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O povo pelo povo e o Rio Grande do Sul avaba em seis meses paulogpd.bearblog.dev

Postei esse texto no meu blog pessoal e no LinkedIn. Acho boa a reflexão sobre a nova estragégia liberal: desumanizar o Estado e criar uma cisão social de que é o pov pelo povo, ignorando maliciosamente toda estrutura que existe por detrás dessas pessoas e que as permite fazer o que estão fazendo.


A direita, os anarcocapitalistas (embora este termo seja discutível) e a extrema-direita brasileira, diante do crime ambiental praticado no Rio Grande do Sul, conseguiram emplacar uma bela história: o povo pelo povo.

É muito importante salientar como o povo brasileiro se uniu para ajudar o povo do Rio Grande do Sul. É reconfortante observar que o próprio povo, especialmente os mais pobres, uniu-se no próprio RS para ajudar os outros. Voluntários que não têm muito em casa saem às 5h para atender 12h em um abrigo onde as pessoas perderam tudo. Isso é significativo, especialmente após o período de 2018 a 2023, em que o Brasil parecia uma poça de sangue (e ainda parece, em certa medida), pois mostra que o povo ainda é solidário, mesmo que precise de uma tragédia para uni-los.

O problema é que a direita liberal (o anarcocapitalismo clássico), responsável pelo crime na figura do próprio Sebastião Melo e do governador Eduardo Leite, entrou em “contenção de danos” nos últimos dias. Quem se lembra dos primeiros dias de enchente, quando o método de operação era mais simples e conhecido, com boatos desde a ideia de que a PRF estava multando caminhões e impedindo a entrada de mantimentos no RS, até montagens de helicópteros da Havan (que nem existem naquele modelo) realizando resgates cinematográficos em meio a águas lamacentas. O grande problema desse tipo de montagem é que ela é facilmente desmentida e, no final, com o crime em curso, não estava convencendo além daqueles 10% de sempre.

Assim surge a nova versão da propaganda da direita. Talvez comece com Eduardo Leite agradecendo a Elon Musk por 100 (!) antenas da Starlink enviadas para o estado. A gênese do movimento não é tão importante no momento. O que importa é o objetivo da nova estratégia individualista dessa parcela política do Brasil. A ideia de “o povo pelo povo” nasce da necessidade de diminuir o papel do Estado como provedor de infraestrutura, promovendo a ideia de que o povo se organiza melhor sem a intervenção estatal (mesmo que o povo não tenha como organizar financiamento, construção de cidades provisórias, linhas de crédito, suspensão de empréstimos, etc.). Essa realidade hiperindividual é o que sedimenta o pensamento neoliberal/neocon, iniciado nos anos 80 com o Thatcherismo e o Reaganomics (pesquisem sobre o que foi feito em Detroit, Liverpool e Flint; é esclarecedor sobre o pensamento neocon).

O povo pelo povo é um slogan que visa destruir o que resta de rede de sustentação social no Brasil. Não porque os liberais acreditem que esta seja a melhor estratégia para o povo. Pelo contrário, o liberal, acima de tudo, tem consciência de classe e sabe que a melhor forma de dominar o povo – o trabalhador – é justamente criar uma cisão entre eles. O povo pelo povo é um movimento de enfraquecimento do próprio povo através do enfraquecimento daquilo que os mantém capazes de produzir e ajudar. Sem CLT, sem MVMC, sem BF; sem qualquer desses auxílios do Estado, a maioria estaria incapaz de ajudar as pessoas que hoje mais precisam. A rede de sustentação social é o que permite que um trabalhador tenha suas faltas abonadas em tempos de calamidade, que ele saque o saldo do seu FGTS, que ele trabalhe em prol da sociedade por dias. Não é o dono da empresa, o capitalismo ou a “livre relação de emprego” presente na plataformização da economia. É o bom e velho Estado de bem-estar social que permite que as pessoas sejam humanas e as livra do peso de se preocupar 100% com a comida e o aluguel do dia seguinte.

Os liberais sabem disso, e é por isso que querem que o Estado seja o menor possível (na medida certa para ajudar apenas eles). O povo pelo povo passa pelo Estado pelo povo.

27 comentários

27 comentários

  1. Curiosamente, o texto fez ‘ZERO menção’ aos inúmeros vídeos e outras provas dos agentes do Estado atrapalhando os resgates/ajudas ou simplesmente se recusando a trabalhar. É conveniente fechar os olhos…

    O Estado é necessário, isto é óbvio. A questão é: o Estado é eficiente?

    1. Atrapalhando onde? Tem gente que acha que é entrar num depósito e pegar o que quiser. Teve caminhão com quase duas vezes o peso permtido andando por estradas já danificadas. Provocar MAIS desastre é também trabalho de voluntários?

