Em 1985, o educador estadunidense Neil Postman publicou Amusing ourselves to death1, uma crítica à TV e o seu poder de reduzir qualquer matéria ao entretenimento.
No livro, Postman faz o alerta de que o mundo contemporâneo não é o imaginado por George Orwell em 1984 (opressor, totalitário), mas sim o que Aldous Huxley apresenta em Admirável mundo novo, ou seja, um em que as pessoas sacrificam seus direitos voluntariamente em troca de felicidade artificial. A diferença é que em vez do “soma”, a droga sintética que dava barato no livro, a do mundo real dos anos 1980 seria a TV.
O argumento de Postman contrasta os Estados Unidos do século XIX, quando alguns bolsões apresentavam índices altíssimos de alfabetização e os debates entre políticos e figuras públicas eram acontecimentos e demoravam horas, às vezes dias, com o distraído pela TV, evocando Marshall McLuhan e sua máxima (“o meio é a mensagem”) para sustentá-lo:
A duração média de uma cena na televisão é de apenas 3,5 segundos, de modo que o olho nunca descansa, sempre tem algo novo para ver. Além disso, a televisão oferece aos espectadores uma variedade de assuntos, requer habilidades mínimas para compreendê-los e visa em grande parte a gratificação emocional.
Se trocarmos “televisão” por “TikTok” ou “Instagram”, a frase continua valendo nos anos 2020 sem demandar outras alterações.
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