Não vim falar exatamente do aparelho ou da opção de duas saídas de fones que me deixou curioso com a possível escolha do público.
https://liliputing.com/nubia-music-is-a-smartphone-with-two-headphone-jacks/
Mas eu queria trazer a seguinte conversa.
Antes dos smartphones a gente tinha aparelhos com designs e cores bem mais variadas. Desde que o molde telha ficou definido parece que junto veio uma necessidade dos aparelhos terem uma cara de maleta de executivo com cores “sóbrias”.
Sinto saudades de cores mais vivas e decisões como a desse Nubia. Longe de ser uma questão de comprar ou não, na verdade até é, eu sempre prefiro aparelhos com cores mais vivas e ia gostar de soluções que fossem mais para esse caminho.
25 comentários
sinto que essa é uma tendência pra tudo envolvendo tecnologia e tem a ver com padronizar o uso para (também) induzir um uso específico do aparelho/software/etc. hoje tudo é monitorado (“trackeado”), então você cria uma moldura de usabilidade para colher dados estatísticos de como aquele aparelho ou aquele software é utilizado, por exemplo, pra direcionar publicidade. crescemos com nokias, siemens, sony ericssons, motorolas de todo o jeito, assim como tínhamos um winamp, uma gama de sites, fóruns, etc. a tecnologia hj é plataformizada em todos os sentidos, inclusive no hardware. enfim, acho que eu teria mais uma centena de coisas pra falar sobre isso, mas vou parar por aqui kkk
Entendo a queixa de que os celulares estão cada vez mais semelhantes e cada vez mais sóbrios e entendo que as pessoas gostariam de ter mais opções coloridas/divertidas (Nothing Phone?) – mas esse grupo é a minoria.
Apesar de ser o mais sem graça e clássico, o iMac cinza e o azul claro (que é quase cinza ao vivo) respondem por 60% das vendas. O número de Galaxys e iPhones coloridos na rua anedoticamente também parece ser muito baixo (só com uns vermelhos aqui e ali).
A maioria das pessoas realmente parece preferir se diferenciar pela capinha – até por ser algo transitório: enjoou? Compra outra por R$10-20. Quer gourmetizar? Capinha de couro.
Manter o celular mais simples abre espaço para um mercado maior – incluindo gente como eu, que não suporta o acréscimo de volume e peso nem a textura das capinhas (enroscam no bolso, poeira gruda, etc). Idealmente eu gostaria inclusive que meu iPhone perdesse aquela dynamic island e não tivesse as linhas de borracha separando as antenas na lateral – mas infelizmente a física não quis saber minha opinião… :-(
Sobre o assunto, lembrei de um episódio do Hypercritical, podcast do John Siracusa que precedeu o Accidental Tech Podcast: “The Naked Robotic Core” – https://hypercritical.fireside.fm/86
Cara, eu gosto do design dos aparelhos de hoje. São bonitos, simples e funcionais.
Tenho um Motorola Edge 20 Pro azul, coisa mais linda.
Esse é muito feio, carnaval, pelamordedeus…
Dá pra discutir esse fenômeno de várias perspectivas.
