37 comentários

  1. Gostei do texto, porém discordo de alguns pontos de vista. No final, achei bem problemática essa frase “É impossível se considerar de esquerda e defender o uso de IA.”.
    Tentar vincular o combate a uma tecnologia que já existe (independente da IA não ser um sistema “pensante” ainda), e que não vai parar e já está alterando toda a vida em sociedade a um idealismo político, é bem complicado, justamente pq a classe trabalhadora, que justamente está produzindo essas ferramentas, precisam expropriar essas tecnologias das big techs e reverter o modo de produção e utilização em benefício de todos e não para meia dúzia de bilionários continuarem a embolsar centenas de milhares de dólares.

    Se considerar de esquerda é saber que o mundo mudou muito desde o último século e que a classe trabalhadora precisa enxergar isso, Marx e Engels não escreveram uma receita de bolo para ser seguida à risca, é preciso lutar por um socialismo onde a tecnologia seja o braço forte que irá emancipar a classe trabalhadora.

    1. Perfeito Rick! Negar a IA, com um argumento “ad hominem”: “ser de esquerda é ser contra a IA” não passa de um neoludismo contraproducente para os trabalhadores!

      1. Eu fiquei bem incomodado com a leitura, reconheço que alguns pontos foram ótimos, mas a visão problemática do neoludismo, como bem citou Sergio, me pegou. Eu sou da tecnologia há 20 anos, abertamente de esquerda, comunista, marxista-leninista-maoísta, e no momento estou me especializando em IA justamente para entender esse paradigma e como a classe trabalhadora pode utilizar essa tecnologia poderosa, pq sim ela é, em benefício da própria classe. É um desserviço vender a ideia de que precisamos combater algo que poderíamos reverter para nosso campo…

        1. Entendo (e concordo) com a crítica, Rick, mas ela não deixa de fora outras dimensões do debate, como o climático/energético? Sou pouco versado em marxismo, por isso não me arriscarei nesse aspecto do debate. Se olharmos para trás, porém, outras tecnologias que prometiam dar mais poder aos trabalhadores acabaram subvertidas — a própria informática poderia ter nos dado jornadas de quatro dias e outras benesses, mas hoje fazer hora extra ainda é regra.

          Como vocês encaram esse… dilema? Paradoxo? (Não sei qual a melhor palavra aqui.)

          1. Sabe Ghedin, no meu ponto de vista, os problemas que citou como jornadas e questões climáticas relacionadas a tecnologia ocorrem justamente pq a classe trabalhadora simplesmente não detém os meios de produção, não possui realmente o domínio e controle da tecnologia que ela mesma produz, é simplesmente uma peça de engrenagem em uma máquina multibilionária que explora de forma inconsequente tudo e todo. Penso que não exista paradoxo nisso, é a mais simples e pura lógica do capital em sua fase mais aguda, o capitalismo tardio, e a tendência é que isso se agudize mais ainda de maneira acelerada, assim como a tecnologia que se supera cada vez com mais velocidade e potência. Estamos criando as armas que irão nos eliminar.

          2. Ghedin, também não manjo dos paranauês do marxismo!

            Mas o ponto aqui não é se uma tecnologia é contra ou a favor dos trabalhadores!

            Ou se é uma tecnologia que vai nos libertar de jornadas de trabalhos desnecessárias!

            Porque isto é uma questão de, nesta ordem, tomada de consciência, organização e luta dos trabalhadores!

            E, para estes três requisitos, dominar a tecnologia, entendê-la para usá-la em nosso benefício e hackeá-la para que nos ajude a se apropriar dos meios de produção, é uma condição funamental.

            Não é um A ou B. Sou contra ou a favor das IAs?

            É reconhecer os problemas da sua adoação nos moldes da acumulação de riqueza de poucos, em detrimento de deatruição do planeta, e dominá-la para outros possíveis usos mais planetariamente justos e a serviço, também, dos trabalhadores!

  2. Curioso, eu acho que esse não é um texto tão bom pra debate porque vai a um combate intenso deixando muitas frestas para críticas. O pessoal depenando ele aqui embaixo é a prova disso. Mas concordo com a autora em quase tudo, e seria muito bom ver essas ideias em um trabalho mais longo e que satisfizesse a “tecnofilia” autodeclarada aqui embaixo kkk

    Aproveitando pra dizer que o ludismo é historicamente injustiçado e não deveria ser confundido com uma aversão pura e simples à tecnologia. É um movimento bem mais interessante do que o jargão dá a entender.

