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Vocês já leram algo do Olavo de Carvalho? O que acham dele?

Nunca consumi absolutamente nada do Olavo. Tudo o que sei dele recebi da grande mídia nos últimos anos.
Pessoalmente não gosto da ideia de rejeitar conceitos sem os conhecer, mas confesso que é isso que fiz com tudo o que tinha a mínima associação com o Bolsonaro.

51 comentários

51 comentários

  1. Lembrei de uma série da finada revista Época que ia exatamente nessa linha: “lemos Olavo para você não ter de ler”. Caso tenha curiosidade: https://oglobo.globo.com/epoca/a-derradeira-analise-da-obra-de-olavo-de-carvalho-para-nunca-ter-de-le-lo-23556545?origin=serp_auto

    Você não precisa lidar diretamente com as coisas pra saber que são ruins, pode acessar avaliações de consensos científicos, por exemplo. Eu nunca li diretamente o livro do Hitler, mais sei muito bem do que se trata, não preciso ler na fonte pra saber se presta ou não.

    E ele não era só um autor. Ajudou a construir um sentimento de ódio irracional que continua até hoje. Basta ver e eleição de hoje, onde um cara bem preparado pode perder para uma nulidade só por conta de pânico moral.

    Porém ele não era nenhum excluído do debate público. Se não estava inserido no meio acadêmico, foi alçado via mídia tradicional, com colunas em jornais como o Globo e sendo “hypado” pelo então editor da Editora Record, Carlos Andrezza (que hoje em dia posa de “oh, como isso foi acontecer” em comentários políticos sobre a extrema-direita na mesma mídia tradicional que ajudou a alçar Olavo).

  2. Cara, se ta curioso ou interessado leia. Se não está, não leia
    Esqueça grande mídia e a opinião alheia

    Olha só as respostas da sua pergunta e vc vai entender por quê

  3. Eu acho um personagem altamente complexo com múltiplas camadas. O Olavo dos ensaios literários principalmente sobre Aristóteles e Maquiavel não tem nada com nada do Olavo que gritava palavrões na internet e falava de política. Ele ja foi de esquerda, muçulmano, astrólogo, ateu e morreu como católico. Não da pra simplesmente fechar os olhos para esse personagem multifacetado e que muitas vezes aparentava ser várias pessoas com personalidades totalmente diferentes de acordo com a o público que dava atenção. Olavo escritor de filosofia é um. Olavo que fazia lives cheio de palavrões era outro. Olavo conspiracionista era outro. Olavo religioso era outro. Olavo marido era outro. Olavo político era outro.

    1. Não acho, não. É o mesmo filho da puta. Você pode até preferir ele assim ou assado, mas o caráter de uma pessoa é um só, se muda com o tempo, ok, mas não são pessoas diferentes.

    2. Em resumo, era um “aproveitador” hehe. Ser multifacetado/complexo e “mudar de opinião” é sadio e diferente de tentar ganhar seu lugar ao sol custe o que custar e independente de ser por aquilo que vc luta e acredita.

    3. calma lá, não é como se fosse um Borges ou coisa do tipo

      borges foi talvez um dos maiores escritores do século 20, apesar de ser um escroto (racista, machista, pró-ditaduras, etc)

      já olavo foi simplesmente um escroto — e felizmente permanece sem se manifestar sobre isso até agora

    4. O Olavo dos ensaios literários principalmente sobre Aristóteles e Maquiavel não tem nada com nada do Olavo que gritava palavrões na internet e falava de política

      Na realidade tem. Esses ensaios são tão ruins como os outros, a diferença é que ele enchia de bordões que ele catava em livros e os fazia parecer mais eruditos. Ele era, nesses ensaios, a personificação do que o Machado de Assis chamou de “acaciano” (do Conselheiro Acácio): vazio e rebuscado.

  4. Uma pena que a maior parte das pessoas não enxerga desta mesma forma, com a mesma visão que existe na academia. Há um descrédito generalizado em relação a produção acadêmica no Brasil, o que faz com que o fator “relevância” acaba sendo bem subjetivo. Basta conversar com as pessoas reais para perceber esse paradoxo entre as realidades dentro e fora das inúmeras bolhas que existem hoje.
    A visão mais perene é que os cursos de humanas nas universidades públicas estão em um processo de autofagia tão grande, que a população acaba enxergando esta entidade “academia”, ou a “ciência” por ela produzida, como um grande engodo fantasioso. Nesse contexto, qual retórica seria mais aceita perante a sociedade? Um trabalho de ensaios independentes de retórica rebuscada sobre assuntos mais concretos (muito mais fáci lde ser compreendido por pessoas de fora da “academia”); ou uma série de trabalhos acadêmicos de assuntos difusos que tratam de temas considerados absurdos pela maior parte da sociedade brasileira?
    Se hoje a “academia” está desacreditada pela maior parte das pessoas em alguns aspectos, os maiores culpados não estão entre os pseudo-filósofos ou ensaístas que orbitam o ambiente acadêmico, mas sim na qualidade e relevância social mais abrangente daquilo que realmente é produzido nas universidades. A “academia” tem total responsabilidade sobre o seu descrédito e sobre o crescimento dessas figuras marginalizadas que acabam recebendo relevância do público comum.

