Diz o Ghedin no e-mail de hoje: “Novo Lerama incorpora newsletters pessoais”
“O querido diretório de newsletters brasileiras do Manual do Usuário foi absorvido pelo Lerama, o (até então) diretório de blogs pessoais.
Faz sentido, não? Afinal, a linha que separa blogs pessoais de newsletters nunca esteve tão borrada.”
Acontece que eu li: “Faz sentido? Não. Afinal a linha que…”. Ué, tive que reler até perceber que eu não tinha entendido a frase. Talvez meu cérebro tenha rejeitado automaticamente a ideia.
Recentemente, vi mais de duas pessoas chamando seus substacks de blogs. O que me embrulhou o estômago. Como assim, blogs? Me aprofundando nesses substacks, entendi porque eles chamavam de blogs, porém os enxerguei como uma exceção ao comportamento geral dos usuários dessa plataforma. Até eu me ligar que posso estar muito atrasado em relação à percepção que as pessoas têm do substack, pois há algum tempo eu escolhi simplesmente parar de acompanhar autores que publicam no substack (com algumas exceções).
Mais do que atrasado em relação à percepção que as pessoas têm do substack, comecei a pensar se eu não estou sendo reacionário e saudosista, sendo um chato que não aceita a mudança no tempo.
Até então, para mim a linha que separava blogs de newsletters era clara. Talvez as principais diferenças (além do envio por e-mail) fossem os formatos seguirem repetições, contarem com seções duradouras, edições com muitas similaridades e, especialmente, a lógica orientada a performance, evolução e engajamento da audiência. Um blog, por mais que o autor queira ser lido, não necessariamente é publicado seguindo a mesma lógica. Nem todo blog é um produto, mas toda newsletter é: com métricas, funis de conversão, calls to action…
Mas agora estou repensando isso.
Para você, qual a linha que separa blogs pessoais de newsletters? Essa linha está tão borrada assim?
Embora eu esteja desconfiado em relação a nova versão do Lerama, fico curioso para saber se vai mudar algo no consumo desses conteúdos. Minha primeira impressão é que quem publica newsletter, especialmente substack, não se importará muito com a nova versão do Lerama e não fará questão de ler o feed da plataforma.
13 comentários
não há essa linha.
Acho que é a mesma diferença entre um caranguejo e um guaiamum: são até parecidos, mas com diferenças fundamentais. A “cor” (personalização), a experiência, a visibilidade que um tem em relação ao outro.
Quem tem newsletter procura engajamento, planeja postagens, se preocupa com métricas e alcance e o *produto* final que ela está tentando vender — uma assinatura pra mais leituras, uma persona de renome, um serviço, um produto.
Um blog tem pouco ou nada disso.
Apesar de as duas terem feeds rss (sim, inclusive o infame substack), só um deles “faz questão” que vc leia no link original. O próprio princípio da newsletter é esse: leia no seu email, via celular ou desktop ou tamagotchi, mas leia. Já o blog quer que a leitura venha junto com a experiência do link, seja o layout minimalista ou não.
Enfim, tá tarde e tô com sono, mas se alguém apontar pro meu blog e dizer “olha, uma newsletter”, a pessoa tá lelé da cuca.
Na prática, pra mim, newsletter como as do substack não tem como ser blog. Eu vi uma chamada no lerama, abri e não pude ler pq era substack e precisava estar inscrito ou abrir com o APP. Não tenho o APP, e não quero me inscrever.
Minha ideia é que blog é aberto. Seria melhor ainda se o lerama indicasse o que é blog, newsletter, substack.
Estamos cogitando implementar uma regra no Lerama para não veicular posts trancados para assinantes. Bater em um desses é uma experiência ruim mesmo.
Otima ideia! Colocamos no ar mais cedo e iremos acompanhar se o filtro deu bom! ;)
Acho que talvez você tenha tido mais dificuldade por ter acessado pelo seu celular, que aí fica aparecendo aqueles banners pedindo para baixar o app. Fora isso, em geral os posts de newsletters do substack são abertos e não exigem inscrição nem login nem nada. É só acessar o link, como em qualquer site ou blog. O que acontece é que, assim como existe paywall em sites de notícias, alguns posts podem estar “trancados” para assinantes.
é que aparece um popup chato com botão minúsculo para “continuar lendo”
Pra mim, nunca teve muita diferença. Outros blogs que tive há muito tempo também eram newsletters (com aquele recurso do FeedBurner de mandar os posts por email). Ou seja, pra mim newsletter é um post de blog por email.
Exatamente o que penso também!
Concordo! Há muitos anos que encaro as newsletters que assino como blogs. Inclusive quem não gosta de muito e-mail na caixa de entrada pode adicionar newsletters no seu leitor de feeds (inclusive do Substack). Acho que a maior diferença está entre e-mail marketing e newsletters pessoais.
Concordo também. Inclusive, apesar de não usar mais, já usei o serviço kill the newsletter, para transformar a newsletter em um rss feed e assinar via agregador de feeds.
Quando o Ghedin lançou essa notícia na newsletter para os assinantes respondi com o texto abaixo, que em algum momento iria, agora nao sei mais pro meu blog. E acho que estou caminhando ao seu lado no pensamento.
Segue o texto;
Estava lendo o Diário de Bordo, uma das newsletteres lá do MdU Manual do Usuário, e me deparei com a ideia do Ghedin de unificar o diretório de newsletteres com o Lerama, o diretório de blogs do Manual.
Eu entendi a ideia, mas não sei se concordo. Apesar de hoje em dia muitas newsletteres serem blogs por email, eu acho que a pegada tem uma leve diferença. Não à toa o Manual tem o blog e a(s) newsletter(es)… Pessoas que montam uma newsletter podem ou não ter um blog, quem monta seu blog pode ou não montar uma newsletter.
No final, vejo os blogs como mais passivos, você vai até ele para o ler. Claro, existe o feed que te entrega, mas de qualquer forma ele parece ter uma camada diferente. O blog está num local que você construiu para aquilo, deu a sua cara. Sabendo ou não mexer no HTML ou no CSS você deixou ele como você gosta.
A newsletter tem uma pegada diferente. O email pode ser configurado para apresentar diferenças visuais, mas no final é um email, e você está lá, na sua caixa de entrada. E o texto chega até você. Existem serviços que dão a newsletteres cara de blog, mas aí você pode segui-la como um blog.
E bem, blogs pessoais costumam ser abertos, gratuitos. Newsletteres estão inseridas num sistema que hoje quase implora para que você ofereça exclusividades e gere uma assinatura para o serviço que te hospeda, ele te incentiva a isso.
Às vezes você nem espera que seu blog seja lido, você pode fazer para ter seu espaço de escrita e pode ser que alguém o leia, você pode divulgar ele, mas não é certeza de que realmente chegará em alguém. A newsletter ela existe com o objetivo de ser enviada, você espera que a assinem, a leiam; até mesmo que a respondam.
Tá perto, mas não sei se é o que se busca ao (re)fortalecer os blogs tão presentes quando a internet era mais a web.
Sei lá, posso estar errado.
Concordo com você, principalmente nessa parte aqui:
“O blog está num local que você construiu para aquilo, deu a sua cara. Sabendo ou não mexer no HTML ou no CSS você deixou ele como você gosta.”
Para mim, o Blog é o seu Castelo Construído em seu Pŕoprio Reino.