  3. Toda vez que falam exageradamente que “uma tecnologia vai salvar o mundo”, no final ela gera mais problemas. Seja do automóvel ao celular. Os luditas não estão tão errados assim, afinal.

    Mas isso de lado, IA/LLM e similares só tem trago mais dores de cabeça do que soluções. Galera vai para “pedir exemplos de textos para redigir” ou “respostas prontas a algo”. Wikipedia tá ali, livros estão em bibliotecas. Na questão da arte, uma tecnologia de automatização para criação de CGIs e animações não seria de todo o mal. No entanto, o temor maior é a pausterização da arte também se parar para pensar. Só lembrar que tempos atrás, os efeitos de “Arte AI com Pixar” dominaram as redes e a Pixar/Disney ficou pê da vida.

    As poucas vezes que fiz algo com este tipo de coisa, me lembro que uma delas foi pegar e pedir uma montagem que resultou no Neymar ou Paulo Maluf em uma nota de dólar. E só. No fundo, algo inútil, que só tinha graça naquele momento.

    O esforço para “combater” este tipo de tecnologia na verdade já deveria ter sido posto na hora que existir um esforço maior em educação digital. Ou seja, criar consciência nas pessoas da responsabilidade de uso do digital. E isso não vem só pondo com leis, isso se são aplicadas e fiscalizadas tais. Ausenta um esforço em educar a população para um uso responsável das tecnologias. Telecursos, propagandas em rede aberta e rádio, propagandas, formas de criar na mente das pessoas a responsabilidade de usar tecnologias sem depender de uma automatização inútil (a IA).

    Ou talvez, caso utópico demais, investigar bem a fundo as tecnologias de IA, atacar o ponto fraco delas (“backdoors” por exemplo) e fazer ela ficar inútil. Talvez o fato de contatar fóruns e redes sociais com assuntos mundanos já faz eles se enforcarem na própria corda, diga-se. Imaginem na hora que eles pegarem montagens ocorridas de redes misógenas para servir de base de informação então?

    Mais uns anos e esse assunto se encerra e vem alguma nova onda tecnológica. Sempre foi assim enquanto capitalismo, marketing e assunto para redes sociais e conversas na padaria .

  4. Há um medo inato em relação à mudança. A inteligência artificial seguirá o padrão de outras tecnologias relevantes. No início, há um certo pânico quanto às suas consequências, mas, à medida que a tecnologia evolui, muitos problemas apontados são solucionados, e as pessoas aprendem a utilizá-la melhor. Diferentemente de tecnologias como NFT e metaverso, que nunca foram amplamente adotadas pela população, a IA já se tornou relevante.

    Este texto, mencionado em outro tópico, resume bem essa questão: https://www.collectorsweekly.com/articles/why-technophobes-have-been-getting-it-wrong-since-gutenberg/

    1. Não sei bem se chamaria de tecnofobia criticar a big tech ampliando a pegada de CO2 e o gasto hídrico no ápice de uma crise ambiental global. E diria até o mesmo sobre a crise social que vivemos, mas, bom…

  5. Excelente resumo! Claro que alguns argumentos pegam mais algumas pessoas, outros pegam outras.

    Não sou artista, então não sei avaliar o ponto da arte subjetiva. Mas sou sensível ao impacto no mundo do trabalho (quero IA que faça trabalhos que ninguém quer fazer, não que substitua nossos artistas) e ao impacto ambiental.

    A figura final é muito clara: a IA gerativa está no caminho errado da tecnologia feita para as pessoas.

  6. Bons pontos e informações levantadas.

    Tenho bastante aversão à IA (entendida aqui como ChatGPT e afins). Principalmente, não ser Open Source (me refiro às mais famosas).

    Sopesando os pontos bons e ruins, não consigo ver um saldo positivo. Vejo apenas “geradores de lero-lero” e muita poluição, muito ruído.

    Dias desses fiquei pensando que chegaremos num cenário como o que eu via nos fliperamas: antes de colocar a ficha (crédito para jogar), passava uma tela de demonstração nos jogos de luta, como Street Fighter, na qual um lutador (CPU) lutava contra outro (tambem controlado pela CPU).

