
Comecei a trabalhar em uma empresa norte americana e finalmente fui capaz de entender esse meme.
Sinto um vazio absurdo em trabalhar com software. Não vejo propósito ou sentido no que faço e todo dia tenho uma crise de ansiedade logo antes de bater o cartão.
Sinto que o que faço é completamente dispensável para o mundo e que estou desperdiçando meu tempo de vida na terra trabalhando na indústria tech.
Penso que minha vida – e eu, como pessoa – era mais interessante quando trabalhava como jornalista. Pena que os salários na área da comunicação são um desrespeito completo com o profissional.
Para as pessoas daqui que trabalham com TI, como vocês lidam com essa angústia?
80 comentários
Tenho 10 anos de experiencia na area e hoje não sinto isso, acho que em algum momento eu ja senti, porem acho que isso passou quando eu comecei a me dedicar menos as funções do trabalho e mais em projetos e coisas que me interessam… Acho que hoje eu fico tranquilo em relação a isso por uma mistura de gostar muito de computação e programação, e me dedicar pouco ao trabalho, e focar mais em fazer coisas que eu gosto
Compartilho desse mesmo sentimento. Trabalhar com software é vazio, não é algo palpável, não é algo que eu consiga olhar e dizer “uau!”. Mas ainda bem que não trabalho desenvolvendo software (em 99% do tempo).
Trabalho na parte de gerenciamento de redes de computadores, mas confesso que o que mais me dá brilho, o que mais me deixa completo é o trabalho manual, quando um turno ou dois por semana resolvo sair do escritório e ir a campo, passar cabos de rede, trocar APs e switches, fazer furos em paredes, instalar racks, conversar com os usuários e etc. Ainda bem que consigo fazer isso, que tenho essa flexibilidade, por mais que meu chefe diga que isso não é nosso trabalho, não estou nem aí, é isso que me dá brilho.
Largar tudo e virar pedreiro. Coisa mais linda é erguer uma parede, fazer um telhado, sentar uma louça bem colocada. Algo material, cansativo, que termina o dia só querendo dormir. 30 anos na área e estou cansado.
Cara… Pra mim sua frase terminaria no “sinto um vazio enorme em trabalhar.”
A gente trabalha cada vez mais pra sobreviver e vivem ameaçando a gente que vão substituir a gente por qq porcaria mas na real as exigências só aumentam e o ganho só cai
A dor vêm do fato de termos de dedicar tanto tempo da nossa vida pra poder sobreviver com o mínimo de dignidade
(em minha humilde opinião)
Me sinto impelido a concordar contigo.
Se trocar no título “software” por qualquer área ou profissão, postar entre pessoas da área correspondente, as respostas serão no mesmo caminho.
Há profissões mais conectadas com a realidade, outras menos, mas onde existe exploração de alguém o sofrimento é consequência. Vivemos numa realidade em que a insatisfação é norma e, pasmem, necessária. A ilusão do trabalho como sentido pra vida, o como identidade / realização pessoal, são armadilhas que nos impõe pra justificar a exploração.
Se a gente olhar friamente, lavar louça é muito mais real e necessário e útil e importante e justo do que trocar a ordem/cor de um botão para induzir um cliente a comprar um produto que nem precisa.
Não vou dizer que somos “bullshit jobs” como no livro do David Graeber, mas preenchidos de “bullshit tasks”, tarefas que não precisariam existir.
Estou a quase 10 anos atuando como front-end. Eu adoro criar coisas para mim, adoro poder compartilhar conhecimento e opiniões em blogs que eu mesmo posso expressar e externalizar arte e coisas que sou apaixonado. Mas eu não amo trabalhar com tecnologia.
Eu trabalho porque me deu qualidade de vida, porque por sorte eu me dou bem e modéstia a parte consigo ser um bom desenvolvedor. Mas de maneira bem politizada me sinto apenas, no dia a dia, sendo a força de trabalho que entrega resultado para outros.
Eu penso em criar algo com tecnologia que mude o mundo, uma vez ou outra por ano, mas só penso, porque não tenho vontade de fazer nada. Depois de um burnout, eu comecei a ser apenas o trabalhador que preciso ser, apenas atuar bem aonde tenho qualidade de vida, e sustentar isso. Amar de verdade eu amo as pessoas da minha vida, os meus hobbies que sustento com o bom dinheiro que ganho e é isso, de resto, eu apenas existo enquanto tento viver na profissão.
para ser sincero, e na minha opinião, então posso estar errado ou não, mas a minha história de vida me levou a essa opinião.
A palavra trabalho deriva do latim tripalium ou tripalus, uma ferramenta de três pernas que imobilizava cavalos e bois para serem ferrados. Ou seja, é uma ferramenta para ferrar com a gente, a diferença é que somos pagos para isso, e na área de TI, até que bem pagos, podemos viajar o mundo, trabalhar em qualquer lugar do mundo, digo com propriedade, sendo tecnicamente bom e tendo o minimo de soft skills, voce pode arranjar um emprego em uma consultoria da Estonia, Portugal, Polonia, ai dentro da Europa pode ficar 5 anos em ter cidadania e ir se arrisca na Alemanha, UK, Italia, Espanha, porque sua profissão também é necessária lá, um dev java é um dev java em qualquer lugar do planeta, assim como QA, arquiteto, devops, sdet e todas as outras sopa de letrinhas, GP já não sei, mas conheço alguns POs por ai. MAs…. nas 8 horas que vc dedica da sua vida em qualquer lugar do mundo trabalhando com TI, é um lugar para se ferrar, voce vive o trabalho e pronto. Depois no sistema que nos foi instaurado é que utilizamos os ganhos do sacrificio diario, não há alaegria e propósito no que eu faço, eu na minha opinião, é fantasioso, trabalhe com o que goste e nao trabalhara? Nao concordo, hoje trabalho com algo que la atras fiz uma escolha, a escolha de um emprego estável que me desse oportunidade de viver e morar em qualquer lugar e que pagasse bem, bem, TI era uma escolha e é simplesmente isso, não foi por prazer, foi por capitalismo e sobrevivencia para viver bem o resto das minhas horas diarias que nao esteja trabalhando
Mesmo sentimento aqui, e indo para a terapia.
