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Por que tendemos a achar que relacionamento bom é o que dura?

Quando pessoas completam dezenas de anos de casamento, costumam ser parabenizadas. Há as tais bodas disso e daquilo, com escala supostamente progressiva. No entanto, uma questão se impõe: mas e daí? O que isso significa? Uma métrica arbitrária para gamificar as relações? O que o tempo de duração por si só diz sobre algo?

Ora, quando escutamos uma música e ela acaba depois de, digamos, cinco minutos, isso significa que ela se tornou ruim somente porque terminou? Pois há músicas com mais de cinco minutos? O mesmo se aplica a filmes, livros, comidas, viagens e até encontros com amigos.

Aceitamos que o tempo de duração dessas coisas costuma ser curto e bem delimitado, mas nem por isso julgamos essas experiências menos valiosas. Então por que quando se trata de relacionamentos, especialmente os românticos, pensamos diferente?

33 comentários

33 comentários

  1. Soneto de Fidelidade

    De tudo, ao meu amor serei atento
    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento.

    Quero vivê-lo em cada vão momento
    E em louvor hei de espalhar meu canto
    E rir meu riso e derramar meu pranto
    Ao seu pesar ou seu contentamento.

    E assim, quando mais tarde me procure
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama

    Eu possa me dizer do amor (que tive):
    Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure.

  2. Boa tarde, @fulalas! Pergunta interessante!

    Vejo dois pontos nela:

    O desejo de um relacionamento durar; e
    O que consideramos um bom relacionamento.

    Não quero que uma música dure (em minutos) pra sempre.
    Mas quero que o sentimento que algumas músicas me trazem dure.

    Eu desejo, sim, estar muito tempo (pra sempre) com a minha pessoa.
    Mas não pela duração em si — e sim, pelo que ela me faz sentir, viver, aprender…

    E aí, a data da duração é só uma forma (ou desculpa) pra celebrar:
    Foda-se quantos dias, meses ou anos estamos fazendo…
    Vamos sair e comer alguma coisa gostosa? rs (Te amo, Thayná!)

    Agora…
    Estar com alguém por bastante tempo é um indicador de um bom relacionamento?

    Acredito que — isoladamente —, não.
    Assim como talvez nenhuma métrica isolada seja um bom termômetro de saúde!

    Por isso, discordo da declaração da sua pergunta no começo do post:

    “Por que tendemos a achar que relacionamento bom é o que dura?”
    Bom, eu pelo menos não tendo a achar isso.

    Talvez uma outra boa pergunta fosse:
    “Por que comemoramos relacionamentos longos?”

    E aí poderiam vir pessoas da antropologia, história, política, nos explicar…

    Abraços!

    1. Relendo meu comentário, vim trazer uns complementos:

      Esses sentimentos podem (e provavelmente vão) mudar; mas desejo é desejo, né… hahaha
      A data de duração também acaba servindo (ao menos por aqui) pra refletir: por que gosto tanto de estar com você? O que ainda posso melhorar? O que queremos fazer e precisamos nos planejar?
      Por aqui, as datas são lembretes. Muitas vezes, o mais importante é não deixar passar do que celebrar no dia exato, sabe? Principalmente em datas comerciais que custam mais caro e os locais estão sempre lotados hahaha

  3. Caramba, acho que preciso de uma semana inteira pra responder adequadamente… essa é uma questão que tenho encarado, nem sempre com boas notícias. Já gastei muitas horas de terapia com isso.

    Lado do copo meio cheio: ninguém deveria querer comemorar, celebrar ou lembrar algum evento ruim num relacionamento. Logo, espera-se que aquele que está celebrando algo em determinado dia esteja minimamente feliz com os outros 364 dias (ou 10 anos, ou 11, ou 50) do que construiu. Isso vale para qualquer relacionamento, desde o trabalho, dia dos pais/mães/avós, vícios, aniversário e relacionamentos afetivos. Não vejo comemorações de “10 anos que eu terminei com aquela pessoa chata”, “5 anos que saí daquele emprego ruim”, “apaguei o contato daquela mala tem 4 meses”. As pessoas comemoram um ciclo pq querem ver (ou mostrar) que saíram de uma situação para outra melhor.