1. nos anos 50 os fabricantes de carros nos EUA — num momento de ascensão da indústria e de aumento da concorrência — começaram a recorrer a uma estratégia de desenho das carcaças que permitisse outros apelos para o público consumidor que simplesmente ter “um carro potente” ou algo do tipo. Conceito atribuído ao famoso designer Raymond Lowey, estava criado o “styling”: elementos aparentemente aerodinâmicos (e cada vez mais associados ao mundo aeroespacial), mas sem qualquer função aerodinâmica efetiva, eram adicionados aos automóveis para que eles parecessem mais arrojados. Com o tempo, isso passou a sinalizar pura cafonice. (um dos exemplos mais interessantes do “styling” é um apontador de lápis desenhado por Lowey com formato de turbina de avião)
Desde então tem havido ondas entre linguagens mais sintéticas e limpas e outras mais luxuriantes e carnavalescas no desenho de produtos de massas. (a gente podia falar do grupo Menphis e do impacto que isso teve em estéticas de massas nos anos 90 também, mas fica pra outro momento)
2. No fim dos anos 90, a Apple apostou naquele desenho “carnavalesco” dos novos iMacs numa época em que aparelhos de computação pessoal tinha todos a mesma cara de escritório. Por um lado, a mensagem era explícita: estamos mais perto do mundo da criatividade que das planilhas, mais perto do entretenimento que do trabalho. Por outro, isso criou uma fórmula que passou a ser amplamente copiada: todo produto eletrônico passou a ser vendido com plástico colorido translúcido. Curiosamente (ou nem tanto) a resposta da Apple foi apostar no caminho oposto: procurou aplicar no mundo dos aparelhos digitais uma estética fortemente baseada na tradição da “boa forma” do design teutosuíço — a ponto dela própria celebrar uma suposta filiação aos princípios de design de Dieter Rams e da Braun. Da profusão de cores e transparências ela passou ao mundo da clareza, assepsia e síntese formal — e, POR FAVOR, parem de chamar isso de MINIMALISMO! Miminalismo é outra coisa! (e também não tem nada a ver com uma “vida simples”!)
Esse “bom gosto” da Apple acabou se tornando referência de mercado a tal ponto que, como falaram, nenhuma alternativa se consolidou (lembremos também dos celulares coloridos com Windows Phone, etc).
Na verdade tudo que é de massa parece que acaba ficando ou igual, ou sem algum apelo de design mais forte. Tudo é feito com o intuito de agradar a maior parcela de consumidores. Não digo que os smartphones são feios atualmente, mas acabam não tendo nada que diferencie muito.
Se você quer algum produto diferenciado, geralmente vai ser algo mais exclusivo e de produção bem menor, talvez até artesanal.
Lembrei dessa imagem aqui.
E repare nas cores deles nas ruas. Preto, prata, cinza em várias tonalidades. A pessoa compra o carro na cor “neutra” pensando em ser mais fácil revender depois.
Os carros hj são a coisa mais deprimente que existe em termos de design e principalmente cores. Lembro que, quando eu fui comprar um carro, eu queria demais aquele Novo Uno, justamente porque eram super coloridos. Mas meu irmão em encheu a paciência pra não comprar colorido porque seria difícil de vender. Atualmente os carros se resumem a ficar parecidos com HB20s ou Polos. Tudo branco ou prata.
Lembrei dos memes do N-Gage! Mas a sério, entendo o seu ponto. Dá uma saudade da invencionice não só dos celulares, mas dos gadgets em geral dos anos 80 90 e até os 2000, (talvez desde antes, dos primeiros rádios?) Se eram funcionais é outra história. Até as interfaces digitais dos softwares e SOs vão ficando mais sérias, clean e minimalistas como discutimos aqui no órbita naquele post sobre o Windows XP.
Isso me lembra o vídeo de um cara que mostra como um micro-ondas da Sharp, dos anos 90, era infinitamente mais tecnológico e divertido do que essas coisas que temos hoje. Inclusive vê eu queria demais esse micro-ondas só pelos avisos sonoros dele. Esse vídeo aqui: https://youtu.be/UiS27feX8o0?si=ijH5KPEXSVE4Qttb
Cara, apesar de não ser lindo, tem um design ok e com uma baita tecnologia. A tecnologia por trás dele poderia ter sido aprimorada assim como o design, mas parece que as coisas hoje em dia presam apenas pelo design e esquecem do resto. =/
PS: adorei a tela LCD com as animações!
Acho que o pessoal aqui embaixo já trouxe bem a conversa sobre as capinhas, que acabam tornando as cores dos smartphones, e mesmo alguns elementos do design um pouco irrelevantes.
Mas, dito isso: que celular lindo! Cliquei esperando uma coisa bem chamativa, com orelhinhas de coelho azul bebê e fui surpreendido com um conceito bem interessante. Gostei bastante.
Como já se falou aqui capinhas são os acessórios que trazem personalidade ao seu aparelho.
