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Mercado de tradução em tempos de IA

Olá pessoal! Bom fim de ano a todos.

Recentemente comecei a oferecer alguns serviços nos quais não sou exatamente formado, mas tenho habilidades adquiridas através da prática e estudos paralelos.
Um deles é a tradução de trabalhos científicos do português para o inglês.
Apesar de ter demanda, fico pensando sobre o futuro a médio e longo prazo para este mercado, com as inteligências artificias ficando cada vez melhores neste tipo de trabalho.
Alguém trabalha na área ou já refletiu sobre isso também? Gostaria de ler opiniões :)

10 comentários

10 comentários

  1. não sei se o mercado para tradutores vai diminuir, mas imagino que seu trabalho vai ficar bem mais fácil: faz uma primeira passada por algumas IAS, depois refina os resultados

    1. É mujito mais trabalhoso revisar conteúdo automático que traduzir de fato. Tradutores não traduzem linha a linha utilizando o Word, existem softwares especificos de CAT que gerenciam os projetos de tradução. E nesses softwares vocês tem glossários, memórias de tradução e bases terminológicas que servem, principalmente, para manter a coesão da tradução/revisão e não ter que repetir a revisão diversas vezes do longo de um texto.

  2. Eu penso que, depois que a galera que paga por tradução cansar de apanhar por ter confiado em tradução de IA, as coisas devem estabilizar. Não acho que vão substituir tradutores humanos, assim como a invenção das calculadoras não acabou com os matemáticos

    1. Claro que não, quem faz conta é engenheiro, não matemático.

      E se tirar a calculadora HP do engenheiro, ele morre.

      (piadas típicas de matemático)

  3. Acho que vai diminuir o tamanho do mercado mas apenas da parte de documentos não formais. Para documentos informais deve sempre continuar porque alguém vai se certificar que está certo. Porém pode ser que fique tão fácil dirigir que muita gente entre e aí fique precarizado/desvalorizado/desequilibrado para o lado da oferta.

    1. Hmmm, para mim, o futuro é o contrário: traduções juramentadas e para outras empresas gerando demanda (e limitado pela comprovação de experiência/formação da pessoa que traduz), e todo o resto substituído por IAs. Elas dominam muito bem essa parte linguística mais objetiva. Até o tradutor embutido no iOS/macOS da Apple é bem decente. (Os das IAs generativas conseguem até adaptar o tom e estilo.)

      1. Basta você entrar no r/Livros pra ver que não é bem assim.

        Eu estou vendo uma série na Paramount e não há jeito de quem legendou (pela estrutura geral, foi IA) entender que “Jerry” não é uma pessoa específica, e sim como os ingleses chamavam os capacetes dos soldados alemães e, por extensão, nazista ou urinol – depende do contexto.

        Traduzir é, muitas vezes, reinterptetar e reescrever. Por melhor que uma IA seja, está longe de conseguir isso. Imagino como seriam traduzidos todos os nomes em “Harry Potter”.

        1. Não relacionado, mas me lembro do problema que deu porque a Lia Wyler traduziu James POtter para Tiago Potter. Os nerdizinhos ficaram nervosos.

        2. Esse é um dos casos a que me refiro onde ainda haverá demanda para tradutores de carne e osso — produções audiovisuais, livros etc.

          A fatia do mercado que, acho eu, a IA vai devorar, é a de traduções corriqueiras, dentro de empresas e coisas mais simples/que alcançam um público menor.

      2. Tradução juramentada é um nicho mega especifico que nenhum tradutor pode se dar ao luxo de viver exclusivamente. Sem falar, que até onde eu me lembro, só via concurso (e ficam décadas, literalmente, sem ocorrer concursos para a área).

        As IA’s não dominam linguística para traduções especializadas, ou dominam o que já foi feito. Ate você precisa traduzir um expressão, um novo termo ou conseguir encaixar ele dentro de um texto. Daí o trabalho humano vira essencial.

        Claro que jornais estão pouco se fudendo pra isso, nem revisores eles tem, imagina tradutores. Vai ser cada vez mais um festival de tradução errada. E nisso as pessoas aprendem que você pode “aplicar para uma vaga”.