    Lado do copo meio vazio: infelizmente os apelos comercial e social são muito fortes, acabam passando batido: “tem que comemorar o dia”, “tem que ser no dia”, “cadê a festa?”, “tomou uma cerveja?”, como se houvesse uma fórmula predefinida para a celebração. “Passei o dia dormindo” não parece suficientemente feliz; “Comemorei meu aniversário 6 meses depois” traz narizes tortos, etc.

    No meio dos dois há a celebração, a contemplação e a gratidão (não sou gratiluz), que, somadas, podem dar uma sensação de felicidade nada irrelevante; pode vir num dia “redondo” ou num lampejo qualquer.

    Do outro lado desse meio (sic) há um ingrediente perigosíssimo, e que precisa ser manipulado (ou esquecido) com muito cuidado: o apego. Algumas pessoas são tão apegadas às datas que ignoram a felicidade nos outros 364 dias; na outra ponta, outras são tão desapegadas que se esquecem de serem minimamente gratas.

  4. Eu tive um relacionamento há um tempo atrás que durou cerca de um ano. Foi muito intenso, muito aprendizado para os dois, tivemos um amor genuíno, moramos juntos, etc.
    Depois que acabou muita gente vinha me falar: “que pena que não deu certo”. Uma amiga em um momento corrigiu isso, e eu achei que fez muito sentido: não é que não deu certo, deu muito certo sim, enquanto durou.

    1. Pronto, é isso! Você entendeu o meu ponto todo!

      Inclusive, digo mais (não sei se concorda), mas a relação de vocês poderia ter durado menos ou mais, e o valor que agregou na vida de vocês poderia ter sido o mesmo independentemente, né? :)

  5. Eu acho que você está essencialmente confundindo 2 coisas:

    1 – existem relacionamentos que são uma experiência de fruição – esses são rápidos e fugazes, tem começo meio e fim, assim como uma música, um filme, um livro.

    2 – existem relacionamentos que estruturam a sociedade: nossas famílias (a que nascemos e a que vamos formar com parceiros ou parceiras), nossos amigos de longa data. Esses relacionamentos são estruturas que não possuem “data de validade”, não são feitas para terem um fim, embora cedo ou tarde serão rompidas – de forma muito mais traumática e dramática – seja por um desentendimento profundo que causa mágoas, seja pela morte de alguém, pois nada é eterno.

    Isso confunde pois existe sexo e “amor” em ambos, mas de natureza bem diferente.
    É a diferença entre “ficar” e “casar”. São objetivos diferentes.

  6. Distanciando-se o bastante, qualquer atividade humana diferente de comer e se reproduzir parece sem sentido :)

  7. Não acho que tenha ligação com gamificar relações. Comemoramos o que é bom de se comemorar. Assim como aniversários só fazem sentido quando estamos bem e temos motivos para comemorar mais um ano neste mundo.

    Existem também relações fugazes que são ótimas, mas duram semanas, meses, ou um par de anos, e que cada um resolve seguir um caminho diferente. Não é demérito, mas existe sim uma valorização, um desejo da sociedade que um relacionamento perdure. E acho que esse desejo de que o relacionamento perdure tem ligação com alcançarmos uma estabilidade no final da vida.

    É verdade que longas relações não são necessariamente boas, há muita gente que vive em relações abusivas, ou que só vive, por comodismo. Nestes casos não faz sentido comemorar.

    Mas existem relações que dão certo e que o casal se dá mais que bem, que há sinergia, em que um realmente completa o outro, e cede algumas de suas vontades de bom grado. Essas relações quando se mantém em equilíbrio, não se desgastam, não tem data de validade. Principalmente para pessoas que conseguem atravessar idades mais avançadas. Nestes casos faz muito sentido comemorar, ainda mais se essa união gerou filhos, netos e com sorte bisnetos e tataranetos, aí é comemoração para a família toda por existir fruto de um grande amor. Não é para todo mundo, mas também não é tão difícil assim.

