Leitura longa e imersiva da revista do MIT: fazendas de monocultura de eucalipto (espécie invasiva, que consome muita água e não beneficia ecossistema) são o caminho verde da megacorporação.
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Leitura longa e imersiva da revista do MIT: fazendas de monocultura de eucalipto (espécie invasiva, que consome muita água e não beneficia ecossistema) são o caminho verde da megacorporação.
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Ótima leitura mesmo. É uma questão cheia de nuances e que parece inescapável da lógica do capitalismo. Não basta que o reflorestamento mantenha o bioma saudável, é preciso que ele “se pague”.
Talvez eu esteja equivocado, sei lá, mas o mercado de créditos de carbono me parece uma tentativa de subjugar a natureza às regras do capital. O que… sei lá, não acho que vá funcionar.
Sim, o mercado de créditos de carbono é exatamente isso. Dentro da lógica capitalista, até poderia dar certo – um setor que tem menos margem para mitigar emissões compra créditos de um projeto e, assim, compensa o que emitiu a mais.
O problema é que 1) tá cheio de projeto picareta que vende crédito fraudulento, sem fazer a devida compensação (por aqui mesmo já foram compartilhadas matérias a respeito, com casos de empresas comprando créditos falsos; e 2) com a promessa de que é possível compensar suas emissões, o mercado de créditos de carbono acaba sendo um estímulo para que as emissões continuem aumentando, ao invés de caírem. Daí quando a promessa não se cumprir (como no caso da promessa de que tudo pode ser reciclado e só 1% acaba sendo, mantendo a produção de lixo em aumento contínuo) será tarde demais
Creio que exista um 3) aí: mesmo pessoas bem intencionadas não conseguem garantir, com absoluta certeza, que uma área de preservação atrelada a créditos de carbono será preservada ou que a preservação dessa área não vá deslocar o desmatamento para outras, só mudando o problema de lugar.
Sim, com certeza. Se a gente entrar em todos os pormenores, a listagem numérica vai longe. Mas isso acontece, mesmo: áreas que deveriam ser preservadas e sofrem invasões e crimes ambientais. Por isso a governança precisa ser bem robusta, com verificações contínuas. E esse problema da migração da destruição de uma área que passa a ser controlada para outras áreas também rola, é o que tem acontecido com as Terras Indígenas, por exemplo.
O quão estúpida uma empresa de tecnologia pode ser? Plantar uma única espécie não é reflorestamento, nem sequer é uma medida “verde” de fato. É assustador, isso sim