    Nesse sentido, imagino professores substituídos por ou utilizando Chat GPT e os alunos usando a mesma ferramenta para provas ou trabalhos (ambos, ficando com suas mentes ociosas). Remetendo a Mcluhan, numa provocação de que os seres humanos seriam os órgãos reprodutivos do mundo das máquinas.

    Não consigo vislumbrar melhorias na vida prática do povão com o advento da IA (novamente, me refiro ao escopo do artigo, ChatGPT e afins e não IA em sentido amplo).

    E isso me faz lembrar de “tecnologias para inglês ver” que observo no dia a dia. Por exemplo: cidades em que a profissão de cobrador de ônibus foi abolida e vemos o motorista acumulando agora duas funções (dirigir e trocar dinheiro, desviando tanto o olhar quanto a sua atenção do trânsito…).

    Por fim, tenho um certo receio quanto a “falta de revisão” humana (ou seu “enferrujamento”) e os desdobramentos que isso pode acarretar. Lembro do filme O Computador de Tênis (o de 1995, não o de 1969, com o Kurt Russel) que passava no SBT, no Cinema em Casa (ver aos 57m13s) cujo enredo era o seguinte: um estudante tomava um choque enquanto estava no laboratório de informática e, a partir disso, todas as informações de uma espécie de “Wikipédia” ficaram gravados em sua mente, numa cópia exata.

    Ele começa a participar de competições e acerta todas as perguntas, mas existe uma questão fácil, de cunho histórico, em que ele erra. (Spoiler a seguir) Trata-se de uma informação que estava errada e ainda não tinha sido corrigida e atualizada no banco de dados. IA é diferente de uma informação estática, mas acho que é preciso tomar cuidado ao usar tais ferramentas como muletas o tempo todo. É fácil compreender o erro quando se trata de colocar cola na pizza, mas e se for alguma tarefa bem mais complexa?

  7. Não conhecia a Ieda Marcondes, gostei muito do texto e do estilo dela, apesar de ser contra vários tópicos que ela abordou por lá. Apesar das discordâncias sobre o texto, o tópico 4 (“4 – IA é roubo”) é o que me chamou mais atenção, pois concordo 1000%. A IA, nos termos atuais, não cria nada de novo, absolutamente nada – tudo é ‘plágio’. Ok, “nada se cria, tudo se copia” e tal, mas o plágio realizado pela IA atualmente é escancarado, hehe.

    1. Esta semana assiti um webinário com o Doutor em Direito e militante de direitos autorais no mundo Digital Sergio Branco e ele problematizou esse ponto: IA é roubo? Ele fez um excelente discussão (sem fechar uma resposta) mas apontando alguns questões. Fiquei surpresso que o Lessig, criador do Creative Commons é da opinião de que o uso de obras sob CopyrRight para treinar IA não é roubo!

      Não sou da área, mas entendi que não é tão trivial assim afirmar que é roubo! Se achar o link (foi gravado e disseram que iriam publicizar) coloc aqui.

      Por fim, acho que existe muito “neoludismo” nesta negação absoluta do uso das IAs.

  8. Por que quando as empresas querem nos vender ela pode chamar só de IA e tá tudo bem, mas no momento que vamos criticar aparece o pedantismo de “Mas isso é só LLM, não IA”? No contexto de 2024 tá bem fácil deduzir sobre qual IA estamos falando.

  9. concordo com alguns pontos, mas outros considero bastante problemáticos e rasos — sobre esses aspectos já escrevi aqui: https://arquiteturaemnotas.com/2023/11/15/nao-temos-combater-ias-temos-que-combater-o-trabalho/

    lembrando que o mundo da arte já incorporou a IA décadas antes dela existir: o problema é a existência da propriedade intelectual e a exploração do trabalho, não a IA

    mas o que me parece mais grave, aliás, é afirmar categoricamente que é impossível ser de esquerda e defender o uso de IA

    fico pensando o que uma artista tão importante e genial como Gisele Beiguelman acharia se dissessem que sua obra Botannica Tirannica fosse uma iniciativa de direita

    1. Acho equivocado dizer que a IA já existe há décadas, se considerarmos o recorte que a Ieda trouxe (ainda que implícito) no texto, que é a IA generativa. É um conceito recente, e o sucesso do ChatGPT em meio a tantas aplicações de IA já existentes à época meio que comprova isso.

