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Migrar de carreira aos 30 anos

Antes de mais nada, um pouco da minha história: tenho 31 anos, sou formado em jornalismo e fui pro marketing por falta de opção.

Comecei como redator, passei por social media, até design eu já fiz, mas não gosto dessa profissão. É tudo muito subjetivo e a razão do setor não combina com minha ideologia e estilo de vida.

Não vou nem entrar na questão da personalidade dos “marketeiros” (qualquer um com LinkedIn sabe o que eu quero dizer).

Me sinto velho demais pra começar alguma coisa do zero, então não penso em fazer algum curso superior (falando especificamente de trabalho), mas me considero jovem ainda pra aprender novos truques e engatar uma nova profissão.

Naturalmente, pensei em ir pra área de tecnologia. Aprendi HTML e CSS na adolescência, durante a faculdade fiz curso rápido de python com foco em análise de dados, brinquei com java, mas não em aprofundei em nada disso.

Não quero ganhar rios de dinheiro, só fazer algo que me dê mais perspectivas futuras. Sei do hype da IA no mundo da tecnologia, mas ainda não vi programador sendo substituído pelo ChatGPT (me corrijam se eu estiver estiver errado).

Me inspiro no Guilherme Felitti e no próprio Ghedin para tentar isso. Ambos são jornalistas e, apesar do segundo manter este blog, o considero mais um homem da tecnologia do que um profissional da notícia (não digo isso de forma depreciativa do seu trabalho na escrita).

Escolho a programação não porque acho que tem dinheiro fácil, mas porque sinto que seria um caminho natural pra mim (estava pensando em fazer um curso de mecânica e, apesar de gostar de carros, sou muito desengonçado com trabalhos manuais).

Na carreira de marketing, sinto que atingi um platô salarial, até porque não tenho jeito e nem pretensão de ser um gerente ou diretor. Nas minhas pesquisas no LinkedIn, eu receberia igual ou mais sendo um programador mediano em uma empresa grande. (O pessoal reclama bastante do mercado tech no Reddit, mas é porque vocês não conhecem o mercado da publicidade).

Tudo isso para perguntar para vocês: já migraram de carreira? Como foi a trajetória? Saiu de qual área? Que caminho escolheram e por que?

Para os outros, assim como eu, que pensam em migrar de carreira: qual o motivo? Já começou planejar?

Abraços!

28 comentários

28 comentários

  1. sempre trabalhei com informática, mas era da área de suporte/infra (manutenção, monitoramento, servidores…), nada de desenvolvimento de software, mesmo tendo formado em ciências da computação e foi assim até os 33 anos.

    nessa mesma empresa que trampava de suporte, pintou a primeira equipe de desenvolvedores e deram a oportunidade para quem já trabalhava lá e queria mudar de área (deram a oportunidade leia-se: sabiam que se procurassem fora ninguém ia aceitar aquele salário e apostaram na gente…) e, assim, migrei para o desenvolvimento de software.

    hoje tenho 37 anos, estou satisfeito, tenho um bom salário e cago se meu emprego faz alguma diferença no mundo, pra mim, qualquer emprego, é só um meio de proporcionar bem-estar pra minha família, conforto e poder comprar o que eu quero.

    se tenho uma dica a dar é: comece, mas não se engane, tem muito etarismo na área, você terá que recuperar o tempo ‘perdido’ e não se acanhe com a IA :)

  2. Trabalho com auditoria, mas nunca fui apaixonado pela área. Basicamente só entrei no ramo porque a única entrevista que passei quando estava desempregado foi numa Big4 de auditoria. Fui levando ano após ano, e lá se foi uma década como auditor.

    O que mais me pega hoje é a questão salarial, porque estou num cargo que paga muito bem e seria complicadíssimo recomeçar ganhando o salário de um júnior/estagiário em outra área.

    1. Gosto muito do conteúdo dele :D

      também estou nessa de nunca ter mudado de profissão, pois a mudança que fiz nem conta muito, com 17 anos comecei no administrativo e com 21 fui pra contabilidade, onde estou até hoje.

      vira e mexe estudo programação, para aprender umas coisas pessoais e pra aplicar na minha profissão e quem sabe mudar de carreira, mas não é nada que penso a curto-médio prazo.

