Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

RT/Boost/Repost é um componente prejudicial para redes sociais “tranquilas”? filipe.saraiva.tec.br

Texto do Filipe Saraiva (talvez um dos maiores sommeliers de plataformas fediversais que já vi) sobre a sua experiência no micro.blog ― e o porquê desistiu de sua estadia aí.

Com “tranquilas” o autor faz menção àquelas

> redes que desabilitam funcionalidades viciantes, que fazem com que o usuário fique cada vez mais tempo na plataforma, e também funcionalidades que o estimulam a criar uma “audiência” cada vez maior em torno do conteúdo.

Nessa passagem Filipe claramente contrasta as redes mainstream com redes do protocolo ActivityPub (Fediverso).

Achei interessante essa passagem da página de suporte do micro.blog citada pelo autor:

But it’s not a clone of Mastodon. We leave features out on purpose — no likes, no boosts, no trending tags. It’s not a popularity contest, and it’s not a space where outrage goes viral.

Não experimentei a plataforma supracitada, mas acho que, de certa forma, seus desenvolvedores acertaram nessa. Tenho uma impressão de que números (tanto de curtidas, compartilhamentos e até de seguidores!) levam a um ímpeto por buscar maior audiência, bem como por uma performatividade da parte dos usuários. É o que percebo em redes como Twitter, Bluesky, Instagram e… Mastodon.

Minha experiência com blogues, e até mesmo aqui e em outros fóruns de discussão, como no Lemmy, foi muito mais flúida, de apreciação e discussão de conteúdo, muito menos sobre batalha de ego e performance. Nesses contextos, não me importo com quem lê, “curte” ou compartilha meu conteúdo; somente com quem interage com ele.

O que vocês acham disso?

20 comentários

20 comentários

  1. Acho o *boost* bom como “tempero”, mas não como “prato principal”. Quando usam sem critério, causando *flood*, uso a opção do Mastodon: “Ocultar impulsionamentos de @fulano” (se percebo que é só uma empolgação temporária, silencio o perfil por algumas horas ou filtro a hashtag, caso exista alguma recorrente).

    Tecnicamente, este recurso é uma boa forma de divulgar a postagem para usuários de outras instâncias e fora daquele círculo atingindo pessoas que não se seguem e que nunca se “viram”.

    Já as *hashtags*, acho interessantes por três motivos:

    1) podem ser seguidas e fazem “brotar” conteúdo de nosso interesse na timeline, independentemente de alguém dar *boost* ou de seguirmos o autor.

    2) serve para os incomodados ocultarem de sua timeline conteúdos indesejados.

    3) são uma espécie de “motor de busca” pronto. Não raro, busco conteúdo usando *hashtags*. É uma forma rápida de chegar diretamente em um assunto.

    No mais, acredito que esse tipo de rede requer uma certa manutenção do próprio usuário, com filtros para deixar a coisa mais limpa, caso ele assim o deseje. Mas entendo que pode haver propostas de redes mais limpas por padrão.

    1. > Quando usam sem critério, causando flood, uso a opção do Mastodon

      Olha, a tendência do repost/compartilhamento automático é o *flood* mesmo. Não tem para onde correr.

      Quando eu frequentava Mastodon, não me sentia nem mesmo satisfeito com essa dinâmica de *boost*. Costumava visitar os perfis das últimas pessoas que publicavam, e aí sim eu poderia ter uma noção de sua curadoria. O próprio perfil em si já se mostra como um “filtro”: se eu sigo algum designer, seus *boosts* serão dessa área; se sigo um desenhista, seus *boosts* serão sobre arte etc.

      Pela linha do tempo principal, tudo parece desorganizado.

      Tenho uma impressão de que o compartilhamento automático de conteúdo tendeu a substituir a ideia de curadoria. E, ao meu ver, há algo de autoral na curadoria de conteúdo. Um bom curador é também um bom autor…

      1. Interessante essa reflexão, Arlon. Na linha do tempo, temos contato com uma “curadoria de curadorias”, o que converge em… bagunça.

  2. Obrigado por trazer o post para cá, @Arlon.

    Entendo que esse ponto não haverá consenso, e há razões válidas tanto para implementar quanto para descartar a funcionalidade.

    Do meu lado, é como coloquei no texto. Apesar de compreender porque o pessoal não implementou o “repostar”, acho muito radical porque ele tem pontos muito positivos.

