Importante esta fala do Nicolas Souza Santos, integrante da Aliança Nacional dos entregadores por aplicativo:
8 comentários“A parede não foi questão de valor. Nos jornais sai como se fosse uma disputa de R$ 35 versus R$ 17. Nós estamos fazendo uma defesa de conceito, a defesa de que, se a gente sai para trabalhar, estamos trabalhando”, disse. E deu um exemplo: “Se uma lanchonete resolve contratar um chapeiro, vira e fala: ‘ok, mas você só vai receber no momento em que estiver fritando o bife. Parado, sem cliente, você não recebe’. Qual chapeiro vai aceitar o trabalho? Aliás, se ele aceitar, em qual condição social ele está? Porque, no fim das contas, é essa a discussão que estamos fazer aqui”, disse.
Na comparação, lembrou também que, atualmente, os trabalhadores por aplicativo aceitam, por exemplo, ficar horas parados esperando um pedido. “Só que isso está errado. A atividade econômica não sou eu quem controlo. Eu não controlo quando vou receber um pedido, resumiu.
A diferença fundamental é que o chapeiro não atende diversas lanchonetes, somente uma.
Todo frila acorda de manhã e “vai” pro trabalho mesmo que não haja nenhum. O pedreiro termina um serviço e fica à espera do próximo – sem pagamento.
O problema maior é a plataforma, que domina a entrada e a distribuição de pedidos, e os entregadores não têm nenhum controle sobre isso. Se a plataforma pagar por hora, vai caracterizar vínculo empregatício (o entregador disponível dias corridos or horas corridas).
A meu ver, não existe solução. iFood lucrou quase US$ 1 bi em 2022 nesse modelo, mudar pra quê?
Não tem nenhuma diferença, eles atendem ao iFood. Dizer que eles atendem ao restaurante é comprar a conversa-fiada que o iFood vende.
A solução é a formalização de um vínculo que já existe.
Tem toda a diferença, desculpe. Nem toda lanchonete atende iFood. Quem trabalha sem vínculo empregatício não é pago por seu tempo parado, ele é pago pelo trabalho que entrega, fim.
Todas as plataformas que pagam por trabalho realizado (seja microtrabalho, texto, lanche na porta etc) minimiza o pagamento, corta custo e maximiza lucro para “investidores”. O problema do iFood e tantas outras plataformas semelhantes é que o trabalhador sofre mais riscos que qualquer outro que está em casa, por exemplo, digitando seu texto por 5 centavos a palavra.
Reconhecer a particularidade da situação não significa concordar com ela. Esse negócio se fundamenta na exploração de mão de obra da sua pior forma. Não existe maneira viável de ela existir, como hoje existe, criando vínculo empregatício e pagando direitos trabalhistas. É a mesma falácia das “contas no azul” do governo anterior – as contas só azularam à custa de cortes em políticas sociais e extinção de benefícios e programas em saúde, educação e cidadania.
Receita não é lucro. Esses dados não correspondem nem de longe à realidade.
“O iFood registrou receita de US$ 606 milhões no primeiro semestre do ano fiscal de 2023, com aumento de 29% na comparação anual, segundo o balanço parcial divulgado pela Prosus no fim de novembro. A companhia, que teve 100% de seu controle adquirido pela Prosus em agosto, reduziu o prejuízo comercial para US$ 59 milhões no semestre fiscal.
O grupo holandês teve lucro comercial de US$ 1,4 bilhão no primeiro semestre fiscal de 2023, queda de 37% na comparação anual. A receita foi de US$ 16,5 bilhões, alta de 9% sobre o mesmo período de 2021. Na área de delivery de refeições, além do iFood, a Prosus controla a Delivery Hero e a Swiggy. Neste segmento, a receita somou US$ 1,9 bilhão no primeiro semestre fiscal, alta de 52% na comparação anual.”
Melhor?
Tá ganhando dinheiro adoidado, e vai cortar funcionários – de novo. Agora me explica como encaixar nesse modelo de negócios vínculo empregatício e direitos trabalhistas.
Não melhorou.
Sua interpretação do texto é incorreta. A empresa que deu lucro foi a detentora do Ifood. Ela teve lucro, APESAR do Ifood.
Além disso, sua argumentação é ilógica, diz que a empresa tem muito lucro (falso) e não dá para pagar direitos trabalhistas.
Por fim, você me pede para explicar como encaixar esses direitos trabalhistas no negócio, como se esse negócio devesse necessariamente existir, como o sol e as estrelas. Se o Ifood não consegue ter uma operação rentável, então que se exploda. Certas coisas são inegociáveis.
“Se o Ifood não consegue ter uma operação rentável, então que se exploda.”
Plot twist: foi EXATAMENTE isso o que eu disse.
a solução é justamente reconhecer o vínculo empregatício de forma flexível, a favor do trabalhador, pagando férias, 13º, fgts, etc