Lendo o artigo, fiquei com imagem do senhor rural à época do Brasil colônia na cabeça, que era uma espécie de “governo por terceirização”.
Não só no Brasil, mas por essas bandas ainda gostamos de terceirizar a responsabilidade pelo que é público. De formas variadas.
Enquanto não houver valorização do bem público, interesse legítimo e participação ativa da população nesse campo, o privatismo vai tomando conta.
O dilema que a Fabiana coloca no texto pega em cheio uma classe média/média alta que aparenta estar ciente da necessidade (e dos benefícios para todos!) de educação e saúde universais de qualidade, mas que, ao mesmo tempo, se nega a “cortar da própria carne”, ou seja, tem plano de saúde e forma os filhos em escolas privadas. E digo isso por experiência(s) própria(s).
O Brasil é muito grande e não duvido que existam regiões onde as escolas públicas e o SUS rivalizem ou superem as contrapartes privadas. Onde não é o caso, vemo-nos num dilema: como convencer alguém a abdicar do “melhor” que o dinheiro pode pagar, tendo esse dinheiro para dispor?
Eu não tenho filhos e digo — às vezes só para provocar, mas no fundo convicto de que é “a coisa certa a se fazer” — que, se tivesse, colocaria ele numa escola pública. Já fui execrado por “não querer o melhor” para o meu (hipotético) filho. E aí… 🤷
Ah pronto. Agora é papel da imprensa elogiar serviço público.
Já dizia Millor: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.”
O problema é quando a Imprensa não é oposição só por ser, mas sim porque é paga para isso ou porque o dono/editor/chefe é pu*o com o partido ou a política local.
Porque é fácil fazer um editorial contra o governo e o serviço público enquanto ganha patrocínio de um plano de saúde e uma empresa de segurança privada. Difícil é fazer o contrário: elogiar os serviços gratuitos do governo de graça e ser pago pelas empresas para falar mal das próprias empresas.
mas aí tem o contraponto da imprensa que recebe verba governamental. tem isso em qualquer que seja o partido no poder e sabemos que é apenas “passagem de pano”. Vide DCM, Terça Livre, BR247, Oeste, etc… como falar mal do governo se a maior parte de seu faturamento vem dele?
eu passo longe desses sites.
Um ótimo texto que merece ser viralizado (e como sempre irônico, é um texto privado). Mas tem um ponto pouco falado também que é como as entidades de classes de algumas áreas públicas também contribuem para a manutenção de uma visão negativa dos serviços públicos.
Peguem mesmo a medicina, que apesar dos ‘viva o SUS’ que lemos e escutamos por aí, acaba ignorando que a população lida com um sistema mal projetado (prioriza mais atendimentos urgentes do que atendimentos de consulta simples), médicos que ao mesmo tempo que fecham a área para “evitar desvalorização”, trabalham em vários lugares ao mesmo tempo e atendem sem respeito no serviço público (isso resultando no famoso “mais médicos” e toda a discussão sobre os médicos de outros países que atendem bem melhor que os médicos do país que vivemos), a não tão universalização (dentistas e oculistas por exemplo no SUS é mais difícil, vendo mais clínicas pequenas por aí).
Ou as Escolas que lidam com superlotação, alunos desmotivados, falta de mudança da forma de ensino em tempos atuais, e mudanças culturais que estão desvalorizando a educação (hoje “aprende tudo online”). Fora os baixos salários, apesar da (suposta) estabilidade de carreira (mas políticos procurando mudar o sistema e desincentivar a estabilidade).
A imagem política dos serviços públicos acabam sendo culpa de um ciclo de políticos ruins eleitos (muitas vezes eleitos por compra de votos) e pessoas votando errado (geralmente votando na imagem de “gente fora da política é melhor”). Não conseguimos ter uma educação política boa para fazer as pessoas entenderem que elas são responsáveis pelas consequencias de políticas ruins – um congresso que levanta bandeira de um político de outro país e defende acordos políticos que privilegiam outros países ao invés dos nossos mostra o efeito do “político é espelho de seu eleitor”).
E o conceito de pobre é muito um estereótipo ainda mal trabalhado. Pessoal confunde o termo pobre com o morador de rua ou cara que mora em cortiço ou quitinete. Não se fala que “pobre” é a pessoa que não tem condições de se manter com a renda que se tem, ou que usa a renda de forma desequilibrada com seu estado de vida atual. De certa forma, pobre é a pessoa que sempre vai depender de seu trabalho para sobreviver (e não do dinheiro e recursos de valor que tem). Se a pessoa tem equipamentos de trabalho que valem 10 mil reais e está ainda pagando de forma parcelada, é pobre. Se mora em condomínio e se perder o trabalho atrasará o condomínio, é pobre.
Eu sou pobre. Como em restaurante popular de 1 real, ando de transporte público, moro “de favor”. E ok, não tenho muito o que fazer de forma lícita para ganhar dinheiro, para ter uma renda, uma casa própria, um carrinho. Mas aí este monólogo já está se alongando demais então vamos ver o que outros tem a dizer sobre.