      Seu texto não aborda alguns aspectos problemáticos da atual onda de IA generativa, como os custos humano (exploração de países periféricos para “refinar” algoritmos) e energético. Entendo, como a autora, que é sob esse ângulo que a IA generativa se choca com valores comumente atribuídos à esquerda.

      1. esses custos realmente são irrefutáveis e todos concordamos com essa crítica

        mas quando digo que o mundo da arte já acolheu os procedimentos associados à IA há pelo menos um século não estou me referindo a uma IA específica (seja ele generativa ou não) ou à própria IA, mas a lógica por trás desses procedimentos: questões ligadas à apropriação de obra alheia, questionamento da autoria, mutilação, colagem, entre outros, fazem parte do repertório artístico desde as vanguardas dos anos 10

        de rauschenberg a nam june paik, de josef albers ao grupo fluxus, de nelson leirner ao coletivo mschf: questões como autoria, autenticidade, técnica, entre outros permeiam desde sempre essas obras

        a maneira como o texto recorre a uma concepção subjetivista e romântica de arte é problemático demais e não é o melhor argumento para combater as IAs

        sem falar nos estudos antropológicos recentes a respeito de subjetividades não-humanas e toda a teoria ciborgue que vem de donna haraway, etc

        acho que todos concordamos que essas empresas monopolistas de tecnologia digital devam ser combatidas, mas por favor: não sejamos ingênuos em nossos argumentos sobre o mundo da arte, pois essa concepção romântica de arte já superamos há cem anos

        é como eu disse: uma obra como a botannica tirannica vai ser considerada de direita? isso me parece absurdo

        1. É que a crítica à IA recai justamente nessas questões específicas que você descarta. Apropriação, ressignificação, antropofagia etc. é, acho eu, pacífico como válido no mundo da arte. IAs engolindo tudo isso e cuspindo, com todos os custos associados e injustiças inerentes ao processo e funcionamento delas, é novidade e algo potencialmente (muito provavelmente) problemático.

          Acho interessante separarmos as duas coisas para atacarmos o que é problema de fato. (Dos quais, acho, estamos de acordo.) De outra forma, corremos o risco de ficarmos batendo cabeça em minúcias e perder as grandes questões de perspectiva.

          1. Mas o antropofagismo – e posteriormente a tropicália – foram duramente criticados na época por fazer esse remix. A própria SAM22 é um movimento elitista e burguês de São Paulo que impõe uma visão modernista ao Brasil, dando nome e cara para algo que estava sendo feito em todo o país. A arte, como disse o Gabriel, já cruzou e recruzou essa fronteira muitas vezes.

            Seu texto não aborda alguns aspectos problemáticos da atual onda de IA generativa, como os custos humano (exploração de países periféricos para “refinar” algoritmos) e energético. Entendo, como a autora, que é sob esse ângulo que a IA generativa se choca com valores comumente atribuídos à esquerda.

            Acho que existe uma confusão aqui. O que a autora prega é que esses valores são incompatíveis com uma ideologia progressista (social-democrata). A visão das intituições burguesas (democracia e justiça) e não necessariamente valores de esquerda.

            A questão da exploração dos países periféricos não é por conta da IA, é por conta do capitalismo e sua natureza predatória. A superação do capitalismo como sistema sócio-econômico é o mote principal da esquerda, o resto é social-democracia e centro democrático (o que não é ruim, mas não é necessariamente esquerda).

            Como eu disse, o problema não é a IA em si, é o capitalismo. E o problema dos textos contra a IA é que eles não tocam na discussão que eu vejo como relevante: devemos usar a IA para trabalhar menos. Pelo contrário, o que eu vejo é uma defesa da exploração pelo capital, uma defesa pelo direito de ser explorado e subjugado. Os problemas apontados no texto original e nos comentários são legítimos e válidos, muito válidos, mas eles não tem relação direta com a IA, eles são fruto do capitalismo.

