Esse ano tenho ficado mais reflexivo, então gostaria de saber a opinião de outras pessoas. Não sei é o uso de redes sociais que fez isso comigo, mas parece que minha vida tá parada e rotineira.
Esse ano fiz 33 anos e quando me imaginava com essa idade achava que minha vida seria bem diferente. Vejo meus amigos, todos casados, ganhando bem, etc.
Enquanto isso estou solteiro desde 2019, ganhando o suficiente pra me manter (o que já é uma vitória).
Parece que minha vida não anda e ao mesmo tempo eu me sinto desanimado com tudo, desanimado em buscar um relacionamento e conseguir um emprego melhor. De alguma forma estou estagnado. A alguns anos atrás as coisas pareciam mais movimentadas e eu tinha mais ânimo, não sei se é a idade que tem feito isso comigo. Mas bem… só queria deixar um breve desabafo e ver como vocês lidam ou lidaram com essas coisas na vida de vocês…
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Oi Gabriel, chego atrasada, mas gostei demais do seu desabafo. Estou com 42 anos e também, como todo o ser humano, tenho as minhas frustrações, financeiras e de relacionamentos. Não estou nas condições que gostaria, mas estou fazendo algo que muitas vezes a gente não faz, ou, como muita gente comentou aqui, gente acaba querendo se comparar: estou vivendo as experiências. Estudei jornalismo porque queria conhecer o mundo. Mal saí do Brasil. Nunca pensei em casar ou ter filhos, hoje sou feliz comigo mesma, mas queria morar sozinha, mesmo gostando de estar aqui com minha família. Por 20 anos enrolei para fazer uma pós, hoje tô fazendo, mas bem perdida. Viva as experiências, que são únicas, e sonhe, mesmo que não realize tudo. E, cara, não se compare e nem se menospreze. Olhe só aonde você chegou e o quão importante você é. Como o pessoal falou de religiosidade, vou usar um pensamento hinduísta que gosto muito: você pediu para vir a este mundo de movimento e de ações. Faça do seu carma um dharma. Eleve-se. A vida é uma jornada, meu amigo, que seja de subidas, mesmo nas quedas. Sucesso!
Primeiramente, obrigado por compartilhar algo tão genuíno.
Me parece que sua vida não está ruim, só está diferente do que você imaginava. O que é completamente normal. Uma das coisas bacanas que se aprende após 30 anos, é que muita coisa se começa aos 30, porém, com a sabedoria que adquiriu nos seus 20.
Estou fazendo tudo que eu gostaria de fazer nos meus 20 e, por motivos muito similares, tive a mesma sensação. Mas, sentir estagnado foi um grande sinal pra mim, de que eu estava remoendo uma idealização. E, decidi que eu queria viver o que eu queria mesmo após os 30.
Queria viajar pra fora, aos 20. Viajei aos 30. Estudei inglês no Brasil, mas não aprendi de fato. Estou morando fora há 6 anos, praticamente fazendo tudo que deu errado nos 20 e feliz por ter conseguido cada coisa.
Tentei fazer faculdade em 2011, não consegui conciliar e nem pagar. Esse ano termino meu Bacharel em Sistemas de Informação fora do País com 37 anos.
Tive um relacionamento traumático aos 20. E hoje tenho um relacionamento com uma parceira muito saudável e estável.
E ainda vou conseguir um trabalho como desenvolvedor, começar minha banda, e por aí vai.
Se está achando difícil achar algum sentido ou solução pra suas questões. Nada como uma terapia para te ajudar a organizar as ideias.
Um abraço.
Obrigado pelo comentário e pelo relato amigo.
Você tem razão completamente…
Acho que acabamos por idealizar uma vida futura e acabamos nos frustrando…
Fico feliz que as coisas estão se ajeitando para você hoje em dia…
Eu me sinto meio perdido, às vezes até sem muita vontade de fazer as coisas, sem vontade de arriscar.
