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Não existe Barbienheimmer, só Barbie.

Barbie hits $1 billion. Greta Gerwig’s hot-pink cultural phenomenon became just one of ~50 movies ever to reach $1 billion in global box office sales (not adjusted for inflation), and Gerwig became the first woman to direct a $1 billion movie solo. Barbie is also the fastest-selling movie in the 100-year history of Warner Bros., reaching 10 figures after just 17 days in theaters. And the momentum isn’t slowing down: Barbie held its spot as the No. 1 movie in North America for the third straight weekend.

Provavelmente estamos vendo o Titanic dessa geração pós-2000.

Ref: https://edition.cnn.com/2023/08/06/business/barbie-box-office-history/index.html

9 comentários

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  1. Eu acho importante a criação de um produto cultural como o filme da Barbie. Acredito ser uma boa maneira de apresentar certos conceitos como a misoginia e a cultura patriarcal para pessoas que não os conhecem.
    Porém também acredito ser apenas uma porta de entrada e não se aprofundar nos conceitos e possíveis maneiras de mudar a realidade.
    Além disso, esse não deixa de ser um produto que critica o próprio sistema em que está inserido e faz uso para sua produção e divulgação. O sistema de produção cultural de Hollywood é, como mostrado em movimentos como o “Me too”, misógino e patriarcal. Então, uma produção como Barbie não deixa de ser como uma jaqueta do movimento Punk vendida na C&A.
    Os lucros desse filme irão, em parte, para produtoras e acionistas que fomentam esse sistema de produção e todas as situações tóxicas que vêm atreladas a ele.

    1. Essa é a beleza perversa do capitalismo: todo o movimento, hoje, vai ser cooptado por ele e transformado em produto. Se Barbie fosse um filme indepentende, logo ele seria cooptado pelo sistema capitalista e transformado em produto. Como é com o movimento feminista – e e as suas diversas “ondas rosa” -, o movimento negro – em figuras como o Emicida – ou o movimento LGBTQ+ – daí temos diversas figuras que sempre estão atreladas à venda de produtos.

      O problema, ou a questão, é: isso retira o mérito dessas obras/artistas?

      Cada coisa deve ser medida em relação ao que se propõe e ao meio em que está inserida. Não espero que o Emicida tenha a mesma postura dos Racionais. Não espero que o movimento feminista branco e de classe alta das universidades tenha a mesma postura do movimento das mulheres negras e de periferia. Não espero que uma obra, gestada em Holywood, tenha a mesma postura que uma obra nascida nas periferias do mundo.

      Barbie é um produto e não vai mudar nada. Mas é um produto melhor do que filme de super-herói, e eu acho que é assim que temos que ver: não como um produto que subverte a ordem das coisas; mas como uma menina rica que questiona a empresa da família e faz um TikTok falando dos podres dessa empresa. Esse é o limite dentro da democracia burguesa capitalista. Esse é o limite da Greta, da Barbie e de qualquer obra dos países centrais do capitalismo atual.

  2. É tradição de Hollywood medir o sucesso ou a importância de um filme pela quantidade de dólares arrecadados nas primeiras semanas de bilheteria. Por esse critério, é como se Oppenheimer fosse um filme mediano, esquecível, e Barbie já fosse um clássico do cinema. Não vi Barbie ainda, quero ver, deve ser bom. Mas vamos ver se daqui a uns 20 anos esse filme vai ser referência pra cinéfilos, diretores, atores etc. como são hoje 2001, Apocalypse Now etc. Pensando bem, vamos ver se daqui a uns 20 anos ainda vai existir bilheteria de cinema…

