Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

sobre a aceleração da vida

É um clichê dizer que nossa vida está cada vez mais acelerada devido às tecnologias digitais. Por outro lado, à medida em que a carreira avança acabamos assumindo mais compromissos e a vida fatalmente acelera em função disso.

Mesmo assim, a sensação que fica é a de que a vida digital está acelerada demais. Dez anos atrás estávamos num patamar de aceleração que considerava OK, hoje tudo está sufocante.

O que acham?

10 comentários

10 comentários

  1. Eu recomendo o livro “Devagar – Como um movimento mundial está desafiando o culto da velocidade”, do Carl Honoré (de onde peguei emprestado o apelido que uso aqui, inclusive). Ele mergulha no movimento Slow e aborda como dá para tentar desacelerar em diversos aspectos da vida. Claro que nem sempre é possível, mas a ideia é tentar não sucumbir a essa aceleração e criar ao menos momentos para uma refeição mais demorada, por exemplo.

  2. Olha, envelhecendo e assumindo mais compromissos é difícil “desacelerar”, mas é possível ter uma vida tranquila sim.
    Não sei como é morar numa cidade pequena há bastante tempo, e sei que não é exclusivo de quem mora em cidade grande essa vida “paulera”, mas viver em lugares menos badalados, mais vida ordinária pode ajudar bastante nisso. Cria barreiras e não é pra todo mundo? Com certeza, mas se sua saúde está dependendo de uma vida mais tranquila, é um bom incentivo pra mudança (não só de casa, mas estilo de vida).

    Eu entendo que precisamos ser ativos nesse aspecto (se desligar desse mundo do “instantâneo”) pq o marketing aprendeu a materializar a ansiedade de consumir (seja lá o que for) de maneiras difíceis de escapar hoje em dia. Afinal, tudo tá na web né?! Quase nada hoje escapa da presença digital.

    Enfim, só uma reflexão. Espero que você consiga “pôr o pé no freio” se estiver precisando, não é de deux essa vida não.

  3. Com as tecnologias digitais, percebo que aumentou a quantidade de demanda no dia a dia. Hoje temos que olhar e-mail, ler jornais, falar com algumas pessoas e acessar redes sociais (hoje não uso redes sociais, mas quando usava percebia a demanda para manter atualizado por lá). Diante disso, o que realmente aumentou foi a quantidade de coisas que devemos da conta e por isso temos essa sensação de aceleração, ou seja, devemos fazer tudo ao menos tempo, sem focar em nada. Por mais que seja díficil, tento fazer uma coisa de cada vez para não ficar com a sensação de ansiedade constante.

  4. Imagina pra quem tem TDAH. É foda.

    Sinto isso muito no trabalho, principalmente.
    Aceitar mil demandas ao mesmo tempo parece que virou padrão de todo mundo que trabalha em startup. É muita coisa pra lidar ao mesmo tempo e quando chega no fim da tarde bate aquela canseira desgraçada de tanto correr em várias direções ao mesmo tempo.

    Por esse mesmo motivo tirei da prateleira e limpei a poeira do livro “Essencialismo” do McKeown… espero que a releitura dele me faça lembrar do conceito chave que tenta passar justamente a ideia de prioridade e relevância para os assuntos da vida e do trabalho.

  5. Por isso a “ansiedade” tem sido o grande mal dos tempos. Muita gente está uma pilha de ansiedade e não sabe que é isso o que está passando com ela.

    Tenho 39 anos, sinto essa aceleração da vida e tento administrar as demandas e conexões pra não cair nesse vortex. Mas ultimamente tenho “fracassado”. Ler (que é a atividade que eu mais gosto e que me fazia desconectar desse mundo acelerado) tem sido difícil. Falta de concentração e falta de capacidade de retenção. Penso na geração que já nasceu nesse mundo ultra veloz, se já vieram programados de ansiedade, e se serão capazes de ler livros.

  6. Infelizmente a única forma de não entrar nessa aceleração é se contrapor ativamente. Tento não usar tanto redes sociais convencionais e busco alternativas (aqui, por exemplo), tento não me preocupar em responder Whatsapp imediatamente e fico em paz de não estar por dentro de todos os assuntos do momento. Só isso já me ajuda bastante. Claro que nem sempre a gente consegue escapar de tudo…

  7. Acho que breve (5 anos?) teremos algum movimento relativamente forte para vivermos mais offline.

    Não eu, jamais eu.
    Tiro o fone de ouvido e escuto funk (a trilha sonora do inferno, tenho certeza). Abro a janela e o que vejo por reflexo fazem minhas pálpebras fecharem. Acesso o youtube deslogado e tenho a maior certeza da vida que o monitoramento do google para meu gosto pessoal é a unica forma de acessar a internet dos dias de hoje.
    Mas tem gente que vive melhor que onde eu caí.
    E isso virá da Europa.

    Agora quero lembrar de voltar aqui em 5 anos….

    1. Parabéns! Em apenas meio parágrafo você conseguiu demonstrar ser reaça, eurocêntrico e depressivo ao mesmo tempo!

      1. Viva eu! E viva a vida real sem edição! \o/

        E eurocentrico é relativo. Acredito que para ter uma vida “agradável” o básico tem de ser resolvido. Nesse ponto eu apontaria os polos principais como Europa e USA, e USA (parafrasenado, não fui eu que teve essa inspiração) é “um pais de terceiro mundo rico”. Eles valorizam demais dinheiro/tecnologia para mudar algo aqui.

        Naturalmente temos Canada, Japão e mais alguma coisa que se enquadra, mas falando de movimentos sociais relevantes é interessante em pegar um grande bloco.
        O USA domina devido a sua carteira e exportação cultural, mas a Europa define regras (e hoje o whats confirmou que vai se comunicar com todos) e, espero aqui, uma tendencia nesse tipo.

        E esse ponto final. Não conta indivíduo. Se fosse contar EU o facebook não existia.
        Conta sociedade, e o que pode mudar com mudança social.

  8. Concordo plenamente. Tomo algumas medidas para me desacelerar (sair de redes sociais, desativar notificações com poucas exceções, etc.), mas ainda assim sinto esse ritmo em quase qualquer coisa. Quanto mais envelhecemos, mais rápido sentimos o tempo passar também, o que intensifica um pouco a sensação.
    Tento ativamente reavaliar minha rotina e compromissos de tempos em tempos, para limpar algumas coisas e me dar fôlego.