    No momento mesmo está acontecendo o FOSDEM, e vários perfis estão repostando outros perfis, fazendo uma cobertura distribuída, completa e rica do evento. Não daria para acompanhar isso da mesma forma em uma rede sem o “repostar”.

    Penso que o pessoal poderia pelo menos implementar a funcionalidade de forma diferente e ver o que acontece. Por exemplo, não exibir o contador de RT já dá um impacto no argumento da “competição de popularidade”. Não permitir RT com citação é outra que potencialmente reduz o ambiente de tretas.

    Como diz aquele ditado popular, “é jogar a água da bacia fora com o bebê junto”.

    PS.: meu eu de uns 20 anos atrás, usuário do identi.ca quando ainda rodava o laconi.ca, agradece o “*sommelier de plataformas fediversais*” :D

    1. Mas, Filipe, o próprio ato de hyperlinkar já não seria considerado “RT” no micro.blog?

      Nem sabia que já tinha algo de Fediverso há 20 anos…

      1. Opa Arlon, vc diz hyperlinkar só colocar o link em um post, ou colocar o link e fazer algum comentário sobre o que está compartilhando?

        Se for o primeiro caso, teria que ver se funciona pq nunca fiz. Mas mesmo ele não resolveria um perfil no micro não enxergar reposts de redes suportadas, como Mastodon e Bluesky.

        Para o segundo caso, penso que há conteúdo que é interessante comentar junto com o compartilhamento, mas nem todos são assim… até para evitar se tornar a pessoa que comenta tudo o que vê.

        De qlq forma, entendo que tem quem prefira uma rede sem reposts e tudo bem. :)

  3. Opa Arlon,

    Eu concordo com o argumento do Fellipe. O compartilhamento, se por um lado pode incentivar o ego e a performatividade, por outro lado, é um mecanismo de curadoria e “espalhamento” da palavra.

    Confesso que, após ler o texto, vou me policiar para fazer menos compartilhamentos… mas por outro motivo. Contribuir menos com a superdosagem de conteúdos que nos assola.

    1. Só a velha guarda do Fediverso colando aqui no Órbita!

      > é um mecanismo de curadoria e “espalhamento” da palavra

      Com certeza. Mas acho que em todo canto da internet há uma forma de se sobrepôr a limitações. Estou certo de que, apesar de não haver compartilhamento automático no micro.blog, as pessoas dão um jeito de espalhar a palavra.

      > Contribuir menos com a superdosagem de conteúdos que nos assola.

      Rapaz, mas se você repostar duas vezes do que você já repostava, não dá dois minutos rolando em um Instagram da vida. O Fediverso é bem lento e bem curado ao meu ver. Não há por que se restringir a isso por conta do motivo supracitado.

    2. > Contribuir menos com a superdosagem de conteúdos que nos assola

      Não te preocupes. O maior *flooder* fediversal não é páreo para cinco minutos de *feed* algorítmico…

  4. “Repostar” é interessante SE o assunto do post for interessante / necessário e o autor do post se mostrar disposto a deixar compartilhar. Simples.

    O ponto como posto é que o “repostar” é meio que puxar o assunto numa plaquinha e falar “OLHA AQUI ISSO!”, no que ocorre muitas vezes quando a pessoa reposta E ao mesmo tempo põe um comentário, geralmente falando mal. Mas isso claro depende de quem seguimos em uma rede social. Redes de discussão tem muito disso – de repostar algo já com um comentário para atiçar um debate em cima do post publicado.

    Quando seguimos pessoas que puxam debate mas sem provocações ou show de virtudes, o respost muitas vezes trás mais algo positivo, como um bom debate em cima ou a atenção a algum assunto necessário, como uma questão de segurança por exemplo.

    Quando um sistema de posts desincentiva uma republicação, isso diz mais sobre quem criou e quem usa tal plataforma. Repostar também é muitas vezes divulgar – e isso o Filipe trás na reflexão do comentário. E meio que você quando trouxe o link para o blog dele, é uma forma de divulgação e talvez um ponto sobre “repost”.

    O que a gente tem que tomar cuidado é o “validar na raiva”. E meio que já notei que redes tipo Blusky / X tem muito isso. Pega um repost e vai falando mal e puxando assunto em cima. A vantagem do Blusky é o mecanismo de exclusão de vinculação. Ajuda, mas não impede um print do comentário para ser “reposto” de novo.

