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Vocês sabem descansar? Como vocês descansam?

Este assunto surgiu no nosso grupo do WhatsApp, gerou reflexões super legais lá e, por isso, achei que seria uma boa trazê-lo para cá. Texto do leitor/assinante (se quiser ser identificado, avise-me que coloco o crédito):

Vocês sabem descansar? Como vocês descansam?

Reparei que tenho seríssimas dificuldades em me desligar das “coisas sérias” da vida, como trabalho, estudos, planejamento de vida.

Sempre que tenho uns diazinhos livre me vejo pesquisando coisas na Internet, lendo assuntos de política, economia, carreira, que em geral não sobra tempo pra se aprofundar no dia a dia.

E no final a sensação é de que não consegui me “resetar” ou fruir algo. Parece que eu acabo fritando em consumo de conteúdo e não consigo desacelerar.

Como vcs lidam com isso?

18 comentários

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  1. Olha, acho que sei.

    Acabei de entrar em férias, quase que juntei elas com o recesso de final de ano e posso dizer que sim, acho que sei descansar.

    Para mim, descansar é não fazer nada, mas também fazer coisas que eu gosto, no meu tempo.

    Aproveitei para pedalar, e desde do dia 24 já pedalei quase 1000 km. Pedalar para mim é vida.

    Aproveitei para ter passeios longos com meu cachorro. Não que a gente não faça passeios relativamente longos durante a vida “normal”, mas agora é diferente, em horários diferentes e com mais tempo para curtir o ar livre, os parques e a rua em si. Aproveitar meu cusco o quanto, afinal não sei se ele vai muito longe.

    Aproveitei para ver amigos e familiares, que no corre corre da rotina fica difícil, ou pelo tempo, ou pela distância.

    Aproveitei para ler bastante, concluí o livro que estava lendo, comecei um outro e já terminei.

    Quero, ainda essa semana voltar para a minha marcenaria e começar a produção de um armário aqui para casa. Novamente, no meu tempo, sem pressa, sem correria.

    Coisa mais boa é acordar cedo, sem pressa, tomar um bom café da manhã, sair com o cusco, pedalar, voltar para casa, almoçar e dormir a tarde toda, para no final do dia sair com o cusco novamente. Isso não tem preço. Passaria a vida fazendo somente isso, se fosse possível. Isso é viver, não somente descansar, mas viver.

  2. É uma dificuldade. Cansar é rápido e fácil, descansar demora e é difícil. No meu caso, três coisas ajudam a descansar/desligar: movimento ou exercício físico, imersão na natureza e cultura (livros, filmes, shows).

  3. O que é “Descansar”?
    se for sinônimo de “tempo livre”… filmes e livros.

    Se for sinônimo de parar tudo… Dormir! hehehe

  4. Uma excelente questão, e venho pensando muito nisso desde que começou o recesso de final de ano. Eu percebi que no meu descanso eu costumo encher o cérebro de dopamina, me entupindo de séries, games, etc, mas isso pode funcionar num final de semana, mas em um tempo maior de descanso vai perdendo o efeito ao longo dos dias. Resolvi repensar aqui a forma como descanso, li um livro do Cal Newport, Minimalismo Digital, e ele diz que o “fazer nada” é superestimado em nossa sociedade, sendo que o que nosso cérebro gosta é de criar e construir. Ele sugere construir ou consertar coisas como passatempo, o que pode ser realmente bem divertido para muitas pessoas.

    Mas levei o assunto a uma amiga minha psicanalista, ela me disse que a ideia do Newport não está errada, mas falta algo: ela me disse que o ser humano precisa também da contemplação, que inclusive é algo escasso na nossa vida urbana moderna, parece que cercaram todas as nossas possibilidades de contemplação. E cada pessoa atinge esse estado de contemplação de uma forma diferente, pode ser por uma caminhada, meditação, através da arte, da contemplação de uma paisagem, etc.

    Por último, lembrei do livro “Sociedade do cansaço” do Byung Chul Han, onde ele também diz que na nossa ânsia por dopamina e felicidade a todo momento, estamos perdendo a capacidade de lidar com o tédio, e como o tédio é importante nas nossas vidas e foi importante na história da humanidade (ainda estou pra ler o “Ócio Criativo”, tá na minha fila de leitura.