  10. pessoal precisava fazer um cursinho básico de IA
    IA não é só LLM, que é uma coisa recentíssima
    e sim, a IA é inevitável, e já está sendo usada há dezenas de anos

    dando exemplos de IA que não não tem nada a ver com LLM:

    como o Uber calcula rotas ?
    através de algoritmos de IA
    isso é um exemplo recente, mas esse tipo de algoritmo é usado em muitos outros caos
    aliás, a criação de layouts de circuitos integrados utiliza algoritmos parecidos
    como montar máquinas complexa, contendo milhares de peças, sendo que a montagem de peças depende de ordem, do tempo de montagem de cada peça, de quantas pessoas estão trabalhando ao mesmo tempo, etc ?
    resposta: algoritmos de IA
    esse problemas são do tipo CSP, “constraint satisfaction problem” … não sei se algum nome em português é comum, mas uma tradução seria mais ou menos “problemas que satisfazem restrições”, ou coisa assim)
    um exemplo hipotético: uma IA para analisar radiografias de pulmão (raio X)
    isso está totalmente dentro da capacidade das IAs de hoje
    treine a IA com 1 milhão de radiografias e os respectivos laudos, que essa IA vai ser mais confiável que a maioria dos médicos

    existe muita coisa a mais, mas muita coisa a mais mesmo em AI, do LLMs e IA generativa

    tem o pessoal que deixa se influenciar pelo hype, tem o pessoal que rejeita tudo que é IA por causa do hype, mas IA está aí e veio para ficar, é uma tecnologia de fato com potencial revolucionário

    … resta saber como vai ser usada, mas para isso, é preciso que seu conhecimento seja disseminado, e não estou falando das técnicas, que é coisa de especialistas praticantes, mas sim noções do que realmente é IA

  11. Quando o google responde com “IA” ele está vendo os resultados da pesquisa e resumindo o que ve. Isso não é uma resposta por IA como você está pensando, o erro claro é do google porém não confunda isso com a resposta que você teria interagindo com um GPT qualquer. Faz o teste, faz a mesma pergunta para o Bard para ver. Não é inteligente, cristo do inferno NÃO EXISTE INTELIGENCIA ARTIFICIAL. Mas o lixo do google na pagina principal não está sendo gerado 100% como uma IA gera.
    Irrelevante. Metaverso estava na cara que era nada, bem como NFT. IA não parece ser isso. Mas se for, isso não significa que você não deve usar. Use ou não, vai morrer com o tempo se for. AGORA se der certo, em breve você será uma pessoa que terá dificuldade em usar o novo “google” em seu trabalho, e se seu colega souber usar e obter informações mais rápido que você sorte dele e vamos por aí…. talvez alguém te ajude como você ajuda ele (eu faço claro!) usando futuros sites semelhantes ao atual https://letmegooglethat.com
    Isso ocorre desde que nasceu o facebook. “O custo humano” ocorre na vida de todas as redes sociais. Problema real mas nem perto de ser novo, e se tirar AI da jogada ele continua gigante, porque agora que isso é um empecilho mesmo? E se empresas estão dizendo IA enquanto entregam coisas feitas por pessoas… aqui estamos discutindo PORQUE NÃO USAR IA. O que eles estão fazendo não tem nada a ver com IA e não é o ponto aqui.
    Verdade. Porém qual o percentual das pessoas que obtem o resultado direto do google mesmo, que ele chupa dos sites? Teve esse choro recente, era 60 ou 80% de pessoas que nem precisavam sair do google, não era? IA é apenas isso mas mais bem feito. Ainda nisso, a wikipedia “rouba” informações com editores humanos e coloca a fonte abaixo para quem quer ler… o Copilot faz o mesmo. Não é só obrigar a todos fazerem isso, linkar fontes no saiba mais?
    ok. Ignore a arte irrelevante. “Arte” criada por isso é mesmo um exagero, mas fazer o que? Olhe no google: Museu exibe ‘arte’ feita por animais. O mesmo se aplica, se pessoas porém querem chamar ARTE nessas coisas a culpa não é do computador.
    meio válido. Respondendo por copilot pois… sou malvado. “Esses centros [de IA] consomem muita energia e são responsáveis por 2% a 4% das emissões globais de CO2, aproximadamente o mesmo que o setor da aviação.” Porém aqui podemos assumir que o mesmo computador em 2 anos vai usar muito menos energia, menor impacto, e pode trazer vantagens grandes (uso de modelos de IA para identificar catástrofes climáticas com maiores antecedências, possível, não?). E mais, “comparado a setores como transporte, manufatura e agricultura, a IA ainda representa uma parcela menor.”
    Politica porque mesmo??? Porque exatamente “destroi mundo e humanos = direita” e “planta flor e faz doação = esquerda”. Isso é tão simplório que parece ser uma piada. Ciência e opiniões sobre fatos – certas ou erradas – não é política.

