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Você considera “fugir” de serviços online estadunidenses?

Tem pipocado um punhado de listas de alternativas europeias a serviços online estadunidenses, como e-mail, armazenamento em nuvem e apps de mensagens, em face das crescentes arbitrariedades que têm rolado na terra do Donald Trump.

Embora eu *ache* que isso seja mais uma questão a perfis em que não me encaixo (empresas, pessoas públicas/visadas e quem viaja ou pretende viajar aos EUA), fico pensando se isso, para reles mortais, é (ou deveria ser) uma preocupação legítima ou apenas paranoia.

O que vocês acham? Têm feito esse movimento? Se sim, o que te motivou e que riscos teme/está tentando mitigar?

42 comentários

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  1. Têm feito esse movimento?

    Sim e não. Explico.

    Você considera “fugir” de serviços online estadunidenses?

    Sim, com o objetivo de mandar o mínimo possível de dinheiro aos EUA.

    Tem pipocado um punhado de listas de alternativas europeias a serviços online estadunidenses…

    Não, não tenho fugido dos serviços hospedados nos EUA pra cair em alternativas europeias.

    O que tenho feito é auto-hospedar algumas coisas, em um raspberry pi 3b+ em casa, utilizando um ssd de 1tb, para boa parte das coisas. Funciona, não me tira tempo (pois a manutenção é quase nula), e não gasta praticamente nada de energia (o gasto energético é negligível). Aquilo que não consigo hospedar em casa por não ser conveniente, eu tento usar coisas hospedadas em território nacional e de empresas nacionais (ou “o mais nacionais possível”, ex. Magalu Cloud), pois assim pelo menos estou mantendo grana no Brasil, incentivando empresas daqui, gerando empregos aqui, etc.

    E o que foge disso, aí uso de alguma empresa internacional mesmo, sendo os gigantes (EUA, Rússia, etc) os últimos a ser escolhidos.

    1. Fiz besteira na formatação e coloquei quase tudo como citação. Ignorem a formatação e leiam como não-citação, por favor. :-P

  2. Eu de certa forma já fujo. Acho divertido manter as coisas em self host, ainda que hajam riscos. Gosto de não depender tanto das bigtechs, ainda que, em alguns casos (controle parental, por exemplo) não existam muitas alternativas.
    No caso de empresas européias, temos a GDPR, que não sei como se aplica para não europeus em serviços hospedados lá, mas dá um pouco mais de garantia que seus dados não vão ser comercializados em caso de falência (23 and me, estou falando de vocês).
    No meu caso, é uma questão pessoal, ética e moral também. Ainda que seja menos do que uma gota em um infindável oceano de pessoas, gosto de pensar que faço o maximo para não alimentar a ganância inescrupulosa dessas empresas.

  3. Qual seria a vantagem de sair de serviços dos EUA?

    A Europa (UE e UK) não são locais melhores dos que os EUA. Pelo contrário, eu chuto que o europeu tem muito menos consciência do quanto ele é nocivo pro mundo do que os norte-americanos. Acho que a saída é self-host (de preferência com servidores em casa) ou usar serviços independentes e alinhados ideologicamente.

    1. Self-host parece sempre uma boa ideia, mas quando vejo de perto parece sempre muito caro.

      E também tenho algum receio sobre a segurança do sistema se eu precisar acessá-lo pela web, longe de casa.

      1. Tailscale resolve totalmente a questão da segurança.

        O meu “problema” com self-host é que eu sou preguiçoso pra essas coisas. E se algo quebra do nada, nem sempre tenho tempo para arrumar.

        Por isso, eu adoro coisas “managed”. Prefiro pagar um pouco mais para ter alguém gerenciado para mim.

        1. Interessante você dizer que prefere pagar um pouco mais, quando eu estava vendo o self-host como algo mais caro (mas acho que entendo que tem a ver com o fato de que os dispositivos a gente só compra uma vez, não faz assinatura).

          A conversa me lembrou de um notebook antigo que estava por aqui, coloquei um SSD que também estava por aqui e parece que tudo fluiu bem. Estou cogitando comprar um suporte para ele e experimentar transformar em um servidor doméstico. Talvez experimentando eu chegue a formular melhor se consigo confiar e migrar minhas coisas para algo desse tipo.

          1. Eu acho que no fim das contas, ao longo prazo self-host sai mais barato. Quando eu fiz um estudo sobre comprar um raspberry, storage, etc, o custo inicial era uns 600 euros, isso daria tranquilamente uns dois anos em uma hospedagem managed ou ao menos semi-managed.