Acho que vou precisar mesmo fazer terapia, meu orçamento tá curto mas nos comentários alguém citou um site em conta pra fazer online. Acho que vou dar uma olhada nisso…
Fora todos os relatos com ótimos comentários, tem um ponto extra bastante valioso nesta discussão: achar que não se tem a vida imaginada significa que, em algum momento da infância, a gente imaginou como seria nossa vida mais velha. Criança ou adolescente não tem a MENOR noção do que é a vida real, o desfile de boletos, o descaminho de carreira, o esforço no ralo, a sucessão de um dia após o outro…
Cuidado para não tentar comparar onde você conseguiu chegar com uma visão idealizada – e pouco baseada na realidade – que uma criança ou adolescente imaginou lá atrás. Convém não se comparar com os outros – o que inclui a gente criança.
pra mim é difícil responder essa pergunta porque qual eu do passado eu vou usar pra definir onde eu gostaria de ou imaginaria estar? pensando na minha trajetória profissional, o de 25 imaginava que com 33 eu estaria tendo alguma prosperidade acadêmica. porém meu eu de 26 largou o mestrado e foi estudar pra concurso. aí meu eu de 28 imaginava estar concursado em algum cargo jurídico com 33, mas o de 29 largou tudo isso e foi fazer um curso de programação e uma graduação em design gráfico. meu eu de 31 queria estar numa empresa que achasse minimamente legal e o de 33 fez um concurso e está numa empresa pública trabalhando com tecnologia. eu posso imaginar muitas coisas pro meu eu de, sei lá, 35, mas, na real, quem tem que atender as expectativas dele é ele mesmo, e eu nem sei quais elas são.
acho que as frustrações que você relatou são menos em relação às expectativas anteriores que você tinha e mais com a sua (in)satisfação de agora. acho também que querer ter uma vida confortável não é nem uma expectativa a ser atendida, mas uma necessidade, e nem sempre depende inteiramente da gente (capitalismo etc.). o negócio – e to pensando alto aqui – é mais tentar pensar assim: eu quero uma coisa, que passos eu tenho que (e posso) dar agora para que essa coisa se torne uma possibilidade real no futuro? para que meu eu do futuro possa escolher esse caminho que eu gostaria de estar agora? e aí, lá na frente, você pode escolher ou não, a vida pode te levar pra outros caminhos (no geral ela leva, quando a gente se movimenta). eu virei programador por causa de um término de relacionamento e porque entrei num coral.
estou com 47. tenho um bom salário? sim = +20k/mês. mas sendo casado e com filhos o mesmo não é totalmente suficiente. esposa perdeu emprego mês passado. são percalços da vida adulta. faz parte. já passei por cargos de gestão mas hoje trabalho como consultor/PJ. não foi planejado. aconteceu – isso profissionalmente.
é irônico. nunca ganhei tanto e nunca meu poder de compra foi tão ruim. desde o início do plano real, tenho a certeza de que passamos o pior momento econômico.
vida pessoal está boa. mas vida pessoal é sempre uma montanha russa. acostume-se com isso.
se puder dar uma dica, caso possa, estude inglês e saia do país. conheço mais de 20 países, já fui bastante pra fora tanto a trabalho quanto a lazer. com quase 50 anos, já dá pra ter noção que o Brasil vai ser sempre isso que é hoje, com condições sempre de piorar. um de meus filhos já deu o pé. os outros dois espero que também consigam. é triste, mas é o melhor para eles.
Eu acho que tem uma questão geracional aí, nós que temos por volta de 30 e poucos anos pegamos todo o otimismo que começou com queda do Collor, Plano Real e durou até mais ou menos a Copa do Mundo aqui no Brasil. Era uma época de otimismo com o país, que acabou não entregando pra nós da classe média resultados de longo prazo. Aí num cenário de diversas crises: econômica, climática e geopolítica é normal a gente se sentir sem perspectivas e nos compararmos com um passado que havia essas perspectivas. Sem falar que somos filhos de uma geração muito diferente da nossa, eles tinham empregos estáveis, casamentos estáveis, adquiriram um imóvel, mesmo que modesto e a comparação com nossos pais nesse sentido é meio inevitável.
Realmente, acho que isso influencia muito também…
Tenho 31 e não sei como responder sua pergunta. Sendo clara, financeiramente nunca estive pior. Precisei sair do trabalho pra fazer meu mestrado, faço freela igual louca, mas não é suficiente e minhas contas estão se empilhando uma em cima da outra. Obviamente, não era como eu queria estar.
Porém, eu to estudando o que eu quero, onde eu quero. E eu queria muito fazer esse mestrado (tanto que abri mão do meu trabalho por ele) e tô muito realizada com isso, tanto que apesar do caos financeiro relatado acima, eu não me arrependo em nada da minha escolha.
