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“Posts sobre política e religião devem ser evitados”: O que você acha?

Uma galera envolvida com IndieWeb lançou uma instância paga de Mastodon “deliberadamente pequena”, a 500.social. (Como o nome sugere, ela é limitada a 500 pessoas.)

Nas regras de convivência, consta esta:

Posts sobre política e religião devem ser evitados; Se você quiser muito postar sobre esses tópicos, coloque-os atrás de um Content Warning.

Isso gerou reações (aqui, aqui e aqui).

O objetivo do Kev, criador/mantenedor da instância, é manter a atmosfera agradável. Que é uma finalidade compreensível e desejável, no mínimo.

O que vocês acham dessa regra? E, talvez o mais importante: acham que ela é aplicável ao formato de rede/plataforma social?

30 comentários

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  1. Eu sinto uma vibe de conformidade quando vejo esse tipo de coisa. Não é necessário falar de política o tempo todo, mas negar o assunto me apresenta uma conformidade anti revolucionária, e anti revolucionária é de direita 😁
    Colocada a red flag!

  2. Eu entendo a atitude do Kev, porém discordo da forma, pois a causa uma sensação de censura prévia apesar de não proibir absolutamente, combinada com a etiqueta passa uma impressão negativa sobre ambos os assuntos. Seria algo como a expressão “o elefante branco na sala”.
    Nós sabemos que conversas baseada em crenças religiosas ou ideologias políticas se tornam acaloradas porque as pessoas envolvidas querer demonstrar ao outro que “estão certas” ou do lado “correto/justo”.
    A liberdade de expressão é um direito universal, contudo a moderação sobre os excessos desta liberdade é um dever essencial para a manutenção dela. A liberdade de expressão irrestrita é tão tóxica quanto a censura. Não podemos esquecer que somos responsáveis pelo que fazemos ou deixamos de fazer quando deveríamos ter feito.

    Obs: Em tempos, fiquei chateado com o post polêmico(?) algumas semanas atrás que estavam bloqueados novos comentários. Eu queria escrever a minha opinião que divergia dos dois times de gladiadores morais.

    1. Também acho que é por aí, Paulo.

      A respeito da sua observação, tenho optado por trancar posts em que a conversa se desvirtua muito do assunto original e/ou já são mais antigos. Em outros casos, excluo os comentários dos brigões e dou um toque neles no privado. Às vezes um assunto sai de controle e sinto que se torna uma causa perdida.

  3. Igual alguns subreddits, o problema que vem com essa regra é sempre o que os moderadores consideram política. Tem subs que simplesmente viraram um lixão de extrema direita pq os moderadores que chegaram ao poder consideravam certas coisas políticas e outras coisas políticas eram desconsideradas. Assim como tem subs que a regra consegue manter fora uns nóia. Tem sub que não se fala de política no geral, mas quando é sobre o assunto do sub pode. Tipo o sub de vfx, lá não tem post de política crua, tipo como o s trabalhadores são explorados e os meios de produção e a eleição de sei lá o que e mais um monte de coisas, mas tem esse tipo de conversas sobre o próprio bem estar dos trabalhadores, os sindicatos, greves e tudo o mais.
    Ainda no sub de vfx acredito que tem gente lá de tudo que é espectro, alguns que sabem que aquilo tá sendo falado é política de classes bem na cara e outros que acham que não, que é só negociação ou até outros que não gostam e acham tudo errado e até mesmo os ext dir da pior estirpe. Mas no geral isso tende a ser deixado de lado pra focar a conversa.
    Agora, sem um tema não sei como isso pode funcionar bem, vai, provavelmente, atrair um tipo de pessoa bem específica.

  4. As pessoas conseguem ser desagradáveis na internet discutindo qualquer coisa, desde marca de celular, sistema operacional e até filme de super herói. Limitar o assunto não me parece uma solução. Prefiro indicar o que é uma postura inadequada num debate do que um assunto inadequado.