    1. Realmente… não sei se quero me aprofundar nos escritos dele.. gostei do que vi nas 12 camadas e deve ter alguma outra coisa legal, sei lá. Mas já vi que ele é realmente odiado.
      Por mim tanto faz.

    1. Rapaz, que loucura! Obrigado! Como disse… não conheço nada do Olavo.
      Esse lance do barco me surpreendeu! Doidin doidin…

    1. Tá me soando a bait já, o cara vem aqui num site que a maioria das pessoas tem noção da besteira que isso representa e joga uma dessa.

    2. Tem outras no órbita…
      De qualquer modo, tô lendo cada comentário e aprendendo um pouco..

  5. Tenho uma regra que diz assim:
    Nunca falo da direita em um rolê de esquerda e vice-versa!

    1. Tenho pensamentos intrusivo que me fazem querer o contrário.

  6. Tem uma anedota sobre ele que diz que a única coisa que ele teria realmente lido e entendido foi Gramsci, tanto que aplicou.

  7. Já comentei isso em outros tópicos, mas a primeira vez que ouvi falar de Olavo de Carvalho foi em 2002, quando ele tinha um site de astrologia com o irmão dele, e eles previram, analisando o mapa astral de todos os candidatos, quem ia ganhar as eleições pra presidente naquele ano, e, se não me engano, eles disseram que seria o Garotinho. Depois, quando o resultado foi outro, fizeram uma mea culpa e botaram a culpa no Lula, claro, cuja data e hora de nascimento não era precisa.

    Lembro que pesquisei na época e vi que ele era colunista d’O Globo (e acho que de outros jornais), e já tinha sido articulista de outros jornais grandes também. Achei curioso um astrólogo ter esse espaço, e com o tempo fui entendendo que ele ‘também’ era um filósofo autodidata.

    O próprio professor João Cezar de Castro Rocha já disse que nesses meados do ano 00 ele próprio convidou o Olavo pra participar de um livro que ele tava organizando, não lembro sobre qual filósofo (acho que Aristóteles), porque ele era reconhecido como um entendido no tema etc.

    Acho que em 2003 o Olavo lançou um site chamado Mídia Sem Máscara, onde começou a desenvolver seu culto de extrema direita, com o tal Foro de São Paulo sendo a encarnação do diabo na terra. E isso foi evoluindo com o tempo, com ele e seu séquito se tornando mais extremistas.

    E, claro, tinha o conjunto de bostas que ele falava, que era muito engraçado, e, de certa forma, foi o que ajudou ele a ser catapultado na internet (o Pirula diz que hoje se arrepende do vídeo da Pepsi pois ele ajudou a divulgar o Olavo pra muita gente que nem fazia ideia de quem era, mas dá pra debater isso…).

    Quando eu parava pra ler o Olavo, o texto dele não era ruim, era articulado, mas me parecia que era muito mais um simulacro gramatical do que proposições de ideias sendo encadeadas pra se chegar a uma conclusão. Então, de certo modo, ele tinha como defender praticamente qualquer coisa pois o que importava era mais o formato que ele apresentava essa defesa, não exatamente as bases que fundamentavam seus argumentos etc.

    Lembro quando saiu aquele livro do Idiota (acho que 2012 ou 13), e o nome do livro achei muito curioso, porque pra mim, na minha interpretação, quem se interessava em ler o livro no mínimo se reconhecia como um idiota que, pra deixar de ser idiota, precisava ler aquele livro.

    Um dia, numa festa de final de ano da família, alguém ganhou esse livro e deixou de canto, então peguei pra dar uma folheada, e pra minha ‘sorte’ caí num texto em que, numa só tacada, ele questionava Newton e Einstein, então fiquei tranquilo, não precisava ler mais nada.

    De lá pra cá, descobrimos que ele, além de astrólogo, já foi muçulmano e teve um harém.

    Uma personagem complexa.