Além disso, uns anos atrás, quando eu ainda tinha dinheiro rsrs, consegui dar entrada no financiamento do meu apartamento (e essa conta tá em dia, pois eu prefiro passar fome do que atrasar), que era o meu principal objetivo.
Então é uma sensação ambígua, eu sinto que essa decisão me jogou uns 10 anos pra trás no meu padrão de vida e que vou demorar um bom tempo pra conseguir pagar tudo que tá atrasado, mas ao mesmo tempo me colocou exatamente onde eu queria estar. O jeito é encarar o ônus que acompanha esse projeto e continuar correndo atrás de me reerguer no que se refere a dinheiro.
Ou seja, minha vida tá longe de ser perfeita, longe de tá resolvida, cheia de problema pra todos os lados, mas de certa forma estou sim satisfeita e acredito que uma hora vou conseguir resolver o que tá capengando agora. E o que me deu coragem pra abrir mão da estabilidade e fazer isso foi justamente essa sensação de rotina estagnada, de não estar indo a lugar nenhum, de que a vida é só nascer, crescer, pagar conta e morrer. Eu precisava de algo mais e encontrei o que me daria esse algo, porém, o preço (literal) a se pagar está sendo bem alto.
Por fim, sobre as comparações e o Instagram, cara, tudo ali é bobagem. Você acha que eu posto nos stories carta do serasa avisando que eu to devendo? óbvio que não, é só foto bonita no campus da faculdade, artigo publicado, participação em congresso rsrs quem vê feed, não vê realidade.
Entendo seu ponto..
Na vida às vezes precisamos “dar alguns passos para trás” para continuar a caminhada… Mas no fim mesmo isso que vemos como passos para trás vão contribuir em alguma coisa no nosso futuro… Se você tá feliz, se tá curtindo, se é o que vc queria vai fundo!
Boa sorte no mestrado!
Não quero aqui bancar o “psicólogo online”, mas, quem está no estado civil de solteiro tem quase que a obrigação de ter uma vida mais confortável e menos estressante.
É o cara tomar ciência desse fato e pôr a “cuca” pra trabalhar de modo mais ergonômico a garantir uma melhor estabilidade financeira seja por meio de mentores, curadoria financeira, etc., tudo isto pondo na ponta do lápis aquilo que realmente vale a pena investir o próprio tempo.
Rotina é uma variável inevitável, não é por acaso que quem já tem filho sofre com percalços advindos do dia a dia sob a sobrecarga incessante de sempre correr atrás de recursos vitais pra sobrevivência; até quem é mega rico passa por isso.
Eu não tenho essa “neura” de ficar imaginando se eu já atingi o ápice do sucesso profissional, para mim tudo se organiza quando faço uma prévia sobre objetivos futuros e se realmente é possível alcançá-los.
Eu acho que você tem razão, e na minha cabeça também deveria ser assim…
Eu deveria pegar meu tempo e me dedicar, não é como se eu não tivesse tempo livre… Acho que às vezes o meu tempo é mal aproveitado. Tenho a impressão de que antigamente eu era mais dedicado, eu tinha mais vontade, mais gana… Não sei como cheguei nesse ponto de estar cansado de tudo e só me reclamar sem me mexer o suficiente pra mudar
Opa, Gabriel! Tudo bem? Acho que isso que você está sentindo todo mundo já sentiu em algum momento da vida. Como muitos já apontaram, essa questão de comparação realmente nos faz muito mal, ainda mais pela própria medida de “sucesso” segundo os padrões atuais, que em si mesma já é questionável.
Tem uma passagem da Bíblia que diz: “É claro que não nos atrevemos a nos igualar ou a nos comparar com aqueles que pensam que são tão importantes. Como são ignorantes! Primeiro eles resolvem quais as medidas que irão usar para se medir e depois eles se julgam de acordo com essas mesmas medidas.” (2Co 10:12)
Vivemos em um mundo que só dá valor para curtidas, status, dinheiro e o que pode ser exibido com orgulho no Instagram. Enquanto isso, na vida real, essas mesmas pessoas estão sofrendo com depressão, ansiedade, insônia e tantos outros males que nos assombram.