    2. Vou ignorar o início de seu comentário pois já foram dadas as devidas respostas. Vou responder o final dele.

      “O Estado é necessário, isto é óbvio. A questão é: o Estado é eficiente?”

      Lá embaixo, no comentário do Paulo ao André Kitter , ele explica em partes o problema do Estado, na qual hoje é a questão da ocupação dos quadros de liderança por representantes da burguesia. Ponto. Este é um dos motivos da ineficiência do Estado – ele prioriza mais à quem detém poder/”riqueza” (valores e posses). Não prioriza tanto o ser humano quanto deveria.

      Se você fala da resposta do Estado à questão climática, há diversos jornalísticos que retratam que o Governo Estadual (no momento do evento nas mãos de Eduardo Leite do PSDB – hoje um partido “de direita”) e Municipal (nas mãos de Sebastião Melo do MDB – o mesmo do golpe de 2016 e famoso “centrão”, diga-se) falharam totalmente na monitoria e manutenção para a prevenção das enchentes (Recuperação das comportas e sistemas de drenagem, regulação para evitar ocupações em áreas de várzea de rios, etc… ) Isso falando de prevenção.

      Se a sua resposta é “ah, mas a chuva foi a maior de todas”, existem estudos que previram que ia mudar os padrões climáticos, mas neste caso há sim um erro do Governo Federal (na época da Dilma, a mesma pôs Mangabeira Unger para ministro do meio ambiente, que jogou fora um estudo sobre as mudanças climáticas e suas possíveis situações futuras). Mas houve também a falha, já dita por diversos residentes da região, que a manutenção do sistema de drenagem não é feita quase há décadas. O governo no caso foi recorrente, não importa espectro político ou gestor, na omissão do problema.

      “E a resposta a necessidade atual?” O governo federal atual (PT/Lula) aparentemente tem feito o que pode fazer, mas muita coisa DEVE ser feita por Estados e Municípios, pois lembremos que apesar de tudo, nossas camadas de controle de poder em regiões são em 3 níveis (Federal, Estadual, Municipal) e eles tem alguma mínima independência entre tais, porém quando necessário uma pode auxiliar ou interferir na outra (via jurídica – entrando com processo – ou legal – entrando com projetos de lei). Logo, não dá para o governo federal fazer tudo, quem tem que dar as assinaturas principais para liberar coisas é o prefeito (e vereadores) e o governador (e deputados). Quem tem que ver se há área livre para realocar pessoas é quem tem as matrículas de imóveis nas mãos – o Município. Quem tem que ver como estruturar as mudanças necessárias é o Estado, que tem equipamentos e pessoal para isso, no caso Defesa Civíl, Bombeiros, Assistência Social.

      Temo em falar sobre responsabilidade de voto, nisso deixo a SUA consciência pensar sobre.

      1. Sobre a Dilma ter jogado fora um estudo, você poderia citar qual? Porque ela contestou recentemente o que foi noticiado pela mídia referente a um documento “Brasil 2040”.

        1. O Leo B respondeu (grato, a propósito). O post recente contando a história veio de uma das participantes do Estudo, Natalie Understell – https://nitter.poast.org/unatalie/status/1790839628695552048 (rede X com bypass Nitter Poast).

          Mas se notar, há uma certa tolerância do Lula com o agro e o empresariado anticlimático (grileiros. especuladores imobiliários, etc). Senão teria operação da PF contra todos eles (o único ativo que sei é o do 8 de janeiro, diga-se).

          Enfim, mas grato pela pergunta, isso me incentivou a repassar o link

  2. O que irrita as pessoas não tem como tirar a razão: o governo cobra muito, muito, muito imposto e o que oferece é completamente desproporcional. Com uma realidade dessas, e com um pensamento simplório que sejamos honestos quanto mais raso mais comum é, obvio que existirão aqueles que dizem que o povo sozinho poderia fazer mais que o estado.
    E eles então entram nos carros, andam nas estradas, tem luz na rua a noite, e tem policia fornecendo escolta para os voluntários que estão resgatando, pois obvio que uma enchente é uma ótima oportunidade para roubar casas né!!!

    O fato que nosso sistema de governo é feito por políticos e para políticos é característica nossa.
    Não significa que o sistema esteja estragado, nós que estamos. A solução porém não é reinventar a roda….

    1. O que irrita as pessoas não tem como tirar a razão: o governo cobra muito, muito, muito imposto e o que oferece é completamente desproporcional.

      Não, não é. O Brasil é um país absurdamente pobre. A arrecadação per capita do Brasil é menor do que Portugal (país velho) e Uruguai (país parecido com o nosso). O problema é que o imposto é cobrado via consumo e não via renda. No resto do mundo a maior parte do imposto é cobrado sobre renda.

      Como que temos de dinheiro em caixa, o Brasil faz um verdadeiro milagre pelo seu povo. Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, educação gratuita, SUS e mais alguns programas de transferência de renda.