Eu fui trabalhar em áreas de infraestrutura. Já trabalhei com IIoT na área de Energia e agora com Telecom, com isso eu consigo entender como o meu trabalho se encaixa em toda a cadeia produtiva e me traz um alívio.
Acho que o grande problema é que não vemos como o nosso trabalho se encaixa em toda a cadeia produtiva. Isso é, se se encaixa, né? Porque no capitalismo tardio tem várias empresas que são só um encosto lucrativo na sociedade.
uma pequena contribuição para refletir sobre o tema que, coincidentemente, li hoje:
https://substack.com/home/post/p-156886061
ps: também trabalho com desenvolvimento de software e compartilho do sentimento geral…
Muitíssimo obrigado pela recomendação de leitura, Maria. Gostei muito dela.
Estou lendo os comentários aqui e super me identifico. Tenho uma relação de amor e ódio com a área, estou há 25 anos, já tentei uma mudança de carreira (para professor de yoga) há uns 15 anos atrás, já tirei ano sabático, já trabalhei em uma cooperativa que faz software para movimentos sociais. (eita.coop.br).
Ainda trabalho com programação, ainda tenho essa questão existencial / de angústia aberta. Ainda procuro respostas, como você.
Nos momentos da minha carreira em que, trabalhando numa empresa específica ou com um tipo de trabalho específico, sentia que estava “perdendo a minha vida”, não consegui ficar muito mais tempo.
Não sou um grande entendedor, mas o velho Marx já falava sobre “trabalho alienante/alienado”. Às vezes vale a pena dar uma lida nesse conceito, para mim é um dos motivos que sempre me fez surgir essa angústia, estar de uma certa forma fazendo um trabalho “alienante”. https://www.todamateria.com.br/alienacao-trabalho/
Passei por essa angústia também no passado, se fosse pra eu aconselhar esse eu do passado, diria o seguinte:
Mesmo se não importar, tudo bem 👍, o importante a princípio é se manter (e se manter bem!), e tendo essa base, conseguir coisas mais satisfatórias depois, seja migrando pra uma empresa ou projeto diferente, ou fazer algo que faça a diferença voluntariamente.
Ou seja, o fato do trabalho “não importar” não é o maior problema realmente, coisas como a empresa te sobrecarregar, desvio de função, falta de organização, salários baixos, falta de benefícios, toxidade, etc etc, esses sim são os pontos que realmente importam.
Não que fazer um trabalho que em nada contribui com coisa alguma não seja um problema, mas diria que é algo que você pode resolver com o tempo sabe?
Tipo, pensando no caso mais simplório (e que nem sempre é uma boa ideia, então cuidado), migrar pra uma empresa com projetos mais sérios, ou talvez caso a empresa já o faça, então de repente ver se tem como se encaixar nesses projetos. Enfim, é questão de ficar de olho nas oportunidades quando surgirem.
Enfim, cada caso é um caso também, por isso digo que este é um conselho que eu daria pro eu do passado kk
Eu ia compartilhar minha ideia, mas se encaixa bem no que o André disse.
Eu trabalhei por um tempo em empresas que precisavam loucamente fazer melhorias num produto, mesmo se o produto já funcionava bem. E isso me angustiada demais pela falta de sentido em “fazer por fazer”. Então achei uma empresa que trabalha com projetos, que possuem um início, meio e fim. Isso por si só me ajudou porque já trás o propósito, que é o fim do projeto, e a constante renovação não deixa muito espaço para o vazio se formar. Não que todos os projetos sejam revolucionários ou vão mudar o mundo (pro bem), mas ajudou bastante eu não querer abrir mão de tudo e me tornar um museólogo.
Então existem diferentes empresas com diferentes formas de trabalho, que seria interessante avaliar para ver algo que possa lhe agradar. Trabalhar com software tem o poder de ser muito dinâmico e abrangente, então garantir esses preceitos básicos e achar um tipo de trabalho que lhe agrade, pode ser uma solução, assim como foi pra mim.
Boa!
Isso das coisas terem um início, meio e fim é super importante. E o mais importante, quando uma coisa chega no fim, é bom termos um tempinho para nos recompormos e seguir para o próximo (um tempinho que eu digo são uns dias, e não um ano sabático IUAhsIUhsisa).
Trabalhar criando coisas abstratas, como software, em alguns casos pode trazer este tipo de sensação de falta de propósito.
Mas se você pensar que o software que você desenvolve, pode ajudar as pessoas, tornando seus trabalhos mais simples e menos desgastantes, poderá de dar um ânimo extra.
Eu trabalho há 16 anos fazendo sistemas de gestão empresarial e emissão de documentos fiscais. Pois é muito tempo, mas não o suficiente para enjoar disso.
No meu caso, o meu propósito é tornar a operação de venda no varejo mais rápida e simples, diminuindo a fila e a irritação nos caixas dos supermercados. Diminuindo erros que poderiam gerar prejuízos financeiros aos proprietários dos estabelecimentos comerciais. E principalmente, tornando a vida do operador de caixa mais feliz. Veja a importância desse trabalho.
Não sei o tipo de software que desenvolve, mas todo software é importante para a evolução da sociedade. Software médico, de pesquisa científica, comunicação, logística, etc. Todas as categorias têm suas parcelas de contribuição.
Além destas dicas que dei para ajudar e enxergar a importância do seu trabalho. Ter um hobby no qual você possa construir coisas manualmente, ajuda bastante. Eu por exemplo, faço marcenaria, construindo peças orgânicas em madeira, para estúdios fotográficos. Dá uma sensação muito boa também. Mas aí é uma questão mais subjetiva.
Cara, trabalho na area tb.
Acho que terapia ajuda muito a lidar com as angustias da vida.
Mas no trabalho especificamente, não tenho esse tipo de “vazio”.
Vejo trabalho como forma de ganhar dinheiro, não para “Preencher” algo.
Se eu pudesse, não trabalharia nem fudendo.
Agora, se vc quer fazer diferença, pode se envolver em projeto open source. A comunidade é muito legal e pode trazer esse sentido que vc quer.
