Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS

O que você perdeu com as redes sociais?

Analisando o antes e depois das redes, das atuais a partir do Orkut, percebo que perdi e muito minha capacidade de escrita, tenho dificuldades em manter uma linearidade e até mesmo concordância, isso me incomoda muito já que antes dessa imersão em textos curtos e muitas vezes truncados, eu era relativamente bom em redação e português. Outra coisa que percebo e que tenho conseguido reverter é minha capacidade de atenção para leitura, eu lia até 3 livros mensais e vi esse número sendo reduzido para zero, muitas vezes em que utilizava por muito tempo as redes e tentava relaxar lendo algum livro, eu mal conseguia ler um parágrafo inteiro sem me dispersar, hoje consegui criar uma rotina de leitura noturna, antes de dormir coloco como meta a leitura de X páginas de um livro específico, minha capacidade de leitura ainda está bem prejudicada mas tenho conseguido voltar aos poucos. É bem doido escrever e ler isso, pareço um viciado percebendo os prejuízos que a droga vem causando e tentando amenizar ou parar com o uso.
E você, o que perdeu com as redes?

14 comentários

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  1. Eu fiquei mais de 5 anos sem rede social alguma, voltei a utiliza-las em 2019 e percebo hoje em dia o mesmo comportamento seu. Me destacava na faculdade pela minha escrita e atualmente percebo que erro muita coisa boba.
    O TikTok e o Instagram nunca me pegaram, mas o Twitter em 2023 foi uma praga pra mim, com certeza passei mais de mil horas aquele ano scrolando o feed.
    Ano passado consegui cortar o Twitter mas acabei substituindo pelo YouTube, foi um conteúdo que me agregou muito mais, me deu muito conhecimento, mas devo ter perdido mais tempo lá do que perdi no Twitter, e o pior: a velocidade 2x já não era suficiente, acabei baixando extensões que aumentam e alguns videos assistia em até 3x. Percebi muito o aumento da ansiedade, esse ano cortei completamente esse comportamento.

  2. Acho que a principal perda é da paz. Principalmente no meu caso, pois elas integram o trabalho de comunicação e sou jornalista. Se estou off sinto ansiedade, se estou on sinto cansaço, tédio, enjoo. Mas tenho plena consciência de tudo isso e já é alguma coisa, sair de baixo do pé do monstro e se aperceber do tamanho dele.

  3. Tivemos muitas perdas, mas vou citar duas que mais se destacam pra mim.

    1- o senso de invisibilidade. eu sempre fui uma pessoa muito individual. as vezes tudo o que eu quero é estar sozinho e isolado do resto do mundo pq minha bateria social sempre foi fraca. sempre fui assim. na era pré smartphones era o paraíso, pois existia o “estar online” e existia o “vou sair do pc, tchau” e voilá, offline. hoje existe um imediatismo pra absolutamente tudo, principalmente no trabalho onde eu tenho a sensação de que preciso estar 100% disponível o tempo todo. as vezes eu coloco meu telefone no modo avião pra não existir pro mundo por alguns instantes e acabo me sentindo culpado pq estou sempre nessa iminência de acontecer algo.

    2- o mistério das pessoas. hoje, praticamente todo mundo é exageradamente exposto nas redes sociais. não existe mais o mistério que ronda todo o flerte, que é o que instiga as pessoas em descobrir mais sobre alguém. quando conheço alguém que vejo que é super exposto, que posta stories de absolutamente tudo, meu interesse cai instantaneamente.

    1. esse do mistério é bem real, em 5 minutos vc sabe como é o corpo da pessoa, onde vai, o que gosta, e caso queira se aprofundar, em 1 mês acompanhando os stories vc sabe todos os detalhes da vida dela, como quanto tempo passa no trabalho, o que fez quando está fora dele, com quem sai, e isso acaba com um componente social, que é encontrar alguém pra saber como está a vida da pessoa, se conectar, pois vc já sabe tudo dela, não tem muito o que falar, lógico que vc não sai só pra isso, mas isso conta bastante.

      e o mistério só continua quando alguém fala que não usa, aí quem não conhece fica curioso pra saber o motivo de não estar nas redes, e quem conhece zoa falando que tem amante (já vi isso diversas vezes), mas todos que perguntam o motivo de estar fora fala “queria sair/dar um tempo também”, mas nunca o fazem.

  4. Destacaria sobretudo uma piora brutal da minha autoestima (sempre foi ruim, mas) e uma maior dificuldade para me dedicar sem pretensão às coisas de que gosto, pois sempre preciso brigar com a pergunta “pra q?”. Enfim.