Basta olhar no AliExpress por exemplo, procurando o termo “Kawaii Case”. Você vai ver um universo de capas com ilustrações e formas exóticas . Em locais como Japão, Coreia e China além das capinhas exóticas se usa uma variedade de penduricalhos aos montes nos aparelhos.
Sobre capas coloridas, com suas cores vibrantes a Nokia na época do Windows Phone também tinha a sua paleta bem saturada e colorida (Laranja, amarelo e azul). Até mesmo os iPhones 5C também possuíam cores saturadas e cases mais coloridas ainda.
Tudo isso já foi usado, hoje em dia as cores pastéis (lavadas) são mais uma questão de estética e tendência mesmo. Como a moda é cíclica em breve cores saturadas serão a tendência novamente.
Na época atual de capinhas nos mais diversos estilos e tamanhos, é aí que cada pessoa expressa seu gosto e sua personalidade.
Temos tb os nichos de formatos diferentes (flip/fold) para quem quer se diferenciar mais e pode pagar por isso.
Sim, concordo com vc que já houve muito mais variedade nos aparelhos em si, mas não tenho um saudosismo especificamente deste ponto.
Essa é a última coisa que me importa em um celular. (Nota-se pelo iPhone de botão no meu bolso.)
Acho que esse apelo de celulares diferentes é para poucos. A maioria quer um celular que funcione, seja fácil de usar e tenha os aplicativos mais populares. O estilo telha virou padrão porque é o melhor para o uso que se faz de um celular. (Pode-se argumentar se esse padrão moldou o uso, mas acho que é outra conversa.)
Não adianta muito soltar um celular esquisito, “inovador”, no mercado e ninguém comprar. Como o meu xará disse ali embaixo, a LG fazia isso e… bom, a LG não faz mais celulares.
Sobre as cores, vocês usam celular sem capinha? Se sim, toca aqui ✋! Porque de resto, geral usa capinha e aí pouco importa se o celular é preto, amarelo ou azul — o que importa é a cor da capinha.
É curioso a justificativa da capinha até porque antes dos smartphones eu não me recordo de ter esse grande mercado, talvez porque os aparelhos serem mais diferentes ou serem de grande nicho.
A questão de importar ou não, não sei… a busca por capinhas mostra que as pessoas apesar de querer “algo qie funciona” também buscam por alguma diferença.
Não falei em nada inovador, estou falando em apenas não ser uma traseira lisa, de vidro, etc. Como por exemplo no link que coloquei.
Um detalhe, um desenho…
Existia mercado de capinhas antes dos smartphones, só que ele era condizente com o próprio mercado de celulares, que era bem menor que hoje. Outro detalhe é que a própria construção dos aparelhos às vezes tornava capinhas desnecessárias. O plástico dos Nokia tijolão, por exemplo, era a própria capinha — dava para trocá-las com certa facilidade.
Pelo que ouço por aí (e tenho experiência no assunto 😄), o que motiva as pessoas a comprarem capinha é proteger um investimento caro e suscetível a quedas. A diferenciação é secundária, a cereja do bolo (e um impulso para as vendas também).
O duro de fazer coisas muito diferentes é que a empresa diminui o público potencial. Um celular todo colorido e com desenhos vai vender para quem gosta daquelas cores e daqueles desenhos (relativamente pouca gente), mas vai afastar a ampla maioria que não comunga da preferência. Cores sóbrias são mais universais. Por isso que celulares excêntricos, hoje, são edições limitadas ou comemorativas ou qualquer coisa que não tenha, por propósito, fazer volume (que é o fim padrão de todo bem de consumo).
Já dizia Henry Ford: você pode comprar um Ford-T de qualquer cor, desde que seja preto. Ou algo assim. Poder de escolha é (mais) uma ilusão do capitalismo.
o mercado de capinhas pra diferenciar (não para proteger) era basicamente um camelô vendendo isso aqui
https://www.alamy.com/stock-photo-technics-telecommunications-mobile-radio-nokia-mobile-phone-cover-110863881.html
eu tinha um nokia 2280 e comprei face plates de outras cores pra variar o celular. uma transparente inclusive. mas é algo bem mais dificil e q envolvia ter uma area grande de plástico no teclado que pudesse ser trocada.
sobre cor x capinha, eu comprei um roxo da ultima vez (é o q estou usando agora) e nem lembro q é roxo… no começo usei capinha transparente pra ressaltar, mas aí amarelou. passou a ser meio inútil.
