ei, pessoal,
passando aqui para saber da opinião de vocês sobre o que se tem dito bastante já há algum tempo: que o mercado de trabalho será melhor para as pessoas com múltiplos saberes, com repertórios diversificados (do que se esperava para determinado cargo), pessoas que navegam entre várias áreas. porque, assim, ouço isso há bastante tempo, mas quando é para dar uma chance para uma pessoa que veio da produção em artes visuais fazer uma mera entrevista para a área de tecnologia, parece que a pessoa buga (ou o robô mesmo) e já te descarta. juro. estou há meses me candidatando para vagas via Linkedin e nem pra fase de entrevista eu passo.
outra coisa que eu queria jogar aqui: Linkedin funciona mesmo? porque eu tenho sentido que é muito mais uma “rede social para fingir que tá trabalhando a todo momento” do que um espaço em que se consiga ter acesso oportunidades.
to vendo que, no final das contas, vai ano, vem ano e o QI (quem indica) é o que realmente funciona…
Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS
Eu sou uma das pessoas que caiu no papo de que é melhor ser dono do seu próprio negócio e trabalhei como CEO de MEI por quase dez anos logo que sai da faculdade de jornalismo. Trabalhei esse período todo com criação de conteúdo pra pessoas e marcas, mas, trabalhando sozinho, eu precisei aprender muitas ferramentas e saberes diferentes que hoje têm um impacto direto no meu trabalho.
Eu tenho certeza que esses conhecimentos transdisciplinares não fazem diferença quando disputo uma vaga, mas eles são valorizadas no cargo que eu ocupo e me diferenciam de outros profissionais que sabem apenas da nossa área de atuação.
Agora, sobre o Linkedin, fui contratado para meu emprego atual por causa de uma funcionária do RH que encontrou meu perfil por lá. Então, acredito que ele funciona, sim, mas depende muito da área. Cargos mais executivos, devs e comunicação parecem ser os que mais se dão bem. O problema é que depende muito de quão disposto você está a jogar o jogo.
ei, Rodrigo,
CEO de MEI, aiai, doce ilusão, né? já trabalhei por muito tempo de maneira autônoma também, e isso que me fez começar a ser desembolada, aprender a usar ferramentas na tora e etc – confesso que acho uma bela de uma habilidade: “se virar”. mas, realmente, to vendo que isso não faz diferença ao disputar uma vaga (talvez faça para permanecer em uma – como você disse). mas, é aquilo, né, “como que eu vou ter experiência se não me dão oportunidade de experiência?”, mas nesse caso, é mais “como que eu vou mostrar como ser transdisciplinar é bacana demais para a empresa, se vocês não valorizam o fato de eu ser transdisciplinar e nem me chamam para um entrevista?”… que droga :(
tenho duas experiências (bem) distintas com o linkedin:
1 – quando comecei a trabalhar como suporte técnico/infra em TI, NUNCA recebi uma proposta sequer de trabalho por lá (foi assim por 9 anos).
2 – migrei de área, hoje trabalho com desenvolvimento de software a uns 3 anos e recebo proposta praticamente todo mês, inclusive gringa.
olhando pela minha bolha, o linkedin parece funcionar muito bem pra quem é dev (principalmente com experiência) e ruim para suporte técnico/infra.
sobre o QI, é importantíssimo mesmo, aqui no meu trampo, por exemplo, maioria dos selecionados pra cargo de júnior e acima é por indicação, estagiários entram por bootcamps.
Tenho a mesma percepção do linkedin.
Parece mais uma vitrine performática do que uma ferramenta útil de recolocação no mercado de trabalho.
ai, Raisa, simmm :””'(
já tentei tanto conseguir algo por lá, mas nunca consigo, e sempre vejo aquelas postagens que tranformam qualquer episódio no trabalho em um episódio de superação, colaboração e etc, uma chatura…
obs.: uma mulher no Órbita, é tão raro, hehe, e eu amo <3
Trabalhei muitos anos com recrutamento e eis o que observo no mercado: trajetórias transdisciplinares são melhor valorizadas em posições executivas. Ou seja, quando a pessoa já dedicou a carreira dela a mais de 1 pilar, mas um dos pilares acaba tendo sempre um peso relevante.
é, to vendo pelos relatos aqui. estagiária transdisciplinar? eles devem pensar: pra quê? só vai causar problema… :/
sempre tive dificuldades em conseguir entrevista também, todos os empregos que consegui foram na raça, nunca tive um QI (infelizmente)
e dependendo da área, esses conhecimentos diversos começam a ser solicitados na descrição da vaga, eu como contador já vi emprego pedir entendimento em python e SQL, mas creio que seja bom sim, em breve pretendo fazer um vestibular e fazer computação para botar no currículo, e posteriormente, filosofia (esse é mais por hobbie mesmo).
linkedin ajuda sim, particularmente uso para caçar emprego do que pra fazer “networking”, mas geralmente eles jogam para outras plataformas de vagas, aí vai a roleta/IA achar seu currículo interessante
Isso é aquelas balelas que professor de ensino médio conta “ah numa entrevista de emprego, só foi selecionado aqueles que liam os jornais do dia, ou que sabiam responder o último livro que leram”.
