Segundo esta matéria da Vox, o termo “terceiro lugar” foi cunhado pelo sociólogo Ray Oldenburg em um livro de 1989 e se refere a locais que alguém frequenta além de sua casa (primeiro lugar) e o trabalho (segundo).
A matéria demonstra a perda desses “terceiros lugares” nos últimos anos e como isso nos afeta — em especial, a ligação do tema à crise de solidão. É bem focada nos EUA, mas talvez valha para outros locais, Brasil também?
Enfim. Dei esse contexto para perguntar se vocês têm um “terceiro lugar” que frequentam e, se sim, contar um pouco mais dele: como o conheceu e passou a frequentar, o que acham de legal lá etc.
33 comentários
Aqui em Brasília, seriam os Karaokês que vou com amigos.
Praticamente toda semana estamos em um, exceto quando não estou com alguma doença respiratória (tipo agora) típica desse período seco daqui.
Eu tenho necessidade de um terceiro lugar – não sei se estar à calçada em frente a minha casa conta, para ler; ora, é um reflexão a fazer, tenho eu essa dúvida. Contudo, eu já o tive, podendo citar um: assistir ao anime e ler mangas periodicamente “Cavaleiros do Zodíaco” com o meu primo.
Meu primeiro lugar tem sido ultimamente casa/hospital.
Olha, já tive vários terceiros lugares durante minha vida. Eles mudaram conforme minha idade, minhas amizades e meu jeito de ver as coisas.
Atualmente posso dizer que meu terceiro e quarto lugares sejam a rua, passeando com meu cachorro, e a minha marcenaria, na qual divido com meu irmão.
Passear com o cachorro é uma coisa que geralmente me faz um bem danado, principalmente nos finais de semana pela manhã. Caminhar com ele pela rua e conversar com estranhos é uma coisa que me traz paz de espírito. Isso acontece há cerca de 13 anos.
A marcenaria foi um emprego que tive de agosto de 2016 até agosto de 2021. Logo que deixei o negócio não tive muita vontade de voltar para lá, porém de um tempo para cá tenho curtido voltar lá todos os finais de semana e ajudar meu irmão nas tarefas. Gosto daquilo, do trabalho manual (que é uma coisa que me traz uma satisfação imensa, muito, muito maior que o trabalho “intelectual”), do cheiro da madeira, do clima da marcenaria e da vista que tempo de boa parte da cidade quando estamos trabalhando lá.
Enfim, esses são meus lugares alternativos. =]
Muito esse posts e as respostas. Meu terceiro lugar seria a rua, mas estou com um problema grave de mobilidade por conta da coluna. Ir ao mercado já é um esforço e tanto, mas ainda assim um prazer. Conheço todo mundo ao longo do trajeto – camelô, mendigo, balconistas, vizinhos, cachorros – e sempre foi descobrindo ínfimas novidades.
Quando não é isso, a própria internet é esse terceiro lugar – além de e segundo e até primeiro, pq o monitor é minha televisão.
Acho que isso é relativo a frequencia de ida ao “terceiro lugar”, por que, por exemplo, eu e minha namorada gostamos muito de ir a uma padaria, mas vamos a cada 15 dias mais ou menos, e tomamos um café bem longo, pedimos alguma variedade de coisas, mas n podemos ir todo dia, ou toda semana, por conta dos custos.
Ainda pensando em ser um lugar de baixa frequencia, vou a kartodromos em geral, 1 ou 2 vezes ao mes. Também são lugares que tem um Q social para mim, mesmo sendo um ambiente competitivo.
Será que a Internet contaria como um terceiro lugar?
A reportagem da Vox argumenta que sim, embora “a internet” seja um termo muito amplo para uma resposta binária, “sim ou não”.
Olha, pois admito que é um pouco de meu temor atual (e falo enqto pessoa sem traquejo social): desde que surgiu, a internet me serviu +- de muleta para esse tal Terceiro Lugar, porém esta Internet que agora temos com certeza não se presta mais pra isso.
Feira, conheci qdo era criança, meu avô me levava e era o role sagrado dele. Ia todo domingo, msm qdo não precisava.
Voltei a frequentar depois de adulto, pois havia uma feira de artesão na cidade que estudava e nossa aqui marcou, parecia que tinha sido transportado para outra época. Tudo na feira é interessante, o fluxo de pessoas, a variedade de produtos, possibilidades gastronômicas, a dinâmica comercial.
Sem duvida o melhor é vantagem de ser universal, todo lugar tem, então sempre tenho uma feira para ir.
Sinto falta disso. Meu pai e minha mãe me levava sempre pra feira e adulto eu sempre ia mesmo que fosse só pra dar uma volta.
Eu diria que o meu terceiro lugar é o lazer. Fazer uma caminhada, ir na natação, fazer aula de dança, visitar um lugar novo na cidade, parar em um café diferente, comer uma pizza em um outro lugar. Isso pelo menos uma vez na semana.
Eu fico na dúvida se é o terreiro, o grupo de teatro ou a academia mesmo. Ao contrário do que já falaram aí sobre academia, eu socializo bastante lá, meu instrutor também é corinthiano, anti-bolsonarista e muito gente fina, a gente sempre conversa muito e às vezes outras pessoas que frequentam entram na conversa também.
Sepá:
IMS
CCSP
Liberdade
O CCSP foi minha casa nos anos 80… Era um porto seguro pra mim. ADiscoteca Oneyda Alvarenga foi minha sala de estar…
Dificil ter um 3º lugar morando em Brasilia. mãs… acho que o CCBB
Também moro em Brasília. Adoro o CCBB, mas acabo indo pouco.
