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Marvel e seus futuros filmes

Reparei numa coisa nesses anúncios novos da Marvel e quis vir aqui saber se estou ficando doido ou isso está acontecendo mesmo.

Antigamente, o plot dos filmes, e seus detalhes mais importantes, eram um quase completo mistério. Você realmente era surpreendido na sala de cinema.

Mas recentemente, quase todos os elementos de Deadpool e Wolverine já estavam na internet antes do filme. Depois veio a Marvel e mostrou quem vai ser o Doutor Destino (?) e do nada veio um tal de Hulk Vermelho. Tipo, é como se tivessem sendo pressionados a entregar essas coisas pra atrair atenção.

Estou maluco?

Nada de errado, é claro. Só senti uma diferença em como isso era tratado antes, em relação a como é tratado hoje.

14 comentários

14 comentários

  1. Cara, vou ser sincero, não aguento mais filmes de super-heróis, de boneco… Não quero pagar de “diferentão” mas tenho consumido cada dia menos mídia norte-americana, peguei um nojo desses filmes infinitos.

  2. A Marvel, ou melhor dizendo a Disney, virou refém de si mesma pois como não consegue emplacar algo novo e fica fazendo caldo requentado dos filmes que já fizeram sucesso. Um exemplo é o Toy Story que terá um QUINTO filme (candidato à Velozes e Furiosos da Disney). Não há como fazer mistério de um quinto filme. Eles tem que entregrar a história de bandeja para motivar o público à ir até o cinema para ver o “Andy já adulto”. Sobre a Marvel, especificamente, trazer de volta o Robert Downey Jr, me parece aquela estratégia (questionável) do futebol de quando nada deu certo, traz o treinador que um dia já foi campeão pelo clube para assim, tentar, arrumar a casa. O famoso sentimento de: Agora vai!

  3. Eu já tô de saco cheio de Marvel. No início era um deleite, o primeiro Homem de ferro e o pós créditos indicando Thor (acho que foi no segundo) e um possível vingadores. Hoje, concordo com você, já entregam tudo de bandeja. Filmes cada vez mais engraçadinhos e chatos.

  4. Sem motivação nenhuma para ver nada de super herói. Só um The Boys da massa <3

  5. Olha, entendo nada de Marvel, porém, considerando-se que nos comentários já até expandiram sua observação para trailers de filmes em geral, fiquei pensando se na vdd isso não seria uma atual (e necessária?) tendência de estratégia de marketing aplicada por todos os setores culturais populares (*pontuando que não trabalho com marketing). Por exemplo, vi comentários de que o público leitor – notadamente de romances – anda exigindo que as editoras informem explicitamente o tropo das tramas, que digam detalhes do que se trata a história (ou seja, não vale mais uma sinopse em cima do muro, pois isso não venderia livros). Daí, também me recordei de um cantor pop internacional com décadas de carreira compartilhando que, no passado (+- final 90s-2000), eles faziam um tremendo mistério em torno dos lançamentos, real esforço para esconder as coisas; enquanto hoje eles precisam soltar vários e constantes spoilers em redes sociais para tentar atrair a atenção para os novos discos, trabalhos etc. Enfim, não sei se confere minha hipótese, mas fica aí o devaneio. Se confirmado, acho q seria divertido refletir sobre os motivos disso.

    1. Bons pontos.

      Quando a mídia era só passiva – no caso as emissoras de TV e Rádio – a preocupação com alimentar quem consome estas mídias era só de atender anseios de audiência. Deu audiência? Vai mais uma temporada, um filme ou algo dentro do universo. Afinal, é tudo capitalismo, é vender produto da marca, brinquendo, cuecas, etc… Isso falando de séries, filmes e similares.

      No caso de músicos, acho que dá um pouco que diferença pois músicos dependem MUITO da audiência – da compra de músicas em plataformas nas condições atuais, ou dos inúmeros replays em rádios antigamente. Ambos culminando em shows , e dependendo claro, produtos relacionados ao músico caso o mesmo se ponha como um produto, uma celebridade/influencer.

      Quando as mídias eram passíveis, era bem mais fácil controlar a venda dos produtos, e a criação de expectativa era uma forma de marketing também. Como bem você coloca, agora a viralização de trechos do produto de mídia é uma forma de tentar fazer as pessoas consumi-las. Em casos extremos, a pessoa cria uma atenção para si para tentar se vender.

  6. da Marvel, eu só espero que não estraguem o que iniciaram ali em Echo, parada urbana, mais fechadinha e com um sanguezinho a mais pra dar um tchan. hahahahha

    que venha demolidor, justiceiro, luke cage (pq não sonhar?)

    cansei dessas histórias mirabolantes de multiverso, mundo acabando, seres que soltam um peido e destroem metade do universo, etc.

  7. Como já disseram, os trailers de filmes já estavam com uma mudança estrutural nos últimos anos onde passaram a dar cada vez mais detalhes do filme que estavam anunciando. Comparando com os primeiros trailers na história do cinema, lá nos anos 40 para trás, onde eles consistiam apenas nos primeiros minutos do filme original cortados e exibidos, os atuais já praticamente estragam a história para você, e é por isso que só os vejo para filmes que estou na dúvida se quero mesmo ir ver.