Cara, pior que eu colaborava com o WordPress, mas as molecagens do Matt Mullenweg me broxaram. Em conversas na comunidade tem muita gente concluindo que colaborar hoje em dia só ajuda a fortalecer a Automattic por conta no foco em FSE pra concorrer com serviços de block building. Queria ter conhecimento para contribuir com alguma distro Linux hehe
fazendo coro com o pessoal daqui sobre:
1) adicionar mais coisas na sua vida que te satisfaçam e tirem a importância do trabalho pra se sentir realizado. e aqui não quer dizer fazer Grandes Coisas, porque no fim das contas a nossa vida é uma vidinha mesmo, cotidiana. aí é encontrar mais os momentos e as coisas que te dão aquela centelha de “po a vida é boa né”. tomar um café num lugar que vc gosta, experimentar uma atividade nova (às vezes o prazer tá na experimentação, não em encontrar algo pra todo o sempre), bater perna pelo bairro. enfim, coisas pequenas, que não são difíceis de começar.
2) trabalho é só trabalho, é pra ganhar dinheiro e viver fora dele. concordo mas adicionaria tbm que é legal trabalhar numa empresa que te estimule intelectualmente. eu sou designer numa startup grande e parte do que me motiva a continuar lá depois de 6 anos é porque a cada projeto novo eu sinto minha cabeça pensando e considerando e descartando caminhos. se fosse fazer o mesmo arroz com feijão sempre, já teria procurado outra coisa. então beleza: é só trabalho mas se a cabeça puder ficar entretida intelectualmente, ajuda muito
3) dificilmente uma empresa grande vai te dar um propósito pq no fim o que elas querem é gerar lucro (e pra acionista, dependendo do tamanho, o que é pior ainda) então muita coisa que tá no discurso não vai pra prática pq a conta não fecha.
Bem vindo ao barco, Sandro :)
Bem, se envolver em projetos (independente de ser TI) que a gente se apaixone, com propósito e que parece que vai mudar o mundo realmente é para poucos e tem esse sentimento meio generalizado que o capitalismo vai nos engolindo e estamos ali só pelo contracheque. Já conversei com pessoas em diversas áreas: arquitetos, psicólogos, mercado financeiro e bem poucas pessoas de fato parecem apaixonadas pelo que fazem, sem aquela sensação de estarem falando aquilo pela imagem, motivar time, agradar chefe. Parece que na maior parte do tempo em qualquer trabalho você vai só apertar parafuso mesmo.
Eu estou começando um esforço para sair da TI e entrar numa outra carreira que vai mais de encontro com alguns ideais que acredito e onde eu percebi que mesmo estudar sobre o tema me é estimulante. Inclusive constatei um fato: nos poucos meses que estou engatinhando nessa área li mais livros e conteúdo sobre ela do que livros de “TI” nos 15 anos na área.
A TI me trouxe diversos privilégios financeiros que diversas pessoas com quem me relacionei na infância/juventude sequer sonham, é provável que hoje eu ganhe 5/6x mais que meus pais, por exemplo. É a história clichê da pessoa pobre, estudou em escola pública a vida toda e “encontrou um lugar ao sol”, mas na prática só me sinto apertando parafuso sem grande contribuição para humanidade, mas o pior é me sentir prejudicando em certa medida (estou numa instituição financeira vendendo produto de crédito a juros escandalosos).
Tive muita facilidade em aprender programar, lógica e etc., mas tive um momento de paixão muito breve. Conheci alguns engenheiros que amam falar sobre código, bibliotecas revolucionárias e realmente parecem adorar o tecniquês da coisa. No geral sempre sempre achei um porre :), gostava de ver o software pronto, ver as pessoas usando e tal, mas sem grande satisfação pelo trabalho em si. Nisso tentei mudar para área da gestão, numa tentativa de me aproximar mais das pessoas, influenciar carreiras , etc., onde estou até hoje e talvez seja o lugar que faça mais sentido para meu perfil, mas ainda assim não me sinto muito feliz e estou nessa busca por algo onde eu tenha mais prazer no trabalho. (e como muitos falaram, é uma insatisfação cheia privilégios que o retorno financeiro da área me deu)
Se você gosta da área no sentido amplo, construir software, discutir sobre novas tecnologias, padrões de arquitetura etc. (eu não gosto), talvez você encontre motivação se envolvendo com algum projeto que você acredite no potencial benéfico (O Manual, por exemplo, parece ser um lugar assim, apesar que o Guedin vira e mexe se aperta um pouco financeiramente). Se o lugar em que você está gera uma renda interessante e você consegue ter uma vida razoável junto dos seus, talvez você possa se envolver em algum projeto educacional/social, onde você pode ajudar jovens querendo mudar a realidade que vivem através do estudo e isso te impulsionar numa outra direção ou mesmo aliviar o peso pelo “falta de sentido” no trabalho atual.
Não acho que a vida tem solução no sentido: “vamos encontrar o remédio pra felicidade dessa forma”. Usar os recursos finitos que você possui, tempo, dinheiro, atenção para beneficiar os outros, na minha opinião, parece ser um caminho que traz mais felicidade, contentamento e acredito que isso pode ser feito trabalhando numa multinacional que só se preocupa com lucro ou no projeto social numa periferia qualquer, só que nem todos nós temos meios hábeis de conseguir lidar com isso em qualquer condição.
Já falei acima, mas meu “conselho” é: foca em beneficiar positivamente a vida das pessoas, independente do que esteja fazendo. É possível que visualize novos caminhos ou mesmo sinta prazer no que já está fazendo.
Sou dev full time há uns quase 10 anos. Antes disso trabalhava como gerente de TI.
Tenho algumas coisas para dizer, e você escolhe o que fizer sentido, se fizer!
1 – Se o teu emprego não te faz bem, fuja dele! Sério. Eu tive uma experiência terrível em que minha esposa trabalhou alguns anos num emprego que ela não gostava, mas pagava bem. Não foram mais que 2 ou 3 anos. Mas esse emprego gerou um câncer nela, por conta do stress. Para ser sincero e mais preciso, ela “””apenas””” teve um câncer adiantado em muitos anos. Ela provavelmente já teria, mas adiantou MUITO.
2 – As vezes o que te falta, como já falaram, é trabalhar para uma empresa que desenvolva algo que te faz sentido. Um dos meus últimos trabalhos foi para uma empresa que tá revolucionando a indústria textil, reduzindo o impacto do lixo na cadeia de produção, e também o consumo de água e coisas do tipo. Ou seja, muito focada no eco. Eu gostava disso.