    1. Quando o google responde com “IA” ele está vendo os resultados da pesquisa e resumindo o que ve. Isso não é uma resposta por IA como você está pensando, o erro claro é do google porém não confunda isso com a resposta que você teria interagindo com um GPT qualquer.

      Caro, de onde você acha que “um GPT qualquer” tira as informações que cospe de volta? Do mesmo lugar que a IA do lugar catou informações — da internet, dos resultados que as pessoas criaram.

      1. A diferença é a magnitude. O GPT – o Bard – pega todo o “conhecimento” dele para responder, o “overview” parece ser apenas isso, um overview dos resultados da tela na pesquisa, o que faz ele vomitar muita merda.
        Os erros do segundo não ocorrem mais no primeiro, não nesse tamanho ridiculo que estamos vendo. O que novamente mostra que os gpt evoluíram já um pouco.

        1. Você está enganado. Os AI Overviews são baseados no Gemini:

          This is all made possible by a new Gemini model customized for Google Search. It brings together Gemini’s advanced capabilities — including multi-step reasoning, planning and multimodality — with our best-in-class Search systems.

    2. Ciência e opiniões sobre fatos – certas ou erradas – não é política.

      Desculpa, mas você é ingênuo aqui. Ciência é a política ideológica aplicada ao mundo real.

      1. O mundo não é feito de super-esquerda e ultra-direita. Pelamodedeu, seria como “terraplanista é de direita”, para citar uma ideia recente. Todos podemos ter opiniões diferentes em assuntos diversos, o que se ve olnine não é realisticamente uma amostra, e sim uma amostra de extremos.

        1. Você está certo nisso, mas essa resposta não tem nenhuma relação com o que eu disse – que é o fato da ciência ser política desde a sua concepção. Não existem fatos isolados da ideologia de quem os criou/organizou.

    3. O uso do que chamam de “Inteligência Artificial” (que de fato não é inteligência) ou “Linguagem de Aprendizagem de Máquina” na verdade, como já disessaram por aí, é como tentar ensinar a um computador a “agir como pessoa” e faze-lo tentar responder o mais plausível e compreensível a um ser humano. Não creio que vai conseguir algum dia isso, pois a questão da humanidade sempre teve um fator chave – consciência.

      Seres humanos usam a consciência para ter a noção da sobrevivência – o porquê vivemos. E com isso tomam as decisões baseadas nisso. Só que em algum momento algum ser humano usou a imaginação – outro fator chave, mas ao meu ver não tão relevante dependendo do contexto – e pensou que poderia dominar outros seres humanos baseando-se em histórias de seres inexistentes e poderes desconhecidos até então. Isso é antropologia e não conheço tanto, por isso paro por aqui de usar minha imaginação sobre esse assunto.

      Diferente do Paulo, que diz que “IA deveria ser usado para trabalhar menos”, sou da ideia que o problema é que criamos muitas coisas para fazer as pessoas “trabalharem mais”. O princípio básico das pessoas e comer e sobreviver, o resto é tudo nossa mente tentando justificar nossa sobrevivência. Se vivessemos só para fazer nossos alimentos e curtir a vida, seria mais fácil. Mas como dito, em algum momento nossa imaginação resolveu tentar fazer a gente “ir mais longe”, só que muitas vezes “batemos em alguma parede” – nossa imaginação é limitada ao a que vemos e sentimos. Poucos tentam conseguir ir além das sensações existentes, diga-se. Criamos coisas que depois mais atrapalham a sociedade do que ajudam. E a tentativa da IA de fazer isso no final vai dar na mesma, só que com o detalhe que lembremos que todo computador e toda programação nada mais é que o reflexo de seu criador. Todo romance sobre tecnologia – não duvido, pois admito que não leio – geralmente é justamente reflexões sobre os limites da consciência do que chamariam de “ser digital”. Seja “Eu Robô” e derivados depois, “Blade Runner”, “Exterminador do Futuro”, etc…