Como disse Jesus, “de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt 16:26). No mundo cristão, costumamos dizer que há um vazio dentro da gente que é do tamanho de Deus e que, portanto, por mais que tentemos, não existe nada que possa preenchê-lo, a não ser o próprio Deus.
Eu estou dizendo tudo isso para contar um pouco da minha própria experiência. Fiz 40 anos na semana passada. Sou solteira e não tenho filhos. Tive um casamento que não deu certo. Tenho um emprego OK, mas longe de ser a carreira dos sonhos. A minha vida está bem distante do que imaginei que seria quando tivesse essa idade.
Ainda assim, vivo uma vida repleta de amor e de significado. Me sinto grata e amada, e também transbordo desse amor. Eu tenho um propósito e sirvo ao meu Deus com alegria. Eu não sei como será o meu futuro, mas confio na vontade do Senhor. Não é nem um pouco fácil, e há dias em que fraquejo, mas Ele não desiste de mim.
Tenho a benção de levar uma vida tranquila e serena, não pela ausência de problemas, mas pela presença de Deus. Não há trânsito, horário de visita à UTI ou saldo negativo que me tire essa paz, porque ela não vem de fora, e sim de dentro. Quando me sinto perdida (e não são poucas as vezes), sei que tudo o que preciso fazer é buscar novamente o Centro, e tudo o mais volta ao seu lugar.
Oro para que você reencontre a alegria, o ânimo e o entusiasmo no seu emprego, na sua vida social e consigo mesmo. Que você possa contar com uma comunidade para se alegrar e chorar com você, e para te encorajar e te levantar sempre que você precisar.
Muito obrigado pelo relato Cíntia e por ter compartilhado um pouco da sua experiência… Realmente acho que chega um momento na vida de todos que esse questionamento surge… Não sei ainda como lidar com tudo isso, encontrar significado e preencher esse vazio não é fácil e às vezes me sinto sozinho… Mas seguimos tentando, obrigado pelas palavras de conforto…
Tenho 33 anos também.
Trabalho desde os 16 anos com T.I. Sempre pensei que quando tivesse 30 as coisas seriam melhores, na adolescência eu imaginava que teria muita grana, teria viajado o mundo e estaria tranquilo.
Hoje a vida está muito diferente, não está ruim, mas não cheguei nem perto do que eu sonhei. Sou casado e tenho um filho de 2 anos, isso para mim já torna toda minha existência significativa. Mas como diria o Tio Ben: “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, não é fácil trabalhar igual um doido para não deixar faltar nada principalmente ao meu filho e no final do mês não sobrar um tostão.
Isso me frustra muito, hoje não tenho objetivo de ser rico. Na real, só quero ter o suficiente para termos uma vida confortável, conseguir ter uma reserva e comprar minha casa.
Faço terapia há 6 anos e com isso tenho conseguido enxergar melhor as coisas, tenho conseguido alinhar minhas expectativas com minha condição.
Olá Lucas, espero que tudo se ajeite pra você também… Imagino que tendo um filho as perspectivas são outras e a responsabilidade muito maior… Mas ao mesmo tempo isso serve de um incentivo para não parar e continuar melhorando para atingir os objetivos…
Estou 20 anos na sua frente, marromenos, e a fase dos 30 é sacal mesmo. Ou a gente se sente bem ou bem mal. O tempo começa a cobrar seus pedágios e quando a gente para para respirar, tem reflexões como a que vc conta para nós.
Não estava onde queria nessa idade, mas tinha distrações suficientes para não pensar, muito, nisso. Olhando em retrospectiva, concluo que meio que joguei a toalha.
Não me entenda mal, não foi ruim, foi algo do tipo “deixa a vida me levar”, foi libertador na verdade.
Como diz o Faustão, tanto no profissional quanto no pessoal, as coisas não eram o ideal. Melhor, não eram o idealizado, mas eram o que estava à mão e simplesmente decidi usar aquilo que estava à mão.
Esse lance de rede social é capcioso, ninguém mostra os tombos que levam, só as cachaças que tomam, não dá para competir com isto. E mesmo que vc tenha acesso à “vida real” das pessoas, aquela vida nunca seria sua, nem partes dela. Sua vida é como tem que ser. Você pode mudar, ainda assim será como tem que ser.
