dos seus dados, o navegador do DuckDuckGo gera um código de recuperação em um arquivo PDF. Caso perca o acesso aos dispositivos sincronizados, esse código é a única maneira de recuperar seus dados.
O navegador do DuckDuckGo tem bloqueador de anúncios nativo, uma ferramenta de consentimento automático para cookies e outros recursos de privacidade. Ele usa o motor de renderização padrão de cada sistema operacional onde está disponível.
DuckDuckGo Browser / Android, iOS, macOS e Windows / Gratuito
Saiu o LineageOS 21, baseado no Android 14. Desta vez, graças a um trabalho mais simples para portar alterações das versões anteriores à nova, os desenvolvedores focaram nos aplicativos nativos do projeto, que passaram por profundas reformulações. Tem um novo também, a galeria de imagens Glimpse.
Atenção: ainda levará algum tempo para todas as builds (imagens) serem liberadas. Confira se a do seu dispositivo já está disponível neste site.
Mais detalhes e imagens no link ao lado. Via LineageOS (em inglês).
Em 2024, os mapas do OpenStreetMap serão convertidos para vetores, o padrão nesse tipo de aplicação. Os mapas de lá não são assim ainda devido ao fluxo de atualização, que publica alterações feitas por voluntários quase em tempo real. Por isso, dizem os mantenedores, o OpenStreetMap teve que criar sua própria tecnologia de mapas vetoriais. Ainda não há data para a implementação. Via Blog do OpenStreetMap (em inglês).
Superlist, o sucessor espiritual do Wunderlist para listas de tarefas
Muita gente se lembra (e lamenta o fim) do Wunderlist, um aplicativo de listas de tarefas que acabou comprado e encerrado pela Microsoft.
Em 2020, quando o Wunderlist bateu as botas, Christian Reber, um dos criadores do app, anunciou o Superlist, “uma renovada abordagem de produtividade turbinada para equipes”.
Quatro anos depois, o Superlist finalmente está disponível para todos.
A exemplo do Wunderlist, o Superlist tem um visual bem bacana, moderno, com linhas e animações bonitas.
As listas podem receber anotações, imagens e há integração com serviços externos, como GitHub, Figma, Notion e muitos outros.
O Superlist é apresentado como “a casa de todas as suas listas”, de projetos em uma empresa à lista de compras do mercado. Existem dois planos gratuitos e dois pagos, para indivíduos e empresas, e é possível alternar entre eles com um clique.
Superlist / Android, iOS, macOS e web / Freemium
Com nova CEO, Mozilla demite 5% e passa a focar no Firefox e em “IA confiável”
O TechCrunch obteve o memorando das mudanças anunciadas pela Mozilla, que há poucos dias trocou a CEO — saiu Mitchell Baker, entrou Laura Chambers, ex-CEO da Willow Innovations e com passagens por Airbnb, PayPal e eBay.
Praticamente todas as iniciativas recentes — instância do Mastodon, produtos de segurança (VPN, Relay etc.) e Hubs (espaço virtual/3D) — perderão espaço. O foco volta a ser o Firefox e, também, “IA confiável”.
Não demorou muito para a Meta sacanear jornalistas no Threads, repetindo um roteiro já gasto de… sacanear jornalistas. Na sexta (9), Adam Mosseri disse que “contas políticas” não serão recomendadas pelo algoritmo do Threads e do Instagram. (O que define uma conta como “política”? Boa pergunta.)
Muita gente que apostou na rede da Meta diante da decadência do Twitter se sentiu traída. O que é estranho, porque não é a primeira nem a segunda vez que a Meta sacaneia jornalistas. Via @mosseri@threads.net, Washington Post (em inglês).
A Microsoft começou a extirpar o suporte a realidade mista do Windows. A versão de testes liberada nesta quinta quebra o suporte a headsets de realidade mista; a mudança alcançará todos os usuários no fim do ano, com o Windows 11 24H2.
Embora não impacte o HoloLens, é uma regressão à tentativa de popularizar headsets de realidade mista/aumentada/virtual. E num momento curioso, logo após o lançamento do Vision Pro, da Apple.
Parece que estamos em um ponto de inflexão, só não sei quem está certa, se a Apple ou a Microsoft. Via Pixel Envy (em inglês).
Fechamos a torneira para o zero rating. Todos os novos planos não têm zero rating para as redes sociais.
Alberto Grizelli
Presidente da TIM Brasil
A virada de 180º das operadoras (a Claro também está “fechando a torneira”) não tem a ver com neutralidade da rede ou respeito (tardio) ao Marco Civil da Internet, é só uma nova queda de braço com a big tech.