  5. eu nem ia gostar de debater sobre religião e política só é puro briga e atrito por esse motivo religião e política são evitados para isso pois são debates sem fim, vira uma briga tóxica sem fim eu sou a favor de essa regra de post sobre política que a religião e política devem ser evitados que é mais correto a fim de manter paz com outros assuntos mais tranquilos para conversar e debater.

  6. Eu não iria gostar de uma instância assim, mas entendo a proposta, mesmo porque às vezes me canso dos atritos causados por essas discussões.

  7. Não existe neutralidade em interações humanas. Então impedir conversas sobre isso é tomar partido das políticas e religiões dominantes no momento.

    Se alguém não tem maturidade pra conversar sobre esses assuntos, que a pessoa imatura que seja banida.

    1. A pergunta que se faz é “o que seria ‘maturidade'”? Porque mesmo as pessoas que se dizem mais maduras no assunto, seja um cientista social, jornalista, um teólogo ou estudioso, seja de religião ou política, muitas vezes acabam entrando em alguma discussão besta quando posto em conflito de ideias. O período entre 2013 até hoje gerou muitos destes problemas.

      Detalhe que notei que por aqui quem comentou nem falou direito de religião – que querendo ou não pode caber dentro de política também, pois quando falamos de conceitos religiosos, hoje temos um bom número de diferentes ramos (espiritas, candomblé, penteconstais e ramificações, católicos e ramificações) e da necessidade de todos se entenderem e atenderem as necessidades .

      E uma coisa que a gente nem acaba misturando mas deveria – há gente de religião que dita muito sobre política também. Lembrando que hoje temos “bancada evangélica” na câmara e em propaganda política, há sempre um esforço de por um candidato como defensor de uma causa “cristã” (que é um conceito colocado como comum para alguns).

      E se a gente observar como o debate político no Brasil foi pautado infelizmente por um grupo que vivia se dizendo “defensor do debate”, mas escorregava e depois faziam de tudo para irritar a quem eles queriam debater, é difícil pedir “maturidade”. Somado também a grupos midiáticos que desde sempre dominaram a atenção de grande parte da população devido a capilaridade das mídias que eles tinham – rádios, televisões e jornais impressos.

      Após este desabafo, só pondo a real: concodo com sua ideia, mas na prática é bem difícil de por se não há uma moderação ativa e que tenha a capacidade de mediar conversas e evitar conflitos. O perigo maior é quando o debate de um assunto na cadeia de conversas seja de religião e/ou política acaba virando um amontoado de preconceitos revestidos em piadas e comentários negativos. O Reddit – tão citado por muitos aqui – noto que há muito disso.

  8. É uma proposta bem exclusiva.
    E na boa, quanto mais se pede pra parar de falar um tópico, mais as pessoas querem falar.

    Seria mais fácil aceitar todas as religiões e opinião políticas e praticar o uso de linguagem não apologética, não supondo que todos tenham ou devam ter uma religião, ou opinião política.

  9. Isso já acontece no Reddit, não? Melhor dizendo, o Reddit é dividido em centenas de subcanais ou foruns temáticos e cada canal tem suas regras de convivência referente ao seu tema. Ou seja, é proibido falar de “maçãs” em um subcanal do Reddit de “laranjas”.
    Acho que as reações à regra de evitar posts sobre política e religião da instância do Mastodon citada, pegou mais porque a instância é muito genérica e muito nova, ou seja, ainda não tem um público alvo bem definido.
    Para finalizar, concordo com o Paulo GPD, eu desisti do Mastodon. Essa rede social virou um woodstock de um povo pregando paz e amor à qualquer custo em meio ao caos.