      Quanto a política, concordo que temos um problema de terminologia – “direita” e “esquerda” hoje são termos que são simplistas para as diversas nuances políticas existentes. No entanto, é óbvio também que a simplicidade explica o comportamento básico político das pessoas. Do que chamamos de “direita” seriam àqueles que são a favor da exploração humana, da “lei do mais forte” e do valor fiduciário (dinheiro). Do que chamamos de “esquerda” são as pessoas que defendem o respeito aos seres vivos (incluso humanos), da lei do respeito mútuo e do valor da vida e preservação. Se esta avaliação é errada, o ideal mesmo é consultar uma “fonte isenta”. Só que não existem fontes isentas para isso, e não duvido que o Aurélio não é um “isentão”.

      1. Diferente do Paulo, que diz que “IA deveria ser usado para trabalhar menos”, sou da ideia que o problema é que criamos muitas coisas para fazer as pessoas “trabalharem mais”.

        Lembro de ter lido algo nesse ponto, portanto realidade USA mas a ideia serve: na década de 40 (ou 50) “trocamos” o trabalho para “9 to 5” como o padrão no país. Desde então a evolução foi inacreditável, hoje o que 1 trabalhador gera de produtividade é muito mais, obvio, que o trabalhador teria como fazer naquele tempo, porém apenas quem ganhou com essa produtividade foram as empresas. Por esse motivo que devíamos trocar para 36 horas semanais o normal.

        Acho que GPT será sim apenas isso, mais uma ferramenta. Hoje mesmo eu faço no copilot em 1 ou 2 minutos o que as vezes me levaria 15 ou mais procurando e catando dicas do google em algumas situações. E então multiplica isso por muitos, e evolui isso como está acontecendo…..

        1. Na verdade, tipo, o único trabalho real existente como já falei é criar alimento. É esperar a natureza preparar os alimentos que precisamos (no caso crescer e desenvolver os vegetais – e a quem é onivoro, animais). O resto a natureza já tem “de graça” ou podemos criar para uso e dependendo das condições morar definitivamente ou temporiaramente. Não a toa a gente deveria admirar e proteger os povos originários que sofrem com as invasões de terras, tais invasões de grileiros de direita que tiram o ouro para fazerem os computadores para trabalharem gastando energia para nada (IA).

          Mas voltando um pouco na questão da IA, me lembro bem que por uma época muitos dos resultados do Google para uma solução de problema era justamente um post em um fórum ou rede social sobre as pessoas discutindo sobre aquele problema. Para quem trabalha com programação, manutenção de equipamentos e atividades que não tem um manual específico, o Google e a busca nos fóruns sempre foram uma mão na roda.

          No entanto, muitos dos donos dos fóruns não gostavam disso – era visita de graça sem resultado financeiro esperado. No final muitos fóruns foram fechados e restrito para assinantes (paga para ler o conteúdo) ou encerrados de vez (como o Fórum PCs por exemplo).

          O que chamam de IA/LLM é simplesmente busca por palavras chaves e contexto. E isso o antigo buscador do Google fazia até com certo louvor antes de virar uma página amarelas com mais propagandas do que informação útil.

          1. Ourta coisa que acho legal, e está dificultando definir o que são os gpt:

            O que chamam de IA/LLM é simplesmente busca por palavras chaves e contexto. E isso o antigo buscador do Google fazia até com certo louvor

            Eu mesmo afirmo isso. Porém, de hoje:

            Quero dar um bolo para minha sogra. Eu quero junto com o bolo dar uma mensagem sarcástica. Pensei na mensagem. Ia deixar estragar, então pensei em você.
            gpt: Essa mensagem é bem direta e pode ser interpretada como ofensiva. Se você quer ser sarcástico, mas ainda manter um tom mais leve e brincalhão, talvez algo como “Estava prestes a deixar esse bolo estragar, mas aí lembrei de você e decidi que ele merecia um destino melhor”
            Puxou muito o saco. Mais sarcástico. Pode ser mal.

            gpt: Entendi. Talvez “Ia deixar esse bolo estragar, mas pensei que você poderia gostar assim mesmo” seja uma opção mais sarcástica e direta.