            O meu problema com isso tudo é: eu sei que no geral roda super bem e redondinho. Mas sei que vez ou outra, algum update quebra coisas. E se isso me acontece sei lá, numa terça-feira de tarde. Com a rotina da vida, realisticamente eu vou ter (talvez) tempo pra sentar e resolver isso no final de semana. Então não pode ser algo que tenham serviços que a casa dependa. Além disso, meu trabalho é resolver problemas. E por mais que eu realmente goste do meu trabalho, eu faço o suficiente em 40h por semana pra me suprir essa quota. 😁

    2. Acho estadunidense médio muito centrado em si mesmo e nos seus problemas, america first e outras bobagens.
      No caso europeu, como tem de ser decidido algo entre vários paises, as decisões para o ambiente deles acabam gerando benefícios indiretos em outros lugares do globo. A GDPR é um exemplo disso.

    3. Qual seria a vantagem de sair de serviços dos EUA?

      No momento, os EUA têm um presidente com tendências (e algumas iniciativas) autoritárias e um “co-presidente” que está fazendo uma devassa no governo. Acho que existe um argumento válido de mitigar os riscos de se expor às instabilidades que já estão acontecendo e só tendem a piorar, e que podem respingar na gente.

  4. Faz um tempo que busco “desgoglear” então to indo pra muitas coisas self host. Mas, pra mim hoje é achar um serviço que substitua o google calendar e tenha compactibiliade com o dito cujo pois as agendas do meu filho e da minha mulher são no google calendar ai é um pouco complicado.

    No geral por morar na alemanha já há um incentivo aqui de não usar serviços americanos, porém como faço vídeos por exemplo uso o Youtube, calendário uso o google calendar e hospedo muitos serviços na Hostinger da qual temos uma boa relação.

    Hoje to meio tranquilo quanto a isso, mas no futuro quem sabe se eu conseguir uma audiência legal eu mova meu canal pro peertube.
    Mas fica ai o pedido também se alguém conhece tal serviço de calendário kkk

    1. Se você conseguir uma audiência legal, você vai abrir mão dela pra mudar pro peertube?

  5. Eu não consigo enxergar qual seria o “perigo”. Pergunto honestamente, não tenho acompanhado as noticias de geopolítica ultimamente, portanto…

  6. Não estou buscando encontrar alternativas para os serviços que já uso se não tenho planos de mudar. Para coisas novas talvez eu dê uma olhada nessas listas sim.
    E fiquei bem feliz que o serviço que hospeda meu blog passou a oferecer host na Alemanha, o que deixou o acesso ao blog muito muito mais rápido pra mim. :)

  7. Gostaria que existisse um Brasil, com sua própria indústria tecnológica nacional, com suas alternativas e seu desenvolvimento, algo similar com o que acontece na China, mas enfim, nossa posição de colônia nos dá a oportunidade de escolher qual serviço estrangeiro usamos

  8. Bom dia.
    Uso proton mail, como segundo mail para uso pessoal. Como faço uso simples do e-mail até o momento não tenho reclamações. Tenho também no celular o VPN gratuito deles, não posso comentar muito já que praticamente não o uso. Eles tem outros serviços gratuitos e assinaturas q não uso mas em geral parecem alternativos aos da Google.

  9. Não. Demanda muita energia pra pouco resultado prático. Joguinho de gato e rato bobo.

    1. A gente gasta muita energia num negócio que o desdobramento prático parece ínfimo mesmo. Se houvesse um movimento brasileiro de migração eu certamente iria na onda, e isso faria alguma diferença, mas… isso não está acontecendo.

  10. Sendo um esquerdista pragmático, eu busco em ordem de preferência: 1 opcoes livres no Lugar de corporativas (Linux em lugar de windows, localsend no Lugar de airdrop/nuvem para transfer, Gog local no lugar de Steam, etc); 2 desamericanização onde existir alternativa (Yandex nuvem, Tiktok em vez de clones americanos), 3 conformidade com o que for impossível largar (WhatsApp).

