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Uma reflexão sobre a era flash e a web aberta youtube.com

Me lembro bem de todas as críticas que ouvíamos sobre o flash no final dos anos 10 pelos puristas: “não era indexável”, “não era acessível”, “não era mobile”, “era proprietário”. Se formos ver, essa crítica era majoritariamente feita pelas big techs que controlam tudo hoje.

Nunca imaginaríamos que a coisa ia ficar tão feia que voltaríamos a ter saudosismo dessa época.

E de fato era uma era em que pessoas comum criavam coisas legais na internet simplesmente pq eram legais. Sem precisar de grandes equipes.

E os sites pessoais fugiam desse minimalismo, em que nos matamos de nos debruçar em documentações, tecnologias, github, netlifty, cloudflare, etc, e ainda precisamos pedir ajudas de robôs LLM para criar um blog estático minimalista que só exibe texto e que lista os arquivos markdown que vc gerencia em uma pasta sincronizada, tendo que usar no mínimo uns 3 softwares (com mais algum tanto de plugins) para isso.

25 comentários

25 comentários

    1. Com certeza. Particularmente, o Flash é uma das poucas coisas que valeu apena ser extinto da Web. Depois dele só os Java Applets.

  1. além do que o paulo já comentou sobre o flash, também adicionaria que AINDA BEM que aquela estética cafonésima de meados dos anos 2000 desapareceu.

    tudo tinha degradê, sombra, efeito 3d, brilho excessivo, etc

    viva o minimalismo dos blogues pessoais atuais!

    1. Reclame-se tanto da arquitetura “consultório de dentista” hoje em dia mas ela é louvada na web. Vai entender.

      Cafona é subjetivo, como tanta coisa na vida.

      1. mas essa estética “consultório de dentista” tem mais a ver com aquela cafonice dos anos 2000 do que com sites limpos e sucintos como o MdU

        gosto é subjetivo tanto quanto é produzido socialmente — e não esqueça que subjetividades também são socialmente produzidas

        1. Na verdade, é bem ao contrário. Essa estética de consultório de dentista tem mais a ver com os últimos 10 anos. Boa parte dos sites em WordPress tem usado templates prontos sem quase modificar (Newspapper, por exemplo, é um dos temas que foi campeão de vendas no Themeforest por anos), por ter receio de arriscarem no visual.

          1. eu não consigo concordar

            essa estética de consultório é cafonésima e não tem nada de sintética, limpa, concisa ou qualquer coisa assim. Ela é uma árvore de natal envergonhada. Não dá pra comparar com os sites sintéticos, limpos e concisos de hoje em dia (como o MdU, que é algo mais “brutalista”).

    2. Cara, a tendência de hoje é o cafona de amanhã, seu comentário acrescenta nada no vazio.

      1. só se você acha que a aparência das coisas não importa

        como dizia oscar wilde: só as pessoas muito frívolas não julgam um livro pela capa

        1. Citou Oscar Wilde! Vou parar para não levar um ban do Ghedin.

          1. ban por quê?

            na verdade quem faz essa citação do oscar wilde é a susan sontag no clássico texto dela “contra a interpretação”

  2. > Se formos ver, essa crítica era majoritariamente feita pelas big techs que controlam tudo hoje.

    Que eu me lembre, essas críticas eram feitas pelas pessoas mesmo, Big Tech só apoiou isso depois que a Apple definiu que não suportaria Flash no iPhone, pois lobby da Adobe era pesadíssimo. Houve tentativas de suplantar o Flash por algo sem esses defeitos (Silverlight da MS, JavaFX da Sun e uma proposta GNU que não lembro o nome), mas HTML5, CSS3 e javascript venceram, ainda bem.

    Era tudo isso que vc apontou: não era indexável, não era acessível, não era mobile (pesadíssimo para processadores com centenas de MHz dos dispositivos móveis da época, e não responsivo), era proprietário (um parto rodar no Linux, com performance sofrível e crashs frequentes).

    Dava mais liberdade para criativos que não dominavam HTML, jQuery e CSS? Com certeza, mas ao custo de tudo isso acima.