  8. Teve um pessoal que já colocou alguns links sobre o dito cujo, que não cliquei para ler, então já peço desculpas caso eu fale algo que já foi dito, mas um dos pontos em que o 💀 mais era enfático é o da chamada “Guerra Cultural”. Ele foi um dos primeiros a falar aqui no BR que a direita tinha que dominar pela cultura, e começou a propagar uma série de discursos virulentos a partir daí. Foi um dos primeiros a falar que as universidades eram lugares de “doutrinação marxista”, e várias outras bobagens (como o consagrado vídeo da Pepsi), mas que moldaram toda uma geração de extremistas de extrema direita, que, em última medida, assumiram o governo do país e a política institucional como um todo.

    Não li nada dele, mas li o livro que o Meteoro Brasil publicou sobre o livro dele, onde eles enumeram algumas das teorias conspiratórias propagadas pelo 💀 e as desmentem, colocando fontes e fatos.
    Pelo que li ali, conclui que não seria necessário ler nada dele pra entender o ideário envolvido. Do 💀 só me é útil o seu CPF, que uso as vezes para cadastrar em lojas e lugares que me obrigam a fazê-lo xD

  9. Só li alguns tweets dele, achei ele um comediante bem medíocre e sem graça.

  10. O mais curioso que tô vendo nos comentários é o tom absolutamente apocalíptico.
    É só um autor não é? Teoricamente um autor que fala um monte de abobrinhas.

    Parece quando minha mãe fundamentalista evangélica descobriu que eu estava lendo livros de RPG (O JOGO DO DEMÔNIO)

    1. Só um autor, mas já viu o que o fã clube dele aprontou, guiado diretamente por suas ideias?

    2. Não. Não é só um autor. Se tornou um líder de seita. Essa seita alcançou um relevância e um poder que materializou, materializa e materializará prejuízos muito graves ao lugar que a gente vive, às pessoas que a gente conhece.

      Até quando não tem essa relevância, não existe “é só um autor”. Vinte anos atrás, essa frase poderia ser e foi dita sobre ele. Ao dizer isso, se ignora a periculosidade do discurso e possibilita chegar no ponto que chegou.

      1. Você está dizendo que se trata de um discurso sedutor e perigoso?

  11. Mano, procure gastar seu tempo em coisas saudáveis, úteis, ou que vão te satisfazer. Existe uma produção de conteúdo absurda no mundo atual, mas nem por isso você precisa acompanhar tudo o que é publicado. Olavo foi praticamente um líder de uma seita que conseguiu cristalizar um sentimento anti-elites acadêmicas e direcionar isso como ódio a todo o campo da esquerda, usando de mentiras sem moderação, teorias conspiratórias e falsidade. Ninguém precisa ler o lixo que esse sujeito produziu, a não ser para fazer pesquisa e refutação. Informe-se sobre o que ele escreveu a partir de fontes secundárias, se você tem tanta curiosidade. Mas existe um oceano infinito de boas leituras, então para que perder tempo lendo mentiras?

  12. O negócio, Kleverson, é que a vida é curta pra gente procurar logo ali onde não tem nada pra achar.

    Mas eu nunca diria pra não ler algo… Passa a vista, vê as críticas. Acho que Olavo realmente não fica de pé

    1. Achei a primeira sentença ali muito séria. Não foi a intenção… considere um sorriso de canto, por favor kkk

  13. Eu li, pra justamente poder criticar com conhecimento de causa.
    Basicamente ele reclama da histeria da esquerda, sendo histérico.
    Mas como era pseudo bom de retórica, conseguiu os adeptos.
    O cara só cresceu basicamente pelo costume da academia de se fechar entre os seus e da ausência de contraditório. Infelizmente debates em meio acadêmico acabam sendo entre pares ao invés de opostos. Olavo e seus olavetes, se tivessem pintado em ambientes assim teriam sido desmascarados cedo e não teriam tido a pequena relevância que um dia já tiveram.

    1. O cara só cresceu basicamente pelo costume da academia de se fechar entre os seus e da ausência de contraditório. Infelizmente debates em meio acadêmico acabam sendo entre pares ao invés de opostos. Olavo e seus olavetes, se tivessem pintado em ambientes assim teriam sido desmascarados cedo e não teriam tido a pequena relevância que um dia já tiveram.

      Ou talvez ele não tenha tido espaço por não conseguir se adequar às diretrizes mínimas da metodologia científica? Dado o pouco que sei do indivíduo (nunca o li; a vida é curta demais para isso), é uma hipótese que me soa mais provável.

      1. Não posso falar além de minha experiência, mas as únicas vezes que ouvi elogios a Olavo durante a minha graduação em psicologia foram em aulas das áreas mais metidas a “hard science”: psicologia experimental, comportamental… Quando a coisa é política, o problema parece que é mais embaixo.