    Isso existe e digo por experiência própria, tanto por vivenciar pessoalmente (15 anos) como por ter uma família assim – meus pais viveram 40 anos muito bem juntos, até a morte de minha mãe no início deste ano. E foi nestes momentos finais da minha mãe que me ficou bem claro o quanto precisamos uns dos outros, e a importância de ter uma estabilidade na vida.

    Sei que existem outras formas de organização social que não dependem de famílias nucleares, mas é basicamente a norma em nossa sociedade, por isso não é a toa que relacionamentos longevos são tão valorizados.

  8. Esses dias eu tava vendo sobre símbolos e como eles têm poderes pra gente… (assim como rituais). Então acho que comemorar a longevidade entra nisso, uma celebração. Acho que é anual pq é como celebramos aniversários (tanto é q esses merversário geralmente é coisa de gente q tá em começo de namoro).
    Acho que tem esse foco em duas pessoas e vários nomes comemorativos devido ao peso que o casamento monogâmico e heterossexual tem na sociedade (a família nuclear etc).
    Mas assim, concordo q estar com alguém há muito tempo seja sinônimo de felicidade. Antigamente pra mim era unanimidade ver casal de idoso e pensar que era fofo, até começar a pensar em toda essa dinâmica da sociedade… como muitas vezes podem ter só aguentado por motivos de fora do relacionamento como pressão da sociedade, papéis e afins.
    Acho que apesar dessa coisa do poder das histórias da humanidade, ainda acaba sendo bem subjetivo e com peso que varia de pessoa pra pessoa… então comemorar uma brevidade de um relacionamento que dura uma música tb faz sentido, são situações diferentes que não se anulam.
    Pra finalizar e complementar, acho q quando se conta por relacionamento que “dá certo” só quando ele dura, aí a gente pode reconsiderar essa visão de “fracasso” e mesmo isso de “dar certo”

  9. Eu concordo que a comparação não faz muito sentido, mas acho que entendi seu ponto. A principal questão é atrelar duração com qualidade, né, o que tá longe de ser uma garantia. Inúmeros relacionamentos infelizes de décadas, amizades antigas que se mostram péssimas em momentos críticos, etc. Além do engano de pensar que se conhece alguém de verdade pela mera convivência.

  10. Tem gente que comemora quando um cara chuta uma bola dentro de uma rede, outros comemoram quando seus filhos entram em uma universidade para se tornarem mais uma engrenagem no capitalismo, porque seria estranho eu comemorar que minha esposa vive comigo a 20 anos, apesar de todas as minhas neuras e defeitos?

    1. cara, se tirarmos os significados de tudo o que fazemos, não há sentido na vida… quanta amargura.

  11. Comparar produtos finitos, como músicas e livros, com algo sem um tempo certo de existência não possui qualquer sentido lógico.
    Relações pessoais longas são comemoradas por N motivos, mas o principal é a complexidade humana, seja em amizades, relações familiares e conjugais, até mesmo em relações de trabalho. O fato de você pensar só no quesito da relação do casamento e excluir outras acaba sendo engraçado.

    1. É também engraçado que você não perceba que o ‘tempo certo’ dos ‘produtos’ listados é algo tão arbitrário quanto o tempo desejado (e efetivo!) de uma relação amorosa. Uma sucessão de convenções sociais que se estabeleceram de tal forma que a gente tem dificuldade de questionar — eis a minha provocação com este tópico.

  12. Sem querer ofender, mas sinto um certo despeito na sua postagem, com uma pitada de inveja.
    Não fique assim, relacionamento longos muitas vezes continuam por puro comodismo, por medo da solidão. Por preguiça pura e simples. As vezes há alegria e as vezes ressentimento.
    Nem sempre um relacionamento longo é bom, mas ninguém vai sair por aí dizendo que seu relacionamento é ruim. Se é ruim sai fora, mas aí entra o que citei acima. E segue o jogo, cada um precisa encontrar seu caminho.