Finalizando, muita gente persegue esta estagnação que vc experimenta, então talvez não seja algo ruim. Tirar o melhor da situação talvez seja a solução. Se é que há um problema. 🤔
Obrigado pelas palavras amigo. Só pra destacar um frase que você falou que me chamou a atenção: “Sua vida é como tem que ser. Você pode mudar, ainda assim será como tem que ser.” Isso é muito verdade né? Não adianta, por mais que tudo mude completamente, tudo vai ser como tem que ser… Isso me lembrou um pouco o pensamento estóico, não estressar com as coisas fora do seu controle e atuar somente naquilo que tá no seu alcance…
Além disso você terminou com a frase “Se é que há um problema.” E aí que tá, no fim será que tem um problema ou eu estou criando um? Minha vida certamente é 1000 vezes melhor que a de muita gente, porque tanta insatisfação mesmo assim? Enquanto isso muitas pessoas com bem menos são extremamente gratas pelo o que possuem…
Não sou religioso, muito antes pelo contrário, mas pesco coisas de várias religiões. Uma dessas coisas vem do espiritualismo, vc só consegue evoluir quando está em paz com seu estado atual. Não são essas as palavras, mas com certeza vc captou a mensagem.
Fico feliz por ter contribuído para o debate. Boa sorte!!! No fim, tudo dá certo, se não der, é porque não acabou ainda. 🙃
33 anos aqui tbm
Eu não estou onde eu me imaginava na idade atual considerando minhas projeções durante a infância – que tinham por referência minha mãe e meu avô. Nessas projeções eu já teria casa própria, pelo menos 1 criança e comprado um carro. Nada disso aconteceu. Por outro lado, nessas projeções eu também não teria feito tanta viagem e curtido os meus 20 de forma tão jovial, afinal, a geração da minha mãe e do meu avô virava “adulto valendo” já aos 20 – sinto que a minha faz isso aos 30 (no meu recorte de classe média branca).
Mas eu acho que eu fui meio que recalibrando minhas expectativas de tempos em tempos. Quando eu entrei no mercado de trabalho aos 20 eu já via como tava o povo de 30, ali entendi que meus planos tavam irreais. Mas confesso que ainda assim fico frustrado com o lance de filho, pq eu não queria ser pai muito mais velho, mas a responsa e a grana que envolvem uma criança não cabem na minha vida ainda. O resto me dói menos.
Sobre o lance de comparação, tô fora do Instagram há um ano já. Percebo que isso tem ajudado bastante na auto-estima e satisfação com a minha realidade. Eu ficava vendo todo mundo fazendo viagens incríveis pelo mundo ou passando feriados mágicos em família com crianças fofas e cachorros dóceis, toda esse conto de fadas. A gente sabe que isso é a vida editada, mas mesmo sabendo é impactado emocionalmente por assistir a isso o tempo todo. Então fica a recomendação.
Eu boto fé nisso que alguém falou aqui sobre parte desse peso e desânimo pode ter relação com a ciência da complexidade e dificuldade da vida. Sobre isso, terapia me ajudou bastante ao longo dos últimos 10 anos. Já fiz por períodos mais longos como acompanhamento e tbm por períodos mais curtos pra trabalhar algum tema específico. Recomendo bastante (psicoterapia mesmo, regulado pelo Conselho Federal de Psicologia, com alguma profissional recomendada, se possível).
E uma coisa óbvia que não custa reforçar, cuidado com coaches de internet! Quando eu tava no Instagram era bizarro a quantidade de anúncio que eu recebia de coach que usava justamente desse sentimento de “estar perdido” como gatilho pra curso pra ser um “homem melhor”, “protagonista da sua vida”, “alfa” e os caralho.
Muito obrigado pelos comentários e sugestões amigo. Você tocou em dois temas relevantes pra mim. Primeiramente ficar fora do Instagram. Eu já fiz isso em momentos pontuais, hoje em dia pra mim é tão difícil não estar lá… Acho que teria que de certa forma fazer um “detox”, mas o FOMO me pega. Além disso, tenho estudado pra ser ator e queria começar a produzir conteúdo, o que me leva ainda mais a usar o Instagram… Pensei so em deletar o app, mas esses últimos motivos (utilizar o Insta para estudo de atuação e criação de conteúdo) me bloqueiam disso..