            ….

            e isso vejo dia a dia quanto mais uso. Ele é “esperto” com palavras. Ainda parece mágica, ele “entende” o que falamos, responde de acordo, e quando temos de resolver problemas e cata na internet e contextualiza, muitas vezes, exatamente o que precisamos. O que até iriamos achar, porém as vezes pipocando em sites quando ele sabe centralizar e dizer apenas a parte que importa.

            No final muitos fóruns foram fechados e restrito para assinantes (paga para ler o conteúdo) ou encerrados de vez (como o Fórum PCs por exemplo).
            E nada de valor se perdeu.
            Geeks serão geeks. Estamos no reddit apenas para mostrar que “somos melhores que os outros”, para compartilhar conhecimento, ou para se divertir. E o reddit que aprenda a gerar dinheiro assim.
            Cria uma comunidade fechada e fica reclamando de links externos que não geral lucro (forum pcs, lembro de ler isso lá) e aos poucos fica só os panelinha (forum pcs novamente). E com isso o site pode acabar sumindo, porém não mudou a vida de 99.9999% dos brasileiros.
            Ou se adapta ou se extingue.
            Da década de 90 a amazon ta ae, e a MS se recuperou de um período podre nos últimos 10 anos…..

            Que vem ao ponto. O fim do mundo vai ocorrer para quem não se preparar ou tentar brigar com o avanço que está ocorrendo. Hoje é hora de adaptação.

        2. Só respondendo o outro post devido ao limite de respostas:

          Entendo onde quer chegar e entendo também seu posicionamento, na qual sei que não vou conseguir muda-lo. No entanto, vamos deixar claro uma coisa:

          “O fim do mundo vai ocorrer para quem não se preparar ou tentar brigar com o avanço que está ocorrendo. ”

          O ponto é que a criação do fim do mundo do jeito que anda as coisas está vindo por NÓS mesmos, justamente para o que chamamos de “avanços” nas quais o homem sapiente gerou: a urbanização desenfreada, o uso de equipamentos e produtos tecnológicos (sejam eles químicos, eletrônicos, etc… ) que alteram condições naturais. Faça um exercício de imaginação – agora pondo um contexto útil: se fossemos só “caçadores/coletores”, será que sofreríamos do mesmo mal que hoje sofremos? Não estaríamos comentando aqui para começar, estaríamos talvez conversando em uma roda ao lado de uma fogueira, talvez seria até mais legal. Ainda não caiu um meteoro.

          Via de fato, os humanos sempre se adaptaram conforme as mudanças da natureza e as mudanças feitas por si mesmo. O que você coloca é o “darwinismo”, que é hoje uma condição que muitos consideram também de certa forma um “racismo/preconceito”, pois parte do princípio que só quem tem àquela condição atendida pode continuar vivo. Isso caberia em discussão diferente, mas ponto na questão das “Linguagens de Máquina”, colocar uma condição de “darwinismo” geraria respostas mais seletivas que poderiam restringir o uso à uma parcela da população na qual o mecanismo de aprendizagem ficaria limitado.

          A questão do “Fórum PCs” pus como exemplo de valor da informação, mas existem N outros fóruns nas quais existiam muitas informações valiosas (no sentido de utilidade), mas ao mesmo tempo o acesso pago e restrito seria um problema pois nisso geraria uma condicionante – apenas pessoas com recursos financeiros acessariam o conteúdo. E isso é uma forma de preconceito, diga-se.

          Este tipo de pensamento gera um dilema – uma pessoa pesquisando em um buscador online uma informação e acessando a informação diretamente na página onde houve a discussão e resultado é uma coisa. Outra é o acesso do resultado direto na página do buscador, sem referência seja à discussão, seja à página original.

          Eu não vou entrar a fundo na questão do valor da informação porque primeiro, por eu aqui está em “anônimo” (por questões pessoais) e não querer estender tanto esta conversa, seria bem chato da minha parte fazer esta continuidade. Segundo pois não sou da área de comunicação e multimeios, ou especialista em valores sobre informação e comunicação. Deixo com vocês para abrirem o debate seja aqui ou em outro lugar.

  12. Hoje eu ganhei o dia por ter conhecido o site da Ieda Marcondes. Texto excelente!

  13. Muito legal quando você vê o crossover entre as pessoas que você segue.