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Os evangélicos e a teologia do domínio apublica.org

Há um tempo atrás, falei sobre o blog Evangélicos (Folha) e como isso representava dar voz não a uma “religião popular”, como muitos argumentaram, e sim a uma fatia da população que elege representantes e almeja a chamada teologia da dominação.
A maneira como foi elaborado o PL 1904 e votada a sua urgência para ser apreciado na Câmara é uma amostra de como o evangelismo que está no poder opera. Sua excelência o deputado federal Sóstenes Cavalcante já avisou que, se o projeto abjeto não passar, a bancada evangélica vai ressuscitar o Estatuto do Nascituro.
Essa é a diferença entre “dar voz a todas as religiões” e reforçar o poder de apenas uma delas.

17 comentários

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  1. Gente, o link é interessante, os adendos da Julia, pertinentes, e o assunto, importantíssimo, mas descambamos para debates sobre religião e alguma confusão entre parlamentares religiosos e praticantes de religiões. Por isso vou fechar a conversa aqui, ok? Conto com a compreensão.

  2. Ver uma pessoa plena, feliz, sem o deus do monoteísta, ofende as pessoas que sentem seus anseios tolhidos pela religião, mas a seguem. Pior: dificulta a doutrinação dos mais jovens. Como dizer às crianças que só se é feliz com Jesus, se há pessoas vivendo muito bem sem o JC?

    Se juntar isso com a obrigação do evangélico de levar a palavra adiante, fodeu!

  3. o neopentecostalismo é só um tipo diferente de influencer

    eu ia usar uma outra comparação, mas acho que algumas pessoas poderiam se ofender

  4. Li a entrevista, muito boa. Depois ouvirei o podcast. Obrigado pela indicação!

    Tenho acompanhado entrevistas do João Castro Rocha, acho bem interessante esse conceito que ele trabalha atualmente. O que mais me espanta no contato com pessoas que se definem como cristãs é que a esmagadora maioria não lê ou nunca leu a Bíblia de forma linear, por conta própria. Nunca conheci ninguém que não fosse padre, pastor, obreiro ou teólogo que tenha lido o Livro Sagrado na íntegra.

    Ao contrário disso, vejo mais pessoas seguindo seu líder religioso ou influencer de forma acrítica. Tenho para mim que se as pessoas lessem mais a Bíblia por si próprias, a consequência seria seria um aumento expressivo de ateus e agnósticos, pois, além dos grupos supracitados, estes são os únicos que tive notícia de terem feito leitura integral do texto sagrado.

    Sobre a questão do PL 1904 (que não li na íntegra) parece focar na questão das 22 semanas. O que ocorre: hoje, segundo esta matéria do UOL Aborto: com até quantas semanas de gestação procedimento é autorizado?, fala que há uma recomendação técnica do Ministério da Saúde sobre o prazo gestacional entre 20 e 22 semanas ou peso do feto de até 500g. Todavia, trata-se apenas de uma recomendação, não de previsão legal. O Projeto de Lei quer deixar a pena para abortos praticados acima desse prazo iguais a do Homicídio, algo que basicamente quintuplica a pena.

    Ocorre que no caso narrado nessa reportagem, tratava da menina catarinense, que causou grande polêmica à época e, segundo a matéria, para OMS, não há prazo para interromper a gravidez.

    Deixo algumas provocações no ar:

    1) É melhor prevenir do que remediar, certo? Então porque o ex-presidente vociferou contra um suposto livro que supostamente seria adotado nas escolas? (ele mostrou esse livro em entrevista ao Jornal Nacional). Mas qual seria o teor deste livro? O Canal Comix Zone explica, não seria educação justamente para prevenir?

    2) Como é a Legislação sobre o aborto no mundo? Este artigo da Wikipédia explica. E, ao olhar no mapa mundi, observem os países nos quais o aborto é permitido (legendas em tons de azul até roxo), o que é que eles tem em comum?

    3) No Brasil, a proteção da vida extrauterina tem a mesma atenção? As pessoas que defendem tanto a vida, estão adotando ou ajudando financeiramente as mães a criar estes filhos (ou doando para orfanatos)? Faltam vagas em creches, quem cuidará das crianças enquanto suas mães estiverem no trabalho?

    4) Seria este um projeto a fim de garantir o Exército Industrial de Reserva?, uma vez que, cada vez mais, as pessoas preferem ter pets a filhos.

    1. A recomendação técnica do MS (como você vem lembrou, uma “recomendação”) caiu em 2019, com a revisão do CID-11 (Classificação Internacional de Doenças) que define o aborto induzido como “expulsão ou extração completa de uma mulher de um embrião ou feto (independentemente da duração da gestação), após interrupção deliberada de gravidez em curso por meios médicos ou cirúrgicos, que não se destina a resultar em nascimento”.

  5. Chega de isenções financeiras para igrejas. A sociedade não deve subsidiar nenhuma.

  6. Também são cidadãos pagadores de impostos. Estão no direito de representarem suas causas. A democracia está aí pra isso.

    1. Só que eles estão legislando o corpo dos outros, deveriam primeiro cuidar da própria vida.
      Por que não tem o mesmo entusiasmo para proteger as crianças abandonadas? Nunca vi ninguém da bancada evangélica propor uma lei que obrigue o estado a proteger e cuidar das crianças.
      Se são contra o aborto, não pratiquem. Simples, fácil e sem polêmica.
      Aliás, ninguém é a favor do aborto.

      1. “…deveriam primeiro cuidar da própria vida.”

        Isso deveria valer também pro outro lado que patrulha pronome e destrói reputações.

        1. O “outro lado” não está propondo prisão para quem usa pronome “errado”. (Particularmente acho essa discussão uma furada.)
          E qual reputação foi destruída? Não é pergunta retórica, quero mesmo saber.

        2. ninguém patrulha pronome nenhum

          você pode usar o pronome que quiser pra se referir a você

          o que não pode é usar deliberadamente pronomes ofensivos para se referir a pessoas sistematicamente violentadas pela linguagem cotidiana, especialmente quando o uso de pronomes inadequados se revelarem traumáticos

          isso tem nome: é fascismo

      2. São a favor da vida e da venda indiscriminada de armas ¯_(ツ)_/¯

    2. Bom, antes de tudo o Estado deveria ser laico, mas a Al Qaeda pentecostal ou neopentecostal (á sua escolha) tá aí provando o oposto. Lugar de religião é na igreja, templo, monastério… esta lei é absurda por tantos motivos

    3. Você pode apresentar a causa que quiser, mas não ferindo a ciência, os direitos humanos, a lei e a jurisprudência em nome de uma religião. O Estado continua laico. Qual o direito que o excelentíssimo deputado tem de propor um projeto abjeto que vai mandar pra cadeia para cumprir medidas “socioeducativas” meninas de 13 anos violentadas física e psicologicamente?
      Meninas de até 13 anos que levam gestação a termo têm o assoalho pélvico destruído, têm 4x mais chances de morrer de parto e 16x mais chances de nunca mais gestar. É esse o “direito” que você defende?
      Como se diz, “tire o rosário do meu útero”.