  3. Estou com 37, passando exatamente por isso nesse momento e está sendo um caos hahahaha
    Já estou na área de TI há mais de 15 anos e a muito tempo que quero mudar. Paga bem, você encontra pessoas legais pelo caminho, mas no geral acho o trabalho bastante sem propósito, muitas vezes até questionável, dependendo da área de atuação. Tentei alguns caminhos dentro da gestão mas não consegui sentir que é ali que eu gostaria de ficar.
    Tenho amigos que adoram então é mais questão de valores pessoais mesmo e talvez encontrar motivação de alguma forma naquilo que você está produzindo. Eu desde o começo nunca fui apaixonado por falar de tecnologia, sobre linguagens de programação, padrões e por aí vai, mas novamente, tenho amigos e liderados que adoram.

    Sobre a transição em si, eu fiquei alguns meses pensando o que fazer, aventei várias possibilidades, cheguei até a fazer algumas sessões de terapia pra ajudar na reflexão. Consegui chegar numa área que tem alguma relação com o mercado que eu atuo, mas o trabalho é bem diferente do que eu faço e a entrega também. Tá dando um trabalhão começar praticamente do zero numa área nova, conciliar com o CLT sem comprometer o trabalho atual e atuar na nova área, já que minha ideia é atuar como autônomo. Estou atuando como planejador financeiro, com alguns clientes já.
    Além de encontrar algo que vai te motivar (e talvez a terapia seja útil em alguma medida), mas entender/aceitar que todo trabalho vai ter coisa que você não vai gostar de fazer e bem, vai ter que encontrar motivação de outras formas. No meu caso, a transformação que é possível na vida das pessoas, eu trabalhando no um a um com elas está sendo muito legal e me mantém querendo fazer mais.
    O outro aspecto, e isso vem um pouco também do que venho aprendendo dentro da nova área, é ter construído ou construir uma reserva financeira que vai te permitir fazer a transição no mínimo com a cabeça no lugar, permitindo que você entre de cabeça nessa nova área. Além de tentar experimentar essa outra área também antes de ter algum gasto expressivo com alguma formação, curso, mas entendo que pode não ser tão simples. Eu estudei bastante por conta, consegui começar um atendimento e agora estou fazendo uma formação na área, que tá ajudando em muito acelerar tanto o conhecimento técnico, quanto modelo de trabalho, comunicação, etc.
    Como você já tem bastante experiência em outras áreas, com certeza isso vai agregar bastante na nova, principalmente a área de marketing acho que tem bastante a contribuir na tecnologia, dependendo de onde você vai atuar. Eu tenho bastante contato com pessoas de marketing, por exemplo.
    Enfim, se quiser trocar mais figurinhas, o canal tá aberto.

    1. Carlos, qual o curso que está fazendo para ser consultor financeiro?

      sou contador e pesquiso bastante sobre o tema, inclusive mentorias para amigos, mas é algo informal e vi a formação do Amuri (a nossa.cc), mas achei bem carinha :(

      1. é ela que estou fazendo. vi que coloquei o nome errado no comentário anterior :)

          1. apesar de passarmos um pouco pelos aspectos técnicos, não é uma formação que vai fazer você virar especialista em investimentos, fiscal, endividados, etc. o foco é tornar você um planejador independente, onde passamos por esses pontos técnicos, temos espaço pra dúvidas e muita troca entre as pessoas.
            o espaço que eles fomentam também é muito propício para interação entre os colegas, com os professores e supervisores. é possível que você consiga falar com alguém todo dia, se tiver tempo.
            eles trazem ferramentas, formas de conduzir as sessões, exemplos práticos, o lado do negócio, prospecção, comunicação e no meio disso os aspectos técnicos também.
            é bem diferente da dinâmica de uma pós, por exemplo. então acho que depende um pouco do objetivo.
            mesmo pessoas com pouco conhecimento estão aproveitando bastante e já fazendo seus primeiros atendimentos.
            a entrega é bem mais que assistir as aulas, mas concordo que é salgada mesmo.