      Talvez no seu nível sócioeconômico o imposto não valha a pena, mas isso se chama pacto social, você paga imposto para que as pessoas com menos condições tenha saúde e educação (e comida).

      O fato que nosso sistema de governo é feito por políticos e para políticos é característica nossa.

      Políticos são os operadores do sistema. Eles são funcionários da burguesia. Quem manda – e molda – no Estado são os grandes empresários que compram políticos, polícia, justiça e o que mais precisar ser comprado. Isso se chama democracia burguesa.

      Não significa que o sistema esteja estragado, nós que estamos. A solução porém não é reinventar a roda

      Na verdade, significa. Se você não trocar o problema – burguesia/bilionários – você apenas troca os atores. Podemos (e devemos) reclamar, com razão, dos políticos (como eu fiz), mas precisamos saber que não basta trocar de político ou de partido. A burguesia tomou o lugar da monarquia (aristocracia?) e exerce um governo muito mais tirânico do que essa exercia na época dos reis absolutistas. Então, o problema é o sistema sim, porque ele foi feito para e por burgueses.

  3. faz pouco tempo peguei um Uber falando coisa parecida, mas mais num nível individualista: eu trabalho, guardo dinheiro, e não dependo de ninguém

    deu o exemplo de quando teve que fazer uma cirurgia para tirar pedra dos rins: gastou 15 mil reais do bolso dele, mas foi rapidinho, ficou 3 dias internado

    normalmente eu evito discutir essas coisas, a além disso a viagem era rápida, mas imagina se ele tivesse que ficar 1 semana internado … ou 15 dias … de jeito nenhum que ele teria condições de bancar

    1. E se tivesse dado errado a cirurgia e tivesse que refazer?
      E se ele tivesse alguma complicação pós-operatória?
      E se ele tivesse, na outra semana, uma emergência hospitalar qualquer?

      E como ele vai se aposentar?
      E como os filhos deles (se ele tiver) vão estudar, trabalhar e se aposentar?

      A pessoa que enxerga o mundo como uma mini capsula de si mesma está fadada a, cedo ou tarde, cair na rede do Estado (enquanto ela existe), simplesmente porque essa realidade/pensamento não é factível.

      1. Apenas uma observação: se tu tem abaixo de 40 anos provavelmente tu não terá como se aposentar nunca. Se tu tem menos de 30 certamente nunca.

        A matematica de aposentadoria, em uma população que cada vez vive em mais quantidade e em maior idade, não se sustenta. Para resolver isso o governo teria de começar a pensar no problema já…. ou seja, tu nunca vai se aposentar. Tenho 47, e temo que nem eu irei. :/

        1. Na verdade, é a lógica de acumulação. O famoso 1% pode se aposentar por 10 gerações. O menos famoso 0.00001% sequer trabalha. A lógica no caso é apenas o sistema capitalista ruindo na sua base.

        2. não concordo com isso de que ninguém vai mais conseguir se aposentar

          bem que FHC, e mais recentemente Temer e Guedes tentaram, mas não vejo absolutamente nenhuma possibilidade de ninguém mais vai conseguir aposentaria

          o risco é alguém de direita ser eleito novamente (tipo um “bolsonarista moderado” como a mídia quer), aí sim vão colocar algum psicopata do nível do Guedes (se não o próprio) pra tentar acabar de vez com INSS, SUS, etc

          nem acompanho a legislação, mas do jeito que é hoje, no mínimo, no mínimo, a pessoa consegue se aposentar com 65 anos … sei disso porque recentemente 2 pessoas da minha família se aposentaram assim, sendo que uma delas é uma irmã, que praticamente nunca trabalhou

          1. Várias materias, apenas essa uma de cara mas realmente é VÁRIAS, apontam esse problema.
            https://www.weforum.org/agenda/2022/03/why-the-concept-of-retirement-needs-to-retire/
            A matemática não funciona.
            Não precisa gostar disso, apenas tem de estar psicologicamente preparado. Vai acontecer em todo lugar pelo mesmo motivo claro, o problema que vejo é que o conceito de “estar preparado” é complexo demais para o Brasil (a proposito sobre estar preparado… te dou saudações do RS!)

          2. @André

            O que é “estar preparado” para nunca se aposentar? Aceitar?

            Essa realidade de “estar preparado” funciona muito bem quando se tem recursos para tal, como é o seu caso, talvez, mas a maioria das pessoas não tem como se preparar pra nada porque vive de salário em salário.

