Bom, em teoria quase tudo você pode enfiar IA no meio. Mas supondo que alguém queira realizar uma atividade remunerada para a qual o uso de IA não é necessário, iminente, um diferencial e/ou desejável – o que essa pessoa poderia fazer?
15 comentáriosBluesky, Mastodon, Telegram e RSS
Eu sou professora e IA não afetou em absolutamente nada o meu trabalho, tanto no que se refere às exigências do mercado quanto ao trabalho em si. E mesmo os alunos usam com bem menos frequência do que se imagina (ao menos os meus).
Diarista
Construtor civil, eletricista, técnico hidráulico, gesseiro, marceneiro, paisagista…
Crochê, tricô, bordado…
Gabriel ali embaixo acho que respondeu do ponto de vista teórico.
Eu acrescentaria quase todos os profissionais de saúde (enfermeiros, agente comunitário, fisioterapeuta, dentista).
A lista talvez seja bem maior do que as dos profissionais impactados por IA.
Cabeleireiro.
Você provavelmente se refere às IAs relacionadas a modelos de linguagem e produção de imagens, vídeos, áudios, etc, certo? Nesse caso, trata-se de precarização do trabalho criativo e intelectual (ou seja: interferem diretamente em profissões “de gabinete”, “de escritório” ou “de estúdio).
Quaisquer outras atividades cujo produto do trabalho não seja propriamente “imaterial” (entre aspas, é claro, me refiro aqui a uma materialidade muito tangível, não que o trabalho intelectual/criativo não seja material) não é afetado diretamente por elas.
Exemplos: cabeleireires, mecâniques, pintores (de paredes, murais, afrescos, etc), pedreires, cozinheires, etc. Note que até agora nenhuma IA também facilitou trabalhos de limpeza e de cuidado.
Óbvio que essas IAs interferem nessas atividades e colaboram com a sua precarização, mas não de forma tão incisiva e radical com que elas interferem no trabalho de designers, redatores, ilustradores, etc. Já há relatos de cabeleireires que recebem imagens de cabelos “impossíveis” gerados por IA e os clientes exigem que seus cabelos fiquem daquela maneira.
É interessante, inclusive, perceber como depois da onda de mecanização que reduziu assustadoramente o número de empregos da indústria, a nova fronteira de precarização do trabalho no capitalismo seja não só o trabalho intelectual como sobretudo o trabalho criativo.
PS: se você for artista a IA também não vai afetar seu trabalho. Mas estou falando de artistas de verdade, não de ilustradores. O mercado de ilustração está devastado de forma violenta pelas IAs.
Ei! Ilustradores são artistas!!
Rapaz… psicólogo?
Por enquanto, não achei um uso (alguns colegas talvez discordem).
Mas e aquela história que as pessoas estão se “consultando” com IAs?? Talvez o psiquiatra seja mais difícil substituir porque tem a questão dos remédios controlados, né? (Falando do processo que não seja ilegal.)
Eu entendi a pergunta como mais voltada ao uso pelo profissional, sabe? Nesse sentido, até existem usos, mas é tudo ainda incipiente e precisa de muito estudo e validação antes de chegar na clínica.
Pensando no uso das pessoas, eu diria que não existe terapia feita por IA no momento. É como se a pessoa dissesse que faz autoterapia, que sua terapia é Deus, ou que seus terapeutas são seus amigos… Sinto que a população em geral confunde muito o “desabafo” com a análise. A IA é mais uma coisa aí, inserida nessa confusão.
Aliás, imagino que a tendência elogiosa dos chatbots costumam reforçar as ações e ideias dos usuários. Isso provavelmente vai satisfazer muitas pessoas, alimentar suas ideias prévias e lhes gerar uma forma de bem-estar por conta da aceitação. Mas isso não é psicoterapia, e esse bem-estar pode até indicar uma piora do quadro. Me deparei com a descrição de alguns casos em que isso aumentava delírios, crenças em teorias da conspiração etc. Depois, até vi isso sendo noticiado pela DW, mas não guardei a matéria.
Existe o uso, ou a tentativa de uso, de IAs para gerir espaços organizacionais, mas, de novo, isso me parece mais vigilância e mais daquelas técnicas “inovadoras” que as empresas amam, mas que não resolvem os problemas relacionais do trabalho. No fundo, tenho a impressão profunda que isso tem que ser avaliado com cuidado, porque qualquer empresa vai querer expulsar profissionais que tem por trabalho escutar as dores de seus funcionários. Bom… De todo modo, pelo menos por enquanto, o uso de IA nesses espaços me parece uma exceção muito pequena.
Flanelinha
Esse é fácil de substituir: câmera de segurança + app no celular. Aí tem “Zona Azul”…
Padeiro. Há milênios, ainda invicta.
Borracheiro.