    Moral da história: uma rede boa é uma rede sem “estar sentindo que está entrando em tretas”. Só que isso para muitos de nós que estamos aqui comentando no Órbita ou no Manual do Usuário. Infelizmente fora de redes assim, o que mais se tem é “treta” porque pessoal gosta mas não admite. Senão não teria este tipo de discussão.

    1. > E meio que você quando trouxe o link para o blog dele, é uma forma de divulgação e talvez um ponto sobre “repost”.

      Sim, exatamente. Queria até levar essa questão ao Filipe. O *hyperlink* em si já não seria considerado um repost, ao menos segundo os desenvolvedores do micro.blog? Acho esse tipo de divulgação mais eficiente do que o compartilhamento automático, porque estimula o repostador a “introduzir” o conteúdo que ele está linkando.

      Além disso, posso estar errado, mas ninguém teria a pachorra de fazer curadoria via hyperlink com o intuito de *cyberbullying*, *ragebait* etc. É muita energia gasta em uma coisa que talvez nem gere tanto tráfego…

    2. > E meio que você quando trouxe o link para o blog dele, é uma forma de divulgação e talvez um ponto sobre “repost”.

      Exatamente. Acho o hyperlink uma forma muito mais eficiente de curadoria de conteúdo do que o compartilhamento automático. Quando se linka alguma coisa, em geral se introduz melhor ao conteúdo; em vez de praticamente esfregar o conteúdo na cara de quem está rolando na rede.

      Além disso, sinto que o hyperlink tende a ser um compartilhamento mais polido. Posso estar errado, mas nunca vi alguém buscar causar cyberbullying ou rage bait assim. Ao menos nas redes comuns e blogues. Fora daí, na deepweb sobretudo, isso é bem comum.

  5. Ele descreve bem a ausência dessas funcionalidades no Micro.blog. Mas discordo que não seja possível “repostar” algo. O micro.blog é alimentado com posts dos blogs das pesssoas que ali estão. Então para “repostar” algo, basta fazer um post no seu próprio blog, linkando o conteúdo desejado.

    Em tempo, porque tá tudo em itálico aqui?

    1. É um retorno à época do Twitter quando não havia RT e o retweet era manual :D

      É até interessante lembrar isso. A funcionalidade de RT nasceu de uma demanda dos usuários, que criaram um código amplamente difundido de repostar o tweet copiando manualmente o conteúdo, citando o autor original e colocando “RT” no início.

      Ou seja, havia uma vontade de repostar coisas dos outros perfis.

      O ruim no caso do micro.blog é que ele suporta protocolos de outras redes que implementam algum “repostar”, como o ActivityPub e o Bluesky. Então, seguir perfis em algumas dessas redes sociais através do micro.blog, é ver apenas o que esses perfis postam, mas não o que eles repostam.

      1. Hahah sim, de certa forma é. Mas é a forma como a plataforma funciona, ao linkar teu blog lá, se tu quer repostar algo, tu escreve no teu blog, vai aparecer no micro.blog.

        E eu concordo com as limitações na UI da timeline, acho que algumas escolhas do Manton, acabaram afastando usuários para plataformas mais amigáveis à essas funções (cof.. cof… mastodon…)

        Eu tenho meu blog hospedado lá, mas hoje em dia praticamente não acompanho a timeline mais.

        1. Durante meu experimento, gostei muito do blog q manti lá.

          Limpo, simples, podia dividir em uma página de blog, outra de fotos… não lembro se dava para ter uma específica para os microposts.

          Muito engenhosa a ideia daquela plataforma rodando sobre o Hugo.

          Gostei muito, minha única questão foi mesmo a funcionalidade de repost.

          1. Dá pra fazer isso, mas não é tão simples, porque tu teria que editar o tema, filtrando o conteúdo baseado em categorias. Eu tive algumas separações no passado, mas desisti porque ficava complexo de manter ao precisar atualizar o tema. Atualmente, só publico e pronto..

            Mas tenho vontade de ter also mais organizado tbm. Estou trabalhando na migração do meu blog em Português, talvez faça algo assim nele. 🤓

    1. É isso mesmo, Arlon. Markdown só funciona nos comentários. Vou corrigir seu post e tentar colocar um aviso no formulário de publicação do Órbita.