Olá pessoas do Órbita. Esse semestre eu resolvi realizar um sonho antigo e tentar uma segunda graduação em uma área diferente da minha, a princípio para ver se realmente eu teria afinidade com a área e poderia fazer uma transição de carreira (ou se era apenas um surto que duraria alguns meses). Contexto: eu já estou há algum tempo desiludido com a minha profissão atual e ao menos no campo teórico eu sempre tive bastante interesse nessa outra área.
Muitas universidades particulares oferecem ingresso especial para quem é segunda graduação, inclusive com desconto diferenciado às vezes. Não precisa de prova, é só subir a documentação e fazer a matrícula direto pelo site. Se você abrir um chamado com a equipe de vendas, é até possível que eles te consigam um horário para conversar com a coordenação do curso e tirar dúvidas (não fiz isso, mas recomendo). Quis fazer em uma universidade particular pela praticidade, mas fica a dica que universidades públicas também costumam ofertar processo seletivo para vagas surgidas, aquelas de alunos que desistiram/foram jubilados, e se for segunda graduação nem precisa fazer prova nova.
No primeiro dia de curso tive a minha primeira (e grande) surpresa: em faculdades particulares é muito comum em cursos de menor demanda que você não entre no primeiro período, principalmente se você entrar no segundo semestre. No meu caso, eu entrei junto à turma que estava iniciando o segundo do período, mas ouvi relatos de gente que entrou direto no quarto período. Ou seja: eu irei começar o curso pelas matérias do segundo semestre, e ao final do curso volto para fazer as do primeiro. Ao menos aqui os professores tentam integrar os novatos nos grupos dos veteranos, para que não fiquem tão perdidos nas atividades em grupo (principalmente quando elas demandam algum conhecimento técnico que você ainda não tem).
Segundo ponto: pesquise BASTANTE sobre a instituição que você vai entrar. Essa aqui foi uma falha minha: olhei o site, li sobre a metodologia de ensino e achei que já havia entendido o bastante. Dei pouca atenção ao fato de que era uma instituição católica e foi só quando fui convidado para uma acolhida aos calouros que se iniciava com uma oração que eu entendi que aquilo realmente era um valor central para a instituição (inclusive o reitor é um padre, rs).
E por falar em acolhida, esse é um dos aspectos que eu menos tinha paciência (mas eu já esperava): tudo é 100% pensado para quem está vindo do Ensino Médio ou iniciando a primeira graduação. Eu passei a primeira semana inteira aprendendo mais sobre como funciona o sistema de ensino e avaliação da instituição do que tendo contato com as disciplinas em si. Só na segunda semana que comecei a ter contato com o conteúdo em si. Como as pessoas sabiam que era minha segunda graduação, achei que poderiam ter me dispensado de antemão de algumas dessas explicações.
Eu sou a única pessoa de 30 anos da turma, e a única que é segunda graduação (imagino que isso seja mais comum nos cursos de Direito e TI). Todo o restante está na faixa de 18 a 23 anos. Passado o choque inicial das pessoas, não tive nenhuma questão quanto a isso (mas já sei que não vou virar melhor amigo de ninguém). Como eu trabalho, tenho concentrado as atividades e leituras do curso no fim de semana. Por enquanto não está tão cansativo, mas sei que ainda está no começo, rs. Uma vantagem é que achei tudo muito bem organizado: tem um portal do aluno com todos os planos de aula das disciplinas, conteúdos de apoio, atividades com datas de entrega definidas.
Uma coisa interessante que notei em relação à minha primeira graduação (feita em federal) é que as disciplinas priorizam a parte prática em sala de aula, e deixam a parte teórica como leitura de casa. É tipo um “leia sobre como se faz em casa, e em sala você tenta fazer com o professor te ajudando”. Fico pensando se isso está relacionado à capacidade de atenção menor das novas gerações. Acho que com duas semanas eu só tive uma aula que foi no estilo clássico professor falando conteúdo e passando slide. E ninguém anotava nada, já que o slide estaria disponível online.
Enfim, essas são as reflexões que tive com apenas duas semanas de curso, mas se alguém tiver interesse posso voltar daqui a uns meses para contar como foi o desenrolar do semestre. Quis trazer esse relato pois vi poucos conteúdos que focassem nos desafios de tentar uma nova graduação depois dos 20 (e geralmente muitos desses vídeos de transição de carreira são de alguém que transiciou para trabalhar com redes sociais ou viver de conteúdo, rs). E sempre que eu comento sobre esse tema com amigos, a reação mais comum é “não sei se teria saco para passar por isso de novo”, mesmo entre gente que também está em crise com as suas escolhas profissionais.
9 comentários
Interessante, mas achei que o relato iria incluir reflexões sobre “transição de carreira (ou se era apenas um surto”. Essas coisas de burocracia acadêmica não me pareceram trazer muita coisa a discutir.
que relato interessante!
estou fazendo vestibular esse ano para cursar filosofia ano que vem (sou formado em ciências contábeis e gestão financeira) e por coincidência, terei 30 anos em 2026, rs
comentando aqui para acompanhar o relato da galera e saber o que posso esperar ano que vem, e se puder, fale mais sobre daqui uns meses.
legal o post. eu já tentei fazer duas segundas graduações, em universidades públicas, mas acabei desistindo das duas. em uma delas, que era de exatas, eu entendi que não era pra mim passar por toda uma formação complexa e longa de base matemática, com professores com práticas totalmente ultrapassadas (como reprovar 58 de 60 alunos da sala). o ensino é muito focado em vc provar pros professores que vc tem interesse e se dedica, uma coisa com que estamos acostumados no ensino médio, mas que pra mim, numa segunda graduação que escolhi, numa área que eu já trabalho, não fazia muito sentido. a outra eu desisti pq o curso passou a não fazer sentido pra mim mais, foi na época da pandemia, enfim. em ambas havia pessoas mais velhas, mas acabei ficando mais próximo dos mais jovens, e isso não foi um problema (mas é normal que haja diferenças e essa relação não vai ser a mesma que eles têm entre eles). enfim, eu acho fazer uma segunda graduação muito legal, mas tem que ter em mente que é preciso paciência com a pedagogia ainda bem ensino médio dos primeiros períodos e com o fato de que sua experiência nunca será como a de um jovem de 20 e poucos, inclusive em relação a fazer amizades. sem contar que, se for um hobby, há outras formas de se colocar em contato com aquilo que não necessariamente é uma longa formação super abrangente que vai te preparar pra ser um acadêmico ou profissional daquela área.
Infelizmente nas exatas ainda rola essa visão de ensinar através do medo e da pressão. Nesse sentido, eu acho que para quem já trabalha com a profissão fazer uma particular faz mais sentido, pois os professores lá entendem que você já é um engenheiro e só está ali para aperfeiçoar sua base, não ficam te cobrando de ser um engenheiro idealizado que só existe na mente deles.
Fiquei curioso sobre a formação atual e sobre a nova graduação. Quais os cursos?
A primeira foi em publicidade e a atual é arquitetura (sim, eu sei que são dois mercados igualmente complicados, mas pelo menos a segunda não te obriga a ir para são paulo se quiser ter uma carreira)
Muito bom o relato! Eu atualmente estou pensando em fazer mestrado na área que eu trabalho e não na que eu me formei.
Ah, eu fiz direito em faculdade participar e tinha muita gente 30, 40 e até 50+ na faculdade.
Talvez pra direito seja até bem comum, dado que muitas matérias de direito são as mesmas de concursos públicos.
Sim, acho que no Direito é bem comum pessoas mais velhas, conheço inclusive mães de amigos que entraram no curso depois dos 40/50 anos.