    1. Sem querer ofender, mas sinto um certo despeito na sua postagem, com uma pitada de inveja.

      Não me ofendeu, mas o que você disse sobre mim não tem cabimento. Estamos discutindo uma questão filosófico-social, e não as minhas idiossincrasias pessoais, não é mesmo? :)

      relacionamento longos muitas vezes continuam por puro comodismo, por medo da solidão. Por preguiça pura e simples.

      Sim, exatamente! Nesses casos, estar mais tempo juntos não implica necessariamente que o balanço seja positivo. E o mesmo no sentido contrário, ou seja, um relacionamento curto pode ter implicâncias maravilhosas na vida de um casal.

      Então o meu ponto, se ainda não ficou claro, não é condenar relacionamentos longos, e sim questionar por que eles necessariamente deveriam significar sucesso.

      1. “… não é condenar relacionamentos longos, e sim questionar por que eles necessariamente deveriam significar sucesso”

        Desde que desenvolvemos polegares opositores, o que mais fazemos é pegar porretes para matar nossos irmãos.
        Relacionamento longos, de qualquer tipo, não são apenas sucesso, mas uma vitória contra nossa natureza violenta e animalesca.

        1. Estamos de acordo que violência não é o caminho. Mas você não acha que essa sua abordagem foi meio maniqueísta?

          Ora, existe uma gama realmente imensa de sentimentos e relacionamentos entre violência animalesca e amor romântico para toda a vida. Até porque relacionamento romântico costuma implicar ou monogamia ou um número limitado/factível de parceiros(as), o que exclui a grande maioria das pessoas do nosso círculo social que, claro, não usamos porretes para violentá-los.

          Em outras palavras, terminar uma relação romântica não implica que vamos maltratar o outro. E não termos tido nunca uma relação amorosa com alguém tampouco implica violência.

    1. pois é. eu ia comentar mas deixa pra lá. esse foi o post mais nonsense em anos.

    2. É uma questão de entender que as experiências humanas possuem um tempo limitado, normalmente bem mais curto que a própria vida do indivíduo, e nem por isso essas experiências deixam de ser positivas e importantes.

      Um relacionamento amoroso é uma experiência; potencialmente incrível, claro, mas ainda assim uma experiência. No entanto, quando se trata disso, nossas mentes parecem rejeitar o eventual fim dessa experiência, como se isso implicasse necessariamente uma experiência negativa.

      Quantas vezes já escutamos alguém terminar uma relação alegando que ela ‘não deu certo’? Para essas pessoas, o ‘dar certo’ implica não ter um término, implica que uma relação ‘para valer’ tem que durar até o fim de nossas vidas. Como se aquele período em que a relação aconteceu tivesse pouco ou nenhum valor somente porque eventualmente teve um fim. Novamente, o tipo de expectativa que não temos com relação às demais experiências em nossas vidas.

      Então não sei se entendo quando diz que a comparação com músicas e livros (e demais coisas) não faz sentido, ou como disse a outra pessoa aí ‘o post mais nonsense em anos’.

      1. Nada a ver a comparação com música e livros por que esses são produtos vendidos em variados formatos devido ao seu comércio e uso.
        Hoje, com o advento do fim das mídias físicas, já não teríamos o limite físico para a quantidade de musica em um álbum… Mesmo assim ainda lançam muitos EPs, com poucas faixas, pois o mercado mudou. O artista agora precisa usar a internet como vitrine para seu show.

        Mas entendo o que você quis dizer com relacionamento duradouro.

  13. relacionamento bom é aquele que dura. porque intensidade qualquer um tem, mas consistência só os fortes sustentam. emoção passageira é fácil, difícil é atravessar anos, crises, rotina e ainda querer estar junto.

    1. Olha, não sei se intensidade qualquer um consegue ter numa relação atualmente, mesmo que num período extremamente curto, como 1 mês. Ando percebendo um cinismo que parece ser incompatível com entrega, que, a meu ver, é essencial para algo ser intenso.

      emoção passageira é fácil, difícil é atravessar anos, crises, rotina e ainda querer estar junto.

      Sem dúvida! Agora, por que isso é motivo para ser elogiado e celebrado? Quantas outras coisas super difíceis na vida não ganham nem sequer nossa atenção? O que faz algo difícil ser passível de ser admirado e desejado?

