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metrificação da vida

Chegou aquela época do ano em que as plataformas de mídia apresentam as retrospectivas de consumo individual para seus assinantes (wrapped no spotify, replay no apple music, etc — até o ifood tem dessas).

Com as retrospectivas vêm os compartilhamentos nas redes e aquela sensação sufocante de que todo mundo está metrificando cada aspecto de sua vida cotidiana: “atingi 10 mil minutos de músicas ouvidas, assisti a 200 filmes, terminei 10 temporadas de séries, li 1000 páginas de livros” etc

Eu poderia elaborar aqui toda uma crítica a esse fenômeno de transformação da vida numa grande planilha de excel, mas me limito simplesmente a dizer que…

gente, estou exausto. Vocês também não estão?

22 comentários

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  1. eu gosto das estatisticas, tanto q eu uso o last fm faz muitos anos. no começo, eu tinha até um plug in pra carregar no site o q eu tinha ouvido no ipod. eu me divirto em ver o q eu ouvi, gosto de ter esses dados. eu vejo com um olhar de ver como foi, não de quantidade e produtividade.
    mas a retrospectiva do spotify é meio falha, pq não te dá os dados todos, eu sinto q fica algo incompleto pq não conta o q eu ouvi de outras formas, e aí nem dá vontade de compartilhar qdo não sinto q representa msm o meu ano.

  2. Mesmo trabalhando com dados, eu sou bem indiferente, na maioria das vezes ignoro (esse ano nem olhei a do Spotify ainda). Mas tem outro aspecto social dela que eu gosto. Ano passado calhou da retrospectiva sair em um dia que eu tava trabalhando presencialmente no escritório. A hora do almoço foi basicamente a galera passando os celulares de mãos em mãos ou pedindo pra ver o dos outros pra saber como ficou. Passou um pouco aquela sensação de levar sua coleção física de CDs e ficar compartilhando com amigos no recreio.

    Eu até gosto de registrar coisas que leio/assisto/jogo, mas faço mais por mim mesmo, gosto de ter esse controle até para fazer fichamentos e guardar algumas informações relevantes. Mas não sou um grande fã de metrificar TUDO (tenho ojeriza à ideia de smartcoisas quantificando passos, calorias ou qualquer outra coisa do gênero que eu nem sabia que precisava ser mensurada).

  3. Como muitos aqui, não gosto do aspecto “social” das retrospectivas. As plataformas se aproveitam da nossa vontade primal de se sentir superior ao outro para nos fazer engajar. Afinal, ser superior ao vizinho, em algum momento da história formativa da humanidade, garantiu a sobrevivência de uns.
    Dito isso, gosto de usar esse tipo de dado como uma auto-avaliação do meu ano. Seja no aspecto do que eu ouvi ou do que ocupou meu tempo de forma geral. E como alguns eventos do meu ano influenciaram o que eu consumi.
    Eu gosto muito do “relatório de uso” que o iPhone me mostra toda semana. Me lembra de sempre diminuir o tempo que passo olhando para o celular Em semanas que o uso aumenta, eu acabo por tomar medidas pra ficar mais tempo longe das telas. E eu gosto que seja uma notificação. Se o recurso estivesse lá mas eu tivesse que ativamente busca-lo, ia cair no esquecimento.

  4. Os dados estatísticos são legais de ver. Inclusive, o post sobre números grandes do manual sempre tem informações interessantes.
    Já sobre meus números pessoais, eu só sabia do Spotify hahaha nem sabia que tinha isso pra outros aplicativos.

  5. Acho interessante que isto parece um resquício de um período da internet, onde a galera compartilhava sobre o seu dia, tinham pessoas que publicavam tudo o que faziam. Então, acredito que isto é só a evolução e encapsulamento daquela internet, só que agora compartilhamos em algum momento específicamente decidido por uma empresa no ano.

  6. Ah, talvez seja a engenharia falando, mas eu adoro essas restrospectivas! hahaha

    É interessante, traz a sensação que usamos nosso pouco tempo para fazer o que queremos continuamente, além de ter a possibilidade de registrar suas experiências sobre determinadas coisas que gosta: a resenha de um filme ou livro, a sensação de ouvir a mesma música, etc.

    Não me sinto exausto por isso; talvez me falte o “ócio criativo”, mas não só busco usar meu tempo livre para experiências com livros, filmes, uma boa comida ou uma viagem (sem necessariamente “postar” isso…) como acho uma tremenda perda de tempo navegar “ao léu” pela web.

    Aqui em casa, sou um grande crítico dos que assistem vídeos aleatórios no YouTube, Reels no Insta em demasiado, assiste o “Cidade Alerta” todo dia, etc…

    Mas talvez eu que esteja errado e tenha uma visão um tanto… “elitista” do que é experienciar as coisas… Por quê preciso aprender algo que considero “superior” ou “agregador”? Não sei responder o porquê dos meus critérios…

  7. Uma vez usei um aplicativo pra contar calorias ingeridas e desisti logo nos primeiros dias. Sem paciência nenhuma para anotar todos os alimentos que comi, buscar no app a marca de alimento x para registrar exatamente os nutrientes, etc. Atualmente registro e acompanho horas de sono, atividade física, finanças e só.