Hoje em dia o que vale é se você tem as competências necessárias para ficar 8 horas na frente do computador na tarefa específica, então MBA, bootcamps e outros cursos intensivos valem muito mais do que ser bom em algo, vir de um lugar diferente, etc. A criatividade necessária mesmo para alguns profissionais entra nessa divisão, em cada equipe um ou outro precisa ser criativo, o resto não.
No mais tem toda a questão das palavras chave, que um bom currículo deve dominar, ou o jogo das plataformas, pagar plano no linkedin etc.
A fala do professor hipotético não é 100% mentira, mas ela se aplica apenas em sistema de igualdade e mérito próprio. O problema é que nenhuma vaga vai ser sua apenas por questões técnicas, aliás, essas questões são quase sempre secundárias (se você já sabe om mínimo pra não quebrar nada dentro da empresa) e o que te consegue a vaga mesmo é a sua capacidade de enrolar na entrevista com o RH ou a sua capacidade (atualmente é até mais essa aqui) de criar um currículo que seja lido por TAS e te coloque no alto.
Mas tire isso da frente – essa profusão de camadas que servem para tolher o acesso dos mais pobres – e você chega no ponto onde a fala do professor faz sentido. Não que vão cobrar de você as notícias ou o último livro lido, mas, no sentido de que uma pessoa que lê e se informa é mais proativa.
é, Jefferson, parei para pensar nisso que você falou, de ter um ou outro em uma equipe que precisa ser criativo (e o resto não) e lembrei de um um lugar em que trabalhei (outra área) em que falavam de maneira muito sutil que o ideal seria contratarmos pessoas com um pouco menos de qualificação (sei que não é esse o caso, pois aqui não seria na questão da formação, mas, da criatividade, proatividade, talvez) – na minha percepção, para ter mais controle sobre a pessoa, ela ser mais subserviente e menos crítica, portanto, causar menos “problemas”. e, assim, faz sentido para o que você falou, imagine gerir uma equipe de 10 criativos-proativos-autônomos? deve ser um inferno mesmo…
mas, ai, triste para quem se considera desembolado e está começando em uma área, né, afinal, quem vai querer um estagiário assim? o negócio é fazer o que te mandam e ficar de boa…
Olha, o mercado de trabalho da TI foi sempre mais acessível a formações de diversas áreas, porém, o perfil do candidato precisava de algo mais técnico, tipo uma formação extra na área para poder torná-lo interessante para a empresa. Eu mesmo me formei primeiro em oceanografia, pra depois ir estudar sistemas e conheci colegas formados em contábeis, economia, engenharias, etc. Esse papo de que os profissionais vão precisar ser “generalistas” é mais papo mesmo, mas vai no sentido de que você precisa entender um pouco de tudo, porém seriam conhecimentos dentro da TI. Tipo, o cara tem que manjar um pouco de infra, SO, desenvolvimento e BD, pra empresa não precisar contratar 5 pessoas.
No seu caso, uma formação em artes visuais andaria bem com as áreas de frontend, UX, ou design gráfico. Se tiver algum curso nessa área, talvez falte um pouco de experiência, tipo um estágio, para conseguir adentrar no mercado, ou como você mesma disse, o famigerado QI.
É bem triste que isso funcione dessa maneira, mas é a realidade do Brasil, onde vagas que pagam um pouco melhor e mais especializadas são disputadas a tapa.
Uma dica que já vi por aí é buscar as vagas nos posts do linkedin, ao invés de usar a busca direta de vagas, porque os anúncios seriam cobrados, então muitos recrutadores postam vagas somente nos seus perfis. Boa sorte na sua busca!
olha, essa dica achei bacana, hein, PH… vou tentar e depois volto com retorno. brigadão :)
“to vendo que, no final das contas, vai ano, vem ano e o QI (quem indica) é o que realmente funciona…” já respondeu a própria pergunta
Tem vários fatores aí envolvidos.
Um deles, que você citou, me parece ser bem determinante mesmo: a questão dos filtros de candidatos. Tem toda uma “ciência” pra tornar o seu perfil no LinkedIn mais relevante através das palavras-chave corretas, e pode ser que esse filtro esteja te excluindo antes mesmo da entrevista.
Sobre a questão das “trajetórias transdisciplinares”, bem, a resposta é: depende. Pra maioria das empresas, não é algo que contribua, de fato. O mercado só procura aquilo que atenda as necessidades das vagas oferecidas (o que nem sempre reflete as necessidades reais). Mas você está procurando vagas específicas onde sua bagagem de artes visuais possa ser relevante ou não? Eu vejo mais empresas de jogos ou de design se interessando por esse perfil.
Vou dar meu pitaco de espectador, não acho que o mercado busca, inclusive porque acontece o que vc está vivendo, querem alguém com experiência e etc. Vc já deve conhecer o embromation dos entrevistadores de cabeça.
Mas, alguém com formação diversificada tem mais chances de sobrevivência.