18 comentários

  1. Curti muito sua reflexão! Curti o filme também, mas sou leitor (expectador) desarmado, dizem que não conta, rs… Uma cena que me marcou, foi a perspectiva lateral de Eywa, quando Kiri pede por sua ajuda; me ocorreu a hipótese de que rejeição de Kiri tem a ver com esse “desconhecimento” de Eywa em relação a ela. Para mim (crente de deusas), foi uma cena bonita!

  2. Esse é o menor dos meus problemas com essa franquia… O enredo do primeiro é batido, mas aceitável… O pior é reciclar tudo no 2 e (dizem, pois não assisti) repetir no 3.

    Efeitos revolucionários? De volta para o futuro, Matrix e Exterminador tiveram isso também com excelentes roteiros… Esse último aí também do Cameron.

    No fim o veio ficou tão obcecado com efeitos e tecnologia e virou mais uma franquia pras crianças.

    A internet mudou drasticamente a maneira que consumimos música, então as gravadoras passaram a reciclar ainda mais o que já fez sucesso. O mesmo está para ocorrer com o cinema.

    1. O mesmo está para ocorrer com o cinema.

      Talvez seja (mais) uma opinião rabugenta, mas Hollywood só recicla ideias há pelo menos uns 40 anos.

      1. acho que no fim dos anos 90/início dos 2000 ainda havia algumas coisas interessantes acontecendo em hollywood, mesmo que num nível de experimentalismo que outros cinemas já haviam explorado nos anos 60

        paul thomas anderson, charlie kaufman, spike jonze, wes anderson, david lynch, etc

        mas aí veio a desgraça das franquias de fantasia e de bonequinhos e estragou tudo

        matrix, inclusive, talvez tenha sido justamente quem começou o movimento ladeira abaixo

        1. Se a gente continuar chamando de cinema o que acontece em Hollywood pode ser, além do nosso primeiro erro, uma constatação possivelmente real.

          Mesmo assim, apesar de grande parte do que vemos vindo dos EUA ser continuações, remakes ou coisas do gênero, mesmo em Hollywood temos coisas novas saindo.

          Mas mesmo assim existem vários cinemas no mundo e mesmo nao sendo possível ver na tela grande por questões logísticas há meios alternativos ou até streamings legais (?).

          Já cheguei a pensar assim, mas hoje acho que é mais uma questão de buscar alternativas, e acredito elas serem possíveis a quem visita esse espaço.

  3. Tem outro aspecto do primeiro Avatar que talvez tenha afetado a minha experiência com o filme: a versão 3D. A divulgação do filme bateu tanto nessa tecla, que seria algo revolucionário, que só veríamos filmes em 3D depois dele, que toda a minha expectativa girou em torno disso.

    Aí aconteceu que, embora legal, não era nada revolucionário e ainda precisava daqueles óculos desconfortáveis. E o filme em si era só um Pocahontas modernizado.

    Talvez o problema maior tenha sido a quebra de expectativas, não o filme em si.

  4. Acho um fenômeno cultural muito interessante, tanto do ponto de vista do hype lá de trás, quanto o “esquecimento” de agora (que ainda assim arrecada horrores).
    Eu gostei muito do 1 qdo vi, mas como disseram aqui, a questão do homem branco salvador não dá de desver e depois o plot parecido com pocahontas, que aí pega mais fundo na memória de infância haha
    Mas é muito curioso esse ódio apaixonado das pessoas ao filme desse ponto de vista q vc falou, de crítica ao “bom selvagem”
    Adorei que vc gosta e escreveu sobre

    Ah, e eu sou do time do ryan gosling que realmente não curte papyrus hahaha

    Por último, pensando hoje, não tenho opinião formada, mas me incomoda o tanto de gasto com o filme, mas aí é no geral mesmo, hollywood e esses orçamentos gigantes que serviriam para tantas outras coisas… (obviamente que arte é importante e subjetiva mas precisamos de mais marvel? Etc etc)

  5. Acabei de ler seu texto e posso concordar com ele em grande parte, mas meu desgosto com o filme tem base na questão do branco salvador, e numa repetição do plot da história nos filmes sem um grande avanço narrativo. Fica uma questão um pouco vazia. Falo isso, não tendo visto o terceiro.

    Gostsria de deixar claro que dá minha parte a crítica não vem em função da negação a natureza, sua importância, nem da questão do “bom-selvagem”, termo que me incomoda, mas entendo o uso, pelo contrário.

    Comento isso, pois seu texto tem essa premissa fixada para poder seguir na análise.