        Teria tantos causos pra contar…

      2. https://istoe.com.br/exibicao-de-filme-sobre-olavo-de-carvalho-termina-em-pancadaria-na-ufpe/
        Isso é um exemplo duma forma errada de lidar. Militantes de um lado contra militantes de outro caindo na porrada.
        Fosse feito um debate, por exemplo, por mais que ânimos se exaltassem, era uma chance maior de desmascarar Olavo. Pra mim, a melhor forma de acabar com uma ideia, é com outra ideia melhor.
        O ruim que na maior parte dos eventos universitários, em geral, quando há um debate na programação, você vai ver são duas pessoas de correntes semelhantes, quando não igual. Vira mais um simpósio (ou um ping-pong de comadres).
        Era pra ter nessas coisas sempre gente de campos opostos debatendo. Quando se tinha isso, era mto menos polarizada as coisas e essa extrema-direita não tinha esse discurso de estar sendo boicotada e afins.

        1. Sua fala sobre debates, Alexandre, por mais bonita que essa ideia seja, não se sustenta na realidade. As ideias do Olavo, que era a expressão de um rejeitado, não propunham debates. Eram afirmações absurdas, ditas com muita convicção, com intuito de provocação.
          Lembra do troll de orkut? Falava um negócio absurdo, só pra criar comoção na comunidade de gente doida pra corrigir. Independente do que todo mundo argumentasse, reafirmava o absurdo até alguém xingar e poder dizer “ain, não dá pra debater, ad-hominem, falácias”.
          Não era um convite ao debate, era um convite à briga. Aquele negócio do xadrez com pombo, sabe?

        2. As “ideias” do dito cujo já foram debatidas a exaustão. Seus fãs adoram debater, mas é no melhor estilo Marçal: fala um monte de abobrinha rapidamente pra deixar o outro lado até cansado pra rebater. E a turma dele adora isso, chamam de “venceu o debate”, “falou o que todo mundo quis falar” e outras sandices. Não tem como vencer essa galera no debate porque eles são preparados pra isso, não com boas ideias, mas incorporando o pombo enxadrista

    2. Olavo “pintou” em um ambiente assim em 2003 quando foi debater com Alaor Caffé (professor na San Fran) e, dado o resultado, da pra entender o motivo de não terem aceitado mais debater com ele em meio acadêmico.

      Você pode gostar ou não do Olavão (não sou fã), mas não da pra negar a erudição dele e nem rejeitá-lo como intelectual.

      E sobre a questão de ele não ter carreira acadêmica formal, existem INÚMEROS exemplos de intelectuais sem carreira acadêmica: Tolstói, Eric Hoffer, Simone Weil, Malcolm X, Eric Hoffer, Saramago e por aí vai.

      1. As únicas coisas que eu realmente tiro o chapéu pro Olavo são a excelente oratória (verbal e escrita) e o carisma. Mas é possivel você ter tudo isso e ainda ter um défcit intelectual – pra não falar outra coisa que me faria aparecer no relatório da moderação do Ghedin.

        Um exemplo bem comum é a miríade de pastores evangélicos brotando pelo Brasil. São em sua maioria pessoas de origem simples com pouca instrução, mas com oratória absurda e capazes de prender a atenção de milhares de pessoas, senão milhões.

  14. A contribuição de Olavo é similar à do cientista francês que fez estudos de que cloroquina serviria para tratar COVID.

    Opiniões e teorias divergentes são uma coisa, dar palco pra negacionismo é outra.

  15. Vejo esse pensamento de “não rejeitar sem conhecer” mas a obra também precisa dar um jeito de se vender, né? Não tem nada desse cidadão que me faz pensar “ok, isso parece interessante, vou ver mais de perto”, então porque eu me daria o trabalho?

  16. Nunca li nada escrito por ele e sei que ele também produziu muitos cursos em vídeo, que também nunca vi. Quem sabe um dia. O que conheço dele é ou o que seus seguidores viralizam ou o que a mídia vende. Sensato não confiar em ambos. Já viralizou muita merda que ele falou? já, mas quem não fala merda de vez em quando? O cara produziu muito e aparentemente tem algum reconhecimento internacional, então, só lendo algo dele para saber.

    1. não tem reconhecimento nenhum: ao contrário, ele é desprezado pela academia simplesmente porque a produção supostamente filosófica dele não tem qualidade nenhuma

    2. O único reconhecimento relevante que o Olavo merece é ter criado a maior massa de teste da história pra validação do efeito Dunning-Kruger.