  10. sou radicalmente contra (e olhe que a única rede social que uso atualmente é o linkedisney).

    o filtro tem que partir do indivíduo sempre, já gostei muito de treta, principalmente na era de ouro do orkut, hoje dependendo do que se fala, eu simplesmente cago, tipo discutir com terraplanista, ignoro e sigo minha vida, mas não quero que o terraplanista seja impedido de falar as merdas dele, enfim.

    o mundo é uma constante tempestade de bosta, se isolar em safe space não vai ajudar em nada :)

  11. O Mastodon é ruim de usar exatamente por conta disso.
    Eu tentei, juro, porque queria estar engajado em uma rede social livre de Big Techs, mas é MUITO complicado interagir nas instâncias, mesmo que a promessa seja outra. Eu entrei na Ursal e eles não falavam com várias instâncias. Entrei na oficial do Mastodon, e acabou sendo uma salada louca demais pra mim. Tentei algumas instâncias menores, mas todas acabem tendo o problema de que, caso ocorra alguma coisa (mesmo que pequena) a instância é silenciada e te obriga a ter uma conta em outro lugar.

    Muito atrito pra mim (e pra maioria das pessoas).

  12. Acho a proposta legal, invariavelmente vão ter pessoas cansadas da lógica de discussão de redes sociais, pelo formato ser no fediverso é adequado, ruim seria se fosse feito como nas redes da meta onde você não tem escolha de instâncoas para conversar sobre o que te interessa

  13. Deus me livre um ambiente on-line que proíbe a política. Passo longe!

  14. Rede social quando é nichada ou possui tópicos há discussão acaba sendo mais saudável. “Canais de política ou religão”. A bronca é quando é um Deus nos acuda todo mundo falando pra todo mundo acaba virando uma Cracolândia. Só ver o que acontece no twitter ou instagram. Se lembrar da época do orkut ou redit que as pessoas falavam assuntos específicos e canais específicos pra isso a coisa fluía melhor. Eram assuntos e interesses em comuns.

  15. Terrível. Contudo, entendo o apelo.
    O convívio social na internet é (tirando algumas exceções) insalubre.
    Enquanto não forem regularizadas, as redes sociais estão sujeitas às próprias regras.
    Limitar certos assuntos talvez seja necessário em alguns casos.

  16. Em última análise, ninguém convence o lado oposto. Discussão sobre política e religião acaba invariavelmente sendo perda de tempo.

  17. Fé e política institucional são assuntos belicosos, que despertam paixões. Eu acho que é um pedido honesto e claro que está nas regras de convivência.

    Eu sugiro que sejam mantidos em locais onde todos estejam de acordo com as regras, de que lá pode falar disso. Nem que se crie uma instância do Mastodon separada para isso – sim, é algo nada desejável, mas não vejo muita maneira de fugir disso.

  18. Uai, não achei nada demais, parece um pedido razoável dentro da proposta da instância. Sendo no mastodon, inclusive, um mesmo usuário poderia ter conta em outra instância com menos regras e participar de outras discussões por lá.
    Não sei, me lembrou regras simples de convivência em grupos de WhatsApp do condomínio ou da faculdade, por exemplo.

  19. Eu tava me lembrando quando tentei participar de comunidades no Mastodon. E esse acaba sendo o pior problema do sistema do “fediverso” – apesar da teórica possibilidade de abraçar qualquer tecnologia compatível, o que vai mais limitar mesmo é a própria comunidade e/ou local onde está e as restrições. Tinham grupos no início da segunda onda de migração para o Mastodon que tinham também a regra de discutir política (e alguns outros assuntos) com Aviso de Conteúdo.

    Basta ver que algumas comunidades surgem após brigas dos membros entre si, nisso eles geram outro grupo dentro do fediverso. Ou então a opção de terem “instâncias próprias” para publicação. Permite a interação em qualquer fediverso que abrir a porta, mas ao mesmo tempo gera o risco de que se duas ou mais comunidades implicarem, marcam a instância onde eles de forma negativa.

    Quanto a discussão política, penso assim: dado que tudo é política, não discutir política é não discutir nada. Se estamos discutindo por exemplo sobre tecnologia, é uma ação política tal discussão pois com a troca de ideias expostas, alguém com poder seja financeiro ou político pode pegar estas ideias e executar ou aprimora-las.