    Não vejo essa correlação direta entre a morte do Flash e os problemas que citou acima. Se ainda utilizássemos Flash, os problemas dele se somariam aos que vc citou, a meu ver.

    1. É verdade, você tem razão, era uma tecnologia problemática neste sentido e não tem uma correlação direta mesmo com essa crise da web aberta. Talvez seja só o espírito do momento?

      De qualquer forma esse imensa padronização e o fato de praticamente não ser mais possível desenvolver um site (ainda mais com todos os recursos de animação e interativos) de forma visual sem dominar html, css, js, é uma imensa barreira para a maioria das pessoas, e de certa forma deixa tudo muito mais quadrado, mais clean, mais profissional, mais sóbrio e mais igual.

      No flash era desenhar, clicar, programar alguns eventos, mas de forma bem simples e direta e ver acontecer. Permitia experimentações, loucuras, cafonices, mas também um elemento lúdico que não vemos mais tanto hoje.

      O vídeo me pegou pela nostalgia. Por mais problemático que o flash tenha sido, perdemos alguma coisa daquela época.

      1. Eu tenho a impressão que aqueles que querem expressar sua criatividade, por meio de um jogo para navegador ou website, ainda o fazem, só que em volume muito menor. O Gedhin volte e meia publica um link de um site assim.

        A *quadradice* da web atual é pq as pessoas (e empresas) preferem ser criativas em um lugar de maior visibilidade: redes sociais. E assim como foi com os sites e jogos feitos em Flash, o que foi produzido nessas plataformas será perdido caso elas caiam em desuso.
        Quando isso acontecer, logo haverá alguém dizendo que esses eram os bons tempos.

        P.S.: Uma coisa que mesmo sem Flash, páginas web continuam pesadas em sua maioria. Tenho várias abas consumindo 1 GB da RAM, exibindo apenas texto da forma mais quadrada possível.

        1. adicionando pontualmente à conversa de vocês: hoje em dia armor games, newgrounds, kongregate ainda existem, vários jogos foram transformados em html5 ou tem bibliotecas que permitem jogar o flash rodando no html5, o que é uma doidera. mas hoje em dia o principal lugar pra jogar “joguinhos no navegador” é o [itchio](itch.io) que é uma plataforma muito interessante pra quem produz jogos e assets online

          1. Isso mesmo. O espírito do flash persiste no html5, mas o que realmente matou esses espaços/sites de joguinhos foi a consolidação das redes sociais

          2. Acho que o carrasco dos jogos em Flash foram os joguinhos de celulares, na real. São um mercado gigantesco e bem mais rentável do que qualquer coisa feita em Flash.

        2. > P.S.: Uma coisa que mesmo sem Flash, páginas web continuam pesadas em sua maioria. Tenho várias abas consumindo 1 GB da RAM, exibindo apenas texto da forma mais quadrada possível.

          Isso dai que me deixa mais puto!!

      2. Não sei, mas ainda existem ferramentas para construir sites que podem deixar as coisas mais como esta falando, não?

        Locais como o Wix e outros serviços de construção de sites.

        Mas acho que rola uma canseira de todos esses estímulos vindos de redes sociais.

        Agora, também não sei se concordo com essas referencias a sites mais limpos e sem tanta figura e efeitos, acho que tem um pouco a ver com a idade do criador. Tenho acompanhado uns blogs de jovens com idade do ensino médio e os blogs ainda que limpos tem essa pegada, tem até música tocando.

  3. No fim das contas, acabaram com o Flash pra poder tacar anúncios infinitos no meio da jogatina nesses sites de “joguinhos flash”.

    Adblock hoje virou obrigação.

    E ainda assim, até pra jogar esses joguinhos de navegador, precisa também de muita memória RAM, porque também usa o hardware (e “tá bem fácil” de conseguir memória RAM nesse momento)

    1. Quando é bem desenvolvido, esses jogos rodam sem nem agredir a memória.

      Gosto de acompanhar todo ano o https://js13kgames.com/, tem jogos em JS que fico impressionado o que é possível ser feito usando Web Assembly e diversas outras API’s Javascript sem onerar memória.