Estão muito sem graça sim.
Alguns modelos da motorola tem cor e a samsung coloca aquelas cores diluídas, mais sem graça que ir no baile e dançar com a irmã.
Nem aqueles telefones reforçados, aquele visual 4×4, as empresas fazem mais, uma ou outra ainda aposta mas virou o nicho do nicho.
Hoje postei sobre o celular xiaomi 14 ultra, que tenta se diferenciar, mas aí os caras colocam traseira de titânio! Para que? Apostam no luxo e na seriedade ao invés de diversão.
O Xiaomi 14 Ultra é um celular de US$ 1,5 mil. Acho que faz sentido ser sério e luxuoso.
A LG tentou fazer uns celulares diferentões e… Bom, ela saiu do mercado de celulares.
Já estou pensando em pegar uma impressora 3D e fazer umas capinhas com moldes diferenciados (ex: criar uma capinha Flip para um smartphone normal)
Iphone tem cor não? E acho que alguma coisa de android tem cor, não? Precisa mais, mesmo? Cores desbotadas e sem graça, OK mas….
O que se esperar, realisticamente? A tela tem grandes vantagens em ser retangular – pode ser dobrável ou não apenas. Telas não quadradas acabam custando desnecessariamente caras devido a produção. Uma proporção próxima a 16*9 tem grandes vantages novamente devido a padrões. Como usuários o que vamos ver é, 99.9999% das vezes
O OS porém poderia ser diferente… em um mundo onde temos um duopolio não atuanda vir uma gigante tentar fazer diferente, aprendemos isso com o Windows Phone.
E, de qualquer forma, no andoid tem como customizar até o pixel que te espiona. Novamente, quem se importa na pratica? Malucos (como eu) que tentam fazer isso são minoria mesmo.
Mas vamos a forra: camera grande com zoom optico (tentado, fail). Som potente (tentado, fail). Pode escolher se quer camera ou som optando por acessorios! (tentado, fail). Ou montar seu telefone (fail antes de tentarem). Se tu inovar aqui aqui que não seria mais celular teu aparelho.
Mesmo antes do smartphone já tínhamos uma forma de retângulo definida e tínhamos uma variedade de designs de traseiras e formatos como coisas não totalmente retangulares e com algum detalhe ao invés de linhas sóbrias. E ainda tínhamos até uma variedade grande de modelos.
Claro que tem a questão de corte de custos e outras questões de venda, alias nem existia acessórios para a maioria dos aparelhos antes, sei lá…
Sobre as cores, realmente temos nos últimos anos variações grandes de cores, principalmente em iPhones e temos melhorado em outras fabricantes, mas sempre aquela traseira limpa de vidro que escorrega e etc.
Possivelmente o grande culpado seja a obrigação de aparelhos novos todo ano e no BR termos poucas fabricantes, se buscarmos outros mercados com outras fabricantes teremos variações interessantes.
Tenho a mesma impressão que você. Também sinto falta da “personalidade” dos aparelhos antigos.
Infelizmente, acredito que tenha a ver com o form factor ser reaproveitável entre modelos, e de um ano pro outro, reduzido assim o custo de fabricação, aumentando o lucro, diminuindo as opções e brindando ao capitalismo.
Infelizmente isso tem acontecido não só com smartphones, mas com todo o resto que envolve tecnologia. Chegou a ver a interface do Windows 10? Tudo tem ficado sem personalidade e cada vez mais monótono. A ”sorte” dos smartphones ou de PCs no geral, é que você pode comprar uma capinha diferente ou um gabinete diferente pra poder adaptar ao seu estilo.
Eu há muito tempo apelo para os adesivos da dbrand, atualmente pela questão do dólar fica pesado, mas eu pelo menos consigo ter um aparelho com alguma cor e usar uma capa transparente ou apelar para capinha que tenha alguma personalidade que seja