3 – As vezes te falta trabalhar com gente mais legal. Digo, nem todo mundo nasceu pro Home Office. Eu não nasci. Tive muita dificuldade em me adaptar a trabalhar de casa, e ainda hoje sofro um pouco com isso. Claro que eu não quero ir para uma empresa a KMs de distância de casa, num busão lotado, passando calor, para fazer o que eu posso fazer de casa. Mas eu honestamente gosto de trabalhar com pessoas. Gosto do papo nada a ver com nada que me desliga um pouco do trabalho, gosto de conviver com pessoas diferentes e tudo o que o presencial dá. Para falar a verdade, quando mudei aqui para PT, eu quase voltei para o BR pq me sentia mega sozinho aqui, mesmo com a família. Tudo melhorou quando mudei de emprego para uma empresa que tinha escritório relativamente perto de casa e que as pessoas iam para o escritório (mesmo sem a obrigação de estar lá). Isso me fez muito bem, quem sabe não te anima também?
Claro que é muito fácil de falar tudo isso. A gente precisa da grana e pronto. Hoje eu escolho trabalhos que me fazem bem. To aqui pensando, e agora que trabalho numa white label de venda de medicamentos online, talvez o propósito da empresa não seja nobre como a anterior, mas me faz feliz trabalhar lá. Eu gosto do ambiente (remoto, mas você entendeu), das pessoas, do tipo de trabalho, de ver meu código rodando e a cada de vez em quando descobrir que a gente vende muito mais que eu imaginava…
Mas escolher trabalho fica mais fácil quando você tem uma certa estabilidade financeira, que você geralmente só tem quando não escolhe o trabalho. Meio controverso, eu sei.
Tenta mudar de emprego dentro da mesma área, se é que você gosta dela. As vezes, ganhar a metade em BRL (mas ainda assim bem mais que como jornalista), vale mais que ganhar o dobro em USD! Tem que acahr o equilíbrio!
Eu trabalho como dev e não tenho essa angústia. Acho que o principal motivo é que eu gosto de solucionar problemas de lógica. Os jogos que eu gosto são assim, gosto de arrumar coisas de casa assim, sempre gostei daqueles probleminhas de lógica em revistinhas. Então, por mais que não me importe com o uso do software, eu gosto e fico animado em resolver problemas, achar bugs, pensar funcionalidades.
Mas, fora isso, também estou numa empresa que eu me importo um pouco. Tanto com as pessoas da empresa quanto com o produto que construímos.
E isso pode estar um pouco mais sob o seu controle do que o prazer inerente de resolver problemas de lógica.
Vou listar fatores da empresa onde trabalho (também americana aliás) que acho que contribuem para que eu não tenha essa angustia:
1 – É uma startup pequena. O que significa várias coisas.
1.1 – Que o meu trabalho importa, se eu sair, vai ter impacto no desenvolvimento do produto.
1.2 – Que eu tenho uma certa autonomia, eu posso palpitar no design, na UX, até sugerir (e ser ouvido) novas funcionalidades. Eu realmente sou parte do time de produto, não apenas um dev resolvendo tickets de modo automático e quase abstratos.
1.3 – Que o produto ainda está em evolução. Eu gosto de criar coisas, por isso gosto de ser dev. Trabalhar num produto ainda em evolução me permitir estar sempre criando coisas. Diferente de fazer manutenção em um software que ninguém se importa em uma empresa grande.
As pessoas do time são pessoas boas. Isso importa muito para mim e eu tenho observar isso desde as entrevistas. Já recusei oferta pq não fui muito com a cara do entrevistador. Estar trabalhando com pessoas de bom coração, que compartilham alguns princípios com você, para mim faz muita diferença na minha felicidade ao trabalhar.
O produto é minimamente relevante e alinhado com como eu acho que deve ser o mundo. Não é que o software é algo super impactante ou interessante ou benéfico para a sociedade. É um software de RH para grandes empresas. Mas eu acho que o software é realmente uma alternativa melhor, do ponto de vista de humano, ao que costuma ser usado nessas grandes empresas. É mais focado em desenvolver as pessoas e não permitir aos gestores que monitorem os empregados e usem para abusar seu poder. Não é nada super inspirador, mas, minimamente, eu acho que é algo que faz sentido trabalhar. Se não fosse, já teria saído.
Eu acho que achar um lugar melhor para trabalhar que cumpra esses critérios sob o seu ponto de vista pode te ajudar com essa angustia.
Em 2020 (antes da Pandemia), eu mudei para a área de software embarcado e robótica. Especificamente robótica agrícola. Me sinto mais realizado vendo os robôs em que trabalho (mesmo que tenha sido em uma parte bem pequena do código) andando e cuidando das “plantinhas”.
As vezes mudar de aplicação dentro da mesma área pode ser positivo sem a necessidade de pivotar completamente e “jogar fora” seu currículo
Eu entrei em TI achando que ia programar robôs e acabei tendo que fazer websites WordPress com PHP e JS. Você acha que ainda dá pra entrar nessa área de programação embarcada, Miguel? Não tenho experiência nenhuma com isso, mas com certeza me sentiria melhor vendo um robô simples realizar uma tarefa que programei :D
Passei por crise igual, até que um dia tomei uma atitude: larguei tudo e busquei uma profissão que fizesse mais sentido, para mim, para a sociedade e para o planeta.
Qual profissão?
Eu achava que poderia dar uma contribuição melhor pra sociedade trabalhando pelo meio ambiente, então escolhi engenharia ambiental. Foi uma mudança radical na época, altas crises na família e tals… Não me arrependo, e a saudade de um código eu resolvo como hobby, kkkk.
Realmente, qual? Eu tô quase comprando uma máquina de tattoo aqui pra dar mais uma chance pra essa doideira rs
Ué, (se você tiver condições) dá pra comprar a máquina de tattoo, tatuar a rapeize na faixa, e correr atrás do sonho de programar os robôs.
Nessa era de glorificação de tudo no Instagram, nem tudo precisa virar trabalho.
A minha companheira fez isso e se diverte horrores tatuando a galera a preço de custo dos materiais, as vezes mais ainda do que a pessoa recebendo a tatuagem.
