Meta complica, mas libera usuários do Threads para seguirem pessoas no fediverso

A Meta deu mais um passo na integração do Threads ao fediverso, ou seja, na compatibilidade com o ActivityPub e plataformas que usam esse protocolo, como o Mastodon: agora é possível a pessoas no Threads seguirem perfis de outros servidores do fediverso que já tenham interagido com o Threads. / @zuck@threads.net (em inglês)

Achou complicado? Calma, ainda estamos na parte simples.

Adam Mosseri, executivo que lidera o Threads, deu mais detalhes:

Você pode ver as postagens deles [pessoas do fediverso] navegando até seus perfis e também pode optar por ser notificado quando eles postarem em seus servidores. / @mosseri@threads.net (em inglês)

Em outras palavras, os posts vindos do fediverso/Mastodon não aparecem no feed e em outras linhas do tempo públicas.

Para piorar, o caminho para de fato seguir alguém de outro servidor/instância é cheio de pedras. O site We Distribute deu uma fuçada e explica:

O Threads oferece um link especial que pode ser usado para procurar perfis específicos [de outros servidores], desde que cumpridos estes requisitos:

  1. Você tem o “Compartilhamento no fediverso” definido como Ativado em sua conta no Threads. [Ative-o aqui.]
  2. Essa pessoa não te bloqueou.
  3. Essa pessoa ou quem administra o servidor não bloqueou o threads.net. / wedistribute.org (em inglês)

Ficarei surpreso se aparecer algum seguidor do Threads no meu perfil no Mastodon

Alienação e aceleração

Em 1985, o educador estadunidense Neil Postman publicou Amusing ourselves to death1, uma crítica à TV e o seu poder de reduzir qualquer matéria ao entretenimento.

No livro, Postman faz o alerta de que o mundo contemporâneo não é o imaginado por George Orwell em 1984 (opressor, totalitário), mas sim o que Aldous Huxley apresenta em Admirável mundo novo, ou seja, um em que as pessoas sacrificam seus direitos voluntariamente em troca de felicidade artificial. A diferença é que em vez do “soma”, a droga sintética que dava barato no livro, a do mundo real dos anos 1980 seria a TV.

O argumento de Postman contrasta os Estados Unidos do século XIX, quando alguns bolsões apresentavam índices altíssimos de alfabetização e os debates entre políticos e figuras públicas eram acontecimentos e demoravam horas, às vezes dias, com o distraído pela TV, evocando Marshall McLuhan e sua máxima (“o meio é a mensagem”) para sustentá-lo:

A duração média de uma cena na televisão é de apenas 3,5 segundos, de modo que o olho nunca descansa, sempre tem algo novo para ver. Além disso, a televisão oferece aos espectadores uma variedade de assuntos, requer habilidades mínimas para compreendê-los e visa em grande parte a gratificação emocional.

Se trocarmos “televisão” por “TikTok” ou “Instagram”, a frase continua valendo nos anos 2020 sem demandar outras alterações.

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Entrevista com Marcio, da newsletter Imagina Só

Hoje é dia de estreia no Manual! Uma série de entrevistas com pessoas que mantêm newsletters presentes no nosso diretório de newsletters brasileiras. Espero que goste!

Qual é a sua newsletter?

Imagina Só.

Fale um pouco de você, Marcio.

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Robôs do Marreta estão disponíveis no Bluesky e Telegram

O Marreta agora tem robôs no Bluesky e Telegram para facilitar a derrubada de paywalls.

No Bluesky, você pode publicar o link e mencionar o perfil do Marreta, @marreta.pcdomanual.com, ou mencionar esse mesmo perfil em resposta a um post com link (exemplo).

O robô do Bluesky é criação do Joselito.

No Telegram, adicione o robô @leissoai_bot e envie links de notícias com paywall para receber outro link do Marreta ou de outros quebradores de paywall. (Esse robô é do Renan Altendorf, criador do Marreta.)

O Mastodon ganhou uma retrospectiva do ano, nos moldes daquela famigerada do Spotify. Por óbvio, é bem mais simples: mostra o aumento dos seguidores, post mais popular, total de posts e hashtag mais usada. (Para ver as de quem já tem, a hashtag é #wrapstodon.) Ela está sendo liberada aos poucos na instância principal (mastodon.social). / @Gargron@mastodon.social

Em outras instâncias, é preciso atualizá-la para as versões mais recentes de testes (alpha ou nightly) e colar uns códigos via linha de comando. O blog ao lado ensina o caminho das pedras. / blog.thms.uk (em inglês)

Kirby vs. post de um blog

Kirby, a famosa personagem da Nintendo que absorve inimigos e ganha seus poderes, aprontou de novo: desta vez, engoliu um post de blog. / mgx.me (em inglês)

Leaving and Waving

Durante quase três décadas, a fotógrafa estadunidense Deanna Dikeman registrou as despedidas da casa dos seus pais. As fotos, de 1991 a 2017, foram reunidas na exposição “Leaving and Waving”. / deannadikeman.com (em inglês)

Software de big tech não é apenas ruim; é nocivo

Um dos males do software comercial, aquele feito por exércitos de desenvolvedores bem pagos por empresas enormes, de capital aberto e muito prósperas, é que com frequência (quase sempre) seus interesses se desalinham dos dos usuários, nós.