    A política institucional é um pouco mais complicada pois de fato infelizmente virou uma espécie de “clubismo”. Por mais que partidos representem teoricamente os desejos de uma população, na prática é notório que isso é só uma capa e o que ocorre mais é a permanência de pessoas que se sentem como se fossem necessários ao poder público para atuar em nome da população.

    No fundo, também é uma visão popular que a política institucional é uma burocracia problemática, e muitos preferem apenas só votarem ou exporem seus votos (quando adesivam seus automóveis por exemplo).

    Não vejo errado discutir políticas, no entanto o ideal é tentar evitar o “clubismo”, algo que infelizmente as redes sociais ampliaram com seu advento. Disputas políticas deveriam ser mais discussões de ideias ao invés de “seu partido é mais corrupto que o meu”. Só notar que parte das discussões sobre isso geralmente é:

    Alguém fala sobre a atitude política positiva de um político.
    Algumas das respostas reagem negativamente trazendo algum fato notíciado sobre alguma coisa negativa daquele político.
    Nisso começa uma guerra nas respostas, com direitos a ofensas e tudo mais.
    (E não nego que já fiz parte disso).

  20. Política e religião são assuntos públicos. É possível e necessário conversar sobre. Não podemos regredir nisso. Os limites devem ser outros, como a questão do ódio, notícias falsas, o vale tudo, a raiva como engajamento, etc. Inclusive se não pensarmos sobre isso, os que se manifestam assim dominam o espaço público, afinal tudo é político, até a negação do estado atual das coisas.

  21. Eu fiz um post sobre isso há pouco!

    Não consigo me imaginar participando de uma comunidade online onde tenham restrições sobre o que eu posso falar (além das obvias que já são restritas / proibidas, claro).

    Acho muito massa esses espaços online, pequenos, de nicho, participo de dois. Não curto política, principalmente a americana… Mas nem por isso, não quero que as pessoas escrevam sobre isso, eu posso não seguir alguém, silenciar certas palavras ou simplesmente passar para o próximo posto quando é algo que não me interessa.

  22. Dá pra abrir uma rede só pra religião e política também.

    Varia conforme a intenção dos criadores etc.

  23. Acompanho grupos de discussão desde os anos 90. Nunca deu bom. Por mais bem intencionado que seja.

    Confiar no bom senso das pessoas, funciona até certo ponto.

    Voltando ao ponto, definir regras de conduta e assuntos do que não se conversa no espaço ajuda a manter o espaço sanitizado.

    1. Concordo, mas vejo instancias do mastodon de forma diferente dos antigos fóruns online. eu participava de vários fóruns, tinha N contas, etc.. mas não vejo o mesmo acontecendo no mastodon, não acho que seja comum tu ter uma conta em instancia X pra discutir tal coisa, enquanto mantém outra conta em outra instancia, focava em outro tópico..

      1. Pode ser evidência anedótica, mas eu vejo que a galera que migrou pro Mastodon são principalmente pessoas que ficaram de saco cheio de ambientes tóxicos e tem uma abordagem mais “leve” na convivência online.

  24. É um posicionamento complicado, ainda que seja compreensível. A grande questão é: o que seria definido como posts sobre política? Um post sobre partidos políticos e seus candidatos? Ou posts sobre questões sociais de maneira mais geral também entrariam nessa regra? Se a regra estiver mirando apenas o meu primeiro ponto, ótimo. Se estiver mirando todo e qualquer post sobre política, aí as coisas podem ficar bem complicadas. Pode acabar criando um espaço extremamente descolado da realidade, deixando grande parte das discussões e interações um pouco artificiais. Enfim, eu entendo completamente o posicionamento. E atualmente as pessoas estão tão agressivas nas redes sociais que é até bem desejável o bloqueio desses temas. Mas é preciso cautela para não criar um espaço na internet que só exista para discussões e comentários fúteis. Ou então que se assuma como um espaço que só abrirá espaço para essas discussões e aí fica a critério das pessoas que entrarão lá. Difícil encontrar uma resposta para uma questão tão complexa como essa. :/