    Eu penso que o descanso ‘ideal’ deveria mesclar um pouco de todas essas coisas: a diversão/entretenimento, a construção, a contemplação, e até mesmo o tédio. Achar essa medida não é fácil, mas venho fazendo experimentos aqui. Outra coisa que venho exercitando é no descanso dar vazão ao meu “desejo” do que realmente quero fazer, e também questionar se esse desejo é um desejo verdadeiro, ou só abstinência de dopamina.

    Dito isso, colocando em termos práticos, eu venho tentando durante os meus dias de descanso alternar entre várias atividades que me agradam, como jogar xadrez, ver filmes, ler, ouvir música, etc. E se pinta uma vontade de fazer algo mais ‘produtivo’, eu faço, porque estou exercitando e conhecendo o meu próprio desejo.

    E só pra deixar claro, eu realmente não tenho problemas de culpa ao descansar, lido bem com isso, consigo descansar e não fazer nada útil sem nenhum pudor. A questão que tem se colocado pra mim é que surgem tantas demandas externas que somos obrigados a cumprir no nosso trabalho, que o descanso pra mim tem representado descansar dessas demandas, ficar um pouco mais sozinho e me conhecer, já que meu trabalho me obriga a ter muita interação social, que é outra coisa, necessária, mas cansativa também.

    1. Outra coisa que me faz muito bem é passar o final de semana na chácara de um amigo. Às vezes a gente também fica tentando resolver tudo na base do individualismo, do auto-conhecimento, mas encontrar as pessoas e descobrir passatempos com elas é algo bem importante também.

      1. Só mais uma coisa, uma vez eu assisti um video sobre permacultura, onde um senhor tinha uma forma muito interessante em lidar com o próprio desejo, ele disse que mira sempre no resultado concreto e não na ação em si. Ele disse que às vezes tem preguiça de colocar comida e cuidar das suas galinhas, mas aí ele pensa “o que eu quero de verdade? Que as minhas galinhas sofram e morram?” Aí pelo amor às galinhas ele vence a preguiça e vai alimentá-las, e a ação acaba fazendo bem pra ele. Eu fico pensando também o quanto a nossa estafa, decorrente das jornadas de trabalho cansativas que enfrentamos, não nos distancia concretamente das coisas que queremos de verdade, e o quanto precisamos nos reconectar com elas, e o descanso acaba sendo uma boa oportunidade para isso.

  5. Tema bastante pertinente, em tempos em que se desligar das coisas parece desafiador, por conta da conectividade onipresente.
    Meu descanso envolve evitar fazer qualquer atividade “ativa”: nada de leituras (nem mesmo em papel), nada de escrever, organizar, limpar… apenas ficar um tempo à toa, sem fazer nada, só comendo, dormindo, ouvindo música ou assistindo algo na TV. A sociedade moderna demonizou o ócio, mas é importante termos nossos momentos de ócio para recarregar as energias e até estimular a criatividade.

  6. A resposta efetiva para esse pergunta, hoje em dia, tem valido um prêmio de loteria.
    Eu venho de um processo de enorme dificuldade em desligar. Os super estímulos, e o acesso a informação em demasiado, funcionam para mim como fatores primordiais para atrapalhar o meu processo de desligamento da rotina.
    Eu tenho pesquisado muito a respeito, e tenho chegado a conclusão que o meu processo deve ser feito como um tipo de “desmame” do celular.
    Me afastar da comunicação? Não mesmo, risos. Eu tenho tentado migrar a exposição de ideias e criatividade para o papel, como por exemplo ler e escrever mais; e buscado concentrar a interação online, pelo menos em casa, através do notebook em vez ao celular.