  3. concordo em comparar os fenômenos de marketing (barbie e titanic), mas diria que há diferenças significativas nas formas como os públicos se apropriam de cada um dos filmes — inclusive com implicações políticas mais intensas agora em todos os sentidos (seja na forma como a warner/mattel ganha dinheiro com a mobilização de desejos políticos, seja na maneira como o público mobiliza discursos em torno dele)

    titanic hoje seria um filme esquecido por todos não fossem os memes — barbie eu acho que terá um efeito um pouco mais longevo no mundo hollywoodiano, apontando para uma nova maneira de fazer dinheiro para além da cartilha dos filmes de hominho

    1. Sendo bem sincero, eu vi Barbie pirata em casa e me soa como um filme melhor do que Titanic – que é basicamente um filme sobre efeitos especiais muito foda pra época, onde o James Cameron usa o romance do Jack & Rose como plano de fundo pra poder mostrar como ele recriou a obsseção pessoal dele (o navio) nos mínimos detalhes.

      Agora, Barbie é um filme que me parece longevo e bom, num mar de filmes que virão na mesma batida, e que provavelmente serão péssimos. O que é ruim, pq só prova que os EUA tem um chão-de-fabrica de produção de blockbusters pra bater meta e vender merchan.

      1. Que isso, galera.

        “titanic hoje seria um filme esquecido por todos não fossem os memes”?? “basicamente um filme sobre efeitos especiais muito foda pra época”??

        Achei Barbie ótimo e acho muito boa a comparação de que pode ser o Titanic dessa geração, pelo menos em termos de “aquele filme que quase todo mundo viu”. Mas não precisa tirar os méritos do filme do James Cameron pra exaltar o da Greta Gerwig.

        Titanic já é um clássico do cinema. Um épico, com aquelas tramas centenárias de amor, tragédia, sacrifício, mortalidade, desigualdade, arrogância… É uma história muito universal e atemporal. Não é o maior indicado e maior vencedor da história do Oscar só por causa dos efeitos especiais e do sucesso de público. Tem muita qualidade ali, po.

        1. Mas Titanic sempre foi um filme ruim. Assim como Avatar I e II. A história é pífia cara, temos uma ótima performance dos atores, principalmente da Kate Winslet, mas para por aí. Todos os filmes do James Cameron são, basicamente, um laboratório de tecnologias para filmagem. T2, Titanic, Avatar … tem muita “qualidade técnica” (porque tudo é técnico) em termos de efeitos, filmagem, foto e luz. Mas a história e o modo de contar são terríveis. James Cameron é um diretor mediano que dá MUITO lucro. E isso não demérito, é só como as coisas são.

          Oscar, e nenhum prêmio, dá um selo de validação de bom conteúdo.

          1. Até concordo que nenhum prêmio por si só dá selo de validação de bom conteúdo. Mas do jeito que você fala parece que o Oscar – ou qualquer outra premiação – não dá selo de validação, mas você, Paulo GPD, dá haha

            O filme é ruim só porque você diz? A história é pífia e o modo de contar é terrível por que você diz? As pessoas gostaram do filme só porque ele “tem muita qualidade técnica”? Ninguém se envolveu com a história ou se importou com Jack e Rose? Você consegue afirmar isso? O filme está na lista de melhores/preferidos de um monte de gente (críticos, inclusive) só por causa das tais qualidades técnicas, sem nenhum mérito narrativo?

            Como disse mais cedo, acho que é uma história muito universal e atemporal. Está aí sendo contada desde que o mundo é mundo, com tragédias gregas, com Shakespeare, com Titanic… Então acho difícil afirmar que seja uma história pífia. Se ela é contada e recontada há tantos anos, com tanto sucesso, alguma coisa tem aí nessa fórmula, não? Uma história que cativa não é uma boa história?

          2. Exatamente porque é uma história que cativa que é ruim. Na teoria do conto clássico – que dá pra esticar pra encaixar os folhetins do Guilherme inglês – o problema é exatamente que a reação do leitor é a reação que comanda a história, e isso é feito pra vender ingresso, livro, jornal (na época desses folhetins) e entradas pra teatro, na época do WS.

            O resto é ad hominem.