  5. Perfeito, há diversos danos.
    A atençao – abrir a rede social por um motivo específico como ver um perfil e se perder ali, não lembrar mais do motivo inicial que abriu a rede;
    A leitura – Sim, não temos mais paciência pra ler o que chamamos de “textão”, queremos algo resumido ou em tópicos;
    A capacidade de escrita – Consumimos conteúdo mas geramos menos conteúdo, com a mente ocupada consumindo passivamente o que os outros fazem ou pensam. E você, o que faz ou pensa? Inclusive, sabe escrever ainda com um papel ou caneta?
    A criatividade – dependemos de um “start” de algo ou alguém, e tudo deriva dali… uma folha em branco continuará em branco se não tiver algo muito direcionado – ou copiado da internet.
    A mentira – Acontece de ter interesses paralelos e, para ter tempo neles, mente. Um exemplo clássico é de gente que demora no banheiro mesmo já tendo feito o nº 2 pra jogar online ou ver alguma coisa específica;
    Terminar uma tarefa – Faça uma Lista do que fazer. Quantas vezes você se interrompeu para ir ao celular?
    Mesmo jeito de pensar – A internet está aí, com um grande número de “Pros”: Sites legais, notícias alternativas, portais que provém pontos de vistas diferentes… Você acessa sempre a mesma coisa? Está sujeito ao algoritmo que foi treinado pra mostrar o que você gostaria? Então ferrou!

    Mas há alguns Pros… O twitter mesmo, me fez ter mais capacidade de síntese (poucos caracteres para expressar uma opinião).
    Quais outros Pros? hei de pensar! kkk

    1. esse da atenção é clássico! acontecia muito comigo, e tinha também o hábito de desbloquear o celular e ficar passando o feed DO NADA várias vezes ao dia! desde a virada do ano eu desinstalei o app, vira e mexe me pego desbloqueando o celular e procurando o instagram, mas como ele não está ali, eu só bloqueio de novo, e não excluí a conta pois ele continua sendo útil, há uns dias pedi dica pra uma amiga de uma hospedagem, ela me mandou o link pelo instagram e como não tenho o app, daí fui no navegador e vi o que tinha que ver, e como a experiência de usar lá é ruim, fiz só o que tinha que fazer e saí.

  6. Também senti isso recentemente. Acho que sua observação vale, não só na escala individual, mas na escala geral. Escutando um naruhodo antigo, sobre força de vontade, resolvi adotar a estratégia de trocar um hábito por outro. Para tentar escrever melhor, e refletir melhor sobre o que escrevo, resolvido adotar um blog, detalho um pouco a decisão em um post. Para melhorar minha leitura, resolvi deixar o celular longe da cama e levar um livro.

    Eu sou de Fortaleza e hoje moro em Curitiba. As redes sociais ainda são(será que são mesmo?) a única maneira que tenho de acompanhar minimamente a vida das pessoas que eu me importo. Logo, preciso equilibrar bastante essa balança de pros e contras.

  7. Tenho 26 anos e passei a socializar mais a partir dos meus 18. A rede social sempre foi relevante na minha socialização neste período. Era coadjuvante. Não sei dizer o que perdi. Mas acho que a qualidade decaiu muito com os anos e os algoritmos.

  8. Acho que perdi o respeito que tenho com a humanidade.

    Porque muitas vezes lemos e vemos cada coisa nas redes que nos perguntamos se quem tenta viver de uma forma “honesta”, sem fazer mal ou chamar a atenção de alguém, está realmente certo.

    Hoje é tudo busca por atenção, nem que custe o respeito alheio, a perda da moral. Por sorte (ou talvez consciência), evito ao máximo entrar fundo em tópicos populescos. Mas as vezes me deparo e aí me pergunto porque está lá.

    Quando falo populesco, não nego que é perjorativo, mas é relativo a conteúdos que soam abusrdos, como morte, cometimento de crimes, exposição e humilhação alheia, misoginia, provocações, etc… Isso tudo acaba mais exaltado nas redes do que ignorado.

  9. Eu sinto que me tornei mais autocrítica (na verdade, acho que a coisa já deve ter enveredado mais pro lado da autopiedade mesmo, infelizmente) porque me comparo o tempo todo com todo mundo e, embora eu reconheça que se trata de um sentimento potencializado pelo uso das redes, nem sempre consigo “espairecer” essa sensação – sobretudo porque meu momento profissional não é dos melhores, então, fica muito fácil achar que “todo mundo está dando certo, menos eu”.

    O que me propus a fazer com a virada do ano foi usar menos o Instagram e o Twitter, substituindo-os por espaços como esse e/ou, no máximo, pelo Bluesky, rede para a qual migrei há poucos dias e que tem se mostrado menos tóxica que o TT – como o usava muito, estou contente com essa abordagem de “redução de danos”, por assim dizer, pelo menos por enquanto.

    1. estou tentando me adaptar ao Bluesky também, na real eu gostaria de largar o Twitter de vez e nem começar pelo Bluesky mas todas as outras redes são tão focadas em vídeo que as vezes só quero ler bobeirinhas e ver estáticos hahahahahah
      uma dica que dou é algo que venho fazendo desde a virada do ano também: desligar o wifi e os dados do celular quando chego em casa para ter o meu tempo de aproveitar o que eu gosto (músicas e séries baixados) e vez ou outra ligo novamente para responder alguém próximo. Espero que se sinta melhor com a redução das redes e não, ninguém tá dando tão certo assim, o que talvez acontece é que temos essa sensação de maximização por ser tudo tão intenso na internet.

  10. Acho que com as redes sociais o que mais se perdeu foi a vida social.

    1. É, isso acho que é geral, realmente pra mim que sempre tive uma vida social mais limitada, por opção, percebo que as redes fizeram as interações reais diminuírem muito mais.