Quanto a terapia eu deveria definitivamente voltar a fazer, fiz por um tempo quando estava em outro emprego. Só que fazer agora iria comprometer as minhas contas do mês, isso que complica…
Tenho 44 anos e hoje me considero sortudo por ter onde morar sem precisar pagar aluguel. Tentei uma faculdade há muito tempo atrás que precisei abandonar justamente por não ter grana e tentei outra (TI, “porque tem muita vaga sobrando….”) há uns 15 anos atrás mas não consegui mudar de carreira.
Ganho o suficiente pra me manter, ter pouquíssimos luxos e não passar apertado. Porém, não faço uma viagem desde 2018, nunca saí do país, não tenho carro desde a pandemia (precisei vender) e por aí vai. Não sou casado nem tenho filhos.
Fiz terapia e me ajudou bastante a enfrentar a vida que eu levo com as limitações financeiras que eu tenho. Aprendi a tentar olhar o lado bom, a aproveitar o que eu tenho e o que eu posso, apesar de não ser “cego” para o que eu gostaria de ter/fazer e não tenho condições.
Em algum momento a vida entra num “piloto automático” mesmo e o trabalho, no meu caso, acaba jogando contra e gerando outros problemas.
Obrigado pelo relato amigo…
Eu acredito que talvez a terapia me ajudaria a enxergar as coisas de outra maneira… Eu fiz durante um tempo com diferentes terapeutas, algumas foram boas, outras nem tanto… Meu medo agora é comprometer meu orçamento porque infelizmente terapia não é barato…
Se vc tiver condições e privacidade dá pra fazer terapia online https://www.psymeetsocial.com/
Foi como eu fiz e custava bem mais barato
Sou 3 anos mais velho que você e vejo que ultimamente, mesmo ganhando bem (foi uma batalha para chegar até onde estou hoje) ñ me sinto realizado. Já tenho carro (não dirijo, mas minha namorada sim), casa própria (mesmo morando distante da capital) e mesmo assim me sinto refém de algo que gostava de fazer (trabalho com tecnologia) e que hoje é apenas para manter o padrão de vida. Pior que nem sei o que faria se fosse fazer algo fora de tecnologia.
Olá Tiago, obrigado pelo relato…
Também trabalho com tecnologia se posso te dar um conselho tenha outros hobbies. Alguns podem ser só pra diversão e outros podem começar assim e com o tempo você ver que é algo com o qual você pode trabalhar… De preferência tenha hobbies que envolvam outras pessoas, não seja em casa ou em frente de telas. Isso certamente vai mudar a sua perspectiva…
Infelizmente a área tech geralmente suga nossa alma em algum momento e aquele prazer que a gente sentia no início é destroçado por reuniões chatas e empresas caóticas…
Eu tenho alguns hobbies (ir a academia todos os dias na semana, por exemplo rs) e trabalho em uma empresa muito boa. Meu problema, pelo menos o que acredito, está muito relacionado ao o que fazer se ñ for só tecnologia.
Tenho quase 37.
Não lembro quais expectativas tinha, mas está ok. Cursei um pouco de engenharia ambiental, ganhei bolsa em TI e formei nisso, trabalhei uns anos e mudei pra eletrônica, hoje sou mero operário de indústria e não ganhei nem pra declarar IR…
Não vou ser famoso e não vou conseguir ter filhos, mas tá tudo bem, consigo fazer sobrar uma boa grana, temos viajado muito por Argentina e Chile, tenho poucos amigos, mas são honestos.
A ansiedade, falta de auto estima e bebida atrapalharam muito minha vida, mas estamos tentando levar as coisas de maneira calma e próspera.
Galera, esqueçam essa coisa de “seguir carreira”, pois é algo que já não funciona faz décadas. Não fiquem presos em trabalhos que podem virar tortura.
“ Galera, esqueçam essa coisa de seguir carreira”.
Melhor conselho até agora.
Enquanto ficarem se comparando, competindo, e atrelando o “sucesso” e a realização na vida ao trabalho/dinheiro, nunca serão felizes.