  8. eu acho só uma curiosidade divertida e pronto. Alguns minutos depois mal lembro quantos minutos eu ouvi ou qual foi o meu estilo musical do ano que o spotify inventou

  9. Eu ainda sou um adepto do rádio, então eu fico de fora dessa brincadeira.

    Mas pra entrar nessa história, eu tenho 4 rádios favoritas no meu celular (3 da minha região e 1 de SP)

    “Fazendo uma conta por cima”, ouvi mais bailão (ritmo regional no RS) do que outros ritmos. Rainha Musical sendo a minha trilha dos últimos 12 meses 😅😅😅

      1. 88,7 de Novo Hamburgo. Aliás, o que mais tem lá em NH é rádio. Tem umas 4 ou 5 estações por lá.

  10. Quando começaram a usar algum valor como métrica, tudo foi metrificado. O tempo metrificou a vida diária. O dinheiro metrificou a relação com vida. Aí tudo é posto parâmetro, sendo que a vida no final é mais um acaso do que uma razão certeira e absoluta. E no final, a tal “razão certeira e absoluta” é so uma desculpa de “quem tem o poder” (dinheiro, posses) para manter os mesmos, ou melhor, para eles justificarem o porquê de terem. Metrificação gera metritocracia, diga-se.

    Como dizem, “ignorância ‘é uma benção'” – talvez o fato de não sabemos tudo sobre o universo ajude a sobreviver com um pouco mais de leveza. Imagine descobrir porque realmente vivemos? E vai saber se é realmente se vivemos justamente para metrificar algo?

    1. Há alguns (eu inclusive) que acreditam que vivemos numa espécie de simulação. Talvez um ser ou seres criaram o nosso universo apenas para ver nos observar e estudar…

  11. Eu pouco me importo… Ainda mais por que sequer uso streamings…

    Você deveria tentar se importar menos também.

    1. Deixar de se preocupar com trivialidades que outros fazem é o segredo da felicidade.

      Mas todo mundo quer postar em algum lugar que não gosta ou tá de saco de cheio de algo.

  12. Eu até gosto de ver na retrospectiva dos apps, quais comidas mais pedi, em quais restaurantes, que artistas e músicas mais ouvi, etc.
    O que me cansa é o compartilhamento dessa informação. É o tipo de coisa que quero saber só pra mim, por curiosidade mesmo, e não quero expor ao mundo. A partir do momento que se compartilha, parece que se cria um clima de comparação, de “competição”, sei lá.

    1. Concordo muito com o Eduardo. Eu acho interessante ver como meu gosto mudou durante o ano e foi influenciado pelo que acontecia na minha vida em cada época.

  13. Curioso, eu vejo esse tipo de post e pra mim não tem tanto impacto. A pessoa ouviu 1.000 minutos durante o ano, ou foram 10.000, 65.536, 500.000, 1 milhão de minutos. O que isso significa exatamente? Pra mim, é apenas uma estatística que não tem valor, se eu não tenho um parâmetro ou objeto para comparar (e nem tenho interesse em ter). Talvez pra alguém tenha? Só serve pra compartilhar mesmo, como uma ferramenta de engajamento do app.

    A parte de “artistas mais ouvidos” ou “músicas mais ouvidas” (considerando os apps de música), já trazem um pouco mais de informação, na minha opinião. É o fenômeno “camisa de banda de rock”, só que nas redes sociais, e com uma métrica pra confirmar.

    Sobre a questão da metrificação da vida, eu até concordo, como foi o caso do Ghedin que contou sobre a pulseira inteligente com o intuito primário de coletar dados (eu também já usei uma das primeiras versões da Mi Band, que só tinha contador de passos, e não tinha sequer relógio. Não durou muito tempo comigo). Acredito que isso se aplica também nesses sites para registrar coisas (livros lidos, séries e filmes assistidos, etc). Mas no caso de apps de streaming que, no final do ano, mostram essas estatísticas, não me incomoda muito, não.

    1. Só pra adicionar: como o Ghedin falou, talvez o que incomode mesmo seja o compartilhamento dessas informações (como uma forma de dizer: “eu gosto dessa coisa X, tá aqui minha carteirada na forma de estatística”), não a metrificação em si. E talvez por isso mesmo que as pessoas usam esses sites de registro de métricas. Comigo acho que nunca pegou.

  14. Acho que estamos mais cansados da divulgação dessas retrospectivas do que delas próprias. (Eu, pelo menos, me sinto assim.)

    Ok, talvez não seja só isso. Também ando meio sem paciência para métricas e dados meus e que só eu vejo. No final de 2023, parei de monitorar um bocado de coisas que monitorava. O mais curioso foi o que desencadeou essa reviravolta: usar uma pulseira inteligente que acrescentou mais dados aos que eu coletava. Fiquei umas três semanas com aquilo no pulso até um dia em que me peguei não conseguindo justificar, racional ou emocionalmente, o porquê de eu estar fazendo aquilo.

  15. Se você pensar nesse tipo de comparação de dados compilados como um fator de diferenciação social, não é tão estranho assim.