  4. Eu fiz uma transição de carreira aos 25 anos que era técnico em manutenção de subestação na CEEE, empresa de energia elétrica do RS, quando ainda era uma estatal. Migrei para TI. Foi uma transição abrupta, pois recebi uma proposta de emprego para programador C#/.NET em uma empresa de consultoria enquanto ainda era concursado. Saí da CEEE numa sexta-feira e na segunda-feira já estava na outra empresa vivendo um mundo complemente diferente. Mas você pode estar se perguntando como recebi uma proposta para programador mesmo sem experiência. Na época, eu já fazia faculdade Matemática Aplicada, logo eu já estava na área de TI, mas duas coisas foram fundamentais: eu tinha 2 certificações em C#/.NET e passei no teste de inglês da empresa. Facilitou também o fato da empresa de consultoria estar em franca espansão, com um cliente novo e precisando de programadores para ontem. Detalhe, após 3 meses trabalhando nessa empresa de consultoria, recebi uma proposta do cliente para trabalhar diretamente com eles. E cá estou no tal cliente há 18 anos. :)

  5. Eu comecei aos 18 como técnico de manutenção de CFTV/PABX, 5 anos depois fiz faculdade e passei a trabalhar com manutenção de redes e computadores, depois larguei tudo e escrevi dois livros com minha namorada (com quem me casei rsrsrsrs), e passamos os 8 anos seguintes aprendendo tudo o que era possível sobre produção de livros. Depois fiz pós-graduação em edição de livros e abrimos uma editora.
    Já se foram 22 anos e ainda me pergunto se a área editorial é isso tudo e se eu não viveria melhor criando codornas e plantando camomila rsrsrsrsrs

    1. A vida é curta demais pra se prender em um caminho somente. Fiz o primeiro salto de fé aos 25 e já me achava velho pra aquilo. Esse ano faço 40 e a única certeza que tenho é que nada é definitivo.

  6. Sou jornalista, tenho 30 anos e há 5 trabalho com TI. Assim que terminei a faculdade de jornalismo, ja engatei em uma de computação (que estou aos trancos e barrancos tentando terminar, porque desde que entrei em jornalismo não abri mão de estar estagiando/trabalhando, e minha carga horária é 40h semanais. Sim, estou louca, como adivinhou?).

    Acho que a faculdade é sim um compromisso a mais, demora a terminar, a pessoa fica sem paciência com algumas coisas, mas, no meu caso, estar lá como estudante me abriu muitas portas que seriam mais difíceis de abrir se eu estivesse estudando sozinha em casa. Pude participar de um projeto de extensão da universidade, que é uma parceria com uma empresa tech e isso mudou minha vida absolutamente, porque já saí de lá empregada como programadora e isso me ajudou demais a quebrar essa barreira inicial de entrar no mercado (o que me parece a pior parte). Desde então, não me faltaram oportunidades, sempre CLT, quase sempre home office, mesmo sem ainda estar formada (fui inclusive afetada por um layoff mas no mês seguinte já tinha outra proposta, até melhor que a anterior).

    Tem muitos poréns, mas ainda acho que é um bom caminho pra começar a mudar. Com a cabeça que tenho hoje, no entanto, eu teria feito um tecnólogo, que é mais rápido.

    Boa sorte! :)

