Eu usava o Twitter desde o seu primeiro e vivi a boa fase dessa rede social.
Porém, na época da pandemia, passei a usar o Twitter diariamente para ficar informado de tudo o que acontecia no mundo. Abria a timeline dezenas de vezes por dia.
Hoje eu vejo que foi aí que começou o meu problema, pois passei a consumir uma quantidade avassaladora de informações que em sua maioria, não era nada boa.
Depois vieram as eleições e quem usava o Twitter sabe como foi aquilo.
Agora que não é mais possível acessar a rede social e felizmente eu desacostumei, mas não tenho mais nenhum interesse (caso um dia essa rede social volte). Com isso, pude observar o quanto esse enorme consumo de informações me fez mal ao longo desses 4 anos.
Esse grande consumo de informações virou um vicio e isso definitivamente contribuiu para a minha ansiedade.
Hoje eu já consigo sentir que a minha mente está mais leve sem tudo aquilo. A preocupação com “o que está acontecendo” passou e eu sou um dos últimos a saber de maioria das notícias (e confesso que estou me sentindo muito bem com isso).
Então aproveitei e fiz uma limpa no meu serviço de Feed.
Eu usava o Feedly e passei a usar o NetNewsWire (por indicação aqui no órbita).
Comecei do zero no NetNewsWire, pois vi que no Feedly o consumo de informações também era alto.
Eu tinha 5 feeds só de música para saber dos lançamentos e ler as criticas, mas vou passar a usar as próprias ferramentas do Spotify de notificações de lançamentos. Basta saber que aquele artista que eu sigo lançou algo e eu vou ouvir. Não quero mais ler um textão e nem as críticas.
Deixei apenas 3 feeds de tecnologia (MacMagazine, Órbita e MdU) e mais um de esporte.
O próximo passo é fazer a limpa nos canais que sigo no YouTube.
Facebook eu não tenho mais.
Instagram eu nunca tive.
Se alguém passou por um processo parecido e tiver dicas, eu agradeço.
18 comentários
Milton, uma coisa que me ajudou muito foi deixar as coisas somente no navegador. Quero ver um site de notícias ou musical? Favoritos do Brave neles!
Nossa, estou passando por isso agora! Nas últimas semanas, fiquei tão mal por causa da ansiedade que isso começou a afetar todas as áreas da minha vida. Percebi que checava o celular a cada 10 minutos de forma ‘automática’, só para saber se estava perdendo alguma coisa. Mesmo limitando o tempo de uso dos aplicativos, parecia que eu ficava ainda mais ansiosa por ter pouco tempo.
Eu consumia tanta informação que, um dia, não aguentava mais olhar para nenhuma tela. Fiz um teste: deixei o celular em outro cômodo durante o trabalho, parei de consumir informações de forma passiva (seja recomendações do youtube ou notícias), desativei notificações, excluí alguns aplicativos e, em pouco tempo, já senti um alívio.
Ainda estou no processo, mas sei que foi a melhor coisa que fiz em muito tempo!
Eu acho incrível como um site de tecnologia consiga promover coisas tão “anti”, me sinto bem demais lendo as coisas por aqui, inclusive os comentários, o que é um respiro diante… bom, diante do resto da internet.
Estou lendo máquina do caos do max fischer e ta aí um grande estímulo para repensar as redes, deixo como dica! O livro aborda os aspectos de mudanças mais sociais, ainda que cognitivas, na identidade das pessoas, ainda contextualiza historicamente a origem e as atualizações das redes; e no capítulo que eu tô lendo agora, por exemplo, fala sobre o comportamento de matilha junto à humilhação pública e o prazer que nos causa (Vigiar & Punir haha).
Acho que uma coisa que ajuda, trazendo um bom equilíbrio ao consumo, é criar um momento para se informar, como faziam os incas ao ler jornal pela manhã, sabe? Agora seria o equivalente a ficar numa banca o dia inteiro, ou seja, o caminho a ser tomado pode ser diferente, boa sorte no seu!