Definitivamente hoje em dia essa parada de carreira não funciona mais como antigamente… Mas entendo que às vezes é difícil se livrar de algumas situações…
Eu acabei migrando de carreira bem no início de quando comecei a trabalhar… Hj em dia eu gosto da área que atuo, mas queria melhorar nela e também tem tantas outras coisas que gostaria de experimentar…
No fundo tem me faltado uma vontade de mudar isso, anos atrás eu tinha mto mais disposição…
h + trinta e poucos aqui.
tive muitos regrets ao longo da vida, desde a faculdade ter sido péssima, ter fumado muita erva como muleta, ter ficado em um relacionamento tóxico por muito tempo + igreja só ajudou a piorar tudo.
desde que consegui me livrar destes principais problemas, hoje considero que aterrissei bem. tenho uma companheira, moramos juntos com vários pets, fiz vasectomia, tenho um emprego que paga as contas e não tenho luxos, carro, ou outras dores de cabeça fora aluguel e condomínio.
Vou tentar não me expor tanto e ao mesmo tempo botar uns pontos para você pensar.
Com a minha idade atual, eu pensaria há uma boa dezena de anos antes que eu teria algo legal nos dias atuais. Mas na prática vi que se fosse só depender de mim, seria um problema. Tenho meus próprios problemas pessoais que de fato atrapalham, fiz terapia por um tempo (ajudou em partes), mas aprendi também que é tudo questão de soma de fatores.
Onde você mora, as pessoas no seu arredor, questões do passado (como é suas relações familiares e o que herdou deles), etc… Tudo isso conta, pois não é só frase de efeito e terapia que vão em si ajudar.
Por exemplo, se sente que tem algo “lhe acorrentando”, procure saber se a corrente pode ser rompida e conseguir com isso ir para algo que almeja. Se sente que terapia, religião ou algum grupo de apoio pode lhe ajudar a servir de espelho a suas reflexões, vá atrás. O imporante é se sentir bem consigo mesmo.
De fato, dizem que há uma época na vida que a gente “caí a ficha” e vê a complexidade da vida. Pode ser que você esteja nela agora.
No meu caso, vi que todos meus problemas pessoais e de personalidade acabam me afastando dos outros. E isso é um problema. Mas espero poder pensar melhor em como corrigir isso. Logo, posso dizer que não estou exatamente onde eu gostaria de estar. No entanto também sei que pode ser que onde eu gostaria de estar no fundo é só uma meta que pode ser fabricada a qualquer momento.
Melhor viver o agora. Um dia de cada vez.
melhor coisa pra cabeça é: se isolar de geral e viver sua vida sem se comparar com ninguém. o inferno são os outros.
É quase impossível em uma sociedade as pessoas não viverem sem se compararem. A famosa busca por ser “o melhor” ou “ter de tudo”. Para uma sociedade construída nas comparações, o inferno feito pelo outro é sempre a competição para tirar seu posto. Isso é uma das formas de acabar com o bem estar mental.
Podemos de fato ao menos usar exemplos positivos para seguir, ter referências para a própria vida. Almejar a vida alheia não é algo lá tão esperto – cada um é cada um. Posso me inspirar em posts daqui ou de outros lugares para pensar no que fazer em diante. Só não posso querer ser o que o outro já é.
Realmente, hoje em dia é difícil não se comparar com o outro, mas isso deveria servir de inspiração apenas… Nem sempre é fácil ter só como inspiração e não desejar que aquela fosse a sua vida… Mas seguimos tentando…
Cara, tô com 50.. Ouse. Não seja vidaloka, claro, mas ouse. Ainda é novo. Se pudesse voltar no tempo, eu ousaria mais…
Tá aí um bom conselho… talvez eu devesse ousar mais mesmo não sabendo muito bem de que forma…
Eu idealizava muito os 30, achava que nessa idade ia estar com a vida toda resolvida e aí hoje me sinto frustrada. Mas o negócio é correr atrás, principalmente profissionalmente. Antes tarde do que mais tarde. Uma hora as coisas engrenam.
Aquela máxima “nunca é tarde para começar”…
Eu só não entendo como antes eu tinha tanta disposição e vontade para coisas novas e hoje em dia nem tanto…
Como disse um comentário abaixo: mude! Sempre dá tempo pra mudar. Você não está errado, nem deveria se sentir mal em querer mudança. Só a faça com estratégia, pense nos seus movimentos, faça os e aí relaxe.
Se precisar, procure ajuda de um profissional como um psicólogo para lidar com os temas mais sensíveis e subjetivos.