  7. Fala Gustavo, me identifiquei muito com seu relato. E cara, vc ta novo ainda. É muito possível.
    Em 2000, entrei no curso de ciência da computação, mas alguns semestres depois eu abandonei e fui fazer direito. Me formei, fiz mestrado e desde 2009 eu advogava e dava aulas em algumas faculdades. Ganhava muito bem, mas não gostava da profissão, além do que, trabalhava praticamente de 9 as 22h quase todos os dias, o que prejudicava inclusive meu tempo com minha filha.
    Durante a pandemia a angustia pegou mais. Foi quando comecei a pensar em migração de carreira.
    Nisso eu ja estava para fazer 40 anos. Ainda sem saber o que fazer e aproveitando que na pandemia nem saia de casa, coloquei como meta juntar o suficiente para pagar 3 anos das despesas que eu tinha.
    Considero que essa tranquilidade financeira é importantíssima para que você possa se dedicar ao plano de migração sem angustia e preocupação.
    Pouco tempo depois decidir voltar para a area de TI. Estudei programação, conversei com alguns amigos da epoca que estudei e trabalhava com isso em em outubro/2022 tive minha primeira oportunidade.
    Acho que o mais complicado foi começar. Depois disso, a curva de aprendizado vem muito forte.
    Posso te dizer que tenha sido a melhor decisão que tomei na minha vida profissional. Não ganho tanto quanto antes, mas trabalho no máximo 8h por dia, tenho muito mais qualidade de vida e não tenho tanta angustia mais com o trabalho.
    Espero que seja muito feliz nessa decisão!

  8. Conheço amigos que migraram de carreira aos 40. Saíram da área de engenharia e se tornaram músicos, outros professores na educação básica. Outros eram produtores de espetáculos e se tornaram professores de arte em escolas. Observe as atividades que pratica como hobby, e que dão prazer. O que você estuda, lê nas suas horas vagas? Não é fácil fazer essa virada, mas…

  9. Fiz mais ou menos esse caminho que vc pensa em fazer. Não consegui, mas minha situação é bem diferente: sou funcionário público e a instituição onde trabalho tem várias áreas e é possível fazer este tipo de migração sem alteração substancial do salário. Logo a coisa é bem menos tensa.
    Veja que TI não é só programação, odeio a palavra dev, existe a área de infra, banco de dados, testes (ou controle de qualidade) e a área que escolhi: análise. Que é uma área em extinção, pelo que soube. Mas para quem veio de jornalismo cai como uma luva, vc tem que entrevistar usuários, resumir as ideias e traduzir para o programador. Em alguns lugar vc vai também desenhar a interface e a estrutura do sistema.
    Gosto muito de análise porque a gente tem um conhecimento geral das coisas, sem precisar ser expert em nada.
    Um engenheiro de software disse-me que não estão mais usando analistas, corte de custos. O que é uma pena, e um tiro no pé. Toda vez que vi um programador analisando um sistema as coisas não deram muito certo.
    Terminando: apesar de gostar do serviço fui para outra área, tinha gente mais jovem que sabia muito mais que eu, apesar de estar seguro vi que estava sem espaço.
    A quantidade de conhecimento que vc precisa dominar a absurda, e vc só vai conseguir este domínio praticando e só vai conseguir praticar em um emprego. Cruel.
    Mais uma coisa: mesmo sendo um órgão público era muita pressão, travei a coluna várias vezes por conta de nervoso. Lembrando: não ia ser mandado embora porque tenho estabilidade, mesmo assim a pressão bate forte. Tenha em mente isso também: como vc lida com as pressões do trabalho. Boa sorte!!

    1. Quanto a IA: sim, a IA já substitui programadores.
      Já ouvi de engenheiros de softwares que em IA dedicadas basta inserir o requisito que elas devolvem o código. A coisa está feia.

      1. Subscrevo o que o colega Juarez disse.
        Além disso, mais de um conhecido meu migrou de área para dev com pouca ou nenhuma formação na área e usa as LLMs (GPTs e afins) para “programar” pra eles. Eles só reveem o código e se der algum erro, eles copiam o texto do erro e colam no chat da LLM pra ela resolver.
        Se as IAs não estão substituindo diretamente os devs, pelo menos estão aumentando a competição no setor (com código de qualidade variável, mas isso é outro assunto)

  10. nunca é tarde pra recomeçar. e parabéns por ter uma carreira aos 30 anos. tbm estou nessa e não posso dizer que tenho uma rs resolvi apostar em concursos com o intuito de algum dia poder me aposentar, estou tendo que reaprender a estudar, me achando velho, que minha moleira fechou pra aprender coisas novas, mas seguindo, pq parado não posso ficar.