  6. Concordo contigo sobre as origens das críticas. Uma das coisas que percebi foi o seguinte: a propaganda do filme inicialmente foi sobre os efeitos especiais, a produção, a megalomania. A medida que o planeta deles foi ganhando destaque pela cultura e ecologia, essas críticas foram aumentando – minha percepção, sem dados. No final das contas, a perspectiva de um outro mundo possível incomoda muito mais – acho que por vários motivos, não só os que você citou no post. Por exemplo, o Garys Economics argumenta que os bilionários financiam a extrema direita pq a proposta política concorrente é taxação dos bilionários. Faz bastante sentido. PS: Apesar dos hífens, texto integralmente humano.

    1. Sim, rsrss. Às vezes a crítica fica racionalizando e rodeando a verdadeira causa sem chegar nela. Como por exemplo youtubers que defendem big techs por causa disso e daquilo, mas não falam que precisam de big tech porque é basicamente quem os emprega.

  7. Só vi o primeiro e achei um Pocahontas com robôs e explosões — como o JoaoM disse, o “branco salvador” me chamou muito mais a atenção. Tanto que não me animei em ver as sequências.

    Acho difícil filmes com essa pegada, vindos de onde vêm e totalmente comerciais passarem da superfície do debate. (Parabéns, você tirou leite de pedra nesse post!) Recentemente li meu primeiro livro do Ailton Krenak, A vida não é útil, e achei que ele trata de todos esses debates suscitados no post — do estilo de vida dos “civilizados” em contraposição ao dos indígenas e da natureza como ser vivo — com bastante propriedade e elegância.

    1. Mas já que já comentei aqui, fica a recomendação de A terra dá, a terra quer, do Nego Bispo

    2. Valeu.
      Esse livro do Krenak é ótimo, principalmente o título, que já diz tanto. A vida ou natureza não deveriam ser medidas conforme a utilidade ou lucro que geram.

      Sobre o branco salvador, uma teoria meio crua me surgiu agora, ao me perguntar por que isso não me incomodou, apesar de óbvio.
      Esses filmes mais fantasiosos (apesar de que “Avatar” também tem uma pegada hard-scifi) podem ser lidos como alegoria, quase um conto de fadas, de camadas psicológicas ocultas. Por exemplo, “O Senhor dos Anéis”, em que na verdade Gollum é o lado sombrio de Frodo, Saruman é a sombra de Galdalf etc — a estória toda é sobre as diferentes faces de uma única psique rumo à completude, como todo conto de fadas, mito ou até muitos sonhos.
      Se “Avatar” for lido dessa maneira, como algo mais mágico e mitológico, também é um percurso desses. Do branco colonizador separado de tudo, que se torna indígena e passa a entender a natureza maior. Quando ele salva a tribo, na verdade está salvando a si mesmo (todos os elementos somam uma única psique). Inicialmente é paraplégico, depois, ao migrar para o corpo nativo, começa a se tornar inteiro.
      É uma teoria crua, como disse, e não é uma defesa do branco colonizador. Mas acho que é por causa disso que não me incomodei muito com um branco salvando indígenas (no primeiro filme).

      1. Essa sua perspectiva é interessante.

        Eu não consigo colocar no mesmo ponto da sua análise em Senhor dos Anéis, principalmente porque muito do que você disse a gente encontra escrito ou induzido no livro. Quando Galdalf conversa com Frodo sobre Gollum em Moria, ou Sam olhando a relação dos dois na viagem a Mordor. Enquanto em Avatar, não vejo essas questões.

        A gente vê que a história é centrada e contada pelo “branco salvador” e sua jornada. Ele poderia estar em qualquer outro lugar e salvar qualquer outra comunidade. Essas pessoas não são realmente importantes, mas a jornada da revelação “do herói”. Se a história fosse contada mais pela perspectiva dos nativos, talvez eu pudesse concordar mais.

        Essa pegada do pocahontas espacial é muito real e na época do lançamento do primeiro filme muito levantada. Repetir histórias não é bem um problema em si, mas tem histórias melhores para se reaproveitar.

        E acho que por isso que eu peguei birra dessa tri-quadri-ologia.

        Temos ainda que avatar é um projeto do Camaron meio que numa pegada ecológica num paradoxo curioso de quanto ele precisou destruir da natureza em recursos para gerar um filme que aparenta tanto ser um discovery animal extraterrestre.

      2. acho que você é generoso demais com senhor dos anéis

        se a obra realmente fosse na direção de conto de fadas, ela exploraria melhor essas duplicidades que você aponta, mas na prática ela vai pra outro sentido (muito pior)

        1. Sim, eu na verdade tava falando dos livros. Essa qualidade alegórica é forte nos livros. Nos filmes não tem isso nem um monte de outras coisas boas.

  8. Só assisti ao primeiro e não lembro muito bem dos detalhes, mas me incomodou muito mais o “branco salvador” do que o “bom selvagem”