faço aqui um complemento ao tópico sobre uma suposta supervalorização da leitura
para não poluir aquele tópico com assuntos muito desviantes, trago pra cá esse comentário que fiz à época da indicação de Maurício de Souza para uma vaga na ABL
à época se argumentou que quadrinhos não era literatura (e, de fato, não é, embora tenha dimensão literária) e uma parte do debate envolvia, mesmo que de forma não deliberada, o estabelecimento de uma espécie de hierarquia de valor entre a palavra e a imagem
queria aqui retomar justamente esta discussão: a de que a supervalorização da linguagem verbal em nossa sociedade letrada leva justamente a uma diminuição da capacidade das pessoas em lidar adequadamente com o universo da imagem
o resultado é essa ânsia das pessoas em quererem descobrir o significado (em palavras) de imagens não literais (pinturas abstratas, filmes não convencionais, obras com nuances diversas, etc)
o que acham?
5 comentários
Bakhtin e outros teóricos discordam. Enfim.
discordam justamente porque pouco entendem do mundo da imagem e ainda estão presos nos limites da palavra
bakhtin é fundamental, mas nesse ponto apenas colabora com o logocentrismo
Eu realmente não vou me engajar nessa discussão, principalmente depois do que você disse sob Bakhtin (recomendo Cristóvão Tezza). Mas acredito que, se você acusa teóricos da linguagem de “pouco entenderem do mundo da imagem e ainda estarem presos nos (sic) limites da palavra”, você também pouco entende do mundo da linguagem para acreditar que uma não leva à outra e que não estão ambas – palavra e imagem – indissociável e intrinsecamente ligadas.
agora quem discordaria completamente seria flusser
e eu não acusei teórico da linguagem nenhum
(e como eu disse, preciso de tempo para elaborar, mas aquele seu comentário sobre a relação entre cinema e palavra é extremamente preconceituoso e logocêntrico — e definitivamente indicador de alguém que só consegue olhar para o texto escrito sem reconhecer a potência autônoma da imagem)