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Multar a Big Tech não funciona. LLMs treinadas ilegalmente devem ser convertidas para o domínio público theregister.com

Resumindo:

O autor do artigo faz uma proposta interessante sob uma perspectiva crítica para resolver o nó jurídico-ético-tecnológico de LLMs como Chat-GPT. Sua crítica central sendo que esses programas puderam ser criados ignorando os direitos de propriedade dos outros, seja as postagens em redes sociais, seja por terem pirateado todos os textos e arquivos digitais que puderam encontrar, para acumular uma base de dados gigantesca usada para treinar as LLMs muito além do que usar apenas materiais em domínio público e licenciados permitiria, incluindo uso de torrents ( mais desse ponto (aqui)[https://piracymonitor.org/chat-gpt-trained-using-pirated-e-books/]). Para haver uma punição efetiva, as multas irrisórias sendo aplicadas não bastam, portanto houve a proposta radical de forçar as empresas a publicarem todos os códigos-fonte das LLMs e colocar isso em domínio público. Assim, todo o lucro obtido com o delito seria negado, haveria um tipo de ressarcimento ao público, e sem ter que renunciar aos inegáveis ganhos tecnológicos obtidos (fora os custos ambientais realizados no treinamento, que o autor menciona como um custo irrecuperável que não deve ser desperdiçado).

Se o público do mundo inteiro teve de contribuir com seu trabalho e dados múltiplos (e contra sua vontade em 98% dos casos) para as LLMs existirem como são hoje, é justo que ao menos o público possa usufruir sem custos os frutos obtidos dessa árvore envenenada.

O que acham ? (obviamente assino embaixo, difícil seria convencer os governos por motivos estruturais)

5 comentários

5 comentários

  1. Sou de uma ideia mais radical: qualquer tecnologia de alto impacto social e/ou monopolizável, deveria ser gerenciado por uma cooperativa pública sem fins lucrativos e/ou amparada por governos (caso o governo não seja autocrata).

    Quando começamos a privatizar muita coisa relacionada a telecomunicação, geramos um problema que é o excesso de oferta, aliado ao incentivo ao consumo irresponsável e problemas de manutenção. No Brasil, se antes “gato” era sinonimo de internet ilegal, hoje é sinonimo de excesso de cabeamento de telecomunicação, de instalação irregular mesmo por empresas regulares. Estamos tendo problema de lixo eletrônico devido as trocas de tecnologia, descartando telefones que poderiam ser úteis. Há países que telefones 2 e 3G não funcionam mais, e isso está virando um transtorno não só pelo lixo mas também pela ausência de uma transição mais suave (tal como a transição da TV Analógica para ISDB mais ou menos foi).

    No caso das IAs, talvez incentivar a criação de uma entidade que tenha proteção legal para evitar ser transformada em entidade lucrativa seria uma boa forma de evitar abuso com as mesmas. E estudar formas para que sistemas de IA sejam usadas mais para tarefas burocráticas, aceleração de estudos e quaisquer coisa que sirva mais para contribuição social. IA para uso em criações artificiais artisticas deveria ser proíbido. A OpenAI deveria ter sido assim, não? Mas bem, galera quer ficar rica rapidamente…

    1. caso o governo não seja autocrata

      Porque um governo democrático seria, necessariamente, melhor do que um autocrático?
      Sempore acabamos por acreditar que o distema democrático (burguês e liberal) é o melhor que conhecemos, mas, ele pode ser até mais restritivo do que um sistema autocrático gerido por comunidades em pequenas porções (como um governo central autocrático, sem eleições, que está envolvido dentro de um sistema de conselhos menores que tomam as decisões diárias).

      Todo o sistema terá vícios, mas a ideia de achar que essa democracia falha, que já é derivada de um sistema estratificado, é melhor apenas por existir dentro de um sistema legal “moderno”, me parece falha.

      Não tem nada relacionado com o assunto, apenas estava pensando em voz alta e talvez transforme isso em um post aqui no Órbita.

    2. “qualquer tecnologia de alto impacto social e/ou monopolizável, deveria ser gerenciado por uma cooperativa pública sem fins lucrativos e/ou amparada por governos”

      incrível como as pessoas confiam no governo pra regular a vida delas.

      1. Em primeiro lugar, ele falou cooperativa (empresa gerida pelos trabalhadores) pública ou governo, não o 2o somente. Ou entidades sem fins lucrativos, que não precisa ser governo. Em segundo lugar, incrível como pessoas confiam em dar Poder na mão de pessoas privadas direcionadas para extração máxima de lucros, sem nenhuma forma democrática mínima por trás, para regular a vida das pessoas, uma autocracia privada. Em vez de fazer mecanismos democráticos por mais incompletos que sejam.