  11. Não tenho o que contribuir, mas me vejo em situação parecida com a sua, acabei de fazer 31 anos, e entre várias coisas que estou repensando na vida, a área profissional é uma das principais, infelizmente não consegui criar uma carreira, fui pingando em todos os tipos de trabalhos possíveis na região onde vivo.

    No momento estou como auxiliar de marketing, numa indústria, e apesar de gostar muito de trabalhar com design, venho perdendo as perspectivas de ter um futuro nisso, também já passei por agências e não foram experiências legais, e mesmo aqui, é um tanto deprimente. Então as vezes fico pensando o que poderia fazer pra sair dessa, talvez mudar de área ou especializar em alguma coisa, não sei, vou acompanhar os comentários do pessoal.

  12. Já migrei, fazendo o caminho inverso do habitual: tive uma formação inicial na área de TI (desenvolvimento de software), depois migrei para a contabilidade.
    Inicialmente comecei uma graduação em engenharia de software, a qual tive muita dificuldade para concluir, tanto pela dificuldade intrínseca do curso quanto pela minha falta de aptidão com algumas disciplinas, que se tornaram um verdadeiro calvário. Aos trancos e barrancos consegui me formar, e embora tenha feito meus estágios durante o curso, bem como tenha tido alguns empregos na área, nunca me vi fazendo aquilo a vida toda, era algo que exigia um esforço mental sobrenatural, me sentia completamente sem forças ao final do expediente, o trabalho sugava toda minha energia. Por sorte, pouco tempo depois fui nomeado para um concurso na área administrativa, onde pude deixar de lado minha formação e descansar um pouco minha mente, que estava a ponto de adoecer, literalmente.
    Após um tempo só trabalhando, próximo dos 30 anos de idade, resolvi iniciar uma nova formação, e escolhi a contabilidade. Tive muito mais afinidade com essa área, o que se refletiu em muito mais facilidade em concluir o curso, inclusive em passar na prova do conselho na primeira tentativa, com folga (essa prova tem índices de aprovação bem baixos, semelhantes ao da OAB). Quando estava na metade final do curso, rolou uma transferência para a área contábil do órgão onde trabalho, e estou lá até hoje. Após terminar a graduação, fiz alguns concursos para contador, e estou na lista de espera prestes a ser nomeado para um deles.
    Hoje eu nem penso em uma terceira graduação, mas se mais pra frente eu cansar da contabilidade e mudar de ideia, por que não? Sempre é tempo de recomeçar e ir atrás de algo que você gosta.

  13. Já migrou de carreira? Não, mas minha esposa sim.
    Ela saiu de um mestrado em biotecnologia – dissecava mosquitos com dengue pra analisar a digestão do vírus no intestino sob certas condições.

    Ela entrou super empolgada e saiu depressiva e quase jogando tudo por alto – só não jogou porque ela recebia bolsa e teria que devolver tudo que ela recebeu de uma vez, e a gente não tinha esse dinheiro, ela se forçou e entregou a duras penas. Os problemas foram relacionados a falta de infraestrutura e ausência praticamente total do orientador.

    Depois, tentou algumas vagas no mercado, geralmente laboratorio de exames. Mas, com a formação, ela seria autorizada a fazer uma quantidade menor de exames que pessoas de outra formação (desculpa, nao lembro qual). Pela lógica do capitalismo, não faz sentido contratar 2 pra fazer coisas diferentes, quando 1 pode fazer tudo, né. Então foi mais literal depressão.

    Dado tudo isso, ela apostou muito em migrar pra TI, dedicou tempo e cursos que seriam equivalentes a um tecnologo em TI focado em programação. Teve sorte de participar de um bootcamp com parceria da Ambev, onde algumas pessoas poderiam ser contratadas, e conseguiu a contratação.

    Na empresa, ela ficou um tempo em backend, conseguiu migrar para área de dados. E de lá pra cá a carreira deu uma solidificada em dados. Ela já mudou de empresa nesse meio tempo, e está na 99.

    Aí, algumas coisas que eu penso.
    – Dedicação super ajuda, mas infelizmente vai envolver um pouco de sorte. E é bom ter isso em mente, até para não desanimar ou ficar deprimido.