As operadoras reclamam pelo “fair share”, uma contribuição dada pelas empresas que mais usam a rede (plataformas sociais, serviços de vídeo etc.) para bancar a infraestrutura. O fim do zero rating faz parte dessa ofensiva. Via Convergência digital.
Cenas de uma web que agoniza
Vi uma chamada da newsletter Platformer que me interessou pelo título (“Cenas de uma web que agoniza”) e a ilustração (prints do detestável Arc Search, que usa inteligência artificial para mastigar páginas da web e cuspir uma nova com informações surrupiadas).
Cliquei e topei com outra cena da morte da web: um paywall.
Importante lembrar que na criptografia de ponta a ponta — como o termo sugere — as duas pontas têm acesso livre ao conteúdo. Se uma das pontas faz backup descriptografado de conversas à nuvem, como fez o tenente-coronel Mauro Cid, as conversas podem ser acessadas por terceiros, como fez a Polícia Federal.
Não deve ter sido intencional, mas a insistência de Mauro Cid em usar o Signal para tratar de assuntos… “sensíveis”, poderia ter livrado o bando de produzir provas contra si mesmo. O Signal não faz backup na nuvem.
Mais uma vez, o backup salva (a democracia, neste caso). Via G1, O Globo.
O Google rebatizou todas as suas coisas de inteligência artificial para Gemini. Ótimo. Mais fácil criticar uma coisa só do que ter que especificar um dos 354 produtos do Google — que serão encerrados daqui a um ano, de qualquer forma. Via Blog do Google.
Leia feeds RSS no terminal com o Newsboat
Uma dificuldade que tive no Linux foi encontrar um bom aplicativo de RSS que sincronizasse com o Miniflux, o serviço do tipo do PC do Manual disponível para assinantes do Manual.
Depois de muito pesquisar, cheguei à coisa mais simples que poderia existir (depois de usar o Miniflux pelo navegador mesmo, que é ótimo, aliás): o Newsboat, um agregador de feeds RSS que roda no terminal.
A configuração, sem surpresa, é feita editando arquivos de configuração no diretório ~/.newsboat. É ali, por exemplo, que você insere os dados da instância do Miniflux para conseguir acessá-los pelo Newsboat.
Com tudo configurado (a documentação ajuda muito aqui), basta digitar newsboat no terminal para abrir o app.
Toda a navegação é por teclas de atalho, algumas bem óbvias (R, por exemplo, atualiza os feeds), outros, menos. Não é preciso decorá-las todas de uma vez; basta apertar ? para exibir os comandos.
A qualidade da leitura vai depender de como o terminal está configurado. É possível abrir os itens em um navegador (tecla o) e links dentro de um item, pela numeração (a partir do décimo link, toque em # antes de digitá-lo).
Newsboat / *BSD, Linux e macOS / Gratuito
História das escovas de dente inteligentes infectadas por malware parece balela
“Três milhões de escovas de dente inteligentes infectadas por vírus usada em um ataque DDoS na Suíça”, diz o título de um post viral do site norte-americano Tom’s Hardware.
Será?
Tem muita gente questionando, com bons argumentos, essa que seria uma notícia boa demais para ser verdade. E por “boa”, quero dizer surreal e verossímil, um ótimo exemplo da insanidade que é conectar à internet acessórios insuspeitos.
A origem da notícia é um artigo em alemão que tem como fonte a empresa de segurança Fortinet. Embora o texto comece dizendo que “esse exemplo [das escovas de dente], que parece um cenário de Hollywood, realmente aconteceu”, não há informações do suposto ataque — quando, onde, quem, nada.
Parece que a rebelião das escovas de dente infectadas é mais um exemplo do que poderia dar errado do que algo que teria acontecido (tradução do DeepL):
“Todo dispositivo conectado à Internet é um alvo em potencial — ou pode ser usado indevidamente para um ataque”, diz Stefan Züger. Ele é responsável pela tecnologia de sistemas na filial suíça da Fortinet, especialista em segurança cibernética, com sede em Dietlikon, Zurique. Não importa se é um monitor de bebê, uma câmera da Web ou até mesmo uma escova de dentes elétrica.
Atualização (20h40): A Malwarebytes publicou um guia que explica como saber se uma escova de dente inteligente está infectada com malware. (Dica do Renan Altendorf no nosso Matrix.)
Via @GossiTheDog@cyberplace.social (em inglês).
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