Ainda não terminei a segunda temporada, mas tenha a impressão que a resolução dos mistérios será decepcionante. Como normalmente é.
O final de Lost, por pior que seja, nunca explicou a Dharma, ou Darma?, e nem tentaram. E não fez falta.
são boas suposições a respeito dos caminhos que a trama pode adotar, mas, sinceramente, acho péssimo — não as suas hipóteses, mas esse foco exclusivo na trama
detesto essa coisa toda de lore e world-building: a graça da primeira temporada (e, em grande medida, do episódio final da segunda) estava no absurdo, no nonsense, no misterioso, naquilo que não tinha explicação — aí a série vai lá e começa a explicar TUDO. Não só é um balde de água fria nos espectadores que querem experimentar mais essas sensações como é uma forma de menosprezar as possibilidades de experimentação estética da série, jogando toda a importância em resolver essa historinha boba da Lumon.
quero mais david lynch e menos christopher nolan! mais buñuel e menos marvel!
Tenho sentimentos conflitantes quanto a isso. Normalmente gosto muito mais dos mistérios do que das respostas mas ao mesmo tempo fico com a impressão de “se não precisa responder nada pode jogar qualquer maluquice na cara da audiência que já tá bom”
mas se a maluquice for uma experiência estética interessante, então qual o problema? É justamente mais disso que eu quero.
em twin peaks o david lynch inventou um personagem central pra série simplesmente porque um cara dos bastidores apareceu sem querer na gravação — e a cena ficou maravilhosa. Se o foco fosse seguir rigorosamente o roteiro, isso nunca teria acontecido.
Aí tudo bem, mas aí é uma série de maluquice e não de mistério e Severance, ao menos na minha leitura, se vendeu como ficção científica de mistério desde a primeira temporada. E mesmo série de maluquice ainda precisa de alguma ordem, o David Lynch não deve ter falado um “foda-se, deixa o cara dos bastidores aí, mó trampo regravar” e sim construiu algo ao redor dele.
No fim acho que o que mais gosto de Severance é os questionamentos que nos gera em relação a separação de vida pessoal/profissional, que é o tipo de coisa que eu espero de uma série de ficção científica mesmo, e não a estética artística (achei aquela cena dos corredores lá do começo da temporada, que a internet amou, longa e desnecessária: a gente já conhecia esses corredores da primeira temporada, não precisava fazer isso). Talvez por isso eu não aproveite a maluquice pela experiência estética alcançada e fico esperando a parte scifi da coisa.
Acho que vai ter algumas dessas coisas aí sim…
Ainda não terminei a segunda temporada, mas tenha a impressão que a resolução dos mistérios será decepcionante. Como normalmente é.
O final de Lost, por pior que seja, nunca explicou a Dharma, ou Darma?, e nem tentaram. E não fez falta.
são boas suposições a respeito dos caminhos que a trama pode adotar, mas, sinceramente, acho péssimo — não as suas hipóteses, mas esse foco exclusivo na trama
detesto essa coisa toda de lore e world-building: a graça da primeira temporada (e, em grande medida, do episódio final da segunda) estava no absurdo, no nonsense, no misterioso, naquilo que não tinha explicação — aí a série vai lá e começa a explicar TUDO. Não só é um balde de água fria nos espectadores que querem experimentar mais essas sensações como é uma forma de menosprezar as possibilidades de experimentação estética da série, jogando toda a importância em resolver essa historinha boba da Lumon.
quero mais david lynch e menos christopher nolan! mais buñuel e menos marvel!
Tenho sentimentos conflitantes quanto a isso. Normalmente gosto muito mais dos mistérios do que das respostas mas ao mesmo tempo fico com a impressão de “se não precisa responder nada pode jogar qualquer maluquice na cara da audiência que já tá bom”
mas se a maluquice for uma experiência estética interessante, então qual o problema? É justamente mais disso que eu quero.
em twin peaks o david lynch inventou um personagem central pra série simplesmente porque um cara dos bastidores apareceu sem querer na gravação — e a cena ficou maravilhosa. Se o foco fosse seguir rigorosamente o roteiro, isso nunca teria acontecido.
Aí tudo bem, mas aí é uma série de maluquice e não de mistério e Severance, ao menos na minha leitura, se vendeu como ficção científica de mistério desde a primeira temporada. E mesmo série de maluquice ainda precisa de alguma ordem, o David Lynch não deve ter falado um “foda-se, deixa o cara dos bastidores aí, mó trampo regravar” e sim construiu algo ao redor dele.
No fim acho que o que mais gosto de Severance é os questionamentos que nos gera em relação a separação de vida pessoal/profissional, que é o tipo de coisa que eu espero de uma série de ficção científica mesmo, e não a estética artística (achei aquela cena dos corredores lá do começo da temporada, que a internet amou, longa e desnecessária: a gente já conhecia esses corredores da primeira temporada, não precisava fazer isso). Talvez por isso eu não aproveite a maluquice pela experiência estética alcançada e fico esperando a parte scifi da coisa.