Como diria o pessoal aqui da minha terra, só da-lhe.
Não trabalho com TI, mas me parece que o problema é buscar satisfação no trabalho. A resposta curta é buscar satisfação fora do trabalho.
Cara, compartilho da sua angústia, pois tenho passado por ela em boa parte da minha carreira na TI. É um trabalho no fim das contas, invisível, insosso, sem propósito. O trabalho remoto melhorou algumas coisas, como a perda de tempo de deslocamento, mas piorou esse lado da alienação. No dia-a-dia, pra não focar nesse lado tóxico, tento me distrair na busca e construção das soluções enquanto ouço música. Tenho também trabalhado em terapia a habilidade de não esperar satisfação de vida no trabalho, mas sim nas minhas atividades cotidianas e hobbies, afinal, bem pouca gente nessa selva capitalista tem o privilégio de trabalhar com o algo satisfatório. Mas tem dia que a vontade de deixar tudo pra trás e produzir alimento orgânico bate. Às vezes, mudar os ares, isto é, procurar outra empresa, ajuda também. Mas sei que o mar não tá pra peixe, por isso entendo que muita gente se agarra em trabalhos que pagam melhor, mesmo tendo problemas como esses. Desejo força, mano!
Obrigado pela força, PH! A ansiedade de perder a recente estabilidade financeira que conquistei é o grande dilema – ser feliz ou pagar contas hahaha
Por hora preciso pagar contas. Mas o feedback que tenho tido aqui me fez pensar. Acho que vou ficar mais uns anos trabalhando com isso e depois vou fazer outra coisa da vida, pique o cara que viralizou semana passada por abandonar TI para ser soldador.
Não consigo discordar dele ahah
Que coincidência esse post, eu iniciei um blog pessoal e para começar pensei em dois temas, um deles é justamente sobre esse sentimento que compartilhou, trabalho com tecnologia há 22 anos e sinto um vazio absurdo hoje, me sentia muito mais feliz e completo na época em que era professor de informática e design gráfico, tenho sentido cada dia mais a falta de algo que seja real, físico, que exista e que não seja somente “fumaça” passageira nesse espaço imenso de apps e conteúdos gerados por IA.
Obrigado por compartilhar esse sentimento, vou iniciar meu blog tratando justamente desse sentimento.
Obs: Eu trocaria tranquilamente a tecnologia por, sei lá, criação de carpas ou produção de cerâmica rsrsrs.
Compartilha o link do seu blog! Já me interessei em ler o seu depoimento.
Pode deixar, acabei de criar o blog e ainda está vazio, mas assim que terminar de escrever meu primeiro post, volto aqui para compartilhar :) Obrigado pelo interesse.
Feliz em ajudar e esperando pelo blo 🙌
eu simplesmente cago pra isso, sinceramente.
é um trampo que paga bem, principalmente pra realidade que vivo, e consigo com isso ir pra shows, dar conforto pra família, comprar jogos, etc… então pra mim nunca bate angústia.
Eu entendo você, percebe-se que você tem um lado artista, um lado criativo e que a vida acabou te levando a trabalhar com algo mais ” linha de produção”. Soma ainda o fato de você ser um prestador de serviço e não estar trabalhando em um projeto seu, do seu interesse. Cara, o que dizer? Tem muitas variáveis que a gente tem que levar em conta antes de tomar decisões drásticas na carreira, comece fazendo uma análise bem realista, sua idade, sua formação, seu patrimônio atual, sua rede de apoio, suas qualidades e defeitos, etc. Avalie sua vida extra profissional, relacionamentos, família. Se o dia a dia está difícil de levar, sem ânimo pra nada, considere uma consulta com um bom médico/psiquiatra pra avaliar se há necessidade de um antidepressivo
Postei e saí correndo para a terapia rs
Sério, logo quando fiz esse desabafo já fui buscar ajuda. Espero não precisar de remédios.
Muito bom ler essa thread. Era meu sentimento também depois de trabalhar 2 anos na área, após me formar. Juntei um bom dinheiro então fiquei um tempo sem trabalhar e fui explorar outras coisas. Acho que pode ser uma boa. Me ajudou bastante.
Acho que as pessoas colocaram bons pontos: o trabalho não tem que ser a fonte da realização pessoal; grande parte dos trabalhos aliena o trabalhador; mesmo quando você gosta da atividade, trabalhar com aquilo geralmente te afasta do prazer, etc.
Queria acrescentar dois pontos:
1- Empurrar com a barriga pode não ser uma boa opção. Pra mim, “dar migué” no trabalho foi terrível. Não porque eu me sentia moralmente mal com isso, mas porque destruiu uma parte um pouco mais íntegra em mim, sabe? Meio que abordei a vida dando migué, acho? Não sei explicar muito bem, mas prefiro fazer as coisas direito, ainda que não veja sentido naquilo. O que nos leva ao ponto
2- Se você, como eu, é pessimista e inconformado, talvez a sugestão de trabalhar na empresa pra depois oferecer seu trabalho valioso em outro lugar (como alguém sugeriu nos comentários) não te satisfaça. Porque sobra pouco tempo pra aplicar nesse trabalho que você vê valor, porque a vida não pode ser só trabalho etc. Então pode ser uma boa estratégia conciliar coisas que você ache importantes, problemáticas ou que você tenha afinidade com suas habilidades tech. Tô tentando fazer isso agora, migrando pra ClimateTech. Vamo ver como isso vai se desenrolar.
Uma outra coisa que me veio a mente relendo foi que você comentou algumas vezes que parou vida pessoal e hobbies. Acho que tentar retomar isso já é um bom ponto de partida. Talvez sua insatisfação com o trabalho se torne secundária se você priorizar explorar outras áreas da sua vida, não sei.
Enfim, sorte pra você nessa jornada!
Estou inventando energia para retomar essas atividades. O trabalho em si não me drena, mas a sensação de estar jogando minha vida fora sim. Mesmo assim, tô dando o meu melhor para manter amizades por perto, sair quando puder e ficar longe de telas.
A caminhada vai ser longa, mas uma hora eu chego la.
Se você tivesse acordando todos os dias às 5 da manhã e pegando ônibus lotado, sua meta ou seu propósito seria almejar um emprego igual o seu de hoje. Ter esta vida confortável de “homeoffice” e afins.