  4. É um texto que faz pensar bastante, ainda mais quando se debruça nesse discurso oportunista. Além disso, fiquei imaginando a quantidade de alterações normativas que se não causaram pioraram o desastre, realizadas nas últimas décadas que as pessoas (o povo) não conseguiram participar da elaboração tampouco entender o que estava sendo feito em centenas de municípios. Seja por acontecer fora dos trâmites usuais (grande parte das alterações acontece fora de um Plano Diretor nos municípios), ou porque marcam uma audiência pública em horário de trabalho ou em local que nem todo mundo consegue ir. Ou ainda, participaram e foram constrangidas, ameaçadas, como acontece em todo o país.

    Esse lance do Estado ser conveniente na hora do lucro, de extrair renda da sociedade é bem conhecido, mas o que realmente dá nojo é ver as mesmas pessoas que fazem isso defender que o Estado não presta e seria melhor que não existisse. Uma grande hipocrisia que nessas horas fica bem clara.

    1. É tudo um pouco. Dizem que a ideia de modificar o Guaíba de rio para lago tem relação com a legislação ambiental mas frouxa que o lago tem para construção nas suas margens e, por consequência, a aderência dessa legislação com as construções da nova orla. Não sei o quanto isso é verdade, mas o Guaíba tem característica dos dois tipos de corpos hidricos (pelo que eu me lembro das minhas aulas da escola).

      O Eduardo Leite foi responsável por grande parte da nova legislação ambiental para os corpos hidricos do estado. Ele também é o governador que menos investiu na defesa civil do estado. Ontem o Guilherme Felitti ainda postou um trecho da entrevista dele para a Folha de São Paullo onde ele diz:

      Estudos alertaram, mas governo também vive outras agendas

      Se essa é a atitude correta de um governador de um estado que sempre teve problemas com cheia e que está em um região complicada em termos de mudanças climáticas, a gente está muito perdido. E nem é no longo prazo.

      A entrevsta dele é esclarevedora sobre como o neoliberalismo pensa a pauta ambiental. Vale a pena: “Estudos alertaram, mas governo também vive outras agendas”, diz Eduardo Leite sobre falta de plano para conter cheias no RS ou sem paywall via LeiaIsso..

      1. Eu li essa entrevista na Folha e é realmente estarrecedora.

        O meu ponto aqui é que o que também tem que ser levado em consideração é que a quantidade de municípios atingida é muito grande e toda a ocupação das bacias tributárias do Guaíba contribuiu para o desastre (e essas regiões foram afetadas).

        Além disso, os municípios têm alguma autonomia para estabelecer as normas locais (até onde construir, quanto expandir, o que impermeabilizar) e esses processos são realizados essencialmente nas administrações locais.

        Por isso que acredito que a análise da sociedade deveria ser mais matizada e ampla, envolvendo também o que aconteceu nos municípios, sob o risco de apenas punirem o governador e o problema continuar.

        1. O papel do governador é exatamente coordenar essas ações e, principalmente, saber o que se trata na bacia hidrográfica do RS, ainda mais quando ele foi avisado de que isso iria ocorrer e, pior ainda, já tinha ocorrido em setembro/23 (o verdadeiro teste foi esse).

          Mas sim, tem alguns municipios que tem uma grande culpa, principalmente Porto Alegre (total falta de manutenção no sistema de anti-cheias) e Canoas.

  5. Eu atuei em um dos 77 helicópteros civis que auxiliaram até essa semana. Ainda há alguns, mas se conta nos dedos das mãos.
    Quando cheguei em Porto Alegre no dia 07/05, foi esse o cenário que encontrei. Pessoal mais preocupado em tentar separar civil de estado do que em ter um esforço coordenado.
    Imediatamente comecei um movimento de estreitar os laços com forças policiais, força aérea e defesa civil.
    No sábado fiz meu último voo, levando mantimentos até uma vila bem isolada ao norte de São Jerônimo.
    Hoje um dos contatos na aviação da Brigada Militar conversou comigo e agradeceu por termos conseguido quebrar esse muro que alguns tentavam erguer entre estado e população voluntária. Acho que quem pensa que são coisas separadas esquece que quando o expediente acaba, tem uma pessoa completamente normal indo pra casa. E talvez essa casa seja até uma das que ficou embaixo d’água.

    1. Muito legal o seu relato. Mostra como o pessoal estava agindo pra atrapalhar o trabalho das pessoas em prol de uma ideologia/propaganda.

  6. Quando eu vejo alguém comentando essa insanidade eu sempre digo que

    “Seu comentário é um imenso desrespeito a todo riograndense que é médico, enfermeiro, policial, bombeiro, veterinário, socorrista, soldado, professor – a todo servidor público gaúcho que perdeu tudo e de manhã se veste, engole o luto e sai pra trabalhar resgatando, limpando, vacinando, tratando, ensinando, agilizando a burocracia, tentando salvar/recuperar processos judiciais, orgãos para transplante, leite humano, obras de arte, livros. Mesmo vítimas, eles são o Estado trabalhando, enquanto você está aqui dizendo que o Estado não está fazendo nada.”