    Agora, este novo grau de antecipação da marvel, onde só falta publicar o roteiro do filme como um livro bem antes do filme, é por causa de um desespero econômico que estão tendo nos últimos filmes e séries. Após o vingadores de 2019, eles estão tendo um desempenho bem irregular nas bilheterias (que afinal é o objetivo real, junto com vender brinquedo e bens derivativos), mas com uma tendência preocupante de filmes que se dão bem são apenas as continuações e finais de personagens das primeiras 3 fases (homem aranha, guardiões, etc), enquanto muitas produções que se dão mal são filmes com personagens novos (que deveriam compôr o novo time dos vingadores, como as Marvels, ou mais histórias paralelas, como os Eternos) ou séries do Disney+ (que são consideradas em maioria medíocres ou Ruins, talvez o Loki que seja a única amplamente chamada de ótima). Como o novo grande vilão após o Tanos, teve o ator principal preso, e eles não gostam de só trocar de ator, eles tão tentando sair da crise emplacando um personagem novo muito famoso nos quadrinhos (dr destino) e apelar pra nostalgia do Robert D. junior.

  8. Não me surpreende já que eles tão adaptando os quadrinhos

  9. Não acho que isso é tão recente. Já tem um tempo que faço questão de não ver trailer desses filmes justamente porque acho que entregam detalhes demais

  10. eu detesto falar sobre a marvelização de Hollywood porque fatalmente aparece gente achando que eu as estou ofendendo pessoalmente ao criticar uma coisa que elas gostam em profundidade…

    mas o fato é que a marvelização foi das piores coisas que aconteceu ao cinema comercial estadunidense nos últimos anos — se por um lado esses filmes encheram as salas de cinema, por outro eles levaram a uma monopolização excessiva e ao cultivo de péssimas práticas e fórmulas na produção de filmes

    os elementos nocivos da marvelização são inúmeros, mas vou me limitar a um único elemento que tem a ver com o que você está falando: o eterno orgasmo não atingido na grande masturbação pudica que são esses filmes

    acredito que foi nos vídeos do alexandre linck que vi esse comentário pela primeira vez, anos atrás, mas acho que continua bastante válido:

    a cada novo trailer, a cada nova cena pós-crédito, a cada novo anúncio de uma nova leva de filmes, a cada nova sugestão de easter egg ou “cameo”: os filmes da marvel são uma eterna sequência de punhetas cujo orgasmo nunca é atingido e é sempre adiado para o filme seguinte

    é pura neurose, é ansiedade em estado permanente

    o que menos importa nesses filmes é a experiência de assisti-los, mas, ao contrário, a promessa do orgasmo que nunca vem

    o problema dessa fórmula baseada no cultivo eterno da ansiedade é que chega uma hora que ou ela explode ou ela cansa

    (e, espero, também chega uma hora em que os eternos adolescentes que são o público-alvo desses filmes cresçam)

    1. “os filmes da marvel são uma eterna sequência de pu***s cujo orgasmo nunca é atingido e é sempre adiado para o filme seguinte”

      Achei engraçado essa analogia, que na verdade pode ser aplicado a boa parte das séries e produtos de mídia que são feitos serializados, como quadrinhos também. Não é só uma questão da Marvel, mas, talvez já só teorizando dado que não estudo mídias, toda série tem esta premissa de criar uma atenção para o próximo capítulo, episódio ou similar.

      Acho que a melhor analogia seria “filmes de heróis acabam como uma grande série ou quadrinho, sem nunca um final total”. E isso me lembra aquelas discussões que ocorreram sobre justamente este tipo de mídia por aqui dias atrás.

      Pensando aqui que as mídias popularizadas pelos americanos nos anos 70-90 sempre foram nessa premissa de “até o próximo episódio”. E muitas vezes deparamos com cancelamentos ou finais abruptos. Séries que duraram anos e só foram cancelados devido a redução da audiência.

      Mangás mesmo tem muito esta premissa, o que até sempre gera um estresse aos criadores. Um dos maiores produtos de mídia local do Japão é o compliado de quadrinhos, como a Jump. Se uma série dentro dela durar um número de capítulos mais do que uma média (creio que são 30 capítulos0, provavelmente o autor ficará feliz de imaginar que a série vai render ao menos um ou dois anos de serialização, só que isso custa a vida dele, dado que tem prazos e tudo mais de entrega. Não sei exatamente como é nos quadrinhos americanos, mas imagino que é quase a mesma premissa.

      Só que a diferença é que geralmente e aparentemente é difícil ver uma variedade de produções temáticas de quadrinhos (ao menos no exterior, alguém provavelmente me corrigirá). No Japão, que antes tinha um mercado mais fechado, começou a abrir aos poucos – a Jump mesmo tem um site com séries para acompanhar. E a variedade temática é bem diferente, além de ver diversas histórias, sejam curtas (dizem que “Look Back” é muito bom) ou tão longas quanto as serializações dos heróis americanos (One Piece é um dos exemplos), de diversos temas, desde os clássicos “para adolescentes”, “para mulheres” até temas mais adultos. Parece que países europeus também tem variedade de produções locais, mas não vejo tanta propaganda e viralização por aqui (TinTin é um exemplo – e sim, sei que tem preconceitos embuitdos, etc…).

      Voltando um pouco, acho que isso é o ponto entre o capitalismo e a arte. Artistas precisam de recursos. Então, criar um produto de mídia que fará sempre alguém consumi-lo é o sonho de quem lida com isso. Teria que mudar mentalidade, mas já são quase meio século de produções de todos os tipos que tem esta premissa de “sempre se vender”.

      Adendo sobre o autor da frase: ouvi falar dele já e soube que ele é um cara bem difícil de lidar, apesar dos bons insights dele.