Talvez te falte ocupar sua mente/tempo com outras coisas além do trabalho.
Cuidado, esse tipo de raciocínio nos faz sermos ainda mais explorados pelo mercado de trabalho. “Não reclame pq tem gente pior que você”
Pode reclamar sim, inclusive reclamo por mim aqui no home office E pelo colega do presencial que precisa acordar cedo e pegar ônibus lotado
Mano, já trampei de garçom na madrugada, descarreguei caminhão, fiz pintura de casa… A questão aqui não é ser “mimado”. Sei bem que o lugar onde estou é beeem melhor do que o que a maioria das pessoas tem.
Seria muito bom se garantir minha subsistência e pagar contas me bastasse. Eu achei que bastaria. Pena que a realidade é diferente e eu não consigo me conformar.
Como assim você não vê propósito no que faz? Seu trabalho não é programar para criar (ou dar manutenção em) um software?
Sei lá, pelo meu olhar de semi leigo (trabalhei muito brevemente na área e desisti, mas por outros motivos), ver o software rodando redondinho, atendendo as necessidades dos usuários finais, me parece ser o sentido final do trabalho nessa área.
É uma visão. No dia a dia você recebe um ticket com um tempo pre determinado pra resolver. Faz isso e sobe o código pra produção. E passa para o próximo ticket, de outro cliente. Não dá nem tempo de se importar com o que você fez pq tem mais coisa irrelevante na fila.
No fim do dia, trabalho com SEO, o contrário do que é feito aqui no Manual. Meu trabalho é parte do chorume que torna a internet um lugar pior e ainda por cima ajuda advogados norte americanos a enriquecer.
Se tem um lado errado da história, é nele que estou 🤷
Já assistiu ao filme “Como Enlouquecer Seu Chefe” (em inglês: Office Space)? Ele aborda muito do que você falou, sobre o propósito de se matar de trabalhar, esse vazio do trabalho em si, e a falta de reconhecimento. Ainda por cima, é sobre um emprego na área de TI e o filme é de 1999, ou seja, essa impressão já era comum desde o milênio passado, e não mudou muito pros dias de hoje.
PS: o filme é bem “Sessão da Tarde”, apesar de não ser besteirol, não vá esperando assistir uma obra-prima cinematográfica.
Discordo Diogo. Office Space é uma obra-prima cinematográfica, além de ter a Jennifer Aniston antes de ficar famosa no Friends.
Ser uma obra-prima ou não vai muito de opinião e realmente não vem ao caso no que estamos discutindo, mas o filme retrata uma época em que empresas passavam por um “downsize” que nada mais era uma reestruturação muitas vezes executada por consultores externos que visava diminuir o número de funcionários da empresa. Comecei na área em 1996 e se falava muito disso.
Como o Diogo, eu também acredito que o filme aborda muito o que o Sandro falou. E vale a pena assistir, lhe faz pensar e colocar as coisas em perspectiva. A proposito, o filme é uma comédia e abordo tudo isso com muito humor.
Falei isso mais no sentido de que não é um daqueles filmes blockbusters, que são bastante premiados, ou que tem um grande orçamento, ou até que é um daqueles “filme cabeça” cult, aclamados pela crítica (até onde eu sei), entende? Só não quis criar uma expectativa muito alta. Mas de fato, o que é considerado “obra-prima” vai muito da opinião de cada um.
Uma correção, eu falei que o filme não é besteirol, mas lembrando agora, tem alguns momentos besteirol, sim. O que pode não ser um demérito, até porque é um filme fruto dos anos 90, mas só pra ter a expectativa ajustada.
Eu entendo a sua colocação. Eu sou suspeito para falar na verdade pois sou fã do filme. Acho que a sua intensão de não criar uma expectativa alta foi boa, eu por exemplo sempre desconfio que alguém vá gostar dos filmes tanto quando eu gostei. O Office Space sem dúvida me cria esta dúvida também.
Mas por gostar bastante do filme não tive como não comentar, também recomendando o filme.
Filme leve com crítica social foda? Buscando o torrent agora mesmo! Obrigado pela indicação!
Eu sou do tipo de pessoa que acredita que sempre dá para achar um propósito no que fazemos. Muitas vezes não é óbvio. As vezes é ligado com a atividade principal da empresa na qual você trabalha, mas as vezes também está nos clientes que a empresa atende. No papel que a empresa representa na comunidade, ou que as pessoas atendidas representam.
A firma atende quase que exclusivamente advogados norte americanos ahahaha
Acho que isso não vai funcionar para mim
Cara, esse é o sentimento que eu e muitos dos meus amigos que trabalham com TI há anos sente.
Eu cansei de TI! Real! Cansei dos processos de entrevistas, que te pedem todo tipo de arquitetura e no final, a empresa nem organizada é; te cobram para sempre entregar algo que vai revolucionar o negócio, mas sem nenhuma base; depender de um emprego por salário e criar uma ansiedade quando começa haver demissões.
Venho procurando fazer outras coisas. Me aventurando em produção cultural, marketing… dinheiro é bom, paga as contas, mas aprender a viver com o que é necessário está me ajudando muito.
Disse tudo. Toda a ladainha corporativa de TI que paga de “revolucionária” é o maior desgaste. No fim do dia a maior parte do trabalho é fechar os tickets da sprint.
Dinheiro é bom, mas não é tudo. A época da minha empresa que fui mais feliz também foi a época onde eu estava completamente falido hahaha
Cara, também estou pensando em voltar com produção cultural. Costumava fazer ilustrações profissionalmente (o que matou minha vontade de ilustrar), fazer cartuns e até tatuar. Talvez eu volte a fazer isso.
No momento minha cabeça está num nível de “vazio” que me faz pensar em correr atrás de adrenalina só pra sentir qualquer coisa que seja. Sério, qualquer coisa que não essa angústia.
Pode ser extremo, mas também pode ser útil. Só tentando um sky diving pra saber de fato haha
Pena que não tem como editar. Olha como a cabeça do sujeito fica zoada.