Realmente algumas pessoas falaram da terapia… Eu queria voltar a fazer, mas hoje em dia poderia complicar meu orçamento…
Não, não estou, cara, é bem complicado isso, mas vou tentar por tópicos e falar sobre mim
Carreira: estou vendo tudo relacionado a inteligência artificial, fazendo cursos web mesmo, e vendo a possibilidade de um curso melhor e mais rápido presencial.
É o que mais me incomoda, o emprego mal paga as contas do mês, não dá pra continuar assim.
Quer uma dica valiosa (eu não fiz por completo,mas vou fazer) saia do Instagram e Facebook, cara aquilo ali é o suco de hipocrisia, ali a vida de todos têm que parecer perfeitas, pois se não nem o algoritmo manda para as outras pessoas.
Quando consegui ficaronge daquilo, a vida deu uma melhorada, deu ânimo até para enviar uns currículos.
Relacionamento já estou a 15 anos com a mesma pessoa, uma pessoa fora de sério, faria um textão se fosse falar as qualidades dela.
Mas deixa as coisas andarem, se isso te incomodar de alguma forma, frequente lugares onde as pessoas teem o mesmo ideal que os seus, não sei se curte igreja por exemplo, um curso profissionalizante, que quando menos esperar, ali estara a pessoa certa.
Em relação a relacionamento eu realmente não sei mais o que fazer… Talvez eu realmente deveria sair um pouco demais, não tá dando certo ir conhecendo pessoas só pelo Tinder e aplicativos similares…
Eu já pensei algumas vezes de sair do Instagram que é a principal rede social que eu uso… mas estou estudando atuação e tenho um perfil de ator lá, além de querer começar a produzir vídeos/conteúdo etc, essas coisas inviabilizam a minha saída por enquanto… mas algumas vezes já quis deletar o app por um tempo tanto por motivos de comparação quanto de produtividade…
até 3 anos atrás que, coincidentemente, eu tinha também 33 anos, me identificaria 100% no que você fala em relação ao trabalho, para relacionamento eu nunca tive problema.
tinha um emprego que pagava as contas, sobrava pouco e era isso, mas dois fatores me fizeram ‘acordar’ pra vida: casamento e filho.
casamento, pois minha esposa sempre foi muito estudiosa e esforçada, fez mestrado, subiu de cargo e sempre ganhou bem mais que eu, não que me incomodasse, mas como agora éramos casados, eu queria ajudar mais pra não cair tudo nas costas dela financeiramente, ou seja, de fato dividir as contas.
veio minha filha e aí que meu salário naquele momento já não dava nem pro cheiro, então decidi migrar de carreira, sair de infra pra desenvolvimento de software e é o que faço nesses 3 anos iniciando como júnior e, atualmente, pleno.
respondendo sua pergunta: estou num lugar melhor do que imaginei, pois nunca fui ambicioso e achava que passaria a vida só ficando/namorando, indo a shows de heavy metal e qualquer emprego medíocre poderia bancar essa minha vida, mas tudo aconteceu como aconteceu e hoje tenho um padrão de vida que nunca imaginei (trabalho de casa numa multinacional e tenho um plano sólido de carreira).
o que posso te dizer é: se não tá satisfeito, mude, é clichê, frase de coach, sei lá que porra, mas a pior coisa é viver insatisfeito, prejudica todos os âmbitos da vida. o meu ponto de ‘ignição’ foi casamento/filha, o seu pode ser outro, talvez até esse seu desânimo e insatisfação!
pra cima!
Seu ponto sobre insatisfação é certeiro. Hoje estou insatisfeito, quase posso tocar, sentir o gosto na boca, e está me incomodando muito, e tem uma coisa me atrapalhando que preciso resolver, um encosto por assim dizer. Sei que preciso me livrar disso mas é burocrático e dependo de outras pessoas, não posso (ou não deveria) jogar tudo pro alto de uma vez, não vejo a hora de me livrar desse peso.
Obrigado pelos comentários e relatos amigo…
Realmente certas coisas acontecem na nossa vida que fazem nos mexer e seguir em frente… Talvez por nada tão drástico ter acontecido eu permaneço nessa maresia…
Fico nessa insatisfação e reclamando em vez de me mexer e fazer algo pra mudar… Quando era mais novo parece que eu era mais dedicado, esforçado e corria mais atrás das coisas… Não sei o que aconteceu comigo nos últimos anos pra eu chegar no ponto que estou hoje…