    Tecnologia “vive” sendo noticiada como a área onde sobram empregos, faltam profissionais, etc… Mas, a realidade é um pouco mais dura. Eu aconselho a olhar vagas da sua região para nivel junior, e começar a entender o que costuma aparecer, quais requisitos e o volume que aparecem. Por mais que vagas remotas existam também, eu sinto que vai ser mais fácil começar em algo presencial ou semi-presencial.
    De fato não sei o nível de toxicidade que você lida no dia a dia, mas não subestime tecnologia. Infelizmente é sorte também. Consultoria de TI, por exemplo, tende a ser “moedor de carne”. Já tive na situação de pensar em acabar comigo.
    Por hora programador não é substituído pelo chat gpt. Inclusivo teve um gringo que tentou, demitiu a equipe e se ferrou bonito. Foi bom você ter citado, porque é importante você saber usar chat gpt a seu favor. O livro Think Python da última edição foca nisso e tem versão gratuita online. https://allendowney.github.io/ThinkPython/chap00.html
    Platores salariais também serão naturais em tecnologia. A tendência é chegar a sênior e ser empurrado a virar gestor de pessoas ou um cargo especialista (Tipo arquiteto). Eu sou autista, não me sinto confortável e nem com “apetite” para os desafios de ambas as perspectivas rs e meu plano é me manter como senior mesmo.

  14. Nunca é tarde pra começar. E pior é ficar a vida toda pensando o que poderia ter acontecido caso se arriscasse em uma nova área.

    Eu mudei de área aos 36 anos. Me formei em Engenharia de Produção e a vida toda trabalhei na programação de uma fábrica de equipamentos para extração de petróleo.

    Surgiu-me a oportunidade de migrar para a área de suporte técnico de uma empresa de software empresarial, e eu só fui. Nunca havia trabalhado na área, mas desde sempre gostei de tecnologia, sites, blogs e tudo mais. Tudo o que eu precisaria saber, a empresa me treinaria.

    Estou muito feliz e não me arrependo nem um pouco. Sai de portas abertas, se eu precisar, volto e é isso.

    Vai atrás do que você deseja, independente da idade.

  15. Primeiramente, parabéns por ter uma carreira aos 30 anos porque a maioria nem isso. Também sou jornalista e migrei de carreira em outubro/2022 (aos 37 anos) sem querer querendo. Eu já era servidora pública, mas trabalhava numa TV estatal onde eu era redatora, produtora, roteirista, editora… Passei em outro concurso público, também na área de comunicação, mas numa autarquia pequena. Minhas funções passaram a ser fiscalizar contrato, fazer pesquisa de preços públicos, atualizar planilha de preços, digitar documento no SEI, fazer relatório, digitar e mandar ordem de serviço para as empresas terceirizadas. Sim, é tão chato quanto parece, talvez mais. Pra piorar, minha carga horária era de 25 horas por semana e passou para 40.

    Também aprendi HTML e CSS na adolescência, na faculdade, desde os 16 anos mantenho meu blog e continuo estudando outras linguagens como hobby. Desde a época da faculdade, me perguntam porque não vou para a área de tecnologia. Já cheguei a ser “webdesigner” na época dos sites em flash e percebi que eu realmente só gostava de fazer site pra mim, não para os outros. Felizmentem ainda é hobby, assim continuo gostando. Como sou curiosa, estou fazendo uma pós em Ciência de Dados e ela está me provando que, se eu fosse realmente trabalhar com tecnologia, eu seria ainda mais entediada do que fazendo pesquisa de preços para pregão.

    Ainda tenho esperança de voltar a ser jornalista, mas provavelmente terá que ser de forma independente, em cinema documental ou algo assim.

    Mas espero que você encontre o caminho. Como hoje há uma grande variedade de cursos online, você poderá experimentar antes de decidir exatamente o que quer fazer na área de tecnologia. Boa sorte!

    1. Infelizmente esse vai ser o futuro do servidor público, apenas fiscalizar contratos. Quando isso aconteceu comigo eu caio fora (mas provavelmente caia fora antes).