Obrigado pela dica de livro.
Vou procura-lo.
Eu uso um wallpaper do Johnny Mnemônic(filme) para lembrar de não fazer upgrade da minha mente ao navegar na internet(cena do upgrade de HD no elevador).
Não vejo notícias, fico sabendo das coisas por quem vê, sem redes sociais
Oi Milton! Muito bom o seu relato e me confortou bastante, já que eu também nunca tive Instagram e Facebook. Por uma década usei o Twitter e, de uns tempos pra cá já não estava lá essas coisas. Uso o LinkedIn por necessidade e as outras alternativas são o Mastodon e a bluesky, mas também não com aquela frequência. Tenho um canal no YouTube, mas tá meio abandonado, Whatsapp nem tenho e não ligo em estar “fora da órbita (sem ofensas, pessoal!)” por essa ânsia em saber tudo primeiro. Notícia chega a nós, não importa a velocidade, mas a qualidade e a importância. Foco no que realmente for importante para você e as notícias surgem. E olha que eu sou jornalista! Sucesso a você!
Keli, adoraria não usar whatsapp, mas praticamente impossível por conta do trabalho. Como você lida com isso?
Oi cau, obrigada por comentar. Então, acho que boa parte de minha vida foi mais offline. Demorei para ter um celular, não tive Orkut e muitas coisas eu resolvo por e-mail mesmo, ou me telefonam, ou mesmo uso o velho SMS. Claro que arco com as consequências: já perdi muitas chances de emprego e até algumas amizades por não ter ZAP. Admito que pode ser que um dia eu tenha de instalar, usar, enfim, fazer parte disso tudo. E mesmo assim em 2017 tive um colapso nervoso que quase parei no hospital e não desejo a ninguém. É possível tocar a vida sem esses dispositivos ou com o uso mais consciente. E acredito que um dia a gente vai ter essa consciência plena de que nossa vida e bem mais importante que alimentar as big techs! Sucesso!
Bom saber que não estou sozinho, Keli.
Muito obrigado.
Muito bom ler seu relato. E que maravilha chegar nesse lugar de tranquilidade no que se refere ao consumo de informações.
Eu estou passando por um processo parecido, mas não tanto no enfoque da quantidade de informações (embora eu estabeleça alguns limites também). Eu percebi, na minha experiência pessoal, que a grande questão no meu caso é a diferença entre ferramentas X plataformas.
A ferramenta RSS, por exemplo, não me desestabiliza, embora eu não permita um fluxo muito insano de informações ali. Mas adoro ter opção o tempo todo de ler algum texto. Então mantenho um fluxo legal nessa ferramenta.
Agora a minha relação com plataformas, como Twitter, Instagram, WhatsApp, Youtube etc é mais complexa, sinto como se fosse um emaranhado difícil de sair, do ponto de vista prático e psicológico. Uma vez lá dentro, participando, consumindo, mas difícil é sair.
Então minha batalha é evitar ao máximo estes espaços e ir ganhando tempo, fôlego.
Em geral é isso, a ferramenta eu sinto que uso ela, a plataforma eu sinto que ela me usa.
Viva as ferramentas hehe
“a ferramenta eu sinto que uso ela, a plataforma eu sinto que ela me usa”
Muito interessante essa sua frase.
qd o twitter caiu me perguntavam pra qual rede eu iria como substituta
felizmente não fui pra nenhuma 🙏
É isso!
Às vezes um banho de água fria, uma grande mudança abrupta, é tudo de que precisamos para sair de um movimento que nos é danoso, né?
Exatamente isso.
É aquele clichê da zona de conforto.
Felizmente funcionou.
No YouTube eu sou inscrito em mais de 200 canais, mas desabilitei as notificações de quase todos. Eu não gosto do algoritmo do mesmo, por isso uso o NewPipe, tanto no celular quanto na TV (FreeTube no notebook). Dessa forma acompanho as atualizações dos canais que sigo de forma linear e vejo só o que desejo.