      1. Por essa e as outras respostas, acho que sua crítica/provocação se concentra muito na celebração — o que, para a maioria das pessoas, na maior parte do tempo, é um aspecto secundário, que passa despercebido.

        Quando duas pessoas estão em plenas condições de determinarem seus futuros (não dependem do outro de maneira alguma), elas permanecem juntas porque gostam da companhia um do outro. Costuma ser simples assim. Como se trata de um contrato contínuo, em que temos que encarar e lidar com a outra parte quase o tempo todo e nas tomadas de muitas decisões (quase todas as grandes), compreende-se que “não dar certo” implica em um desequilíbrio irremediável nessa parceria. “Não dar certo”, para mim, é um termo bem adequado, mesmo quando as duas pessoas continuam amigas após o rompimento.

        Lembramo-nos do “aniversário de casamento” como nos lembramos dos próprios aniversários (quando muito). Bodas costumam ser celebradas após décadas de casamento, o que é digno de nota (acho eu). E várias coisas super difíceis são celebradas (uma promoção no trabalho, aprovação em um concurso, publicação de um livro etc.), bem como outras fáceis (aniversário, que consiste em… manter-se vivo por mais um ano.) Celebrações são um fenômeno cultural e, como tal, em várias situações transcendem o racional.

        1. Creio que não me expressei muito bem. A celebração é só um símbolo do problema que questiono aqui, que é a sociedade usar o tempo de uma relação amorosa como métrica de sucesso/qualidade, quando no fundo sabemos que isso por si só não quer dizer muita coisa — eu diria, aliás, que não quer dizer absolutamente nada.

          compreende-se que “não dar certo” implica em um desequilíbrio irremediável nessa parceria.

          O que talvez não tenha ficado claro no que falei é que uma relação amorosa pode ser incrível por um número X de dias/semanas/meses/anos, e eventualmente acabar. Ela deu certo, só não indefinidamente.

          Eu entendo que quando as coisas são boas a gente tende a não querer que acabem. Mas pra quase tudo a gente acaba aceitando a finitude breve de nossas experiências e conseguimos ter memórias positivas delas. Porém, não aceitamos que uma relação amorosa pode durar menos que décadas e ainda assim proporcionar momentos incríveis e transformadores a ponto de ter valido a pena, de ter sido um sucesso.

          Ninguém fala que um carro deu errado porque depois de maravilhosos 10 anos sem nos deixar na mão, a pessoa simplesmente achou melhor vendê-lo. Ninguém fala que o restaurante tal ‘deu errado’ porque o prato maravilhoso que pediram não durou décadas.

          Vejamos um exemplo focado em relações humanas, pra não dizerem que as demais comparações não fazem sentido. Quando nossos pais falecem, a gente fica profundamente triste, especialmente se tínhamos uma boa relação com eles. Não queríamos que isso tivesse acontecido, mas eventualmente aceitamos o ocorrido e nem por isso dizemos que a relação deu errado. Novamente, ela deu certo, só não indefinidamente.

  14. Seres humanos, com seus inúmeros defeitos, se tolerarem e conseguirem conviver por décadas é pra mim algo a ser elogiado.

    Gamificar relações?
    Fala isso pra a João, que há uma década cuida da sua esposa que teve um AVC. Ou já que o relacionamento não é mais o que se esperava, ele tem que acabar?

    1. Interessante sua colocação. Talvez não seja uma questão de se separar quando as frustrações começam a pipocar. E sim de questionar por que conseguir conviver por décadas seria motivo intrínseco para celebração, dado que diversas outras experiências de nossas vidas possuem tempo bem delimitado e curto e nem por isso deixamos de apreciá-las, não é mesmo?

  15. Isso cutuca tantos valores sociais hegemônicos. Precisaria um baita estudo pra isso

    1. Talvez tenha a ver com a questão religiosa, né? O tal ‘o que deus junta, o Homem não separa’.

      1. Casamentos/uniões afetivas só existem em religiões monoteístas de origem abraâmica?