    1. Trocar Instagram por TikTok vc só tá trocando a origem do lixo.

      1. Ato Pragmático, como diz o nome. Ver videos verticais curtos eh parte do cenário cultural de massas atual, pessoas normais vão ver e te enviar, e esperar que você tenha algum programa disso. Como não ser o esquisito chato eh desejavel , e tem uma via não vale do silício de fazelo, mais vale uso moderado e auto vigilância que abandono. Pois a 1a rede social global não norteamericana contribui para o fim da hegemonia atual, o que ja avança um ponto. Eu filtro pesadamente o que seguir, e depois de ter montado um catálogo, o algoritmo fica mais ajustado. Enquanto alternativas livres não colam, pixelfed etc, vai isso.

        1. Hm… Entendo

          É que me parece mais simbólico que pragmático mesmo, sabe?

          O TikTok me parece ter os mesmos problemas de seus clones americanos, no que se refere ao prejuízo cognitivo, social e invasão de privacidade

          Não sei se usá-lo é construir uma alternativa, e não me parece difícil também não usá-lo sem ser chato ou esquisito

          Mas entendo o seu ponto, e me parece que há um posicionamento político diferente do meu justificando isso. Obrigado por explicar

          1. Provavelmente temos os mesmos fins em mente, mas discordamos dos meios para chegar até eles, inclusive na fase atual. Desamericanização, aceitando compromissos, para desconcentrar poder e riqueza, permitira maior escopo de ação e projetos alternativos do que ter um mesmo pólo com quase tudo que usamos tendo a disposição o imperio mais poderoso da atualidade para avançar seus interesses (vide Vance ameaçando Europa se bloquearem ou regularem o Xuiter).

  11. Os extremistas de direita estão se aproximando do poder na Europa. Quando/se chegarem, vamos migrar de novo? Sei lá, não sei se adianta…

  12. Comecei a usar o Rednote, versão chinesa do Instagram.
    A princípio, é tudo meio estranho. Muito pacífico.
    Percebi que era muito mais sobre o trauma que as plataformas anteriores haviam causado.
    A rede em si é muito tranquila, e a qualidade do que é produzido, excelente.
    Recomendo muito. A maioria do que é feito está em mandarim, mas a quantidade de conteúdo em inglês é bem grande.
    Caso se cadastrem, voltem aqui pra dar um feedback.

  13. Pô, cara. Admito que tenho tido esse pensamento aqui e ali, e não migrei porque não ouvia ninguém falando sobre e acabava me achando um pouco paranóico mesmo.

    Por outro lado, que acho até mais racional, o fato é que a gente nunca presenciou a ascensão de um Estado tecnofascista, e não sabe as consequências disso.

    Quero dizer que me parece razoável, e que só não o fiz porque não vi um movimento das outras pessoas fazendo.

  14. Se a pessoa é alvo, toda precaução é válida.
    Mas para meros mortais pagadores de contas, muitas vezes as alternativas são piores e ainda consomem um tempo absurdo—seja na adaptação, na migração ou na resolução de problemas que simplesmente não existem em serviços mais consolidados.
    Como diz uma amiga, as pessoas se dão muita importância.

  15. Não tenho essa preocupação, me preocupa mais estar nas mãos das big techs (que é quase a mesma coisa) do que necessariamente das empresas estadunidenses

  16. Acho que com o aumento da beligerância americana nos últimos meses, ficou claro para mim que seria melhor escapar deles como fornecedores. Por isso, cancelei meu Google Drive e mudei para NextCloud, abandonei meu WeTransfer e fui para o Swisstransfer, estou gradativamente abandonando a Amazon (Prime e compras em geral), indo comprar livros diretamente das editoras. O próximo passo é sair do Dreamhost. Alguns serviços ainda não têm escapatória mesmo, como o Will citou abaixo, mas começar a procurar coisas fora desse circuito é meio que uma mudança de perspectiva definitiva. Turismo e tudo mais presencial, se já era algo no fim da lista, agora ficou fora de questão.

    1. Por que abandonou o WeTransfer? É um serviço holandês.

  17. Ser paranoico não significa estar errado.
    Acho que é uma preocupação válida sim, mas ainda não penso em trocar. Ainda estou avaliando a situação.

  18. não necessariamente, mas ao trocar por opções open source, as opções não estadunidenses vão aparecendo.

    mas serviços como whatsapp e google maps são bem difíceis.

  19. Se eu fosse um jornalista ou pessoa politicamente exposta certamente consideraria estas opções. Ou as do surveillance self-defense da eff.org.

    Hoje primo pela facilidade então o que puder ser integrado – ex: Google One, Microsoft O365 ou iCloud – eu prefiro.