Acho que não tenho um “terceiro lugar” que vou com frequência, mas talvez o mais próximo seja o Parque da Cidade (ia toda semana, tenho ido pouco mas quero retomar) ou o Cine Brasília.
Hoje moro em São Paulo, mas quando estava em Brasília (primeiros 23 anos de vida), esse lugar era o clube (Naval, no caso).
Uma pista de skate. Se quiserem saber mais sobre, tem um texto no meu blog: https://gustavoribeiro.blog/blog/2021/08/19/Bank-Skate-Spot-e-a-sintese-do-skate-DIY.html
Isso é sintoma do capitalismo tardio, a gente trabalha demais, perde tempo demais com formação (escola formal), trânsito e “networking” e acaba perdendo a socialização plena (sem intenções). Sem falar que a insegurança das américas (inclusive EUA) vai tirando a capacidade de sair na rua pra quem mora nas periferias.
Perfeito.
Fico 12 horas fora de casa, e cerca de 7 horas dormindo. O que resta é trabalho doméstico, relegando o “terceiro lugar” ao meu sofá.
Mais um do time do sofá como terceiro lugar aqui, pelos mesmos motivos.
Realmente, fiquei aqui refletindo um pouco e parece que não tenho um terceiro lugar agora, saio de casa as 6h e volto as 19h do trabalho principal, chego em casa e trabalho mais com os freelas, depois eu simplesmente desligo o PC e deito pra dormir pra começar a mesma coisa no outro dia, não sei quanto tempo minha cabeça vai aguentar essa rotina, mas pagando aluguel, em outra cidade longe da família preciso me virar, mas sinto falta de ir na academia, dar um rolê de bike, jogar um game… (tive que parar de refletir, porque preciso voltar ao trabalho).
Nossa, que tema instigante. Como foi comentado aqui, a casa é também ambiente de trabalho, então são os lugares 1 e 2. Já o terceiro é a rua, onde percorro museus, mercado, biblioteca, cinema e o centro de meditação. A vida em si é um monte de vias e, sendo sincera, a gente precisa entender o que é solidão, a sensação, e o que é solitude, o momento para ficar consigo mesmo. Estar só, de certo modo, não é tão ruim, mas estar desamparada, ou se sentir assim, aí é o problema. Qual é a medida da sua solidão? Pensem nisso. Obrigada pelo post, Rodrigo, bem reflexivo!
Boteco e Praia, mas só vou com amigos e família já estabelecidos para esses lugares, não conheci ninguém lá. A não ser que os funcionários dos botecos mais conhecidos contem. Praia conheci quando nasci praticamente, acho bem legal ficar na areia ou pegar onda (descendo jacaré mesmo, surfar nunca tive equilíbrio), e beber e comer na praia também é massa, seja comprando dos ambulantes ou levando farofa de casa. restaurante na orla da praia é muito caro, se fui 5 vezes foi muito. Nunca levamos celular para praia, só livro de papel no máximo, então fica um belo momento de desconexão (apesar de que o motivo original era só não ser roubado mesmo …). Praia, enquanto continuar sendo um local público e aberto, o que não está garantido, é um bom passeio popular ainda muito protegido contra os males do capitalismo.
Boteco é mais capitalizado, apesar de que no RJ se não for um boteco gourmet, ainda dá para só comprar umas bebidas e ficar moscando um tempão nas mesas e lugares socializando, sem ter essa pressão de comer beber e sair (com funcionário perguntando se já terminou, quer mais alguma coisa, quer um café, quer pedir a conta, etc) para maximizar o rendimento do espaço, então ainda dá para ser um terceiro lugar digno desse nome.
A casa onde meus pais moram, na roça.
Por acaso vou almoçar com eles lá, mas sim, considero ser esse 3º lugar. Eu não sei o que vai ser daquele lugar quando meu pai morrer, afinal somos em 5 irmãos e vai ocorrer uma disputa pelo resto das terras.
Confesso a vocês que tenho interesse em voltar pra roça, mas não sei ao certo no que trabalharia. Talvez com hotifruti ou eletronica ainda, mas definitivamente quero viver de forma mais tranquila.
Interessante! E quem trabalha em casa? Pra não me sentir tão mal, acho que vou com frequência constante à da minha sogra e realmente serve para equilibrar o social.
Meu trabalho já é um lugar bem dinâmico que gosto de frequentar (embora seja o primeiro lugar). É uma escola muito boa de ensino médio.
O meu terceiro lugar é um grupo de mulheres e senhoras que fazem treino funcional em um projeto gratuito oferecido pela prefeitura no ginásio esportivo.
Fora isso seria a missa. Alguns poucos eventos da minha cidade e uns passeios que faço as vezes com um casal de amigos meus.
O meu acho que seria a academia. À rigor, não cumpre essa função de socialização e aparentemente faria parte da crise de solidão – faço meu treino sozinho, de fone, e idealmente não falo com ninguém. Mas, no meu caso pelo menos, é exatamente o que eu quero hahahah meu trabalho exige muita interação social, então preciso de uma folga exatamente disso.
Eu não tenho um terceiro lugar e fiquei incomodadíssimo com essa constatação.
Tamo junto…
Hoje creio que é minha assessoria de corrida. Corro junto com a turma três vezes por semana.
Tinha um bar que frequentava muito antes da pandemia. Depois desse momento somado com a paternidade, no momento estou sem uma ligação do tipo.
Meu terceiro lugar mudou depois que minha filha nasceu.
Nossa Senhora, acho que não tenho, mas vou pensar com calma e respondo meu próprio comentário. Ou não.