Ia dizer “a época da minha vida” e disse “a época da minha empresa” sem perceber 😂
Socorro
Me lembrou muito uma música chamada “Socorro”, do Arnaldo Antunes, interpretada pela Cássia Eller. Recomendo.
sou desenvolvedor e também sinto isso. no geral, eu tenho odiado também o que se tornou esse mundo de tecnologia que acho completamente sem sentido eu ser pago pra isso.
ao mesmo tempo, essa é a coisa q eu sei fazer (ou q tenho potencial pra fazer) q me paga melhor, muito acima das outras, com um esforço relativamente pequeno comparativamente.
aí na minha balança tá: ser sugado pelo capitalismo fazendo algo q faça sentido pra mim, mas que não me dá dinheiro ou q eu tenha q trabalhar de forma sacrificante X fazer algo q não vejo qualquer sentido, mas q paga as contas e me permite não ter q trabalhar mais do q 40h semanais.
no fim das contas, o segundo caso tem pesado mais pra mim, eu tenho escolhido o vazio existencial de não ver sentido no que faço e tentar aproveitar a vida nas frestas. até quando eu não sei, já que com ctz ainda tenho algumas décadas de trabalho pela frente.
Entendo seu lado. A necessidade de dinheiro e a cobrança de sucesso pesam demais. Mesmo assim, não consigo engolir essa realidade. Hoje eu estou muito mais propenso a abraçar a humildade financeira para não ter o vazio. Pique o protagonista de Beleza Americana. Mas ele já tinha casa própria e tal.
Talvez o lance seja mesmo ficar em TI até conseguir meu próprio cantinho, aí buscar algo mais tranquilo que me sustente e me permitir viver a vida sem esse sentimento triste.
Você acha que isso é exclusivo de TI? Qual sua idade?
Faz assim, coloca uma meta de guarda dinheiro pra ela… Seja um bem de consumo, viagem ou apenas guardar grana pro futuro. Trabalhar é apenas pra ganhar dinheiro. Bem vindo ao mundo real.
Óbvio que eu sei que isso não é exclusivo de TI, amigo. O ponto é que eu sinto isso muito mais intensamente em TI.
Outra coisa, olha seu tom. Isso aqui não é o Reddit nem o Twitter. Seu comentário não acrescenta em nada. A ideia é que esse seja um espaço saudável.
Eu bruxo, eu já passei por momentos difíceis também, já tive burnout quando nem sabia o que era isso. O problema que estamos discutindo aqui não é trabalho ou valores, é capitalismo. Você é apenas mais uma engrenagem no sistema e tá se dando conta disso.
Aliás, já tem algum hobbie? Arte, música, literatura, judô, mecânica de Fusca?
Aliás, desculpa se fui agressivo, não foi a intenção. Segura a onda que as coisas vão melhorar.
Tranquilo, mano. Sem problemas.
Cara, ilustração e escrita era a minha vida antes de TI. Acabei sacrificando isso para entrar no mercado.
Concordo com você sobre o capitalismo destruir qualquer conexão que se possa ter com o trabalho. Nisso estamos na mesma página.
Mas é difícil de engolir essa angústia de gastar todo esse tempo em uma coisa que me destrói por dentro. Quero voltar a ter hobbies e, depois de todo esse feedback bom que eu tive aqui, vou me esforçar para fazer isso aos fins de semana e começar terapia também.
Desculpa se eu acabei sendo agressivo também. Gosto desse espaço e quero preservar o máximo que puder.
Olá Sandro, trabalho a mais de 20 anos com TI. Desses 20 anos, 18 na mesma empresa. A maneira que lido com essa angústia que é trabalho para viver e não vivo para trabalhar. Por mais clichê que essa frase seja, procure encarar a TI como um trabalho como outro qualquer. Não há nada de especial em trabalhar com TI.
Eu não acredito que o seu trabalho seja dispensável. No entanto, na minha experiência profissional eu sei que existem empresas boas e empresas ruins. Não só na TI, claro. Não sei se é o seu caso mas existem as famosas “fábricas de software” onde o ritmo de trabalho é frenético, com prazos curtíssimos e com entregas duvidosas. Se esse é o seu caso, talvez seja hora de procurar outra empresa.
Outra dica, também não sei se é o seu caso, mas procure não trabalhar como terceiro. Eu já trabalhei como terceiro e é ele que sempre faz o serviço sujo. Trabalhar na empresa e não prestar serviço para a empresa são realidades totalmente diferentes.
TI é bem dinâmica e todos os dias novos processos e métodos são criados com Scrum, Agile, ITIL, SRE, DevOps… e assim vai. Então procure empresas que tenham esses processos/ métodos bem estabelecidos e também com um bônus de participação de resultados hehehehe.
Por último, não faça isso consigo mesmo de tentar achar um propósito ou sentido nas coisas, pois muitas vezes nunca o encontramos encontramos. Sugiro ler o livro Por que fazemos o que fazemos? do Mario Sergio Cortella. Como a própria descrição diz que “o livro é um verdadeiro manual para todo mundo que tem uma carreira mas vive se questionando sobre o presente e o futuro.”
A empresa na qual trabalho tem boas práticas. Tem bagunça também, mas é a mais organizada que eu trabalhei até aqui.
Meu sonho é uma CLT, mas no mercado atual isso tá cada vez mais raro. Só recebo ofertas PJ.
Você tá certo sobre não atrelar sentido ou propósito ao trabalho. Me perdi nisso migrando de carreira. Acabei sacrificando minha vida pessoal para entrar na área. Obrigado pela indicação de livro! Vou comprar e tentar ler no fim de semana.