  7. Esse é um assunto bem pertinente nos dias de hoje. Somos estimulados a a ficarmos ligados tomada 24/7. Nos dias normais costumo descansar assistindo uma série dublada (sim, dublada) e de enredo não muto complexo, como SWAT, Havaí 5.0… ou essas séries que se passam em hospitais. As vezes até durmo enquanto assisto. Já nos finais de semana de semana recorro a culinária preparando pratos especiais ou assando um belo churrasco e tomando uma cervejinha. Ocasionalmente quando quero mesmo me desligar de tudo mesmo, levo a família para fazer uma “escapadinha” de final de semana em algum lugar próximo da minha cidade.

  8. Olá!

    Fui eu quem fiz o comentário lá no grupo! (mas não precisa dar os créditos, rs)

    Eu costumo consumir muito conteúdo sobre autoconhecimento e autodesenvolvimento, sempre buscando materiais baseados em evidência científica e preferencialmente por cientistas/pesquisadores.

    Recentemente me chamou a atenção o fato de haver pouca coisa sobre como descansar, até porque o que vende mesmo é como produzir mais, pois é isso que ‘traz retorno’ no mundo capitalista contemporâneo.

    Em pesquisas, topei com esse livro aqui: “Rest: Why You Get More Done When You Work Less”, de um cara que trabalhou no vale do silício e tals. Achei interessante que mesmo o livro que em tese deveria ser sobre descanso precisa de alguma forma no título mostrar qual é o benefício de produtividade por descansar.

    Apesar disso, tem sido um livro interessante. Realmente sinto que muitas pessoas (como eu) precisam reaprender a descansar e lidar de forma mais tranquila com despender tempo da vida sem a pressão por performance ou por produzir algo.

    Livro: https://www.amazon.com.br/Rest-More-Done-When-Work/dp/0465074871

    1. Sobre o tema eu conheço duas obras:

      Resista, não faça nada (comecei a ler, o início é muito bom, depois acaba perdendo o norte, mas ainda quero retomar a leitura eventualmente)

      Descansar é resistir (ainda não vi nada dele)

      1. Li esse primeiro, da Jenny Odell. (A tradução do título no Brasil ficou horrível; uma literal seria mais ou menos “Como não fazer nada”.) Fiquei com a mesma impressão. Parece que o assunto acaba e ela precisa escrever mais, e aí vira uma coisa bem arrastada. Não recomendo a leitura.

  9. basicamente jogando videogame, lendo ou vendo série/filme.

  10. Oi gente! Puxa, que tema legal e bem pertinente. Em geral, a gente tem a sensação que precisa estar sempre ocupada, inclusive quando o assunto é descanso. Então a gente vai se preenchendo de um monte de coisas e no final não descansa. No meu caso, eu tiro uns minutos pra meditar todos os dias e aos finais de semana (exceto quando chove) eu gosto de sair para ver exposições, ler algo fora da minha rotina de leituras, desenhar e também não fazer nada, só mesmo as tarefas domésticas. E admito, tem vezes que bate aquela angústia de se preencher de “nada”, mas esse nada é importante. Excelente 2025 pessoal!

  11. É o velho assunto “não consigo desligar do celular”.
    Não digo que seja fácil para mim, não é mas sou de uma época pré celular.
    Por outro lado, também não consigo entender a dificuldade em deixar o aparelho em uma gaveta e fazer outra coisa: ler, assistir algo, jogar, roçar o quintal e etc.
    No caso citado a pessoa classificou como “coisas sérias”, acho que o problema começa por aí. Temos, estou me incluindo, a sensação de que nos mantendo bem informados vamos contribuir para a solução dos problemas do mundo. Isso é só a nossa arrogância falando alto.
    No fim do dia estamos fazendo exatamente as mesmas coisas que fazíamos no final do dia anterior. Não que ser ignorante vá resolver algo, mas a ânsia por informação resolve menos ainda porque nos deixa imobilizados.
    É aquele caso onde menos é mais. E nesse menos cabem as atividades relaxantes.

  12. É dificil dessaciociar o tempo de coisas que a pessoa considera ócio de tempo posto em hobbies mesmo, eu coatumo a colocar metas de coisas pra fazer num bloco de notas, quando chega sexta feira eu marco coisas que goataria de fazer, e deixo na frente do computador, na maioria das vezes ajuda a lembrar o que quero fazer