Chegou hoje via Nucleo.jor esse PDF que faz uma etnografia do Lúcio, moderador de conteúdo da ByteDance no Brasil (SP). Eu li tudo agora pela manhã e consigo dizer que é sem dúvida o pior emprego do mundo. E ele trabalha no “Round 2”, que não lida com temas sensíveis ou que foram denunciados pelos usuários (o “Round 1” que lida esse tipo de conteúdo).
Se isso não é o pior emprego do mundo (lidar com conteúdo viral que pode matar pessoas ou ser CP) eu não consigo imaginar qual seria o pior (lembrando que estou falando de emprego e não de condições de escravidão como cortador de cana, carvoeiro etc).
2 comentários
Acho que reduzi bastante a vontade de estar em redes sociais e áreas de comentários por causa disso também. Quem modera geralmente é humano, e dependendo do humano por trás do botão de block, há alguém cuja personalidade (ou condições de trabalho) vão interferir naquela comunidade onde está.
Já tive vezes de pensar em como processar juridicamente uma área de comentários ou fórum online. Mas sei que isso seria custoso e sujaria meu nome por nada, pois no final das contas quem controla estas áreas são as vezes gente sádica, “treteira” mesmo também – isso em alguns tipos de redes.
E o pior emprego do mundo é de fato qualquer um que acabe com a saúde seja mental ou física da pessoa em pouco tempo. Seja ser moderador em um site, seja ser alguém que tá se arriscando a pegar doença enquanto limpa algo.
Na minha ignorância, eu acredito que conseguiria trabalhar nisso.
Eu acho que mais me deixaria maluco são os problemas internos que ele relatou.
6h diárias de moderação, pausas para banheiro, metas absurdas, demissão fácil etc.
Isso, somado com o tipo de trabalho, realmente deve ser infernal.