Dois casos recentes envolvendo duas das maiores empresas de tecnologia do mundo, Google e Microsoft.

O aplicativo do Google para iOS ganhou um recurso chamado “Anotação da Página”. Ao abrir o link de um site dentro do app, o Google pode “extrair entidades interessantes da página e destacá-las”. O destaque se transforma em links que, ao serem clicados, levam a uma página de resultados do Google. / seroundtable.com (em inglês)

Para que não reste dúvidas: o Google insere links em qualquer site acessado pelo seu aplicativo. Links que a pessoa dona do site não inseriu. Ao clicar nesses links arbitrários, alguém é levado aos resultados do Google — e aos anúncios do Google, que lhe geram receita.

Quem não quiser links enfiados precisa preencher um formulário e aguardar 30 dias (!) para ter sua solicitação aceita.

(Nunca entendi por que alguém baixa o aplicativo do Google. Qual a vantagem em relação a abrir o navegador e digitar ou ditar o que se quer pesquisar?)

A Microsoft relançou seu aplicativo de papéis de parede do Bing para Windows. Agora, está disponível na loja do sistema. Não baixe-o; é quase um malware. / apps.microsoft.com

Rafael Rivera, ex-Microsoft MVP, analisou o aplicativo e descobriu ações questionáveis programadas nele. / @WithinRafael@x.com (em inglês)

O Bing Wallpapers tenta colocar o Bing como buscador padrão em qualquer navegador instalado no computador e abre abas periodicamente para oferecer coisas do Bing.

O pior é que o aplicativo da Microsoft lê e descriptografa cookies dos navegadores.

Em nota ao site The Register, a Microsoft diz que o app “não lê e descriptografa todos os cookies do Edge e Chrome”. Ênfase no todos. / theregister.com (em inglês)

São apenas dois casos, ambos descobertos graças a pessoas curiosas que se dispuseram a chafurdar aplicativos de baixa qualidade e, pior, proprietários. Imagine quantos outros casos escabrosos passam batidos…

A mochila do Gabriel Arruda

Nesta seção, leitores do Manual mostram o que carregam em suas mochilas no dia a dia. Veja as outras mochilas já publicadas e mande a sua — a continuidade da seção depende de você.

Trabalho como cientista de dados (MLOps, mais precisamente) em regime híbrido. Normalmente vou duas vezes por semana ao escritório. Os itens variam um pouco, mas normalmente é uma combinação dos descritos abaixo.

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Este site compara o tamanho geográfico de duas cidades quaisquer

Este site compara o tamanho geográfico de duas cidades quaisquer. / citysizes.com

O GitHub criou um fundo de apoio à segurança em projetos de código aberto com o apoio de parceiros de peso, como American Express, Shopify e a empresa-mãe, a Microsoft. Até aí, tudo bem. Problema é que essas empresas bilionárias juntaram apenas US$ 1,25 milhão que serão investidos em 125 projetos (US$ 10 mil para cada, distribuídos em 3 etapas ao longo de 12 meses).

Vamos tirar o escorpião do bolso aí, galera. / convergenciadigital.com.br, resources.github.com (em inglês)

Site de previsão do tempo simples e sem firulas

Frustrado com “o estado dos sites de previsão do tempo […] inundados de anúncios intrusivos, rastreamento desnecessário e lentos para abrirem”, Scott Russell criou um do jeito que queria, o Vanilla Weather: simples, rápido e sem firulas. / vanillaweather.com

Os parceiros do Manual também embarcaram na Black Friday. (Por “parceiros”, entenda gente legal que tem produtos com a nossa marca.) Aproveite os descontos:

  • Burocrata Carimbos: Carimbos do Manual com 10% de desconto.
  • Casatrês: Os dois livrinhos e o kit com ambos com 20% de desconto.
  • Kumori: Até 44% de desconto em produtos selecionados. (O deskmat lindão do Manual está esgotado!)
  • Quem borda um ponto: Todos os produtos com 20–40% de desconto e frete grátis acima de R$ 100 (cupom FRETEQUEMBORDA). (E lançamento do guardanapo de mesa.)

E-books gratuitos da editora A Book Apart

Em março, a A Book Apart, editora de livros técnicos de desenvolvimento na web, fechou e devolveu os direitos de publicação dos +60 títulos que publicava aos respectivos autores. / abookapart.com (em inglês)

Alguns decidiram liberar suas obras gratuitamente, como Tim Brown (Flexible typesetting), Jeremy Keith (Going offline), Ethan Marcotte (Responsive web design) e Erin Kissane (Elements of content strategy). Será que outros autores seguiram esse caminho? Se souber, avise nos comentários.

O Wantu achou mais livros distribuídos de graça pelos autores e publicou a lista no site dele.