Lendo o artigo, fiquei com imagem do senhor rural à época do Brasil colônia na cabeça, que era uma espécie de “governo por terceirização”.
Não só no Brasil, mas por essas bandas ainda gostamos de terceirizar a responsabilidade pelo que é público. De formas variadas.
Enquanto não houver valorização do bem público, interesse legítimo e participação ativa da população nesse campo, o privatismo vai tomando conta.
O dilema que a Fabiana coloca no texto pega em cheio uma classe média/média alta que aparenta estar ciente da necessidade (e dos benefícios para todos!) de educação e saúde universais de qualidade, mas que, ao mesmo tempo, se nega a “cortar da própria carne”, ou seja, tem plano de saúde e forma os filhos em escolas privadas. E digo isso por experiência(s) própria(s).
O Brasil é muito grande e não duvido que existam regiões onde as escolas públicas e o SUS rivalizem ou superem as contrapartes privadas. Onde não é o caso, vemo-nos num dilema: como convencer alguém a abdicar do “melhor” que o dinheiro pode pagar, tendo esse dinheiro para dispor?
Eu não tenho filhos e digo — às vezes só para provocar, mas no fundo convicto de que é “a coisa certa a se fazer” — que, se tivesse, colocaria ele numa escola pública. Já fui execrado por “não querer o melhor” para o meu (hipotético) filho. E aí… 🤷
Ah pronto. Agora é papel da imprensa elogiar serviço público.
Já dizia Millor: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.”
O problema é quando a Imprensa não é oposição só por ser, mas sim porque é paga para isso ou porque o dono/editor/chefe é pu*o com o partido ou a política local.
Porque é fácil fazer um editorial contra o governo e o serviço público enquanto ganha patrocínio de um plano de saúde e uma empresa de segurança privada. Difícil é fazer o contrário: elogiar os serviços gratuitos do governo de graça e ser pago pelas empresas para falar mal das próprias empresas.
mas aí tem o contraponto da imprensa que recebe verba governamental. tem isso em qualquer que seja o partido no poder e sabemos que é apenas “passagem de pano”. Vide DCM, Terça Livre, BR247, Oeste, etc… como falar mal do governo se a maior parte de seu faturamento vem dele?
eu passo longe desses sites.
Um ótimo texto que merece ser viralizado (e como sempre irônico, é um texto privado). Mas tem um ponto pouco falado também que é como as entidades de classes de algumas áreas públicas também contribuem para a manutenção de uma visão negativa dos serviços públicos.
Peguem mesmo a medicina, que apesar dos ‘viva o SUS’ que lemos e escutamos por aí, acaba ignorando que a população lida com um sistema mal projetado (prioriza mais atendimentos urgentes do que atendimentos de consulta simples), médicos que ao mesmo tempo que fecham a área para “evitar desvalorização”, trabalham em vários lugares ao mesmo tempo e atendem sem respeito no serviço público (isso resultando no famoso “mais médicos” e toda a discussão sobre os médicos de outros países que atendem bem melhor que os médicos do país que vivemos), a não tão universalização (dentistas e oculistas por exemplo no SUS é mais difícil, vendo mais clínicas pequenas por aí).
Ou as Escolas que lidam com superlotação, alunos desmotivados, falta de mudança da forma de ensino em tempos atuais, e mudanças culturais que estão desvalorizando a educação (hoje “aprende tudo online”). Fora os baixos salários, apesar da (suposta) estabilidade de carreira (mas políticos procurando mudar o sistema e desincentivar a estabilidade).
A imagem política dos serviços públicos acabam sendo culpa de um ciclo de políticos ruins eleitos (muitas vezes eleitos por compra de votos) e pessoas votando errado (geralmente votando na imagem de “gente fora da política é melhor”). Não conseguimos ter uma educação política boa para fazer as pessoas entenderem que elas são responsáveis pelas consequencias de políticas ruins – um congresso que levanta bandeira de um político de outro país e defende acordos políticos que privilegiam outros países ao invés dos nossos mostra o efeito do “político é espelho de seu eleitor”).
E o conceito de pobre é muito um estereótipo ainda mal trabalhado. Pessoal confunde o termo pobre com o morador de rua ou cara que mora em cortiço ou quitinete. Não se fala que “pobre” é a pessoa que não tem condições de se manter com a renda que se tem, ou que usa a renda de forma desequilibrada com seu estado de vida atual. De certa forma, pobre é a pessoa que sempre vai depender de seu trabalho para sobreviver (e não do dinheiro e recursos de valor que tem). Se a pessoa tem equipamentos de trabalho que valem 10 mil reais e está ainda pagando de forma parcelada, é pobre. Se mora em condomínio e se perder o trabalho atrasará o condomínio, é pobre.
Eu sou pobre. Como em restaurante popular de 1 real, ando de transporte público, moro “de favor”. E ok, não tenho muito o que fazer de forma lícita para ganhar dinheiro, para ter uma renda, uma casa própria, um carrinho. Mas aí este monólogo já está se alongando demais então vamos ver o que outros tem a dizer sobre.