fazendo coro ao Quandt e Bruno M., é muito saudável desvincular a relevância do seu trabalho para o mundo do seu valor enquanto pessoa, esse é um dos principais argumentos do “Bullshit jobs” do David Graeber, uma leitura que eu recomendo. ao mesmo tempo, eu entendo completamente o desgaste que é dedicar horas de trabalho e se sentir Sisifo rolando a pedra monte a cima, a solução pra isso não é ignorar essa sensação e sim transmutá-la em outro lugar. você pode encarar seu trabalho como a forma de garantir o dinheiro pra comprar o sítio onde você vai sumir, pode ver como a forma de manter seu padrão de vida etc, mas uma coisa que funciona melhor, para mim e outras pessoas que conheço, é pensar no seu bullshit job como a forma se garantir que você possa fazer um outro trabalho significativo em segurança: você pode dedicar algumas horas por semana à um trabalho voluntário, à um coletivo ou partido político, à fazer arte ou ajudar a financiar que pessoas façam arte; não, sei lá, assinando o patreon de seu streamer favorito, mas contribuindo com uma companhia de teatro pequena da sua cidade, tem vários projetos de apoio às crianças e adolescentes que são de música, artes marciais, ou mesmo programação, que precisam de algumas horas por semana se várias pessoas e também de dinheiro. e não tô falando de uma satisfação assistencialista de doar grana e se sentir bem, mas sim de realmente participar, se envolver com trabalho significativo, dedicar tempo da sua vida a mudar a vida nem que seja de só uma pessoa, já é incrível. eu fui aluno de cursinho popular e toda vez que eu vejo um ex aluno que teve a vida mudada porque pode entrar numa universidade eu tenho uma satisfação enorme com a minha vida, eu não salvei o mundo, mas eu ajudei a melhorar muito uma vida.
e arte. se tu tem algum interesse em arte, aproveite a grana melhor que a área paga e invista um pouco em aprender alguma arte que você se interessa, cê pode descobrir que ela não é tão interessante assim e ir tentando outras, mas eventualmente você encontra e é um negócio transformador
Cara, em comunicação um dos meus trabalhos era fazer ilustração editorial. Mas com a migração de carreira, fui deixando isso de lado ao ponto de não encostar em um lápis, nanquim ou mesmo tablet pra desenho.
Tinha medo de não conseguir ingressar em tech se mantesse esse lado artístico. Tava com tanta pressão na cabeça pra fazer essa aposta vingar que sacrifiquei minha vida pessoal e hobbies para conseguir o salário alto.
Me arrependo amargamente disso. Vou ver se acho um jeito de ressuscitar esse lado da minha vida.
Obrigado pelo heads up!
A coisa mais nociva que foi passada pra minha geração foi a de que o trabalho tem que realizar a gente. Trabalho é o que a gente faz para poder ter realização onde realmente importa na vida.
Realização no trabalho é algo que inventaram pra sugar mais o peão, para que ele dedique mais tempo e esforço no trabalho do que o contratado.
Entendo essa nocividade. No meu caso, é a enxurrada de críticas que se recebe por fazer qualquer coisa que não seja “produtiva”. Pancada atrás de pancada por não estar ganhando dinheiro o suficiente ou fazendo coisas que não dão dinheiro.
De quem você recebe essas críticas? Pare de ouvir essas pessoas.
Teria que cortar relações com a maior parte da minha família 😂
Para as demais pessoas eu não dou muita bola mesmo. Mas vindo de pessoas próximas a gente acaba sentindo.
Simples, não associe sua vida ao seu trabalho, procure sentido na vida em outras coisas que não seja seu trabalho.
Meu trabalho é um meio de me sustentar e sustentar minha família.
Muitas pessoas possuem sua identidade atrelada ao seu trabalho/profissão.
“Me diga quem é você?”
“Meu nome é fulano, sou programador, tenho x anos.”
Isso é muito prejudicial pra saúde mental, em vários aspectos.
Hoje eu sou cara que se descreve dessa forma. Nome, profissão, algum acréscimo. Realmente, tenho que desvincular minha personalidade do profissional.
Obrigado pela dica, Quandt 🙌
Trabalho em uma instituição de ensino focada no comércio, e, embora eu saiba que o que faço impacta muitas pessoas, e de algum jeito me identifique com a missão e os valores da empresa, a realidade das decisões e da liderança acaba apagando tudo isso. No final do dia, abstraio isso e fico tranquilo sabendo que sou só mais uma mão de obra e CLT.
Em relação ao mundo, foco minha energia em contribuir com projetos sociais, nem sempre nosso trabalho precisa preencher esse espaço em nossas vidas em relação ao propósito que buscamos.
Concordo com você, trabalhava numa grande empresa onde algum idiota senior decidiu que vamos cada um fazer um pedacinho da coisa e sumir na multidão.
Não recebemos premios ou reconhecimento como tantas outras profissões.
Eu trabalho por conta própria, agora meu trabalho tem mais sentido, vejo os resultados diariamente na empresa que me contratou pra gerenciar a realização dos concursos.
Descreveu o meu cotidiano de trabalho. Receber tickets no começo da sprint, finalizar todos e receber mais tickets. Tudo monitorado por mais de três sistemas de gestão de equipes e produtividade.
As vezes me dá vontade de mandar tudo pro inferno, destruir todos os meus dispositivos digitais com uma marreta (precisa ser catártico) e sumir pra uma roça da vida.
Não tenho esse sentimento, adoro a área. Sei que se parar pra pensar nenhum trabalho nosso tem realmente propósito além de enriquecer alguém que já tem mais dinheiro do que deveria. Exceto quando você trabalha pra si mesmo, claro
Entendo seu lado, a maioria das pessoas trampa pelo dinheiro, não tem como julgar. Mas a sensação que eu tenho é que quando eu leio o termo “bullshit job” TI é a primeira coisa que vem a mente. O meu problema está mais ligado ao produto final do trabalho, que é uma parada completamente sem criatividade e alma.
Sou CS de um software. Vejo prazer nos desenvolvedores com o produto inteiro, rodando lindo, ficando felizes com feedback que os clientes dão. No entando também vejo que a expressão de prazer pessoal, fora as entregas corriqueiras, é limitada enquanto produto. E por não ser o suficiente para atingir outros prazeres acabam focando em outras áreas. Um descobriu na luta algo legal e incluiu na rotina, outros se aventuram no ambiente musical aprendendo novos instrumentos, no surf como esporte, enfim… acredito que o vazio sentido e imposto por algumas limitações externas podem ser compensadas através de outras atividades que exprimem o seu lado mais focado em desenvolvimento humano como pessoa, satisfação pessoal e contentamento. O autoconhecimento ajuda na busca desse entendimento pessoal. Seja na prática do yoga, processo terapêutico com psicólogas (recomendo fortemente) ou um processo analítico. Ou mais simples ainda vai lá e testa qualquer coisa com diversas aulas experimentais que são disponíveis.
Bom, espero ter contribuido um pouco com você.
É legal mudar. A impermanência é a sequência da vida.
Um abraço.